Segunda-feira, 1 de Junho, 2020
Media

Agonia financeira contamina empresas jornalísticas

A pandemia de Covid-19 criou um paradoxo no sector mediático: se, por um lado, os cidadãos estão cada vez mais interessados em consumir informação, por outro, quem produz os conteúdos noticiosos está a ter dificuldade em subsistir.

De acordo com um artigo de Carlos Castilho, publicado no “Observatório da Imprensa” -- associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- no meio do turbilhão de notícias sobre a Covid-19, poucos conseguiram perceber como piorou a situação financeira dos jornais, como as redes sociais ficaram ainda mais fortes, como os jornalistas mergulharam num mar de incertezas noticiosas e como os Governos se aproveitaram do caos para promover a discórdia e as teorias da conspiração.

Segundo Castilho, o volume de informação  só não deixou de corresponder às expectativas dos leitores porque as plataformas digitais conseguiram avançar, ainda mais, num território antes dominado pela imprensa escrita e audiovisual.

Este avanço veio minar o já débil cenário informativo, visto que as redes sociais contribuem para corromper a percepção pública do que é a notícia, o jornalismo e do que fazem os jornalistas. 

Isto porque, desde logo, estas plataformas facilitam a participação, activa, dos cidadãos, na formação da opinião pública, dificultando a diferenciação entre o que é facto,  uma versão, uma opinião, uma  meia verdade ou uma  mentira. 


Ora, no ambiente caótico de uma pandemia, esta diferenciação torna-se, mesmo, uma “missão impossível”.


Da mesma foram, os cenários de uma possível recuperação dos jornais não são auspiciosos.


Os meses de Abril e Maio foram desastrosos para os “media” de todo o mundo, e até mesmo as publicações mais conceituadas se viram obrigadas a dispensar parte da sua força trabalhadora ou a entrar em regime de “lay-off”.


O jornalismo local foi, especialmente, fustigado. No Brasil, as redacções comunitárias estão a fechar a um ritmo sem precedentes, aumentando o número de “desertos noticiosos”. 


De acordo com o autor, problema não é falta de material para publicar, mas sim a agonia financeira que contamina as empresas jornalísticas, a velocidade e intensidade semelhantes à do Coronavírus.

Connosco
Na era digital a máquina é o “braço direito” do jornalista ... Ver galeria

A era digital fez-se acompanhar de uma profunda alteração nos modelos de actividade e de negócio, entre os quais se destaca o sector mediático, segundo aponta o mais recente relatório do Obercom.

De acordo com o estudo, essas mudanças caracterizam-se, sobretudo, pela implementação de algoritmos e pela automatização dos sistemas.

Se, por um lado, a digitalização trouxe alguns problemas ao sector mediático, que, durante décadas estudou a adaptação a um mundo globalizado, onde a informação nunca pára, por outro, veio facilitar o trabalho aos jornalistas.

Este fenómeno é, aparentemente, paradoxal, mas a verdade é que os processos automáticos ajudam os profissionais a responderem, eficazmente, à necessidade da produção “sôfrega” de conteúdos noticiosos.

Trocando por miúdos: se as máquinas existem, porque não “pedir-lhes ajuda”?

Assim, os “media” actuais dependem, cada vez mais, de algoritmos que permitem analisar a preferências dos leitores, bem como de sistemas que facilitam a actualização de “websites” ao minuto.

A urgência de proteger jornalistas em países onde falha a liberdade de imprensa Ver galeria

A violência contra os jornalistas é uma realidade cada vez mais presente no mundo contemporâneo, já que várias entidades, insatisfeitas com a sua independência, estão a desenvolver novos mecanismos para impedir a publicação de artigos incómodos para o poder instituído.

Os atentados mais graves contra a liberdade de imprensa ocorrem em países onde esta está condicionada, mas, igualmente, noutros onde era suposto haver protecção para o trabalho jornalístico.

De acordo com um artigo do “Guardian”, esta realidade distópica ficou  mais evidente com o aparecimento do coronavírus.

A título de exemplo, alguns governos criaram medidas extraordinárias, visando a restrição do trabalho jornalístico. Foi o caso da Hungria, onde Viktor Órban instituiu a lei “coronavírus”, que criminaliza a difusão de “notícias falsas” sobre a pandemia. 

Da mesma forma, tanto a China como o Irão censuraram a informação respeitante aos surtos nestes países.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas