Sábado, 4 de Julho, 2020
Opinião

Tik Tok - A ameaça ao Facebook que vem da China

por Manuel Falcão

Uma certeza que nasceu nos últimos meses é a facilidade com que as pessoas mudam de hábitos. Em consequência o comportamento face ao consumo de conteúdos está a modificar-se cada vez de forma mais rápida e os mais novos são claramente os que com maior facilidade adoptam novidades.

Durante o confinamento e a explosão de uso da internet houve uma aplicação que ganhou destaque em todo o mundo – o Tik Tok. Trata-se de uma rede social que permite criar vídeos curtos (numa espécie de mistura entre o Instagram, o snapchat e o falecido Vine). Os vídeos devem ter entre 15 segundos e um minuto e são sempre no formato vertical, correspondente aos ecrãs dos smartphones.

Actualmente, em termos mundiais, o Tik Tok tem quase dois mil milhões de utilizadores, 56% dos quais são do sexo feminino e que fazem uma média de 13 acessos por dia à rede, gastando nela 65 minutos diários.

Em Portugal os números já são também significativos: 1,8 milhões de utilizadores, 65% dos quais mulheres, com uma média de sete acessos por dia e 50 minutos de utilização diária. 12% dos utilizadores portugueses têm entre 13 e 14 anos, 32% entre 14 e 18 anos, 36% entre 19 e 24 anos e 20% estão acima dos 25 anos. Em Portugal o crescimento verificou-se sobretudo em Março e Abril deste ano, os meses fortes do confinamento, onde se registou um aumento de 36% de utilizadores.

 

 

Criado na China em 2016, o TikTok faz parte da Bytedance, a mais valiosa start-up digital, que está avaliada em 78 mil milhões de dolares. Na base do TikTok está outra app, criada em 2014, na China, com o nome Musical.ly. Apresentava-se como a “maior plataforma de criatividade do mundo”. Criada por uma start-up de Shangai (sediada na Califórnia) de redes sociais pensadas para os adolescentes americanos, a aplicação de vídeos teve sucesso imediato.  O Tik Tok oferece todas as possibilidades das outras redes sociais: tal como o Instagram, é possível enviar mensagens privadas e seguir os utilizadores, comentar, gostar e partilhar publicações e o registo é feito diretamente na app ou através dos dados do Facebook, Google ou Twitter. 

 

A audiência do TikTok vem de jovens que se fartaram de outras redes sociais, como o Facebook por exemplo, e até há pouco tempo era raro encontrar utilizadores com mais de 25 anos No início deste ano o TikTok foi a aplicação que teve maior numero de downloads fora do universo muito especifico dos jogos on line e a rapidez de crescimento da nova rede levou o próprio Mark Zuckerberg a manifestar preocupação pela inesperada concorrência que lhe está a roubar utiliadores ao Feacebook.

 

A resposta não se fez esperar e, entretanto, Zuckerberg lançou uma aplicação rival, a Lasso, que no entanto não tem tido grande êxito. O Tik Tok continua a crescer em todo o mundo e há poucas semanas contratou Kevin Mayer, um veterano da Walt Disney, para dirigir toda a sua operação como CEO.

 

O período de crescimento das novas aplicações é cada vez mais curto – a dúvida está em saber se conseguem manter um ciclo de vida que lhes permita monetizar o negócio e tornarem-se mais uma potência global como veículo publicitário, à semelhança do que já acontece com Google, Facebook e Amazon.


Connosco
Lei de transparência aprovada no Brasil encontra resistências Ver galeria

Os “fact-checkers” brasileiros uniram-se contra a aprovação da “Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet”.

Segundo aqueles profissionais, esta lei aumenta o poder do Senado perante os “media”, porque lhes permite distinguir, oficialmente, o que é informação do que é “fake news”

O texto estabelece, ainda, que as autoridades podem rastrear mensagens replicadas nas redes sociais.

Em entrevista ao instituto Poynter, Natália Leal, coordenadora da empresa de “fact-checking” Agência Lupa, constatou, ainda, que o documento permite ao Governo definir o que é a verificação de factos, e levantar condicionantes às suas actividades. Até porque, alguma figuras políticas, que apoiaram a aprovação da lei, consideram que o “fact-checking” não é mais do que um posicionamento ideológico.


A distribuidora Presstalis reaparece como France Messagerie Ver galeria

A Presstalis -- principal distribuidora de imprensa em França -- foi salva, depois de o Tribunal de Comércio de Paris ratificar a oferta de aquisição, apresentada pela Cooperativa de jornais diários franceses. 

A empresa, que foi rebaptizada de "France Messagerie", passará a empregar cerca de 300 pessoas, o que representa uma redução da força laboral para um terço.

"A prioridade da France Messagerie é, agora, construir relações de confiança, transparentes e duradouras com todos os actores do sector", sublinhou, num comunicado à imprensa Louis Dreyfus, Presidente da Cooperativa dos jornais diários, France Messagerie e do Conselho de Administração do Grupo Le Monde.

O “rebranding” da distribuidora é, contudo, apenas um primeiro passo, já que a empresa deverá fundir as operações com a Messageries Lyonnaises de Presse (MLP), no prazo de três anos.


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
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Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague