Quarta-feira, 28 de Outubro, 2020
Media

Felipe VI defendeu jornalismo como “oxigénio das democracias”

Em Espanha, a liberdade de imprensa tem vindo a sofrer condicionamentos, designadamente quando o Governo limitou o acesso dos jornalistas a conferências sobre a covid-19, filtrando as questões a ser colocadas pelos profissionais.

Sensibilizado com a importância dos “media”, o Rei de Espanha, Felipe VI aproveitou uma cerimónia de entrega de prémios de jornalismo promovidos pelo matutino “ABC”, para definir a imprensa como “o oxigénio das democracias”.

Felipe VI elogiou, ainda, os jornalistas, que, apesar das dificuldades, continuaram a exercer as suas funções, em plena pandemia, “com a consciência crítica de que vivemos numa sociedade diversificada e pluralista, característica fundamental do jornalismo exercido na liberdade e na democracia".

"Os jornais continuaram a chegar aos leitores, as edições digitais foram reforçadas e atingiram audiências extraordinárias -- continuou o monarca -- Nos dias mais difíceis da pandemia, a informação, em suma, nunca deixou de fluir".

O Rei agradeceu, também, a todos os profissionais e empresas jornalísticas,  "pelo seu trabalho sempre valioso”.



As palavras do Rei surgiram na sequência de críticas tecidas pelo Vice-Presidente do Governo, Pablo Iglesias, que tem vindo a questionar, repetidamente, a liberdade de imprensa, acusando os “media” de perseguição.


Recorde-se que, com a declaração do estado de emergência em Espanha, o Governo promoveu várias conferências de imprensa, com periodicidade diária, adoptando, contudo, um modelo restritivo para liberdade de imprensa, por filtrar as questões dos repórteres e excluir a possibilidade de replicar as perguntas.


De acordo com esse método, os jornalistas enviavam as perguntas para um “chat” no “WhatsApp” e, durante a conferência de imprensa, era o Secretário de Estado da Comunicação, Miguel Ángel Oliver, que lia, em directo, uma selecção das questões formuladas.


Assim, cerca de 300 jornalistas de diferentes “media” espanhóis, entre os quais, uma centena de directores e editores, assinaram um manifesto denunciando a atitude censória do Governo.


Além disso, a FAPE -- Federação das Associações de Jornalistas de Espanha apelou, em comunicado, que o Governo, bem como as administrações regionais, começassem a permitir, gradualmente, a presença destes profissionais em conversas e reuniões.


Só mediante este movimento, o Governo cedeu e recuou no modelo dessas conferências de imprensa.


Connosco
A cobertura noticiosa nas eleições americanas vistas em países com censura Ver galeria

As campanhas eleitorais norte-americanas têm sido acompanhada um pouco por todo o mundo, já que os cidadãos estão interessados em conhecer as possíveis consequências destas eleições presidenciais.

Perante este quadro, o “Nieman Lab” tentou descobrir quais são as premissas que dominam os “media” mundiais, de forma a apurarem qual o discernimento dos cidadãos, perante os candidatos democrata e republicano.

Após um mês de análise, com recurso a inteligência artificial, o “Nieman Lab” concluiu que a cobertura noticiosa das eleições tem sido, particularmente, intensa no Irão, na Rússia e na China, onde os “media” criticam as acções de Donald Trump.

Os principais temas abordados, pela comunicação social destes países, são os debates presidenciais, a gestão do novo coronavírus e as  políticas de imigração.

Depois do primeiro debate presidencial, a imprensa chinesa questionou a utilidade deste evento para o eleitorado, e criticou a conduta do actual Presidente.

Jornal britânico quer provar que imprensa não tem os dias contados... Ver galeria

Dez anos após o lançamento do jornal britânico “i”, o editor-executivo Oliver Duff diz ter provas suficientes para afirmar que o “formato impresso” vai “prosperar durante muito mais tempo do que a maioria dos especialistas defende”.

Em declarações à “Press Gazette”, Duff afirmou que os jornais impressos têm-se mostrado “resilientes” e inovadores”. 

Além disso, aquele responsável considera que os leitores valorizam este formato por ser “táctil”, ter “curadoria”, e conter muitos “elementos surpresa”, que contribuem para a formação de uma comunidade de cidadãos com valores semelhantes.

Segundo recordou Duff, nos primeiros meses de circulação, o “i” não foi bem recebido pela maioria dos críticos dos “media”, mas conquistou uma base de leitores fiéis, que foram dando “feedback” sobre aquilo que pretendiam consumir.

O “i” tornou-se assim um jornal reconhecido pela sua objectividade factual e isenção política. 

De forma a conquistarem o interesse dos leitores, os colaboradores fazem análises profundas de situações disruptivas e tentam criticar, apenas, “aquilo que tem de ser criticado”.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Opinião
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Agenda
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena
11
Nov
O valor e o futuro dos "media" públicos
13:00 @ Sessões "online" Reuters Institute
24
Nov
Congresso de Jornalismo para Dispositivos Móveis
10:00 @ Universidade da Beira Interior