Segunda-feira, 1 de Junho, 2020
Media

Arquivo do "DN" em risco de perder-se motiva personalidades

Um grupo de personalidades, entre as quais figuram Jorge Sampaio, António Ramalho Eanes, Fernando Rosas e Pacheco Pereira, vai pedir, ao Ministério da Cultura a “urgente classificação” do arquivo do centenário “Diário de Notícias” .

De acordo com o jornal “Público”, o requerimento, dirigido à Direcção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas,  visa “salvar” o acervo documental que se encontra actualmente “arrumado num armazém, inutilizável e em risco de poder vir a desaparecer no contexto da crise que atravessa a empresa proprietária, o Grupo Global Media”.

Tal como noutras empresas da Global Media, vários trabalhadores do “Diário de Notícias” encontram-se, actualmente, em regime “lay-off”.

Perante a difícil situação financeira do grupo empresarial, o arquivo com 150 anos corre risco de dissolução, explicou o historiador Fernando Rosas, porta-voz do grupo de signatários.“O DN é o jornal mais antigo do continente, com um espólio absolutamente único no país. Tal como dizemos no documento, tem originais de Eça de Queirós, de Bordalo Pinheiro, do rei D. Carlos, além de toda a riqueza fotográfica. O destino da empresa não está claro. O jornal pode ser vendido. Tem credores. Isso torna o arquivo completamente vulnerável.”
Composto por 55 mil edições diárias, o arquivo do “Diário de Notícias” só está microfilmado a partir de 1970. Guarda um milhão de fotografias, 3,5 milhões de negativos fotográficos, 50 mil chapas de vidro, zincogravuras e provas de contacto. 

Entre os mais de 70 ilustradores históricos do jornal estão nomes como Rafael e Columbano Bordalo Pinheiro, Stuart Carvalhais, Almada Negreiros ou ainda os reis D. Carlos e D. Amélia.


Entre os mais de 20 signatários, encontram-se também a historiadora Irene Pimentel, os escritores Francisco José Viegas e José Luís Peixoto ou os jornalistas Adelino Gomes e Mário Mesquita, tendo o último dirigido o DN entre 1978 e 1986.


Silvestre Lacerda,  director-geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, explicou, ao “Público”, que a lei prevê que o pedido de classificação do espólio do jornal pode ser requerido por um grupo de cidadãos, entre outras formas de solicitação: “Quando essa iniciativa chegar à direcção-geral a justificar a necessidade de classificação, vamos analisar a situação e decidir se se justifica a abertura do processo de classificação, ouvindo naturalmente todas as partes interessadas.”


Leia o artigo original em “Público”

 

Connosco
Na era digital a máquina é o “braço direito” do jornalista ... Ver galeria

A era digital fez-se acompanhar de uma profunda alteração nos modelos de actividade e de negócio, entre os quais se destaca o sector mediático, segundo aponta o mais recente relatório do Obercom.

De acordo com o estudo, essas mudanças caracterizam-se, sobretudo, pela implementação de algoritmos e pela automatização dos sistemas.

Se, por um lado, a digitalização trouxe alguns problemas ao sector mediático, que, durante décadas estudou a adaptação a um mundo globalizado, onde a informação nunca pára, por outro, veio facilitar o trabalho aos jornalistas.

Este fenómeno é, aparentemente, paradoxal, mas a verdade é que os processos automáticos ajudam os profissionais a responderem, eficazmente, à necessidade da produção “sôfrega” de conteúdos noticiosos.

Trocando por miúdos: se as máquinas existem, porque não “pedir-lhes ajuda”?

Assim, os “media” actuais dependem, cada vez mais, de algoritmos que permitem analisar a preferências dos leitores, bem como de sistemas que facilitam a actualização de “websites” ao minuto.

A urgência de proteger jornalistas em países onde falha a liberdade de imprensa Ver galeria

A violência contra os jornalistas é uma realidade cada vez mais presente no mundo contemporâneo, já que várias entidades, insatisfeitas com a sua independência, estão a desenvolver novos mecanismos para impedir a publicação de artigos incómodos para o poder instituído.

Os atentados mais graves contra a liberdade de imprensa ocorrem em países onde esta está condicionada, mas, igualmente, noutros onde era suposto haver protecção para o trabalho jornalístico.

De acordo com um artigo do “Guardian”, esta realidade distópica ficou  mais evidente com o aparecimento do coronavírus.

A título de exemplo, alguns governos criaram medidas extraordinárias, visando a restrição do trabalho jornalístico. Foi o caso da Hungria, onde Viktor Órban instituiu a lei “coronavírus”, que criminaliza a difusão de “notícias falsas” sobre a pandemia. 

Da mesma forma, tanto a China como o Irão censuraram a informação respeitante aos surtos nestes países.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas