Sexta-feira, 27 de Novembro, 2020
Media

Um terço dos Grupos de “media" afectados pela crise pandémica

As receitas de um terço dos Grupos de “media” portugueses “afundaram”, a partir do mês de Março, segundo indica um relatório da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).

O “Relatório de Avaliação do impacto da pandemia de covid-19 sobre o sector da comunicação social em Portugal”, realizado com base num inquérito a “entidades representativas do sector”, apurou que “as receitas globais dos órgãos de comunicação social caíram, a pique, em Março” já que “31,6% dos inquiridos reportou perdas entre 61 e 80%, sendo a ‘publicidade’ o tipo de receita mais afectado”. 

“As assinaturas e a organização ou promoção de eventos -- continua o relatório -- constituem outras das fontes de receitas relevantes dos ‘media’ com decréscimo mais acentuado”.

O impacto mais severo registou-se na imprensa, quer nacional quer local e regional, com o relatório a revelar que “algumas empresas tiveram fontes de receitas preocupantemente afectadas com quebras homólogas na ordem dos 100%, incluindo as vendas de exemplares”. 


O impacto mais severo registou-se na imprensa, quer nacional quer local e regional, com o relatório a revelar que “algumas empresas tiveram fontes de receitas preocupantemente afectadas com quebras homólogas na ordem dos 100%, incluindo as vendas de exemplares”. 


“Um conjunto de 29% de editores de imprensa regional e local referiu ter suspendido a edição impressa, 6% dos quais sem alternativa online”, prossegue o relatório, acrescentando ainda que a diminuição do número de páginas foi “indicada por 71% dos editores nacionais e 60% dos editores locais e regionais”, a par de perturbações na distribuição “muito significativas”.


Ainda na imprensa, mais de um quinto (21,3%) dos inquiridos referiu ter aderido ao regime de “lay-off” simplificado, o que afectou 490 trabalhadores. 


A ERC apurou, ainda, que “60% dos operadores de televisão comercial registaram decréscimos das receitas globais entre 41% e 60%”. 


Connosco
Onde se preconiza o jornalismo social e notícias felizes Ver galeria

O Presidente da Associação de Imprensa de Madrid -- com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- considera essencial que os “media” continuem a promover a dimensão social do jornalismo.

No discurso inaugural do Congresso da Comunicação Especializada na Sociedade da Informação, Juan Caño recordou que, com a crise pandémica, esta função "tem sido exercida de forma exemplar por vários meios de comunicação social", que, durante meses, não se esqueceram de "encorajar a população a superar a calamidade”.

Porém, ultimamente, começou a registar-se um “cansaço dos media', perante demasiada informação", recordou Caño. 

Este fenómeno tem vindo a ocorrer "à medida que a informação se foi tornando repetitiva e deixou de oferecer soluções viáveis", acrescentou.

Esta afirmação é sustentada pelo Relatório Anual da Profissão Jornalística 2020 da APM -- a ser publicado a 16 de Dezembro -- que revela que 43% dos espanhóis considerou excessiva a cobertura da pandemia.


Jornalismo deve acolher estratégias financeiras sustentáveis Ver galeria

O jornalismo deve ser encarado como um produto, para que os “media” possam prosperar de forma sustentável, defendeu o jornalista Rich Gordon num artigo publicado no “site” do Knight Center.

De acordo com o autor, os profissionais dos “media” rejeitam, por norma, esta ideia, já que para a maioria defende o jornalismo como sendo, única e exclusivamente, um serviço público.

E, embora Gordon acredite que esta deve ser a principal premissa dos jornalistas, considera, igualmente, essencial que a imprensa siga as tendências de mercado.

Como tal, reuniu, numa lista, seis razões pelos quais os “media” devem encarar os seus conteúdos como um produto.

Em primeiro lugar, Gordon recorda que os “websites”, os jornais, as “newsletters” são “mercadorias” -- os cidadãos decidem se querem ou não consumi-las, perante uma imensidão de escolhas. Além disso, a popularidade destes produtos depende do seu nível de inovação e de qualidade.

Este tipo de mentalidade existe há dois séculos -- os jornais do século XIX seguiam as exigências do mercado, a lei da oferta e da procura. A estratégia consistia em distribuir o máximo de jornais, a um preço reduzido, esperando conseguir o apoio de anunciantes.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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