null, 22 de Maio, 2022
Mundo

Relatório do IFJ preocupado com estratégia global chinesa nos "media"

O Governo chinês tem vindo a desenvolver uma estratégia sofisticada e sistemática para a exercer a sua influência nos “media” além fronteiras, segundo aponta um estudo realizado pelo IFJ --  International Federation of Journalists.

De acordo com o relatório, Pequim tem conseguido expandir a sua propaganda através de contratos com jornalistas, agências noticiosas cooperativas, redes sociais e programas de formação.

A investigação apurou que um terço dos sindicatos de jornalistas inquiridos já tinha sido abordado por entidades chinesas. A maioria dos acordos foram estabelecidos em países de “terceiro mundo”, com governos autoritários.

Quase metade das associações parceiras afirmou que a acção chinesa tem sido benéfica, graças a um nível significativo de apoio, que inclui a doação de computadores e dispositivos de gravação, bem como ofertas educativas.

Da mesma forma, as parcerias estabelecidas com Pequim têm ajudado a expandir as telecomunicações em muitos países africanos, alargando o acesso aos “media”.

Há, ainda, alguns países desenvolvidos que compactuaram com o projecto chinês.


Na Austrália, por exemplo, a All China Journalist Association (ACJA) organizou programas de intercâmbio com faculdades de jornalismo, facilitando a integração de 28 jovens, em início de carreira, nos “media” chineses.


Ainda assim , alguns dos jornalistas inquiridos disseram estar preocupados com a crescente preponderância da propaganda chinesa nos “ecossistemas” mediáticos.


Nas Filipinas, por exemplo, os jornalistas disseram suspeitar de tentativas de influência política, através de programas de cooperação.


Assim, o IFJ recomendou que os sindicatos de jornalistas eduquem e preparem os seus filiados, de forma a estarem alerta para os mecanismos e estratégias chineses.


Da mesma forma, a federação considera essencial que os Governos promovam programas de literacia mediática, para que o público consiga detectar o enviesamento político da informação que consome.


Connosco
Onde se defende a promoção de novos “media” contra jornalismo superficial Ver galeria

Os jornalistas devem manter-se fiéis aos valores de ética e deontologia, reconhecendo a importância do seu trabalho para a vida democrática, e lutando para melhorar as condições de trabalho no sector mediático, considerou Miguel Ormaetxea num texto publicado no “site” Media-Tics.

Conforme apontou Ormaetxea, o jornalismo em Espanha está a enfrentar um período difícil, uma vez que, de forma a conseguirem emprego, os profissionais dos “media” aceitam escrever peças de pouco interesse, limitando-se a partilhar informações superficiais “ad nauseam”.

Além disso, continuou o autor, os profissionais espanhóis parecem ir todos atrás das mesmas histórias, resultando em bancas de jornais repletas de “manchetes” semelhantes e, por vezes, contraditórias.

Perante este cenário, Ormaetxea pede aos jornalistas que contrariem o “status quo”, deixando de sucumbir às vontades de grandes empresários de “media”, que “só sabem demitir, cortar salários e despesas”.

Até porque, de acordo com o articulista, a sobrevivência do jornalismo depende do investimento em “ qualidade, em inovação, em novas tecnologias,  e em talento''. 

Neste sentido, Ormaetxea considera essencial que os jornalistas deixem, também, de aceitar as exigências do governo, que promovem conferências de imprensa sem a possibilidade de intervenção dos repórteres, o que representa um ataque à liberdade de imprensa.

Da mesma forma, o autor recorda que os profissionais dos “media” devem parar de arriscar a sua vida “em troca de uns tostões”, e de “peças mal amanhadas”. 


Jornalistas venezuelanos forçados a serem criativos “fora de portas” Ver galeria

A instabilidade política e social na Venezuela levou muitos jornalistas a radicaram-se em países vizinhos, como forma de garantir a sua segurança e subsistência financeira.

Foi esse o caso de Pierina Sora, uma jornalista de Caracas que, em 2018, se mudou para o Peru. No entanto, esta profissional continua a informar os cidadãos venezuelanos, lutando pela liberdade de imprensa, conforme explicou em entrevista ao “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com Sora, a Venezuela está, de momento, a “atravessar uma complexa crise humanitária”, que levou muitos outros cidadãos a seguirem o seu exemplo, e a mudarem-se para o Peru. 

Foi perante este cenário que Sora decidiu criar o projecto “Cápsula Migrante”, um “site” lançado em Maio de 2020, no contexto da crise pandémica, com o objectivo de apoiar “a comunidade migrante”.

Este projecto serve, também, como alternativa aos cidadãos que continuam na Venezuela, e que têm dificuldade em aceder a jornalismo de qualidade, devido às restrições impostas pelo governo.

Tal como explicou Sora, as dificuldades na Venezuela verificam-se tanto a nível de ataques físicos aos colaboradores dos “media”, como na restrição do acesso ao papel para imprimir jornais, e, ainda, no bloqueio da internet.

Assim, o “Cápsula Migrante”, juntamente com outros projectos de jornalismo local e hiperlocal, tem tentado “dedicar-se às comunidades”, dando-lhes poder através da “informação de qualidade”.


O Clube


Os ciberataques passaram a fazer parte da paisagem mediática portuguesa. Depois do Grupo Impresa ter sido seriamente afectado, juntamente com a Cofina, embora esta em menor grau de exposição, chegou a vez do Grupo Trust in News, que detém o antigo portfólio de revistas de Balsemão, como é o caso do semanário “Visão”.
Outras empresas foram igualmente visadas, em maior ou menor escala, desde a multinacional Vodafone aos laboratórios Germano de Sousa.
Não cabe neste espaço qualquer comentário especializado a tal respeito, mas não nos isentamos de manifestar uma profunda preocupação relativamente à continuidade - e aparente impunidade - destes actos ilegais, que estão a pôr a nu as vulnerabilidades dos sistemas e redes, tanto públicos como privados.
Recorde-se que este site do Clube Português de Imprensa já foi alvo, também, de intrusões pontuais que bloquearam a sua actualização regular, o que voltou a acontecer, embora de uma forma indirecta, como consequência da inoperacionalidade do operador de telecomunicações atingido.

Oxalá estes ataques de “hackers”, já com um carácter mais “profissional”, tenha contribuído para alertar os especialistas e as autoridades competentes em cibersegurança no sentido de adoptarem as medidas de protecção que se impõem.
As fragilidades ficaram bem à vista.

 


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Agenda
01
Jun
Digital Media Europe 2022
10:00 @ Oslo, Noruega
25
Jun
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor
27
Jun
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia
10
Jul
Washington Journalism and Media Conference (WJMC)
10:00 @ Universidade George Mason