As crises, independentemente de sua génese ou da sua natureza, trazem prejuízos e oportunidades. Em período de pandemia de Covid-19, se, por um lado, se estabeleceram sinergias entre os jornalistas, por outro, os “media” são ainda movidos por estereótipos que colocam os profissionais em risco, considerou Fernando Moreira, num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”.
De acordo com Moreira, o principal estereótipo, ainda em vigor, é o de que o lugar dos repórteres deve ser na rua, mesmo quando as mudanças tecnológicas trouxeram uma nova “interface” ao mundo, tornando desnecessária a exposição dos profissionais ao risco de contágio.
De acordo com o autor, há situações em que as reportagens presenciais são essenciais, como uma conferência de imprensa com o Presidente da República, ainda que, mesmo esses eventos já possam realizar-se de forma remota.
Para o trabalho rotineiro, contudo, estar na rua não parece razoável. Até porque a redução de equipas de reportagem no exterior contribuiría para o esforço colectivo de contenção da pandemia.
Moreira defende que, hoje em dia, existem já meios suficientes para se fazer jornalismo remoto de qualidade, seja em TV, rádio, jornal ou no formato “online”. Não há, contudo, uma cultura corporativa para tanto. Trabalhar em casa pode, ainda, parecer um “benefício” para os colaboradores, quando, neste momento, deveria ser a regra geral.
É importante descristalizar a ideia de que os repórteres se devem colocar, constantemente, em situações de risco.Em particular, num panorama como o actual, em que essas práticas podem contribuir para agravar o contágio.
Assim, compete às redacções discutir alternativas, um jornalismo com menos qualidade técnica, mas recheado de informações de qualidade em formato remoto. Para o autor este deveria ser um momento de reflexão sobre as práticas e responsabilidades dos jornalistas, que vão além da notícia.
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.