Sábado, 16 de Janeiro, 2021
Prémio

Poema de protesto é foto do ano da World Press Photo

A cerimónia de entrega de prémios do World Press Photo foi cancelada, devido à pandemia de Covid-19, mas, a organização não deixou de dar a conhecer ao mundo, a 16 de Abril, os vencedores desta edição.

As fotografias que venceram os prémios mais importantes foram captadas no continente africano.O japonês Yasuyoshi Chiba, fotógrafo da France-Presse para a África Oriental, ficou na história do concurso como vencedor da Foto do Ano de 2020, com a imagem de um protesto pacífico contra o estado de sítio e o “blackout” impostos no Sudão, em Abril de 2019, pela junta militar que tomou o poder.

A imagem, captada a 19 de Junho, foca um jovem sudanês , que recitava um poema durante uma manifestação contra o regime. À sua volta, dezenas de luzes de telemóveis iluminavam o momento, já que a eletricidade havia sido cortada pelos militares, na tentativa de desmobilizar os protestos. 

Chiba, fotógrafo japonês de 49 anos radicado em Nairobi, no Quénia, explicou que “aquela zona estava sob um blackout total. Inesperadamente, as pessoas começaram a bater palmas no escuro. Ergueram os telemóveis para iluminar um jovem que estava no meio deles. Recitou um famoso poema de protesto, improvisado. Entre fôlegos, gritava-se ‘thawra’, a palavra árabe para revolução. 

 “A sua expressão facial e a sua voz impressionaram-me, -- sublinhou -- não conseguia parar de focar-me nele e captei o momento”.


Yasuyoshi Chiba tem, também, trabalhado no Brasil, e na Nigéria, sendo já considerado um veterano desta competição, na qual foi premiado em categorias temáticas nas edições de 2009 e 2012.


Em nome do júri dos prémios, anunciados na cidade holandesa de Haia, Chris McGrath, fotógrafo da Getty Images, considerou que a imagem vencedora simbolizava “a agitação de pessoas, em todo o mundo, que reclamam mudança”.


Já na Reportagem do Ano destacou-se o trabalho do fotógrafo independente Romain Laurendeau, que seguiu, ao longo de 5 anos, a vida de jovens argelinos, que se tentam alhear da sociedade conservadora que integram através do futebol ou das chamadas “freedom bubbles”.


O trabalho de Laurendeau destaca-se por ter captado o movimento de revolta da juventude argelina, que culminou em Fevereiro de 2019.  Movimento esse que levaria, em Abril, à deposição do presidente Abdelaziz Bouteflika.


Laurendeau deu à sua reportagem o título “Kho, a Génese de uma Revolta”, sendo que “kho”,  é a gíria usada pela juventude argelina para “irmão”. 


Romain Laurendeau formou-se em fotografia na ETPA em Toulouse, França, e trabalhou em projectos de longa duração como fotógrafo profissional em França, Senegal, Argélia, Territórios Palestinos e Israel. 


Os autores da Foto e da Reportagem do ano foram premiados com 10 mil euros.


A par da fotografia e da reportagem do ano, o concurso – ao qual se candidataram, este ano, 4282 fotógrafos – atribui ainda prémios em oito categorias temáticas: temas contemporâneos, ambiente, notícias, projectos de longa duração, natureza, retratos, desporto e “spot news”


Embora sem direito a prémio pecuniário, os distinguidos nas várias categorias são convidados, como sempre acontece, com viagens e despesas pagas para assistir à cerimónia de entrega dos prémios e ao festival promovido pela organização, agendado para os dias 16 a 18 de Abril em Amesterdão.


Também a habitual exposição itinerante com os trabalhos premiados, que nas últimas edições percorreu mais de 120 cidades em todo o mundo, está condicionada por motivos óbvios. 

Connosco
Os dilemas e os desafios que se colocam ao jornalismo migratório Ver galeria

No Brasil, a maioria dos jornalistas que escreve sobre emigração foca-se, somente, nos aspectos positivos da mudança, omitindo as verdadeiras dificuldades de um expatriado, considerou Liliana Tinoco Backert num texto publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com a autora, este tipo de artigos passam a mensagem de que basta dominar uma língua estrangeira para se ser bem sucedido lá fora. Contudo, defende Tinoco Backert, a realidade nem sempre é essa.

Quando os jornalistas oferecem destaque a empresários de sucesso, esquecem-se, muitas vezes, das possíveis adversidades enfrentadas pela família desse mesmo profissional, que deixaram as suas rotinas para o acompanhar.

Da mesma forma, o jornalismo de migração brasileiro omite os choques interculturais, as dificuldades de adaptação e a possível exclusão social.

Perante este cenário, a autora incentiva os profissionais dos “media” a criarem projectos focados nestes temas, para informarem, eficazmente, os leitores que estão a ponderar mudar de país.

Aliás, Tinoco Backart -- que chegou a viver na Suíça -- começou a redigir, em 2016, a sua própria coluna sobre movimentos migratórios, que é publicada no portal Swissinfo.ch.

Onde se preconiza a responsabilização das redes sociais Ver galeria

As redes sociais poderão estar a assumir a responsabilidade pela partilha compulsiva de informações falsas e de opiniões que são tomadas como factos, considerou o jornalista Lucas Souza Doutra num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

O autor começa por recordar que o Novo Ano foi marcado por uma polémica na plataforma Twitter, que baniu a conta de Donald Trump. Esta medida foi justificada com os riscos de incitação à violência, afirmações falsas e violação de regras das plataformas.

Segundo indicou Dutra, é certo que a acção pode ter sido motivada por interesses económicos e políticos.

Mas, a curto prazo -- reiterou o autor -- este tipo de moderação pode ser eficaz no condicionamento das “fake news” e começar a traçar um melhor futuro para o ambiente virtual que, nos últimos anos, se tem caracterizado pela distorção e imposição de ideologias, estimulada pelo excesso de segmentação e de algoritmos.

O autor considera, por outro lado, que é urgente responder a algumas questões sobre a regulação do mundo “online”.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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