Terça-feira, 29 de Setembro, 2020
Opinião

Tik Tok - A ameaça ao Facebook que vem da China

por Manuel Falcão

Uma certeza que nasceu nos últimos meses é a facilidade com que as pessoas mudam de hábitos. Em consequência o comportamento face ao consumo de conteúdos está a modificar-se cada vez de forma mais rápida e os mais novos são claramente os que com maior facilidade adoptam novidades.

Durante o confinamento e a explosão de uso da internet houve uma aplicação que ganhou destaque em todo o mundo – o Tik Tok. Trata-se de uma rede social que permite criar vídeos curtos (numa espécie de mistura entre o Instagram, o snapchat e o falecido Vine). Os vídeos devem ter entre 15 segundos e um minuto e são sempre no formato vertical, correspondente aos ecrãs dos smartphones.

Actualmente, em termos mundiais, o Tik Tok tem quase dois mil milhões de utilizadores, 56% dos quais são do sexo feminino e que fazem uma média de 13 acessos por dia à rede, gastando nela 65 minutos diários.

Em Portugal os números já são também significativos: 1,8 milhões de utilizadores, 65% dos quais mulheres, com uma média de sete acessos por dia e 50 minutos de utilização diária. 12% dos utilizadores portugueses têm entre 13 e 14 anos, 32% entre 14 e 18 anos, 36% entre 19 e 24 anos e 20% estão acima dos 25 anos. Em Portugal o crescimento verificou-se sobretudo em Março e Abril deste ano, os meses fortes do confinamento, onde se registou um aumento de 36% de utilizadores.

 

 

Criado na China em 2016, o TikTok faz parte da Bytedance, a mais valiosa start-up digital, que está avaliada em 78 mil milhões de dolares. Na base do TikTok está outra app, criada em 2014, na China, com o nome Musical.ly. Apresentava-se como a “maior plataforma de criatividade do mundo”. Criada por uma start-up de Shangai (sediada na Califórnia) de redes sociais pensadas para os adolescentes americanos, a aplicação de vídeos teve sucesso imediato.  O Tik Tok oferece todas as possibilidades das outras redes sociais: tal como o Instagram, é possível enviar mensagens privadas e seguir os utilizadores, comentar, gostar e partilhar publicações e o registo é feito diretamente na app ou através dos dados do Facebook, Google ou Twitter. 

 

A audiência do TikTok vem de jovens que se fartaram de outras redes sociais, como o Facebook por exemplo, e até há pouco tempo era raro encontrar utilizadores com mais de 25 anos No início deste ano o TikTok foi a aplicação que teve maior numero de downloads fora do universo muito especifico dos jogos on line e a rapidez de crescimento da nova rede levou o próprio Mark Zuckerberg a manifestar preocupação pela inesperada concorrência que lhe está a roubar utiliadores ao Feacebook.

 

A resposta não se fez esperar e, entretanto, Zuckerberg lançou uma aplicação rival, a Lasso, que no entanto não tem tido grande êxito. O Tik Tok continua a crescer em todo o mundo e há poucas semanas contratou Kevin Mayer, um veterano da Walt Disney, para dirigir toda a sua operação como CEO.

 

O período de crescimento das novas aplicações é cada vez mais curto – a dúvida está em saber se conseguem manter um ciclo de vida que lhes permita monetizar o negócio e tornarem-se mais uma potência global como veículo publicitário, à semelhança do que já acontece com Google, Facebook e Amazon.


Connosco
Directora de Informação da BBC contra os "rufias das redes sociais" Ver galeria

A directora de Informação da BBC, Fran Unsworth, considera que os operadores públicos devem resistir à pressão exercida pelos grupos de interesse e noticiar de acordo com os seus próprios valores.

Durante a conferência anual da BBC, no Prix Italia, Unsworth considerou, ainda, que os serviços de informação têm a obrigação de ser plurais, já que os “revolucionários” não representam a voz de todos os cidadãos.

Dito isto, a directora de Informação deu o exemplo do “New York Times”, que pressionou a demissão da editora de opinião Bari Weiss, por esta não corresponder às expectativas dos utilizadores das redes sociais, lamentando o sucedida. 

“No meio do turbilhão, temos de continuar a pensar claramente. Temos de falar uns com os outros e não ceder à pressão dos ‘rufias das redes sociais’... Em última análise, são os editores que editam - não os grupos de interesse". Caso contrário, reiterou Unsworth, a democracia pode estar em risco.


“Media” franceses publicam carta de apoio ao “Charlie Hebdo” Ver galeria

Cerca de uma centena de “media” franceses publicaram uma carta aberta de apoio à revista “Charlie Hebdo”, em resposta a um apelo do director da publicação, Riss. Aliás, as antigas instalações da revista voltaram a testemunhar a violência: em 25 de Setembro, quatro pessoas ficaram feridas, naquele local, noutro ataque desta vez com arma branca.
O suspeito, um jovem paquistanês de 18 anos, que confessou a autoria do crime, confirmou que visava o "Charlie Hebdo", por este ter procedido à republicação dos "cartoons" sobre Maomé.

Em declarações à agência noticiosa France-Presse, Riss afirmou que a revista satírica francesa tinha sido, efectivamente,“mais uma vez ameaçada por organizações terroristas”, em pleno julgamento dos atentados de Janeiro de 2015, visando, igualmente, “todos os meios de comunicação e, mesmo, o Presidente”.

“Achámos necessário sugerir aos ‘media’ que pensassem na resposta colectiva que merecia ser dada a esta situação”, explicou.

Na carta aberta, intitulada “Juntos, vamos defender a liberdade”, os órgãos de comunicação social apelaram, então,  à defesa da imprensa.  “Hoje, em 2020, alguns de vós estão a receber ameaças de morte nas redes sociais quando expõem opiniões. Os meios de comunicação social são, abertamente, visados por organizações terroristas internacionais. Os Estados exercem pressões sobre os jornalistas franceses [considerados] ‘culpados’ de publicarem artigos críticos”, pode ler-se no documento.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



ver mais >
Opinião
Agenda
07
Out
A perspectiva feminina em falta sobre a Covid-19
13:00 @ Sessões "online" Reuters Institute
14
Out
O que são os dados tendenciosos e como corrigi-los
13:00 @ Sessões "online" Reuters Institute
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas