Sexta-feira, 27 de Novembro, 2020
Media

A pandemia poderá originar recessão demorada nos "media"

O novo coronavírus vai influenciar todos os sectores das nossas vidas, e da sociedade, nos quais se incluem os “media”. Mesmo no melhor dos cenários, haverá grandes perturbações em muitos países durante meses, com severas consequências económicas e sociais, relembrou o director do Reuters Institute, Rasmus Nielsen.

Nas últimas semanas, tanto os “sites” noticiosos como os telejornais foram seguidos de perto, com atenção crescente do público, procurando compreender a pandemia. Ainda assim, muitos “media” independentes e locais estão em risco.


Alguns especialistas já descreveram o provável impacto nos “media” como um "evento de extinção", uma generalizada e rápida diminuição da “biodiversidade” informativa, mas Nielsen considera que o maior problema a enfrentar será o desemprego, que enfraquecerá muitas redacções.

A curto prazo, a pandemia terá efeitos negativos na imprensa, particularmente, devido às receitas publicitárias, que estão a descer violentamente. Alguns editores locais dizem que estão a perder 50% dos lucros publicitários, enquanto títulos nacionais dizem ter prejuízos na ordem dos 30%. 

Os resultados das assinaturas são mais difíceis de prever. Com um enorme pico de tráfego,  pelo menos as marcas de confiança estão a conseguir  atrair novos assinantes, mas, os jornais digitais têm assumido um compromisso de serviço público, tornando gratuito o acesso a notícias sobre o coronavírus.


Outras fontes de receita, como os eventos e as conferências, foram “destruídas”, e teme-se que estas iniciativas demorem a “recuperar o fôlego”. 


Assim, a curto prazo, é provável que se verifique uma enorme quebra nas receitas de publicidade, nas receitas de assinatura, e em muitos outros fluxos de receitas.  No Reino Unido, por exemplo, este impacto poderia significar uma perda de dez por cento de empregos no sector mediático. 


Uma recessão prolongada ou depressão significará anos de escassez para os “media”, especialmente na imprensa. Segundo Nielsen, é tentador pensar que o negócio mediático recuperará a normalidade, mas o mais provável é que o coronavírus acelere e exacerbe a “digitalização” dos “media”, prejudicando os jornais “tradicionais”.


E sim, recorda Nielsen, os cidadãos,  estão , neste momento, a afluir a “sites” de notícias e a noticiários televisivos, e a informação credível recuperou o seu estatuto.  Mas, infelizmente, não há garantias de que, depois da pandemia, o público continue a depositar confiança nos “media”.


Leia o artigo original em Reuters Institute

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O Presidente da Associação de Imprensa de Madrid -- com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- considera essencial que os “media” continuem a promover a dimensão social do jornalismo.

No discurso inaugural do Congresso da Comunicação Especializada na Sociedade da Informação, Juan Caño recordou que, com a crise pandémica, esta função "tem sido exercida de forma exemplar por vários meios de comunicação social", que, durante meses, não se esqueceram de "encorajar a população a superar a calamidade”.

Porém, ultimamente, começou a registar-se um “cansaço dos media', perante demasiada informação", recordou Caño. 

Este fenómeno tem vindo a ocorrer "à medida que a informação se foi tornando repetitiva e deixou de oferecer soluções viáveis", acrescentou.

Esta afirmação é sustentada pelo Relatório Anual da Profissão Jornalística 2020 da APM -- a ser publicado a 16 de Dezembro -- que revela que 43% dos espanhóis considerou excessiva a cobertura da pandemia.


Jornalismo deve acolher estratégias financeiras sustentáveis Ver galeria

O jornalismo deve ser encarado como um produto, para que os “media” possam prosperar de forma sustentável, defendeu o jornalista Rich Gordon num artigo publicado no “site” do Knight Center.

De acordo com o autor, os profissionais dos “media” rejeitam, por norma, esta ideia, já que para a maioria defende o jornalismo como sendo, única e exclusivamente, um serviço público.

E, embora Gordon acredite que esta deve ser a principal premissa dos jornalistas, considera, igualmente, essencial que a imprensa siga as tendências de mercado.

Como tal, reuniu, numa lista, seis razões pelos quais os “media” devem encarar os seus conteúdos como um produto.

Em primeiro lugar, Gordon recorda que os “websites”, os jornais, as “newsletters” são “mercadorias” -- os cidadãos decidem se querem ou não consumi-las, perante uma imensidão de escolhas. Além disso, a popularidade destes produtos depende do seu nível de inovação e de qualidade.

Este tipo de mentalidade existe há dois séculos -- os jornais do século XIX seguiam as exigências do mercado, a lei da oferta e da procura. A estratégia consistia em distribuir o máximo de jornais, a um preço reduzido, esperando conseguir o apoio de anunciantes.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
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O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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