null, 22 de Maio, 2022
Media

Jornalistas especializados em saúde num pico de carreira

Numa altura em que os jornalistas parecem estar sobrecarregados com histórias sobre o coronavírus, os profissionais especializados em saúde dizem estar a experienciar o pico das suas carreiras, ainda que a partir de casa, ou com medidas de segurança acrescidas.

Na sua maioria, esses jornalistas deixaram de parte outros trabalhos para se dedicarem, exclusivamente, à cobertura do desenvolvimento da pandemia, particularmente, nos Estados Unidos, onde os hospitais estão sobrelotados.

"A pandemia é verdadeiramente uma das maiores histórias -- se não a maior -- do nosso tempo, e penso que exige toda a nossa atenção neste momento", afirmou o repórter Edi Yong em declarações à CNN. "Os repórteres de ciência, saúde e tecnologia estão no epicentro noticioso. Estamos aqui para fazer as nossas próprias histórias e apoiar os nossos colegas através dos nossos conhecimentos especializados, sempre que necessário”.

Outros repórteres de saúde, como a colaboradora do “BuzzFeed” Stephanie Lee abandonaram, mesmo, grandes investigações para se dedicarem a escrever sobre o Covid-19. “O coronavírus consome-nos todo o nosso tempo e atenção”, afirmou Lee. “É estranho estar em competição com todos os jornalistas do mundo. É, também, extraordinário ver o impacto do nosso trabalho”.


Os jornalistas estão, porém, a forçados adaptarem-se às condições impostas pelo confinamento obrigatório. De facto, a maior parte dos profissionais estão a trabalhar a partir de casa, e conseguem cobrir os últimos acontecimentos graças à internet e aos contactos que estabelecem, por videochamada, com médicos e cientistas.


A repórter de saúde Emily Woodruff, correspondente do jornal “Advocate” em Nova Orleães, disse que tem sido, particularmente, desafiante não falar pessoalmente sobre temas sensíveis, por ser difícil estabelecer empatia.


As equipas continuam, porém, empenhadas em realizar o seu papel, apesar de terem de adaptar-se, constantemente, às adversidades. Isto porque manter a população informada se sobrepõe a qualquer constrangimento.

Connosco
Onde se defende a promoção de novos “media” contra jornalismo superficial Ver galeria

Os jornalistas devem manter-se fiéis aos valores de ética e deontologia, reconhecendo a importância do seu trabalho para a vida democrática, e lutando para melhorar as condições de trabalho no sector mediático, considerou Miguel Ormaetxea num texto publicado no “site” Media-Tics.

Conforme apontou Ormaetxea, o jornalismo em Espanha está a enfrentar um período difícil, uma vez que, de forma a conseguirem emprego, os profissionais dos “media” aceitam escrever peças de pouco interesse, limitando-se a partilhar informações superficiais “ad nauseam”.

Além disso, continuou o autor, os profissionais espanhóis parecem ir todos atrás das mesmas histórias, resultando em bancas de jornais repletas de “manchetes” semelhantes e, por vezes, contraditórias.

Perante este cenário, Ormaetxea pede aos jornalistas que contrariem o “status quo”, deixando de sucumbir às vontades de grandes empresários de “media”, que “só sabem demitir, cortar salários e despesas”.

Até porque, de acordo com o articulista, a sobrevivência do jornalismo depende do investimento em “ qualidade, em inovação, em novas tecnologias,  e em talento''. 

Neste sentido, Ormaetxea considera essencial que os jornalistas deixem, também, de aceitar as exigências do governo, que promovem conferências de imprensa sem a possibilidade de intervenção dos repórteres, o que representa um ataque à liberdade de imprensa.

Da mesma forma, o autor recorda que os profissionais dos “media” devem parar de arriscar a sua vida “em troca de uns tostões”, e de “peças mal amanhadas”. 


Jornalistas venezuelanos forçados a serem criativos “fora de portas” Ver galeria

A instabilidade política e social na Venezuela levou muitos jornalistas a radicaram-se em países vizinhos, como forma de garantir a sua segurança e subsistência financeira.

Foi esse o caso de Pierina Sora, uma jornalista de Caracas que, em 2018, se mudou para o Peru. No entanto, esta profissional continua a informar os cidadãos venezuelanos, lutando pela liberdade de imprensa, conforme explicou em entrevista ao “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com Sora, a Venezuela está, de momento, a “atravessar uma complexa crise humanitária”, que levou muitos outros cidadãos a seguirem o seu exemplo, e a mudarem-se para o Peru. 

Foi perante este cenário que Sora decidiu criar o projecto “Cápsula Migrante”, um “site” lançado em Maio de 2020, no contexto da crise pandémica, com o objectivo de apoiar “a comunidade migrante”.

Este projecto serve, também, como alternativa aos cidadãos que continuam na Venezuela, e que têm dificuldade em aceder a jornalismo de qualidade, devido às restrições impostas pelo governo.

Tal como explicou Sora, as dificuldades na Venezuela verificam-se tanto a nível de ataques físicos aos colaboradores dos “media”, como na restrição do acesso ao papel para imprimir jornais, e, ainda, no bloqueio da internet.

Assim, o “Cápsula Migrante”, juntamente com outros projectos de jornalismo local e hiperlocal, tem tentado “dedicar-se às comunidades”, dando-lhes poder através da “informação de qualidade”.


O Clube


Os ciberataques passaram a fazer parte da paisagem mediática portuguesa. Depois do Grupo Impresa ter sido seriamente afectado, juntamente com a Cofina, embora esta em menor grau de exposição, chegou a vez do Grupo Trust in News, que detém o antigo portfólio de revistas de Balsemão, como é o caso do semanário “Visão”.
Outras empresas foram igualmente visadas, em maior ou menor escala, desde a multinacional Vodafone aos laboratórios Germano de Sousa.
Não cabe neste espaço qualquer comentário especializado a tal respeito, mas não nos isentamos de manifestar uma profunda preocupação relativamente à continuidade - e aparente impunidade - destes actos ilegais, que estão a pôr a nu as vulnerabilidades dos sistemas e redes, tanto públicos como privados.
Recorde-se que este site do Clube Português de Imprensa já foi alvo, também, de intrusões pontuais que bloquearam a sua actualização regular, o que voltou a acontecer, embora de uma forma indirecta, como consequência da inoperacionalidade do operador de telecomunicações atingido.

Oxalá estes ataques de “hackers”, já com um carácter mais “profissional”, tenha contribuído para alertar os especialistas e as autoridades competentes em cibersegurança no sentido de adoptarem as medidas de protecção que se impõem.
As fragilidades ficaram bem à vista.

 


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Agenda
01
Jun
Digital Media Europe 2022
10:00 @ Oslo, Noruega
25
Jun
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor
27
Jun
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia
10
Jul
Washington Journalism and Media Conference (WJMC)
10:00 @ Universidade George Mason