Segunda-feira, 1 de Junho, 2020
Media

A influência do Twitter como ferramenta no trabalho jornalístico

Com a chegada da era digital, os jornalistas passaram a ter, na palma da mão, poderosas ferramentas, que lhes permitem fazer pesquisas rápidas, apurar factos e entrar em contacto com as fontes.

As redes sociais desempenharam um papel particularmente relevante no presente contexto, já que vieram facilitar a relação entre jornalistas e o seu público, permitindo que se estabelecesse, pela primeira vez, uma comunicação bilateral.

Da mesma forma, estas plataformas servem de “palco” para os artigos e opiniões dos profissionais, permitindo-lhes receber um “feedback” imediato sobre o seu trabalho, recordou Manuel Moreno num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM -- Asociación de la Prensa de Madrid com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com Moreno, o Twitter é, por excelência, a rede social dos jornalistas, já que se assume como um fórum de discussão para os acontecimentos e notícias de última hora. Segundo um estudo da "Discovery&Influence", 69% dos utilizadores de redes sociais consideram que consultar o Twitter é a forma ideal de se manterem actualizados.

Dito isto, Manuel Moreno realizou um inquérito junto de jornalistas dos principais “media” espanhóis, para tentar perceber de que forma esta rede social influencia reportagens, opiniões e agendas informativas.


Diego Losada, jornalista da TVE e apresentador do programa España Directo, reconhece que receber os comentários dos telespectadores em tempo real, permite encarar a televisão, em directo, son uma nova perspectiva.  "O feedback dos espectadores do España Directo é positivo e, acima de tudo, útil para a emissão”.


"Existe, contudo, outro tipo de comentários, que se refere ao nosso lado mais pessoal, enquanto comunicadores -- continuou Losada -- Não costumo responder a essas mensagens, sejam elas positivas ou negativas”.


O jornalista Juan Pedro Valentín segue a mesma linha de pensamento, considerando que "a opinião é legítima, a crítica é saudável, mas o insulto é intolerável".


Carlos E. Cué, por sua vez, reitera que o nível de exigência dos utilizadores das redes sociais é muito forte, o que resulta em informação de maior qualidade.


Assim, a exposição permanente dos jornalistas ao Twitter ajuda-os a tornarem-se mais rigorosos no seu trabalho, e sustenta um dos pilares fundamentais da profissão: a verificação da informação e a comparação de fontes. "A crítica, desde que construtiva, tem um efeito positivo e leva-nos a produzir melhor conteúdo", acrescenta Cué.


No entanto, nem sempre os comentários dos utilizadores desta rede social são redigidos numa linha de respeito . “A maioria das mensagens que recebo são apreciações dos meus comentários, quase sempre num tom amigável e construtivo --  , disse José Luis Pérez, director de notícias da COPE e da 13 TV -- mas, a possibilidade de anonimato encoraja as pessoas a dizer coisas que seriam impensáveis no contacto pessoal”.


Em alguns casos, perante as constantes críticas, o jornalista é induzido a modificar o seu discurso e adaptar as suas mensagens ao que acredita que os seus seguidores exigem nesta plataforma. 


Juan Soto Ivars, jornalista do “El Confidencial”, considera que esta realidade é ainda mais evidente em artigos de opinião.  Contudo, o mundo do desporto, e especialmente o futebol, também gera tensão.


Os comentários negativos são dirigidos tanto a homens como mulheres, mas a desigualdade entre géneros é, igualmente, uma realidade neste contexto. 


De acordo com o estudo de Moreno, as jornalistas estão sujeitas a comentários e ameaças mais negativas no Twitter.  “Há muito chauvinismo masculino nas redes sociais” -- confirma Almudena Negro , acrescentando que “muitos dos comentários que recebo fazem alusão ao meu sexo ou à minha aparência, algo que não acontece no caso dos homens".


Confrontado com estas situações, o Twitter desenvolveu um Política de Comportamento Abusivo que proíbe comportamentos de assédio.


A empresa fornece aos utilizadores, em geral, e aos jornalistas, em particular, ferramentas que lhes permitem controlar os conteúdos que vêem e as pessoas com quem interagem na rede social, com o objectivo de tornar as relações mais saudáveis.


Além disso, a rede social desenvolveu uma tecnologia que permite identificar, proactivamente, mais de metade das mensagens que violam as directrizes de comportamento. 


Assim, espera-se que esta plataforma contribua, sobremaneira, para a melhoria da qualidade do trabalho jornalístico.


Leia o artigo original em Cuadernos de Periodistas

Connosco
Na era digital a máquina é o “braço direito” do jornalista ... Ver galeria

A era digital fez-se acompanhar de uma profunda alteração nos modelos de actividade e de negócio, entre os quais se destaca o sector mediático, segundo aponta o mais recente relatório do Obercom.

De acordo com o estudo, essas mudanças caracterizam-se, sobretudo, pela implementação de algoritmos e pela automatização dos sistemas.

Se, por um lado, a digitalização trouxe alguns problemas ao sector mediático, que, durante décadas estudou a adaptação a um mundo globalizado, onde a informação nunca pára, por outro, veio facilitar o trabalho aos jornalistas.

Este fenómeno é, aparentemente, paradoxal, mas a verdade é que os processos automáticos ajudam os profissionais a responderem, eficazmente, à necessidade da produção “sôfrega” de conteúdos noticiosos.

Trocando por miúdos: se as máquinas existem, porque não “pedir-lhes ajuda”?

Assim, os “media” actuais dependem, cada vez mais, de algoritmos que permitem analisar a preferências dos leitores, bem como de sistemas que facilitam a actualização de “websites” ao minuto.

A urgência de proteger jornalistas em países onde falha a liberdade de imprensa Ver galeria

A violência contra os jornalistas é uma realidade cada vez mais presente no mundo contemporâneo, já que várias entidades, insatisfeitas com a sua independência, estão a desenvolver novos mecanismos para impedir a publicação de artigos incómodos para o poder instituído.

Os atentados mais graves contra a liberdade de imprensa ocorrem em países onde esta está condicionada, mas, igualmente, noutros onde era suposto haver protecção para o trabalho jornalístico.

De acordo com um artigo do “Guardian”, esta realidade distópica ficou  mais evidente com o aparecimento do coronavírus.

A título de exemplo, alguns governos criaram medidas extraordinárias, visando a restrição do trabalho jornalístico. Foi o caso da Hungria, onde Viktor Órban instituiu a lei “coronavírus”, que criminaliza a difusão de “notícias falsas” sobre a pandemia. 

Da mesma forma, tanto a China como o Irão censuraram a informação respeitante aos surtos nestes países.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas