Sexta-feira, 7 de Agosto, 2020
Media

Felipe VI defendeu jornalismo como “oxigénio das democracias”

Em Espanha, a liberdade de imprensa tem vindo a sofrer condicionamentos, designadamente quando o Governo limitou o acesso dos jornalistas a conferências sobre a covid-19, filtrando as questões a ser colocadas pelos profissionais.

Sensibilizado com a importância dos “media”, o Rei de Espanha, Felipe VI aproveitou uma cerimónia de entrega de prémios de jornalismo promovidos pelo matutino “ABC”, para definir a imprensa como “o oxigénio das democracias”.

Felipe VI elogiou, ainda, os jornalistas, que, apesar das dificuldades, continuaram a exercer as suas funções, em plena pandemia, “com a consciência crítica de que vivemos numa sociedade diversificada e pluralista, característica fundamental do jornalismo exercido na liberdade e na democracia".

"Os jornais continuaram a chegar aos leitores, as edições digitais foram reforçadas e atingiram audiências extraordinárias -- continuou o monarca -- Nos dias mais difíceis da pandemia, a informação, em suma, nunca deixou de fluir".

O Rei agradeceu, também, a todos os profissionais e empresas jornalísticas,  "pelo seu trabalho sempre valioso”.



As palavras do Rei surgiram na sequência de críticas tecidas pelo Vice-Presidente do Governo, Pablo Iglesias, que tem vindo a questionar, repetidamente, a liberdade de imprensa, acusando os “media” de perseguição.


Recorde-se que, com a declaração do estado de emergência em Espanha, o Governo promoveu várias conferências de imprensa, com periodicidade diária, adoptando, contudo, um modelo restritivo para liberdade de imprensa, por filtrar as questões dos repórteres e excluir a possibilidade de replicar as perguntas.


De acordo com esse método, os jornalistas enviavam as perguntas para um “chat” no “WhatsApp” e, durante a conferência de imprensa, era o Secretário de Estado da Comunicação, Miguel Ángel Oliver, que lia, em directo, uma selecção das questões formuladas.


Assim, cerca de 300 jornalistas de diferentes “media” espanhóis, entre os quais, uma centena de directores e editores, assinaram um manifesto denunciando a atitude censória do Governo.


Além disso, a FAPE -- Federação das Associações de Jornalistas de Espanha apelou, em comunicado, que o Governo, bem como as administrações regionais, começassem a permitir, gradualmente, a presença destes profissionais em conversas e reuniões.


Só mediante este movimento, o Governo cedeu e recuou no modelo dessas conferências de imprensa.


Connosco
A missão dos jornalistas é "controlar" o Estado para evitar a tirania em tempo de crise Ver galeria

As catástrofes sociais, paradoxalmente, podem ser benéficas para os jornalistas e para as empresas mediáticas, já que reforçam a importância de um serviço noticioso de qualidade para a segurança dos cidadãos, bem como  para o escrutínio do poder, defendeu José António Zarzalejos num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, perante uma situação catastrófica, os jornalistas anulam os discursos “anti media”, que visam descredibilizar o papel da imprensa, rotulando-a como difusora de “fake news”.

Ora, se a missão dos “media” fosse, de facto, enganar a sociedade, os jornalistas não teriam contribuído para a segurança dos cidadãos durante a pandemia, mas, sim, para o reforço de “teorias da conspiração” e outras formas de desinformação.

Sem os jornalistas, como agentes determinantes no espaço público -- defendeu o autor -- a pandemia teria sido completamente desregulada e ter-se-ia tornado uma praga incontrolável. 


Turquia controla nas redes sociais e condiciona liberdade Ver galeria

O parlamento turco aprovou um projecto de lei que reforça o controlo das autoridades nas redes sociais, um diploma controverso, que suscitou preocupações entre os defensores da liberdade de expressão.

A lei exige que as principais redes sociais, incluindo Twitter e Facebook, tenham um representante na Turquia e que cumpram as ordens dos tribunais turcos, no que toca à remoção de  conteúdos, sob pena de multas pesadas.

Segundo o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, as medidas são necessárias para combater o cibercrime e proteger os utilizadores de “injúrias”, salvaguardando, também, o “direito à privacidade”.

A lei deu os primeiros passos em Abril, mas acabou por ser retirada da agenda política. No início de Julho, o Presidente da Turquia insistiu na necessidade de “pôr ordem” nas redes sociais, depois de a filha e o genro terem sido alvo de insultos no Twitter.

O gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos defendeu, entretanto, que a nova legislação “vai minar o direito das pessoas a comunicar anonimamente”.


O Clube


À medida que prossegue o desconfinamento, apesar da  persistência de sinais que não nos libertam do sobressalto, a vida tem retomado a normalidade possível – ou a nova normalidade. 

Este site tem-se mantido activo, com actualizações diárias mesmo durante o período da emergência e da calamidade, recorrendo ao teletrabalho dos colaboradores do Clube. 

A recompensa, como já mencionámos, foi um expressivo crescimento de contactos, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares,  com mais 50,5% de sessões , comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Com este conforto,  e a diminuição habitual da actividade em Agosto, é a altura do CPI e deste site fazerem uma pausa de férias, com reencontro marcado, para o próximo dia 31, com os seus associados, parceiros, mecenas e  outros frequentadores regulares.

Cá estaremos para continuar a dar conta das iniciativas do Clube e de tudo o que de mais relevante se passar, em Portugal e no mundo, relacionado connosco,  em matéria de “media”, jornalismo e jornalistas. 

Atravessamos um período particularmente complexo  e cheio de incertezas. Mais uma razão para falarmos de nós e dos problemas que se colocam às redacções, cada vez mais condicionadas pelas vulnerabilidades das empresas editoras e pelos seus compromissos de  sobrevivência que, não raramente, agravam a sua dependência. 

Com uma crise sanitária e económica de contornos invulgares, que este Agosto sirva de reflexão nas férias possíveis. E até ao nosso regresso.



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Opinião
Uma crise sem precedentes
Dinis de Abreu
No meio de transferências milionárias, ao jeito do futebol de alta competição, em que se envolveram dois operadores privados de televisão, a paisagem mediática portuguesa, em vésperas da primeira  “silly season” da “nova normalidade”, está longe de respirar saúde e desafogo. Se a Imprensa regional e local vive em permanente ansiedade, devido ao sufoco financeiro que espartilha a maioria dos seus...
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Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena