Terça-feira, 26 de Outubro, 2021
Estudo

Relatório do Obercom analisa tendências no sistema mediático em função do Covid-19

A imprensa portuguesa está a ressentir-se do impacto económico do coronavírus. O principal modelo de negócio seguido --  que assentava, sobretudo, nas receitas publicitárias -- ficou comprometido, e os “media” estão a ser forçados a adaptarem-se, rapidamente, ao novo panorama. 

O Obercom tem seguido, de perto, a realidade mediática portuguesa, dedicando alguns relatórios ao acompanhamento do impacto da crise pandémica no ecossistema português.

No seu mais recente estudo, --  a segunda versão do relatório do “Impacto da crise pandémica no sistema de media português e global” -- o Obercom debruçou-se sobre a análise das principais tendências, bem como das dinâmicas de evolução do sector.

De acordo com o relatório, continuam a verificar-se as tendências registadas na sua primeira versão. Estamos, assim,  a assistir a uma aceleração exponencial das mudanças estruturais, bem como à alteração do consumo mediático. Da mesma forma, o jornalismo está a atravessar uma crise laboral. 

Além disso, verifica-se a consolidação do poder das plataformas no sistema mediático global, assim como a alteração de paradigmas da sociabilidade, o que gera incerteza na definição de políticas económicas a nível nacional e / ou comunitário.

Há, porém, dados animadores. De acordo com um relatório da consultora Accenture, as organizações mediáticas estão a responder, rápida e eficazmente, ao impacto económico e social da pandemia. 


Segundo o mesmo estudo, esta é uma boa altura para apostar na diversificação de conteúdos e na alteração do modelo de negócio, já que há um interesse crescente pelo consumo de informação. 


O mais importante, afirma a consultora, será abraçar a oportunidade única de desenvolver relações de confiança e intimidade com os consumidores, que procuram manter-se informados, entretidos e conectados. 


Para tal, será importante ter em conta as tendências de consumo por faixa etária, bem como as preferências a nível informativo.


Um relatório de Abril, produzido pelo “NiemanLab”, demonstra que o consumo de notícias “online” assistiu, em Março, a um pico que não está a ser acompanhado no mês de Abril. Isto porque o interesse por artigos sobre o coronavírus decresceu.


Assim, terão mais sucesso as plataformas que conseguirem contrabalançar conteúdos sobre o coronavírus com outros temas, que despertem o interesse do público.


O relatório recorda, igualmente, que, apesar de os “media” estarem a registar um tráfego excepcional, a queda das receitas publicitárias provocou cortes no orçamento das empresas.


Assim, àmedida que as semanas passam, e à medida que a solvabilidade financeira dos diferentes Grupos é posta em causa,  inúmeras marcas têm vindo a comunicar aos seus colaboradores a intenção de reduzir das equipas de trabalho.


Neste contexto, o estudo Influencer Marketing Hub mostra que, das 237 marcas inquiridas, 38% consideram provável que um número considerável de colaboradores passe ao regime do “lay off”. 


Segundo os autores, a estatística takvez mais preocupante seja a de que o “lay off” passe a ser encarada como uma medida indispensável,  face à agudização económica provocada pelo coronavírus.


Em todo o caso, o facto de essas propostas serem casos isolados e não a regra para o sector da imprensa, está a retardar  a criação de uma mentalidade digital entre os consumidores, e, portanto, a afectar a sustentabilidade do ecossistema noticioso.


Adicionalmente, uma das ideias que tem começado a surgir é a de que, no seguimento da racionalização dos recursos e da contenção de custos, a automatização poderá começar a ganhar terreno, substituindo trabalhadores. 


O sector televisivo, por seu turno, está, ainda, “em alta”. Esta tendência, pode, contudo, vir a ser alterada, já que as plataformas de “streaming” oferecem conteúdos programas de entretenimento mais diversificados, pelo que as “grelhas” televisivas poderão vir a tornar-se obsoletas.


Por outro lado, a rádio, apesar do choque inicial, estará a registar menos perdas quando, comparada com a televisão ou a imprensa.


A criatividade registada, durante os últimos anos, no sector, coincidente com uma procura incessante de novas formas de monetizar o mercado áudio, poderá ser, efectivamente,  uma mais-valia no médio / longo prazo.


Em Portugal, têm surgido parcerias proveitosas, como a estabelecida entre o Grupo Renascença Multimédia e o Portal Sapo, como forma de valorizar o património produtivo do Grupo Renascença, ao nível da informação, e de garantir à marca histórica nativa digital a disponibilidade de conteúdos informativos com o selo de qualidade histórico da marca radiofónica. 


Outros projectos mais dispersos, alguns beneficiários de novas formas de distribuição de conteúdos, permitem que a rádio se incorpore no mundo digital de forma bastante directa e eficaz, usufruindo de estruturas de distribuição massificadas e muito eficientes.

Leia o relatório original em Obercom

Connosco
Jornal finlandês troca "cadeados" por "diamantes" para atrair assinantes Ver galeria

Com a era digital, vários jornais passaram a apostar nos conteúdos “online”, recorrendo às “paywalls” para obter receitas.

Este novo modelo de negócio foi introduzido um pouco por toda a Europa, incluindo na Finlândia, onde o jornal “Helsingin Sanomat” conta com a subscrição de 48% de todos os assinantes de produtos noticiosos do país.

