Segunda-feira, 1 de Junho, 2020
Media

A pandemia poderá originar recessão demorada nos "media"

O novo coronavírus vai influenciar todos os sectores das nossas vidas, e da sociedade, nos quais se incluem os “media”. Mesmo no melhor dos cenários, haverá grandes perturbações em muitos países durante meses, com severas consequências económicas e sociais, relembrou o director do Reuters Institute, Rasmus Nielsen.

Nas últimas semanas, tanto os “sites” noticiosos como os telejornais foram seguidos de perto, com atenção crescente do público, procurando compreender a pandemia. Ainda assim, muitos “media” independentes e locais estão em risco.


Alguns especialistas já descreveram o provável impacto nos “media” como um "evento de extinção", uma generalizada e rápida diminuição da “biodiversidade” informativa, mas Nielsen considera que o maior problema a enfrentar será o desemprego, que enfraquecerá muitas redacções.

A curto prazo, a pandemia terá efeitos negativos na imprensa, particularmente, devido às receitas publicitárias, que estão a descer violentamente. Alguns editores locais dizem que estão a perder 50% dos lucros publicitários, enquanto títulos nacionais dizem ter prejuízos na ordem dos 30%. 

Os resultados das assinaturas são mais difíceis de prever. Com um enorme pico de tráfego,  pelo menos as marcas de confiança estão a conseguir  atrair novos assinantes, mas, os jornais digitais têm assumido um compromisso de serviço público, tornando gratuito o acesso a notícias sobre o coronavírus.


Outras fontes de receita, como os eventos e as conferências, foram “destruídas”, e teme-se que estas iniciativas demorem a “recuperar o fôlego”. 


Assim, a curto prazo, é provável que se verifique uma enorme quebra nas receitas de publicidade, nas receitas de assinatura, e em muitos outros fluxos de receitas.  No Reino Unido, por exemplo, este impacto poderia significar uma perda de dez por cento de empregos no sector mediático. 


Uma recessão prolongada ou depressão significará anos de escassez para os “media”, especialmente na imprensa. Segundo Nielsen, é tentador pensar que o negócio mediático recuperará a normalidade, mas o mais provável é que o coronavírus acelere e exacerbe a “digitalização” dos “media”, prejudicando os jornais “tradicionais”.


E sim, recorda Nielsen, os cidadãos,  estão , neste momento, a afluir a “sites” de notícias e a noticiários televisivos, e a informação credível recuperou o seu estatuto.  Mas, infelizmente, não há garantias de que, depois da pandemia, o público continue a depositar confiança nos “media”.


Leia o artigo original em Reuters Institute

Connosco
Na era digital a máquina é o “braço direito” do jornalista ... Ver galeria

A era digital fez-se acompanhar de uma profunda alteração nos modelos de actividade e de negócio, entre os quais se destaca o sector mediático, segundo aponta o mais recente relatório do Obercom.

De acordo com o estudo, essas mudanças caracterizam-se, sobretudo, pela implementação de algoritmos e pela automatização dos sistemas.

Se, por um lado, a digitalização trouxe alguns problemas ao sector mediático, que, durante décadas estudou a adaptação a um mundo globalizado, onde a informação nunca pára, por outro, veio facilitar o trabalho aos jornalistas.

Este fenómeno é, aparentemente, paradoxal, mas a verdade é que os processos automáticos ajudam os profissionais a responderem, eficazmente, à necessidade da produção “sôfrega” de conteúdos noticiosos.

Trocando por miúdos: se as máquinas existem, porque não “pedir-lhes ajuda”?

Assim, os “media” actuais dependem, cada vez mais, de algoritmos que permitem analisar a preferências dos leitores, bem como de sistemas que facilitam a actualização de “websites” ao minuto.

A urgência de proteger jornalistas em países onde falha a liberdade de imprensa Ver galeria

A violência contra os jornalistas é uma realidade cada vez mais presente no mundo contemporâneo, já que várias entidades, insatisfeitas com a sua independência, estão a desenvolver novos mecanismos para impedir a publicação de artigos incómodos para o poder instituído.

Os atentados mais graves contra a liberdade de imprensa ocorrem em países onde esta está condicionada, mas, igualmente, noutros onde era suposto haver protecção para o trabalho jornalístico.

De acordo com um artigo do “Guardian”, esta realidade distópica ficou  mais evidente com o aparecimento do coronavírus.

A título de exemplo, alguns governos criaram medidas extraordinárias, visando a restrição do trabalho jornalístico. Foi o caso da Hungria, onde Viktor Órban instituiu a lei “coronavírus”, que criminaliza a difusão de “notícias falsas” sobre a pandemia. 

Da mesma forma, tanto a China como o Irão censuraram a informação respeitante aos surtos nestes países.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas