O confinamento social veio alterar os hábitos de consumo mediático dos portugueses, que passaram mais tempo em frente à televisão e em contacto com amigos e familiares, quer por via telefónica, quer através das redes sociais.
O Obercom tem seguido, de perto, esta realidade, dedicando alguns relatórios ao acompanhamento do impacto da crise pandémica no ecossistema português.
No seu mais recente estudo, “A pandemia e os consumos mediáticos”, o Obercom debruçou-se sobre as dinâmicas comunicacionais da sociedade portuguesa, por considerar que estas são uma peça-chave para a estruturação de soluções.
De acordo com o relatório, a utilização de serviços “online” registou um aumento exponencial, quer a nível de consulta de notícias, quer a nível de consumo de conteúdos lúdicos, com um quinto dos portugueses a subscreverem algum serviço de informação ou de entretenimento “online”, de que não dispunha antes da pandemia.
Neste quadro de análise, os serviços de “streaming” de vídeo, tais como Netflix e HBO, aumentaram o número de assinantes.
É, ainda, de salientar a elevada taxa de fidelização destes produtos, já que 84,4% dos que subscreveram algum serviço dizem não querer cancelar nenhum vínculo comunicacional.
Na análise por gerações, os mais jovens aderiram, em maior proporção, a diferentes práticas e formatos de “media”.
Como já foi referido anteriormente, o consumo noticioso intensificou-se. Contudo, a linha editorial que registou maior adesão foi a de opinião, sendo dada preferência a artigos partilhados no Facebook por marcas noticiosas, como o “Público” e “Observador”.
As fontes mais utilizadas foram os motores de pesquisa, seguidos pelo Facebook, Instagram e Twitter.
Os portugueses consideraram, na sua maioria, que os “media” foram importantes durante a pandemia. Ainda assim, 71,6% dos inquiridos dizem ter-se deparado com desinformação e 43,6% afirmou ter dificuldade em saber o que é verdadeiro e falso sobre o Coronavírus.
A maioria dos inquiridos não considerou que a comunicação social tivesse exagerado a gravidade da pandemia (42,5%) e apenas 23,7% dos portugueses disseram estar confusos quanto ao que podem fazer em resposta à crise causada pela Covid -19.
Quanto à avaliação das instituições oficiais perante a pandemia, o Governo e o Presidente da República foram as entidades melhor avaliadas, praticamente no mesmo grau, seguidas pela Direção Geral de Saúde e pelos órgãos de governação local.
O relatório destaca, ainda, um crescimento no volume de compras “online”, com 37% dos portugueses a adquirirem, mais frequentemente, produtos alimentares, roupa, produtos tecnológicos e livros através de plataformas digitais.
Leia o relatório original em “Obercom”
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
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Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.