Sábado, 1 de Outubro, 2022
Media

A vaga de "infodemia" como consequência do Covid-19

A história da Humanidade ficou marcada por diversas pandemias, que tiveram consequências profundas. Tais acontecimentos marcaram o imaginário de alguns dos mais proeminentes autores da literatura modernas, que tomam acontecimentos trágicos, e absurdos, como a base das suas obras, reflexões e analogias.

Agora, atravessamos uma situação semelhante, mas com uma infinidade de recursos informativos. Nunca tivemos tantas possibilidades de informação e comunicação disponíveis, em momentos de crise e tensão, e  tantos dados e números que ajudam, sem dúvida, nas nossas tentativas de restabelecer o controle sobre a caótica situação. É a vaga da “infodemia”.

Saber o que acontece, as possibilidades envolvidas, as fórmulas para lidar com o risco e com a doença são factores fundamentais. No entanto, esse avanço em relação a outros tempos e ameaças produz, também, efeitos colaterais.

Perante os actuais acontecimentos  que assolam o mundo, o filósofo José Costa teceu considerações sobre algumas das mais conhecidas metáforas da literatura contemporânea, que fazem “ponte” com essa “infodemia”.  O artigo foi, originalmente, publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

“É uma ideia que talvez faça rir, mas a única maneira de lutar contra a peste é a honestidade.” Essas são palavras do médico Bernard Rieux, personagem principal do romance “A peste”, publicado em 1947 pelo filósofo Albert Camus. 

A história narra a chegada e os efeitos de uma peste na cidade de Oran, na Argélia, na década de 1940, relatando as tensões de uma vida ameaçada pela invisibilidade violenta da epidemia.

O franco-argelino Camus, Prêmio Nobel de Literatura de 1957, aborda as diversas reações humanas frente à ameaça na cidade isolada em quarentena, entre elas o medo, o egoísmo mais mesquinho e a irracionalidade que brota em cenários de tanta incerteza e ameaça. 

Quando vivenciamos tempos de pandemia, compartilhamos os assombros daqueles que vivem na cidade de Oran. O desespero que sentimos face à contaminação deixam-nos “pouco à vontade na vida”. Nesse sentido, de maneira geral, o reconhecimento de nossa fragilidade na incerteza em relação ao que virá são os traços distintivos da vida durante a pandemia. 

Juntamente com a  pandemia, vivenciamos, contudo, tempos de “infodemia”, uma superabundância de informações, algumas precisas, outras não, que estimulam os sentimentos mais profundos. 

Na demanda pela segurança e estabilidade, procuramos, constantemente, mais certezas, mais possibilidades de organizar o caótico cenário, seja através das redes sociais, seja através de meios de comunicação. E isso espoleta, ainda mais, a ansiedade.

Ao acompanhar os boletins, com o número de casos suspeitos, de mortos e de curados, criamos mais tensões e expectativas. As notícias falsas e a desinformação podem contaminar o ecossistema informativo. Dados e informações questionáveis podem ser utilizados com o objectivo de estimular reacções ou angariar apoio para algum tipo de posicionamento. 

Para o autor é, então, imperioso aprender a lidar com esse paradoxo. É difícil prever como podemos reagir, mas o fundamental aqui parece ser seguir o conselho de Rieux: ser honesto e cuidadoso, conscientes de que o desespero pode trazer à tona o pior de nós mesmos. 

Um dia, a peste vai passar e a epidemia vai embora. Quando isso acontecer, lembrar-nos-emos do que fizemos e de como reagimos. A melhor expectativa que podemos ter, aqui, é que a epidemia não estimule as nossas reacções mais violentas nem nos entregue ao terror, o que empalidece a nossa razão. Um risco de fundo é que a peste (nesse caso, a metafórica) possa instalar-se sem que nós tenhamos consciência disso.

Leia o artigo original em Observatório da Imprensa

 

Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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Opinião
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