A desinformação tem sido, nos últimos anos, uma das principais preocupações dos “media” e das democracias, já que as redes sociais têm contribuído para a proliferação de notícias falsas, enquanto boa parte da população tem dificuldade em identificar informação fidedigna.
Como tal, diversas entidades têm apostado em iniciativas de literacia mediática, que pode ser definida como a capacidade de identificar diferentes tipos de “media” e compreender as mensagens que estão a ser enviadas.
Para perceber a importância destes “workshops”, o Obercom realizou um estudo de profundidade, através do qual apurou quais as suas linhas gerais de actuação.
Em Portugal há, de momento, dez projectos activos : Referencial de Educação para os Media ; Observatório sobre Media ; Informação e Literacia (Milobs) ; Media Smart, Literacia para os Media e Jornalismo ; Media Veritas ; Media Coach Portugal ; Público na Escola ; RTP Ensina e Página 23.
Da mesma forma, existem diversas iniciativas desta índole a nível internacional, promovidas tanto por Governos, organizações sem fins lucrativos ou por empresas tecnológicas como a Google e o Facebook.
De acordo com o relatório, em Portugal os “workshops” de literacia mediática passam, sobretudo, por capacitar crianças em idade escolar com noções básicas sobre o que é uma notícia, o jornalismo e, sobretudo, o que é a desinformação e como detectá-la.
Há, também, projectos de formação para professores.
Registou-se, igualmente, uma aposta crescente na educação informal, através de ferramentas “online”, ou de acções de sensibilização em bibliotecas e museus.
A nível internacional destaca-se o Media and Information Literacy (MIL) – desenvolvido e apoiado pela UNESCO –, que se prende com as próprias habilidades de interpretação, compreensão crítica e expressão da criatividade por meio dos “media” digitais, procurando potenciar, em alunos, uma constante abordagem crítica que leve a uma participação significativa nas comunidades em que os indivíduos se inserem.
O MIL reúne três dimensões distintas – literacia da informação, literacia de media e TIC, e literacia digital –, sendo que, procurando actuar como um conceito abrangente, capacita pessoas, comunidades e nações a participar e contribuir com as sociedades globais do conhecimento.
À semelhança do que acontece em Portugal, um dos aspectos mais importantes do projecto é o desenvolvimento do sistema de educação.
Para tal, é apresentado um referencial para professores e, consequentemente, para auxiliar na aprendizagem dos jovens.
Entre os elementos-chave destas aulas estão a definição e articulação de necessidades informacionais, localização e acesso à informação, uso ético da informação, assim como a compreensão do papel e das funções dos “media” em sociedades democráticas.
Até agora, a Suécia foi o país europeu que mais apostou na implementação do MIL nas escolas.
Quanto a empresas de tecnologia, o Facebook desenvolveu um “site” que disponibiliza lições, para ajudar os mais jovens – dos 11 aos 18 anos – a desenvolver competências para “navegar” no mundo digital, a analisar de forma crítica a informação consumida, e a responsabilizarem-se pela criação e partilha de conteúdo. Desenhadas para serem interativas e envolventes, estas lições envolvem discussões em grupo, questionários e jogos.
O Google, por sua vez, disponibilizou 109 lições, que poderão ser filtradas mediante os anos escolares. Existem, por exemplo, aulas sobre questões e competências mais práticas, como saber fazer arte com o Google Sheets.
De notar que todos estes projectos são realizados com recurso a ferramentas digitais.
Ora, de acordo com o relatório, a profusão de projectos e organizações dedicadas a literacia dos “media”, ajudam a provar, por um lado, a importância que o tema tem na sociedade e nos indivíduos, e, por outro, a consciência de muitos dos países e organismos em fazer deste tema relevante e necessário nas sociedades.
Ao longo dos anos, as organizações consideraram importante disponibilizar aos cidadãos – nomeadamente a professores e educadores – ferramentas e orientações que ajudassem a esclarecer, individual e colectivamente, este tema.
Ao mesmo tempo, e tendo em conta as iniciativas analisadas, destaca-se a importância da formação contínua de professores, visando melhorar a sua capacidade pedagógica e a adaptação a gerações vindouras.
Leia o artigo original em Obercom
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.