Quarta-feira, 2 de Dezembro, 2020
Estudo

Relatório do Obercom analisa variações do consumo mediático

O confinamento social veio alterar os hábitos de consumo mediático dos portugueses, que passaram mais tempo em frente à televisão e em contacto com amigos e familiares, quer por via telefónica, quer através das redes sociais.

 O Obercom tem seguido, de perto, esta realidade, dedicando alguns relatórios ao acompanhamento do impacto da crise pandémica no ecossistema português.

 No seu mais recente estudo, “A pandemia e os consumos mediáticos”,  o Obercom debruçou-se sobre as dinâmicas comunicacionais da sociedade portuguesa, por considerar que estas são uma peça-chave para a estruturação de soluções.

De acordo com o relatório, a utilização de serviços “online” registou um aumento exponencial, quer a nível de consulta de notícias, quer a nível de consumo de conteúdos  lúdicos, com um quinto dos portugueses a subscreverem algum serviço de informação ou de entretenimento “online”, de que não dispunha antes da pandemia. 


Neste quadro de análise, os serviços de “streaming” de vídeo, tais como Netflix e HBO, aumentaram o número de assinantes.


É, ainda, de salientar a elevada taxa de fidelização destes produtos, já que 84,4% dos que subscreveram algum serviço dizem não querer cancelar nenhum vínculo comunicacional. 


Na análise por gerações, os mais jovens aderiram, em maior proporção, a diferentes práticas e formatos de “media”. 


Como já foi referido anteriormente, o consumo noticioso intensificou-se. Contudo, a linha editorial que registou maior adesão foi a de opinião, sendo dada preferência a artigos partilhados no Facebook por marcas noticiosas, como o “Público” e “Observador”.


As fontes mais utilizadas foram os motores de pesquisa, seguidos pelo Facebook, Instagram e Twitter.


Os portugueses consideraram, na sua maioria, que os “media” foram importantes durante a pandemia. Ainda assim, 71,6% dos inquiridos dizem ter-se deparado com desinformação e  43,6% afirmou ter dificuldade em saber o que é verdadeiro e falso sobre o Coronavírus.


A maioria dos inquiridos não considerou que a comunicação social tivesse exagerado a gravidade da pandemia (42,5%) e apenas 23,7% dos portugueses disseram estar confusos quanto ao que podem fazer em resposta à crise causada pela Covid -19.


Quanto à avaliação das instituições oficiais perante a pandemia, o  Governo e o Presidente da República foram as entidades melhor avaliadas, praticamente no mesmo grau, seguidas pela Direção Geral de Saúde e pelos órgãos de governação local. 


O relatório destaca, ainda, um crescimento no volume de compras “online”, com 37% dos portugueses a adquirirem, mais frequentemente, produtos alimentares, roupa, produtos tecnológicos e livros através de plataformas digitais.



Leia o relatório original em Obercom”

 

 
Connosco
Crescimento das assinaturas digitais não compensa as perdas na circulação impressa Ver galeria

A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.

Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.

Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.

Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.

Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.

No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.

Movimento de jornalistas franceses contra nova Lei de Segurança Ver galeria

Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.

Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.

Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.

Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.

Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.

A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



ver mais >
Opinião
As eleições americanas, bem como a pandemia provocada pelo  covid-19, têm sido dois poderosos ímanes na  cobertura mediática, e campo fértil para  o exercício do jornalismo, desde o que é   servido com rigor, àquele que obedece  apenas aos cânones  ideológicos de quem escreve. Houve tempo em que se cultivava o sagrado principio da separação da opinião e da...
No final de 2016 a Newspaper Association Of America, que representava cerca de 2000 publicações nos Estados Unidos e no Canadá, anunciou a sua transformação em News Media Alliance, reflectindo a evolução do sector e passando a incorporar as diversas plataformas em que os grupos produtores de informação qualificada se desdobraram ao longo dos últimos anos, coexistindo o papel com os formatos digitais, mas também video,...
Jornalistas: nem heróis nem vilões
Francisco Sarsfield Cabral
No  jornal “Público” de sábado,  J. Pacheco Pereira elogiou Vicente Jorge Silva porque “fez uma coisa rara entre nós – fez obra. Não tanto como jornalista, mas como criador no terreno da comunicação social”. E destacou o papel do jornal madeirense “Comércio do Funchal”, que, apesar da censura, conseguiu criticar o regime então vigente. Até ao 25 de Abril este jornal logrou,...
De acordo com Carlos Camponez , o «jornalismo de proximidade», porque realmente está mais próximo dos leitores da comunidade onde se integra, pode desempenhar um papel fundamental, «assumindo uma perspetiva de compromisso no incentivo à vida pública». Neste contexto, aquele investigador aponta para a ideia da criação de uma agenda do cidadão, o que, por sua vez, «obriga a que os media invistam em técnicas...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
04
Dez
O coronavírus e o Caos estatístico
10:00 @ Conferência "online" da Universidade de Bournemouth
09
Dez
11
Dez
19
Dez
Estratégias de Facebook
10:00 @ Cenjor