Terça-feira, 17 de Maio, 2022
Fórum

Formação científica para jornalistas preconizada no Brasil


A vaga de desinformação sobre o novo coronavírus está a preocupar algumas entidades internacionais, entre as quais a Organização Mundial de Saúde (OMS), que recomenda um consumo moderado de notícias: entre uma a duas reportagens por dia.

Perante esta situação, a RedeComCiência -- associação brasileira que reúne jornalistas especializados em áreas científicas -- realizou uma conferência, para tentar apurar as falhas e os sucessos da cobertura sobre a pandemia.

O debate foi reproduzido por Roxana Tabakman num artigo para o “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Na opinião do biólogo e comunicador científico Eduardo Lobl, que durante a pandemia produziu um “podcast” e infográficos para as redes sociais, os “media” enfrentaram um desafio inédito com a crise sanitária, através rápida disseminação de notícias falsas.

Assim, Lobl considerou essencial promover a literacia científica e mediática.

Já Ana Beatriz Tuma, mestre em Divulgação Científica, sublinhou a importância de combater os “desertos noticiosos”, já que a falta de informação comunitária pode ter repercussões graves para a saúde pública. 


A jornalista Eveline Araújo, por sua vez, considerou essencial clarificar o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS). “Os jornalistas deveriam entender o SUS enquanto um sistema de grande valor. Quanto mais a população souber, mais eficaz ficará o serviço”.


Araújo destacou, ainda, a importância de recorrer a um leque diversificado de fontes de informação, como antropólogos, cientistas sociais e conselheiros de saúde.


Houve ainda quem referisse o sensacionalismo da cobertura televisiva, que, ao focar-se no número de mortes, afastava a população dos “media” e de fontes de informação credíveis.


Outros jornalistas presentes sublinharam a importância de ensinar ciência nas Universidades.  Bruna Belote, estudante de jornalismo, lamentou que as escolas  não abordassem o jornalismo de ciência, mencionando, igualmente, dificuldades em conseguir uma especialização científica.“A ciência é muito importante para criar bons jornalistas e as faculdades precisam de adequar-se. O meu desejo é que os novos profissionais tenham mais facilidade em  levar a ciência à população”.


O debate foi finalizado com declarações do vice-presidente da RedeComCiência, Moura Leite Netto, que chamou à atenção para a necessidade de clarificar as mensagens transmitidas pelos jornalistas.


“Os cidadãos não nos entendem. A ciência tem que chegar às pessoas. Temos que lhes levar essa cultura científica, com clareza e assertividade. Atravessar as pontes e diminuir a distância, tornando a ciência algo comum a todos”. 


Leia o artigo original em Observatório da Imprensa”

 

Connosco
Jornalistas enfrentam “período negro” com risco de vida Ver galeria

O mês de Maio tem sido negro para os jornalistas, com o assassinato de quatro mulheres  jornalistas em apenas sete dias.

Conforme apontou o “Guardian”, dois dos homicídios ocorreram no México, um dos países mais perigosos para o exercício jornalístico. As vítimas foram Yesenia Mollinedo Falconi e Sheila Johana García Olivera, do “site”  “El Veraz”.

Semanas antes da sua morte, Yesenia Mollinedo Falconi, havia recebido ameaças de morte, na sequência das suas investigações sobre crime e corrupção. Ainda assim, aquela jornalista estava confiante de que não corria perigo.

Dois dias após a morte das profissionais mexicanas, foi noticiada outra tragédia: o assassinato de Shireen Abu Akleh, uma correspondente da Al Jazeera, que acompanhava o conflito israelo-árabe há vários anos.

O Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU mostrou-se “chocado” com a morte deste profissional e exigiu, entretanto,  uma “investigação independente e transparente” sobre o sucedido.

Também a directora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, se juntou no apelo a uma “investigação completa” à morte da jornalista.

“O assassinato de uma jornalista claramente identificada, numa zona de conflito, é uma violação do direito internacional“, disse Azoulay em comunicado, pedindo uma investigação para levar “os responsáveis à justiça”.

No dia a seguir, ficou conhecido o homicídio da jornalista colombiana Francisca Sandoval, morta durante a cobertura noticiosa de uma manifestação.


“Media” polacos apostam em conteúdos em ucraniano Ver galeria

Na Polónia, várias empresas mediáticas começaram a lançar produtos noticiosos em ucraniano, como forma de responder às necessidades dos três milhões de refugiados que chegaram ao país desde o início da guerra.

Conforme apontou o “Nieman Lab”, a Agência Noticiosa Polaca (Polska Agencja Prasowa, ou PAP) foi uma das primeiras organizações a partilhar artigos em ucraniano, graças a uma equipa de cinco jornalistas, que têm vindo a dedicar-se à tradução e produção de conteúdos.

Este serviço em ucraniano foi criado em apenas uma semana, e publica artigos diários sobre a invasão da Ucrânia.

“Esta guerra mudou tudo”, disse Jaros?aw Junko, coordenador dos serviços ucraniano e russo daquela agência noticiosa. “Todos os ‘sites’ informativos polacos de renome começaram a oferecer produtos em ucraniano. Esta é uma mudança importante, e mostra que a Polónia está a respeitar os ‘vizinhos’ que chegam ao país”.

Agora, a PAP quer expandir a editoria ucraniana, passando a incluir conteúdos sobre apoio legal, e ajuda económica para refugiados.

Outra das publicações que apostou em conteúdos ucranianos foi a “Onet” que, agora, partilha dez artigos diários sobre o conflito e, ainda, sobre a adaptação à vida na Polónia.

“Fazemos o nosso melhor para sermos um guia sobre a vida neste país”, explicou Kamil Turecki, coordenador da “Onet”.

Também o Grupo RMF decidiu ajudar esta causa, lançando uma nova estação de rádio em ucraniano, com frequências nas cidades fronteiriças de Przemysl e Hrubieszow.

O Clube


Os ciberataques passaram a fazer parte da paisagem mediática portuguesa. Depois do Grupo Impresa ter sido seriamente afectado, juntamente com a Cofina, embora esta em menor grau de exposição, chegou a vez do Grupo Trust in News, que detém o antigo portfólio de revistas de Balsemão, como é o caso do semanário “Visão”.
Outras empresas foram igualmente visadas, em maior ou menor escala, desde a multinacional Vodafone aos laboratórios Germano de Sousa.
Não cabe neste espaço qualquer comentário especializado a tal respeito, mas não nos isentamos de manifestar uma profunda preocupação relativamente à continuidade - e aparente impunidade - destes actos ilegais, que estão a pôr a nu as vulnerabilidades dos sistemas e redes, tanto públicos como privados.
Recorde-se que este site do Clube Português de Imprensa já foi alvo, também, de intrusões pontuais que bloquearam a sua actualização regular, o que voltou a acontecer, embora de uma forma indirecta, como consequência da inoperacionalidade do operador de telecomunicações atingido.

Oxalá estes ataques de “hackers”, já com um carácter mais “profissional”, tenha contribuído para alertar os especialistas e as autoridades competentes em cibersegurança no sentido de adoptarem as medidas de protecção que se impõem.
As fragilidades ficaram bem à vista.

 


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Opinião
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Venham mais 40!...
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Agenda
19
Mai
2022 Collaborative Journalism Summit
10:00 @ Chicago, Estados Unidos
25
Jun
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor
27
Jun
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia
10
Jul
Washington Journalism and Media Conference (WJMC)
10:00 @ Universidade George Mason