Conforme apontou Hanaa Tameez num artigo publicado no “Nieman Lab”, o "Helsingin Sanomat” foi fundado em 1889, quando a Finlândia ainda integrava o Império Russo. Agora, este jornal é detido pelo Grupo Sanoma, que controla 40 outras marcas mediáticas naquele país.

Em 2016, continuou Tameez, os editores do “Helsingin Sanomat” chegaram à conclusão de que a “paywall” não estava a obter os resultados esperados.

Por isso mesmo, os responsáveis por aquela publicação começaram a analisar o tipo de conteúdos que deveriam ser exclusivos para subscritores e, em vez de os assinalarem com um “cadeado”, passaram a identificá-los através de um “diamante”.

“O símbolo do cadeado passou a ser reconhecido mundialmente enquanto um identificador da ‘Paywall’”, disse o editor-executivo, Kaius Niemi, em entrevista para o “Nieman Lab”. “Sentimos, contudo, que o cadeado não simboliza valor acrescentado no jornalismo, ou ‘storytelling’ avançado. Por outro lado, acaba por ter uma conotação negativa, já que fecha a porta a um potencial subscritor. Os diamantes, por sua vez, ilustram o trabalho árduo dedicado a cada história”.

Graças a estas iniciativas, a equipa editorial daquele jornal finlandês percebeu que estava a apostar em temáticas que não chamavam a atenção dos leitores, e decidiram investir em artigos sobre sociedade, cultura e “lifestyle”.

Relatório aponta prioridade para o jornalismo isento e objectivo Ver galeria

As audiências valorizam a imparcialidade no jornalismo, e justificam a convicção de que os artigos noticiosos e as colunas de opinião devem ser, claramente, distinguidas, aponta o estudo The Relevance Of Impartial News In A Polarised World, encomendado pela Universidade de Oxford.

De acordo com este relatório -- que contou com 52 participantes, provenientes da Alemanha, do Brasil, dos Estados Unidos e do Reino Unido -- a informação objectiva e a contextualização devem estar no centro de qualquer formato noticioso.

Neste sentido, os participantes do estudo alertaram para o facto de as peças noticiosas e as colunas de opinião não serem facilmente identificáveis em formatos “online”, ao contrário do que acontece nas publicações em formato de papel.

“As audiências valorizam a opinião como um suplemento dos factos, mas, na sua generalidade, querem que a informação objectiva seja estabelecida em primeiro lugar. O público preocupa-se, também, com a mistura destes dois formatos”.

Os jornais assumem-se, assim, como a fonte noticiosa mais fiável, embora alguns leitores mais jovens considerem que estas publicações transmitem “ideais conservadores”, com os quais não se identificam.

Por outro lado, os participantes afirmam que as redes sociais não são boas fontes noticiosas, já que os seus algoritmos dão prioridade aos artigos de opinião, sem que estes estejam identificados como tal.

“Nas redes sociais, torna-se difícil distinguir entre notícias e a opinião, devido à falta de pistas. Algumas pessoas consideram que isto é um problema”, indica o relatório. “Alguns temem que o conteúdo de opinião esteja a contaminar as notícias. Outros assumem, simplesmente, que a opinião é uma característica inerente a estas plataformas”.

O Clube


Conhecidas as propostas do governo para o Orçamento de Estado, verifica-se que o sector dos media continua a ser o “parente pobre”, sem atrair medidas de reanimação capazes de corrigirem e de equilibrarem o plano inclinado em que se encontra a maioria das empresas jornalísticas, já periclitantes antes de serem fortemente flageladas pela pandemia.
O Sindicato dos Jornalistas lamenta-o e estranha que o OE ignore “completamente as dificuldades da comunicação social”. As associações do sector, como é o caso do CPI, certamente não menos.
O documento é omisso em medidas de apoio, que possam contribuir para inverter o declínio das vendas de jornais e revistas, sem pôr em causa a independência das publicações.
O bom jornalismo não precisa de ser subsidiado, mas implica redacções ágeis e com capacidade de resposta, que não dependam das redes sociais para medirem a realidade.
Com as contas no “vermelho”, as empresas editoriais não dispõem , contudo, de meios nem de condições propícias ao investimento, por exemplo, na reportagem de investigação.
Os jornalistas saem cada vez menos e a pandemia, com o teletrabalho, mais acentuou esse défice de contacto com o exterior.
É impossível não concordar com o SJ quando este defende várias medidas, como a criação de um voucher de 20 euros por agregado familiar para assinaturas ou compra de jornais e revistas, o desconto do IVA de produtos de media no IRS e a oferta de jornais ou de uma assinatura digital a todos os jovens que completem 18 anos.
Salva-se apenas a digitalização, a única que tem verbas disponíveis no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR). É importante. Mas não é exclusivamente por aí que se salvam os media em sérias dificuldades, que lutam pela sobrevivência. E que são um pilar da democracia. Eis um debate urgente ao qual nos associamos.


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Opinião
O jornalismo está de parabéns. O Nobel da Paz atribuído a dois jornalistas, Maria Ressa e Dmitry Muratov, uma filipina e um russo, premiou uma incansável e corajosa luta pela liberdade de expressão nos seus países, com risco da própria vida. São um exemplo. Foi necessário passar quase um século para um Nobel da Paz caber novamente a jornalistas, que pugnam pela sobrevivência do jornalismo sério e independente,...
O que une radicais de direita e de esquerda
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Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
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No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
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01
Nov
The African Investigative Journalism Conference
10:00 @ Joanesburgo, África do Sul
02
Nov
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10:00 @ Evento "Online" da GIJN
18
Nov
22
Nov
28
Nov
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor