Quarta-feira, 28 de Outubro, 2020
Fórum

Formação científica para jornalistas preconizada no Brasil


A vaga de desinformação sobre o novo coronavírus está a preocupar algumas entidades internacionais, entre as quais a Organização Mundial de Saúde (OMS), que recomenda um consumo moderado de notícias: entre uma a duas reportagens por dia.

Perante esta situação, a RedeComCiência -- associação brasileira que reúne jornalistas especializados em áreas científicas -- realizou uma conferência, para tentar apurar as falhas e os sucessos da cobertura sobre a pandemia.

O debate foi reproduzido por Roxana Tabakman num artigo para o “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Na opinião do biólogo e comunicador científico Eduardo Lobl, que durante a pandemia produziu um “podcast” e infográficos para as redes sociais, os “media” enfrentaram um desafio inédito com a crise sanitária, através rápida disseminação de notícias falsas.

Assim, Lobl considerou essencial promover a literacia científica e mediática.

Já Ana Beatriz Tuma, mestre em Divulgação Científica, sublinhou a importância de combater os “desertos noticiosos”, já que a falta de informação comunitária pode ter repercussões graves para a saúde pública. 


A jornalista Eveline Araújo, por sua vez, considerou essencial clarificar o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS). “Os jornalistas deveriam entender o SUS enquanto um sistema de grande valor. Quanto mais a população souber, mais eficaz ficará o serviço”.


Araújo destacou, ainda, a importância de recorrer a um leque diversificado de fontes de informação, como antropólogos, cientistas sociais e conselheiros de saúde.


Houve ainda quem referisse o sensacionalismo da cobertura televisiva, que, ao focar-se no número de mortes, afastava a população dos “media” e de fontes de informação credíveis.


Outros jornalistas presentes sublinharam a importância de ensinar ciência nas Universidades.  Bruna Belote, estudante de jornalismo, lamentou que as escolas  não abordassem o jornalismo de ciência, mencionando, igualmente, dificuldades em conseguir uma especialização científica.“A ciência é muito importante para criar bons jornalistas e as faculdades precisam de adequar-se. O meu desejo é que os novos profissionais tenham mais facilidade em  levar a ciência à população”.


O debate foi finalizado com declarações do vice-presidente da RedeComCiência, Moura Leite Netto, que chamou à atenção para a necessidade de clarificar as mensagens transmitidas pelos jornalistas.


“Os cidadãos não nos entendem. A ciência tem que chegar às pessoas. Temos que lhes levar essa cultura científica, com clareza e assertividade. Atravessar as pontes e diminuir a distância, tornando a ciência algo comum a todos”. 


Leia o artigo original em Observatório da Imprensa”

 

Connosco
A cobertura noticiosa nas eleições americanas vistas em países com censura Ver galeria

As campanhas eleitorais norte-americanas têm sido acompanhada um pouco por todo o mundo, já que os cidadãos estão interessados em conhecer as possíveis consequências destas eleições presidenciais.

Perante este quadro, o “Nieman Lab” tentou descobrir quais são as premissas que dominam os “media” mundiais, de forma a apurarem qual o discernimento dos cidadãos, perante os candidatos democrata e republicano.

Após um mês de análise, com recurso a inteligência artificial, o “Nieman Lab” concluiu que a cobertura noticiosa das eleições tem sido, particularmente, intensa no Irão, na Rússia e na China, onde os “media” criticam as acções de Donald Trump.

Os principais temas abordados, pela comunicação social destes países, são os debates presidenciais, a gestão do novo coronavírus e as  políticas de imigração.

Depois do primeiro debate presidencial, a imprensa chinesa questionou a utilidade deste evento para o eleitorado, e criticou a conduta do actual Presidente.

Jornal britânico quer provar que imprensa não tem os dias contados... Ver galeria

Dez anos após o lançamento do jornal britânico “i”, o editor-executivo Oliver Duff diz ter provas suficientes para afirmar que o “formato impresso” vai “prosperar durante muito mais tempo do que a maioria dos especialistas defende”.

Em declarações à “Press Gazette”, Duff afirmou que os jornais impressos têm-se mostrado “resilientes” e inovadores”. 

Além disso, aquele responsável considera que os leitores valorizam este formato por ser “táctil”, ter “curadoria”, e conter muitos “elementos surpresa”, que contribuem para a formação de uma comunidade de cidadãos com valores semelhantes.

Segundo recordou Duff, nos primeiros meses de circulação, o “i” não foi bem recebido pela maioria dos críticos dos “media”, mas conquistou uma base de leitores fiéis, que foram dando “feedback” sobre aquilo que pretendiam consumir.

O “i” tornou-se assim um jornal reconhecido pela sua objectividade factual e isenção política. 

De forma a conquistarem o interesse dos leitores, os colaboradores fazem análises profundas de situações disruptivas e tentam criticar, apenas, “aquilo que tem de ser criticado”.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Agenda
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena
11
Nov
O valor e o futuro dos "media" públicos
13:00 @ Sessões "online" Reuters Institute
24
Nov
Congresso de Jornalismo para Dispositivos Móveis
10:00 @ Universidade da Beira Interior