Segunda-feira, 1 de Junho, 2020
Opinião

Produções fictícias em “guerra mediática”…

por Dinis de Abreu

À medida que a pandemia parece mais controlada e o regresso ao trabalho se faz, conforme as regras de desconfinamento gradual, instalou-se uma “guerra mediática” de contornos invulgares, favorecida pela trapalhada da distribuição de apoios anunciados pelo governo, supostamente,  através da compra antecipada de espaço para publicidade institucional.

Primeiro assistiu-se a uma guerra “ privada, entre a Cofina e o empresário Mário Ferreira, porque este desistiu da parceria com Paulo Fernandes, mas não da compra da TVI, que a Prisa espanhola manteve à venda, após a renuncia da Cofina ao negócio da Media Capital. 

Ferreira aproveitou os “saldos de fim da estação “da Prisa e fez-se accionista de referência da TVI , “desfeita” que Fernandes terá achado intolerável, promovendo o “tiro ao alvo”, através das publicações do Grupo, para “demonizar” o ex-parceiro. A troca de “galhardetes” não tem sido bonita, e o folhetim estará longe de concluído.

A segunda “guerra é pública e nesta intervém o governo de um lado -  com uma ministra da Cultura e  um secretário de Estado que não se recomendam, tantos são os erros e os sarilhos  em que se  têm envolvido - , e várias empresas jornalísticas,  que se sentem preteridas em relação aos apoios oficiais, destinados a salvar ou , pelo menos, a aliviar, a situação dos media em crise, por causa do coronavírus.

Estranham, afinal, os critérios, quando a maioria dos recursos alocados são atribuídos e empresas que, supostamente, respiram saúde.  

Se o modelo defendido pelo governo já era  pouco transparente, tendo suscitado forte contestação no meio, então o formato da repartição do “bolo” tornou tudo ainda mais opaco.

Na prática , o que parece é que foram premiados  os grupos editoriaisbem comportados na sua relação com o poder o dia, sobrando umas “migalhas” para os outros.

Os jornais electrónicos “Observador “ e “Eco”  já declinaram as verbas que lhes tinham sido atribuídas, desencadeando campanhas juntos dos leitores para se tornarem assinantes e, assim,  reforçarem a independência dos projectos jornalísticos, enquanto se aguardam com curiosidade as cenas dos próximos capítulos.

Uma coisa é certa. Sem dar razão ao líder do PSD, Rui Rio, para quem uma empresa editorial tem tanto direito a uma ajuda do governo como umafábrica de calçado” - reprovando qualquer ajuda governamental, direccionada para os media, -  sobram os equívocos que nem uns nem outros esclarecem. 

O guião desta história -  se não houver uma explicação cabal fundamentando  as opções o governo -  mais parece uma produção fictícia , escrita em “cima do joelho” e destinada a privilegiar alguns pela “porta do cavalo”….

Connosco
Na era digital a máquina é o “braço direito” do jornalista ... Ver galeria

A era digital fez-se acompanhar de uma profunda alteração nos modelos de actividade e de negócio, entre os quais se destaca o sector mediático, segundo aponta o mais recente relatório do Obercom.

De acordo com o estudo, essas mudanças caracterizam-se, sobretudo, pela implementação de algoritmos e pela automatização dos sistemas.

Se, por um lado, a digitalização trouxe alguns problemas ao sector mediático, que, durante décadas estudou a adaptação a um mundo globalizado, onde a informação nunca pára, por outro, veio facilitar o trabalho aos jornalistas.

Este fenómeno é, aparentemente, paradoxal, mas a verdade é que os processos automáticos ajudam os profissionais a responderem, eficazmente, à necessidade da produção “sôfrega” de conteúdos noticiosos.

Trocando por miúdos: se as máquinas existem, porque não “pedir-lhes ajuda”?

Assim, os “media” actuais dependem, cada vez mais, de algoritmos que permitem analisar a preferências dos leitores, bem como de sistemas que facilitam a actualização de “websites” ao minuto.

A urgência de proteger jornalistas em países onde falha a liberdade de imprensa Ver galeria

A violência contra os jornalistas é uma realidade cada vez mais presente no mundo contemporâneo, já que várias entidades, insatisfeitas com a sua independência, estão a desenvolver novos mecanismos para impedir a publicação de artigos incómodos para o poder instituído.

Os atentados mais graves contra a liberdade de imprensa ocorrem em países onde esta está condicionada, mas, igualmente, noutros onde era suposto haver protecção para o trabalho jornalístico.

De acordo com um artigo do “Guardian”, esta realidade distópica ficou  mais evidente com o aparecimento do coronavírus.

A título de exemplo, alguns governos criaram medidas extraordinárias, visando a restrição do trabalho jornalístico. Foi o caso da Hungria, onde Viktor Órban instituiu a lei “coronavírus”, que criminaliza a difusão de “notícias falsas” sobre a pandemia. 

Da mesma forma, tanto a China como o Irão censuraram a informação respeitante aos surtos nestes países.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas