Quarta-feira, 28 de Outubro, 2020
Media

Relatório do Obercom analisa adaptação da Imprensa ao Covid-19

Nas últimas décadas, o jornalismo tem vindo a enfrentar  profundos desafios. A digitalização estabeleceu-se como novo obstáculos e passou a ser o principal agente disruptivo, já que, com a transferência das audiências para o “mundo” “online”, o valor económico da notícia diminuiu.

O jornalismo e a imprensa viveram, assim, um período de significativa turbulência, agravada, desde 2008, pelos efeitos de uma crise financeira global que abrangeu, também, os “media”.

O sector, ainda a braços com essa crise, vive, agora, um problema singular, resultante do ajustamento da imprensa ao cenário do coronavírus. Para tentar apurar de que forma as publicações portuguesas se estão a adaptar ao actual panorama, a Associação Portuguesa de Imprensa (API) e o Obercom promoveram um inquérito junto de 42 títulos.

Os dados obtidos, nesta fase inicial, serão calibrados para uma etapa seguinte, que incidirá sobre algumas medidas tomadas pela imprensa e os principais efeitos sentidos no pós-declaração do estado de emergência em Portugal.

De acordo com o relatório, as publicações auscultadas estão já a diminuir o formato das suas edições (número de páginas) e a maioria destes títulos prevê a diminuição do volume de tiragem.


A medida é justificada, apenas, com a contenção de despesas e de recursos, num momento em que grande parte da população está confinada ao espaço doméstico e em que as fontes de receita parecem definhar.


No que respeita ao coronavírus, enquanto elemento crucial da agenda mediática, existe uma tendência geral para se considerar fácil a obtenção de informação.


Foram registadas, no entanto, algumas dificuldades, entre as quais o desconhecimento pormenorizado das fontes,  dos interlocutores, e das dificuldades técnicas. 


São, ainda, enumeradas outras questões, como a falta de colaboração das entidades de saúde locais e o condicionamento da informação, entre outras. 


No que respeita à partilha da informação recolhida com outras publicações, quase metade dos inquiridos mostrou-se disponível apara colaborar, de forma a obter publicidade ou patrocínios, numa altura em que a obtenção de receitas se tornou num processo ainda mais complexo. 


Leia o relatório original em Obercom

Connosco
A cobertura noticiosa nas eleições americanas vistas em países com censura Ver galeria

As campanhas eleitorais norte-americanas têm sido acompanhada um pouco por todo o mundo, já que os cidadãos estão interessados em conhecer as possíveis consequências destas eleições presidenciais.

Perante este quadro, o “Nieman Lab” tentou descobrir quais são as premissas que dominam os “media” mundiais, de forma a apurarem qual o discernimento dos cidadãos, perante os candidatos democrata e republicano.

Após um mês de análise, com recurso a inteligência artificial, o “Nieman Lab” concluiu que a cobertura noticiosa das eleições tem sido, particularmente, intensa no Irão, na Rússia e na China, onde os “media” criticam as acções de Donald Trump.

Os principais temas abordados, pela comunicação social destes países, são os debates presidenciais, a gestão do novo coronavírus e as  políticas de imigração.

Depois do primeiro debate presidencial, a imprensa chinesa questionou a utilidade deste evento para o eleitorado, e criticou a conduta do actual Presidente.

Jornal britânico quer provar que imprensa não tem os dias contados... Ver galeria

Dez anos após o lançamento do jornal britânico “i”, o editor-executivo Oliver Duff diz ter provas suficientes para afirmar que o “formato impresso” vai “prosperar durante muito mais tempo do que a maioria dos especialistas defende”.

Em declarações à “Press Gazette”, Duff afirmou que os jornais impressos têm-se mostrado “resilientes” e inovadores”. 

Além disso, aquele responsável considera que os leitores valorizam este formato por ser “táctil”, ter “curadoria”, e conter muitos “elementos surpresa”, que contribuem para a formação de uma comunidade de cidadãos com valores semelhantes.

Segundo recordou Duff, nos primeiros meses de circulação, o “i” não foi bem recebido pela maioria dos críticos dos “media”, mas conquistou uma base de leitores fiéis, que foram dando “feedback” sobre aquilo que pretendiam consumir.

O “i” tornou-se assim um jornal reconhecido pela sua objectividade factual e isenção política. 

De forma a conquistarem o interesse dos leitores, os colaboradores fazem análises profundas de situações disruptivas e tentam criticar, apenas, “aquilo que tem de ser criticado”.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Opinião
O que nos aconteceu?
Dinis de Abreu
O que nos aconteceu? Interrogava-se o cardeal D. José Tolentino de Mendonça, há menos de um mês, na conferência inaugural das jornadas nacionais de comunicação social da Igreja Católica.  Na génese da pergunta, a pandemia e “um novo pacto de comunicação“ que sugeriu como  “reflexão sobre o sentido da vida”, num tempo incerto em que os media sofreram, como reconheceu,...
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Agenda
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena
11
Nov
O valor e o futuro dos "media" públicos
13:00 @ Sessões "online" Reuters Institute
24
Nov
Congresso de Jornalismo para Dispositivos Móveis
10:00 @ Universidade da Beira Interior