O estado de emergência, no decurso da pandemia de Covid-19, aumentou a preocupação dos jornalistas com o rigor da informação e mudou as rotinas de trabalho, revelam as conclusões preliminares de um inquérito desenvolvido pelas Universidades de Coimbra, Lisboa e Minho.
O relatório preliminar deste estudo, sobre os Efeitos da Declaração do Estado de Emergência no Jornalismo, tem por base quatro áreas nucleares: as questões éticas e deontológicas, as expectativas relativamente à profissão, a situação laboral; e a alteração das rotinas jornalísticas dos profissionais.
Dos cerca de 900 jornalistas que responderam ao inquérito, mais de metade (56,7%) considerou que o estado de emergência levantou questões importantes quanto à cobertura jornalística e quanto às normas do código deontológico.
Esta percepção é mais alta entre os jovens, que têm até 30 anos (65,9%), os estagiários (65,2%) e os que têm até dois anos de profissão (65%).
Sobre a prática do jornalismo, o estudo revelou que as expectativas dos profissionais baixaram, visto que a percepção de desemprego, a curto prazo, aumentou.
Esta visão negativa sobre o mercado de trabalho adensa-se, ainda mais, se tivermos em conta que as expectativas de encontrar um novo emprego na área reduziram significativamente.
De acordo com os mesmos dados, 15,5% dos jornalistas inquiridos disseram que a sua situação laboral se alterou, sendo que em 11,1% dos casos se fala de processos relacionados com o” lay-off”. Os profissionais mais afectados (74%) auferem menos de mil
euros mensais.
A generalidade dos jornalistas inquiridos ressalvou, também, uma alteração profunda nas suas rotinas produtivas. Com a declaração do estado de emergência, 59,9% dos jornalistas passou a trabalhar a partir do seu domicílio.
O teletrabalho implicou, também, adaptações ao uso das tecnologias para o contacto com as fontes e para o tratamento da informação. O telefone foi o meio mais utilizado, ainda que o recurso a plataformas de videoconferência tenha aumentado.
O confinamento limitou, ainda, a possibilidade de saída dos jornalistas. Se antes da pandemia apenas 10,3% dos jornalistas dizia não sair habitualmente em trabalho de reportagem, esse número passou para 30,1%.
Quanto aos temas abordados pelos jornalistas, 35,3% disseram que a pandemia ocupou 75% do seu trabalho.
Consulte o relatório original em polobs.pt
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.