Sábado, 4 de Julho, 2020
Estudo

Relatório do Obercom aborda questões de literacia mediática

A desinformação tem sido, nos últimos anos, uma das principais preocupações dos “media” e das democracias, já que as redes sociais têm contribuído para a proliferação de notícias falsas, enquanto boa parte da população tem dificuldade em identificar informação fidedigna.

Como tal, diversas entidades têm apostado em iniciativas de literacia mediática, que pode ser definida como a capacidade de identificar diferentes tipos de “media” e compreender as mensagens que estão a ser enviadas. 

Para perceber a importância destes “workshops”, o Obercom realizou um estudo de profundidade, através do qual apurou quais as suas linhas gerais de actuação.

Em Portugal há, de momento, dez projectos activos :  Referencial de Educação para os Media ; Observatório sobre Media ; Informação e Literacia (Milobs) ; Media Smart, Literacia para os Media e Jornalismo ;  Media Veritas ; Media Coach Portugal ; Público na Escola ; RTP Ensina e Página 23.

Da mesma forma, existem diversas iniciativas desta índole a nível internacional, promovidas tanto por Governos, organizações sem fins lucrativos ou por empresas tecnológicas como a Google e o Facebook

De acordo com o relatório, em Portugal os “workshops” de literacia mediática passam, sobretudo, por capacitar crianças em idade escolar com noções básicas sobre o que é uma notícia, o jornalismo e, sobretudo, o que é a desinformação e como detectá-la.

Há, também, projectos de formação para professores.

Registou-se, igualmente, uma aposta crescente na educação informal, através de ferramentas “online”, ou de acções de sensibilização em bibliotecas e museus.


A nível internacional destaca-se o Media and Information Literacy (MIL) – desenvolvido e apoiado pela UNESCO –, que se prende com as próprias habilidades de interpretação, compreensão crítica e expressão da criatividade por meio dos “media” digitais, procurando potenciar, em alunos, uma constante abordagem crítica que leve a uma participação significativa nas comunidades em que os indivíduos se inserem. 


O MIL reúne três dimensões distintas – literacia da informação, literacia de media e TIC, e literacia digital –, sendo que, procurando actuar como um conceito abrangente, capacita pessoas, comunidades e nações a participar e contribuir com as sociedades globais do conhecimento. 


À semelhança do que acontece em Portugal, um dos aspectos mais importantes do projecto é o desenvolvimento do sistema de educação. 

Para tal, é apresentado um referencial para professores e, consequentemente, para auxiliar na aprendizagem dos jovens.


Entre os elementos-chave destas aulas estão a definição e articulação de necessidades informacionais, localização e acesso à informação, uso ético da informação, assim como a compreensão do papel e das funções dos “media” em sociedades democráticas.


Até agora, a Suécia foi o país europeu que mais apostou na implementação do MIL nas escolas.


Quanto a empresas de tecnologia, o Facebook desenvolveu um “site” que disponibiliza lições, para ajudar os mais jovens – dos 11 aos 18 anos – a desenvolver competências para “navegar” no mundo digital, a analisar de forma crítica a informação consumida, e a responsabilizarem-se pela criação e partilha de conteúdo. Desenhadas para serem interativas e envolventes, estas lições envolvem discussões em grupo, questionários e jogos.


O Google, por sua vez, disponibilizou 109 lições, que poderão ser filtradas mediante os anos escolares.  Existem, por exemplo, aulas sobre questões  e competências mais práticas, como saber fazer arte com o Google Sheets.


De notar que todos estes projectos são realizados com recurso a ferramentas digitais.


Ora, de acordo com o relatório, a profusão de projectos e organizações dedicadas a literacia dos “media”, ajudam a provar, por um lado, a importância que o tema tem na sociedade e nos indivíduos, e, por outro, a consciência de muitos dos países e organismos em fazer deste tema relevante e necessário nas sociedades. 


Ao longo dos anos, as organizações consideraram importante disponibilizar aos cidadãos – nomeadamente a professores e educadores – ferramentas e orientações que ajudassem a esclarecer, individual e colectivamente, este tema.


Ao mesmo tempo, e tendo em conta as iniciativas analisadas, destaca-se a importância da formação contínua de professores,  visando melhorar a sua capacidade pedagógica e a adaptação a gerações vindouras.


Leia o artigo original em Obercom

Connosco
Lei de transparência aprovada no Brasil encontra resistências Ver galeria

Os “fact-checkers” brasileiros uniram-se contra a aprovação da “Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet”.

Segundo aqueles profissionais, esta lei aumenta o poder do Senado perante os “media”, porque lhes permite distinguir, oficialmente, o que é informação do que é “fake news”

O texto estabelece, ainda, que as autoridades podem rastrear mensagens replicadas nas redes sociais.

Em entrevista ao instituto Poynter, Natália Leal, coordenadora da empresa de “fact-checking” Agência Lupa, constatou, ainda, que o documento permite ao Governo definir o que é a verificação de factos, e levantar condicionantes às suas actividades. Até porque, alguma figuras políticas, que apoiaram a aprovação da lei, consideram que o “fact-checking” não é mais do que um posicionamento ideológico.


A distribuidora Presstalis reaparece como France Messagerie Ver galeria

A Presstalis -- principal distribuidora de imprensa em França -- foi salva, depois de o Tribunal de Comércio de Paris ratificar a oferta de aquisição, apresentada pela Cooperativa de jornais diários franceses. 

A empresa, que foi rebaptizada de "France Messagerie", passará a empregar cerca de 300 pessoas, o que representa uma redução da força laboral para um terço.

"A prioridade da France Messagerie é, agora, construir relações de confiança, transparentes e duradouras com todos os actores do sector", sublinhou, num comunicado à imprensa Louis Dreyfus, Presidente da Cooperativa dos jornais diários, France Messagerie e do Conselho de Administração do Grupo Le Monde.

O “rebranding” da distribuidora é, contudo, apenas um primeiro passo, já que a empresa deverá fundir as operações com a Messageries Lyonnaises de Presse (MLP), no prazo de três anos.


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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A internet e a liberdade de expressão
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Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague