Em Espanha, a liberdade de imprensa tem vindo a sofrer condicionamentos, designadamente quando o Governo limitou o acesso dos jornalistas a conferências sobre a covid-19, filtrando as questões a ser colocadas pelos profissionais.
Sensibilizado com a importância dos “media”, o Rei de Espanha, Felipe VI aproveitou uma cerimónia de entrega de prémios de jornalismo promovidos pelo matutino “ABC”, para definir a imprensa como “o oxigénio das democracias”.
Felipe VI elogiou, ainda, os jornalistas, que, apesar das dificuldades, continuaram a exercer as suas funções, em plena pandemia, “com a consciência crítica de que vivemos numa sociedade diversificada e pluralista, característica fundamental do jornalismo exercido na liberdade e na democracia".
"Os jornais continuaram a chegar aos leitores, as edições digitais foram reforçadas e atingiram audiências extraordinárias -- continuou o monarca -- Nos dias mais difíceis da pandemia, a informação, em suma, nunca deixou de fluir".
O Rei agradeceu, também, a todos os profissionais e empresas jornalísticas, "pelo seu trabalho sempre valioso”.
As palavras do Rei surgiram na sequência de críticas tecidas pelo Vice-Presidente do Governo, Pablo Iglesias, que tem vindo a questionar, repetidamente, a liberdade de imprensa, acusando os “media” de perseguição.
Recorde-se que, com a declaração do estado de emergência em Espanha, o Governo promoveu várias conferências de imprensa, com periodicidade diária, adoptando, contudo, um modelo restritivo para liberdade de imprensa, por filtrar as questões dos repórteres e excluir a possibilidade de replicar as perguntas.
De acordo com esse método, os jornalistas enviavam as perguntas para um “chat” no “WhatsApp” e, durante a conferência de imprensa, era o Secretário de Estado da Comunicação, Miguel Ángel Oliver, que lia, em directo, uma selecção das questões formuladas.
Assim, cerca de 300 jornalistas de diferentes “media” espanhóis, entre os quais, uma centena de directores e editores, assinaram um manifesto denunciando a atitude censória do Governo.
Além disso, a FAPE -- Federação das Associações de Jornalistas de Espanha apelou, em comunicado, que o Governo, bem como as administrações regionais, começassem a permitir, gradualmente, a presença destes profissionais em conversas e reuniões.
Só mediante este movimento, o Governo cedeu e recuou no modelo dessas conferências de imprensa.
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.