Sábado, 16 de Janeiro, 2021
Prémio

O jornal “New York Times” dominou os Prémios Pulitzer...

O “New York Times” foi o principal vencedor da última edição dos Prémios Pulitzer ao receber três galardões, entre os quais, o prémio de Melhor Investigação, pela reportagem de Brian M. Rosenthal sobre o sector dos táxis.

O “NYT” conquistou, ainda, o prémio na categoria Internacional por uma série de artigos sobre o governo do Presidente russo Vladimir Putin. Da mesma forma, a jornalista Nikole Hannah-Jones obteve o galardão de Melhor Comentário por uma reflexão sobre a história dos Estados Unidos, numa perspectiva afro-americana.

O “Courier-Journal”, por sua vez, venceu na categoria de Notícias, ao relatar as amnistias concedidas pelo governador do Kentucky, Matt Bevin.

A Reuters conquistou o prémio de Melhor Fotografia Noticiosa em Tempo Real pelas imagens captadas durante os protestos de Hong Kong. Já a agência Associated Press recebeu a distinção de melhor Reportagem Fotográfica, com um portfólio dedicado à vida na região de Caxemira,  disputada pela Índia e pelo Paquistão.

O cartoonista nova-iorquino Barry Blitt -- conhecido por desenhar, em aguarela, personagens e políticos da Casa Branca sob o governo Trump -- ficou com o prémio de Melhor Cartoon.

O prémio de Jornalismo Analítico foi concedido aos colaboradores do jornal “Washington Post” por uma série que espelhava os efeitos do aquecimento global no planeta.


O galardão de Jornalismo Nacional foi entregue a duas publicações: ao “ProPublica”, por uma investigação sobre uma série de acidentes na Marinha americana, e ao “Seattle Times”, pela cobertura que expôs falhas no projecto nas aeronaves 737.


Da revista“New Yorker”, o jornalista Ben Taub foi distinguido com o prémio de Melhor Relato Textual por uma história sobre a crescente amizade entre um guarda da prisão de Guantánamo e um prisioneiro que foi torturado.


Ida B. Wells (1862-1931), pioneira do jornalismo investigativo e activista dos direitos civis, recebeu uma menção póstuma.


Este ano, perante a pandemia de coronavírus, o painel de especialistas dos Prémios Pulitzer considerou oportuno adiar o anúncio dos vencedores do galardão.

Isto porque os jurados consideraram que, em tempo de coronavírus, muitos jornalistas desempenharam o seu papel de forma extraordinária e irrepreensível, pelo que optaram por uma reapreciação dos candidatos.

A revelação dos vencedores, que estava agendada para 21 de Abril, acabou por acontecer em 4 de Maio. 

Cada vencedor recebeu um certificado e um prémio pecuniário de 10 mil dólares.

Connosco
Os dilemas e os desafios que se colocam ao jornalismo migratório Ver galeria

No Brasil, a maioria dos jornalistas que escreve sobre emigração foca-se, somente, nos aspectos positivos da mudança, omitindo as verdadeiras dificuldades de um expatriado, considerou Liliana Tinoco Backert num texto publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com a autora, este tipo de artigos passam a mensagem de que basta dominar uma língua estrangeira para se ser bem sucedido lá fora. Contudo, defende Tinoco Backert, a realidade nem sempre é essa.

Quando os jornalistas oferecem destaque a empresários de sucesso, esquecem-se, muitas vezes, das possíveis adversidades enfrentadas pela família desse mesmo profissional, que deixaram as suas rotinas para o acompanhar.

Da mesma forma, o jornalismo de migração brasileiro omite os choques interculturais, as dificuldades de adaptação e a possível exclusão social.

Perante este cenário, a autora incentiva os profissionais dos “media” a criarem projectos focados nestes temas, para informarem, eficazmente, os leitores que estão a ponderar mudar de país.

Aliás, Tinoco Backart -- que chegou a viver na Suíça -- começou a redigir, em 2016, a sua própria coluna sobre movimentos migratórios, que é publicada no portal Swissinfo.ch.

Onde se preconiza a responsabilização das redes sociais Ver galeria

As redes sociais poderão estar a assumir a responsabilidade pela partilha compulsiva de informações falsas e de opiniões que são tomadas como factos, considerou o jornalista Lucas Souza Doutra num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

O autor começa por recordar que o Novo Ano foi marcado por uma polémica na plataforma Twitter, que baniu a conta de Donald Trump. Esta medida foi justificada com os riscos de incitação à violência, afirmações falsas e violação de regras das plataformas.

Segundo indicou Dutra, é certo que a acção pode ter sido motivada por interesses económicos e políticos.

Mas, a curto prazo -- reiterou o autor -- este tipo de moderação pode ser eficaz no condicionamento das “fake news” e começar a traçar um melhor futuro para o ambiente virtual que, nos últimos anos, se tem caracterizado pela distorção e imposição de ideologias, estimulada pelo excesso de segmentação e de algoritmos.

O autor considera, por outro lado, que é urgente responder a algumas questões sobre a regulação do mundo “online”.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
Nos 40 anos do CPI
Francisco Sarsfield Cabral
Comemoram-se este mês quarenta anos desde a fundação deste Clube, em 1980. Vivia-se em Portugal, então, o alívio pela liberdade de expressão – já não havia censura prévia. Mas algumas forças políticas, sobretudo de extrema-esquerda, tinham ocupado órgãos de comunicação social. Foi o caso da Rádio Renascença e do jornal República, por exemplo. E a maior parte da...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Notas breves
José Leite Pereira
1 - Assistir a entrevistas na televisão tornou-se um ato penoso. As entrevistas fizeram-se para que alguém possa transmitir a terceiros o que entende dever ser transmitido. Ao jornalista cabe o papel de intermediário e intérprete do que julga ser a curiosidade do público. A entrevista é um ato de esclarecimento. Diferente de um texto de opinião ou de uma comunicação pura e simples exatamente por causa da presença do...
Agenda
18
Jan
Descobrir histórias com dados
09:00 @ "Workshop" "Online" da Journalism Fund
27
Jan
Investigação e Escrita de Não-ficção
11:00 @ Cenjor -- Sessões síncronas "online"
01
Fev
Iniciação à Fotografia
10:00 @ Cenjor
23
Fev
Westminster Forum Projects: O futuro da BBC
10:00 @ Conferência "online"