Sábado, 1 de Outubro, 2022
Estudo

Relatório do Obercom analisa tendências no sistema mediático em função do Covid-19

A imprensa portuguesa está a ressentir-se do impacto económico do coronavírus. O principal modelo de negócio seguido --  que assentava, sobretudo, nas receitas publicitárias -- ficou comprometido, e os “media” estão a ser forçados a adaptarem-se, rapidamente, ao novo panorama. 

O Obercom tem seguido, de perto, a realidade mediática portuguesa, dedicando alguns relatórios ao acompanhamento do impacto da crise pandémica no ecossistema português.

No seu mais recente estudo, --  a segunda versão do relatório do “Impacto da crise pandémica no sistema de media português e global” -- o Obercom debruçou-se sobre a análise das principais tendências, bem como das dinâmicas de evolução do sector.

De acordo com o relatório, continuam a verificar-se as tendências registadas na sua primeira versão. Estamos, assim,  a assistir a uma aceleração exponencial das mudanças estruturais, bem como à alteração do consumo mediático. Da mesma forma, o jornalismo está a atravessar uma crise laboral. 

Além disso, verifica-se a consolidação do poder das plataformas no sistema mediático global, assim como a alteração de paradigmas da sociabilidade, o que gera incerteza na definição de políticas económicas a nível nacional e / ou comunitário.

Há, porém, dados animadores. De acordo com um relatório da consultora Accenture, as organizações mediáticas estão a responder, rápida e eficazmente, ao impacto económico e social da pandemia. 


Segundo o mesmo estudo, esta é uma boa altura para apostar na diversificação de conteúdos e na alteração do modelo de negócio, já que há um interesse crescente pelo consumo de informação. 


O mais importante, afirma a consultora, será abraçar a oportunidade única de desenvolver relações de confiança e intimidade com os consumidores, que procuram manter-se informados, entretidos e conectados. 


Para tal, será importante ter em conta as tendências de consumo por faixa etária, bem como as preferências a nível informativo.


Um relatório de Abril, produzido pelo “NiemanLab”, demonstra que o consumo de notícias “online” assistiu, em Março, a um pico que não está a ser acompanhado no mês de Abril. Isto porque o interesse por artigos sobre o coronavírus decresceu.


Assim, terão mais sucesso as plataformas que conseguirem contrabalançar conteúdos sobre o coronavírus com outros temas, que despertem o interesse do público.


O relatório recorda, igualmente, que, apesar de os “media” estarem a registar um tráfego excepcional, a queda das receitas publicitárias provocou cortes no orçamento das empresas.


Assim, àmedida que as semanas passam, e à medida que a solvabilidade financeira dos diferentes Grupos é posta em causa,  inúmeras marcas têm vindo a comunicar aos seus colaboradores a intenção de reduzir das equipas de trabalho.


Neste contexto, o estudo Influencer Marketing Hub mostra que, das 237 marcas inquiridas, 38% consideram provável que um número considerável de colaboradores passe ao regime do “lay off”. 


Segundo os autores, a estatística takvez mais preocupante seja a de que o “lay off” passe a ser encarada como uma medida indispensável,  face à agudização económica provocada pelo coronavírus.


Em todo o caso, o facto de essas propostas serem casos isolados e não a regra para o sector da imprensa, está a retardar  a criação de uma mentalidade digital entre os consumidores, e, portanto, a afectar a sustentabilidade do ecossistema noticioso.


Adicionalmente, uma das ideias que tem começado a surgir é a de que, no seguimento da racionalização dos recursos e da contenção de custos, a automatização poderá começar a ganhar terreno, substituindo trabalhadores. 


O sector televisivo, por seu turno, está, ainda, “em alta”. Esta tendência, pode, contudo, vir a ser alterada, já que as plataformas de “streaming” oferecem conteúdos programas de entretenimento mais diversificados, pelo que as “grelhas” televisivas poderão vir a tornar-se obsoletas.


Por outro lado, a rádio, apesar do choque inicial, estará a registar menos perdas quando, comparada com a televisão ou a imprensa.


A criatividade registada, durante os últimos anos, no sector, coincidente com uma procura incessante de novas formas de monetizar o mercado áudio, poderá ser, efectivamente,  uma mais-valia no médio / longo prazo.


Em Portugal, têm surgido parcerias proveitosas, como a estabelecida entre o Grupo Renascença Multimédia e o Portal Sapo, como forma de valorizar o património produtivo do Grupo Renascença, ao nível da informação, e de garantir à marca histórica nativa digital a disponibilidade de conteúdos informativos com o selo de qualidade histórico da marca radiofónica. 


Outros projectos mais dispersos, alguns beneficiários de novas formas de distribuição de conteúdos, permitem que a rádio se incorpore no mundo digital de forma bastante directa e eficaz, usufruindo de estruturas de distribuição massificadas e muito eficientes.

Leia o relatório original em Obercom

Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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Opinião
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