Quarta-feira, 28 de Outubro, 2020
Media

A vaga de "infodemia" como consequência do Covid-19

A história da Humanidade ficou marcada por diversas pandemias, que tiveram consequências profundas. Tais acontecimentos marcaram o imaginário de alguns dos mais proeminentes autores da literatura modernas, que tomam acontecimentos trágicos, e absurdos, como a base das suas obras, reflexões e analogias.

Agora, atravessamos uma situação semelhante, mas com uma infinidade de recursos informativos. Nunca tivemos tantas possibilidades de informação e comunicação disponíveis, em momentos de crise e tensão, e  tantos dados e números que ajudam, sem dúvida, nas nossas tentativas de restabelecer o controle sobre a caótica situação. É a vaga da “infodemia”.

Saber o que acontece, as possibilidades envolvidas, as fórmulas para lidar com o risco e com a doença são factores fundamentais. No entanto, esse avanço em relação a outros tempos e ameaças produz, também, efeitos colaterais.

Perante os actuais acontecimentos  que assolam o mundo, o filósofo José Costa teceu considerações sobre algumas das mais conhecidas metáforas da literatura contemporânea, que fazem “ponte” com essa “infodemia”.  O artigo foi, originalmente, publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

“É uma ideia que talvez faça rir, mas a única maneira de lutar contra a peste é a honestidade.” Essas são palavras do médico Bernard Rieux, personagem principal do romance “A peste”, publicado em 1947 pelo filósofo Albert Camus. 

A história narra a chegada e os efeitos de uma peste na cidade de Oran, na Argélia, na década de 1940, relatando as tensões de uma vida ameaçada pela invisibilidade violenta da epidemia.

O franco-argelino Camus, Prêmio Nobel de Literatura de 1957, aborda as diversas reações humanas frente à ameaça na cidade isolada em quarentena, entre elas o medo, o egoísmo mais mesquinho e a irracionalidade que brota em cenários de tanta incerteza e ameaça. 

Quando vivenciamos tempos de pandemia, compartilhamos os assombros daqueles que vivem na cidade de Oran. O desespero que sentimos face à contaminação deixam-nos “pouco à vontade na vida”. Nesse sentido, de maneira geral, o reconhecimento de nossa fragilidade na incerteza em relação ao que virá são os traços distintivos da vida durante a pandemia. 

Juntamente com a  pandemia, vivenciamos, contudo, tempos de “infodemia”, uma superabundância de informações, algumas precisas, outras não, que estimulam os sentimentos mais profundos. 

Na demanda pela segurança e estabilidade, procuramos, constantemente, mais certezas, mais possibilidades de organizar o caótico cenário, seja através das redes sociais, seja através de meios de comunicação. E isso espoleta, ainda mais, a ansiedade.

Ao acompanhar os boletins, com o número de casos suspeitos, de mortos e de curados, criamos mais tensões e expectativas. As notícias falsas e a desinformação podem contaminar o ecossistema informativo. Dados e informações questionáveis podem ser utilizados com o objectivo de estimular reacções ou angariar apoio para algum tipo de posicionamento. 

Para o autor é, então, imperioso aprender a lidar com esse paradoxo. É difícil prever como podemos reagir, mas o fundamental aqui parece ser seguir o conselho de Rieux: ser honesto e cuidadoso, conscientes de que o desespero pode trazer à tona o pior de nós mesmos. 

Um dia, a peste vai passar e a epidemia vai embora. Quando isso acontecer, lembrar-nos-emos do que fizemos e de como reagimos. A melhor expectativa que podemos ter, aqui, é que a epidemia não estimule as nossas reacções mais violentas nem nos entregue ao terror, o que empalidece a nossa razão. Um risco de fundo é que a peste (nesse caso, a metafórica) possa instalar-se sem que nós tenhamos consciência disso.

Leia o artigo original em Observatório da Imprensa

 

Connosco
A cobertura noticiosa nas eleições americanas vistas em países com censura Ver galeria

As campanhas eleitorais norte-americanas têm sido acompanhada um pouco por todo o mundo, já que os cidadãos estão interessados em conhecer as possíveis consequências destas eleições presidenciais.

Perante este quadro, o “Nieman Lab” tentou descobrir quais são as premissas que dominam os “media” mundiais, de forma a apurarem qual o discernimento dos cidadãos, perante os candidatos democrata e republicano.

Após um mês de análise, com recurso a inteligência artificial, o “Nieman Lab” concluiu que a cobertura noticiosa das eleições tem sido, particularmente, intensa no Irão, na Rússia e na China, onde os “media” criticam as acções de Donald Trump.

Os principais temas abordados, pela comunicação social destes países, são os debates presidenciais, a gestão do novo coronavírus e as  políticas de imigração.

Depois do primeiro debate presidencial, a imprensa chinesa questionou a utilidade deste evento para o eleitorado, e criticou a conduta do actual Presidente.

Jornal britânico quer provar que imprensa não tem os dias contados... Ver galeria

Dez anos após o lançamento do jornal britânico “i”, o editor-executivo Oliver Duff diz ter provas suficientes para afirmar que o “formato impresso” vai “prosperar durante muito mais tempo do que a maioria dos especialistas defende”.

Em declarações à “Press Gazette”, Duff afirmou que os jornais impressos têm-se mostrado “resilientes” e inovadores”. 

Além disso, aquele responsável considera que os leitores valorizam este formato por ser “táctil”, ter “curadoria”, e conter muitos “elementos surpresa”, que contribuem para a formação de uma comunidade de cidadãos com valores semelhantes.

Segundo recordou Duff, nos primeiros meses de circulação, o “i” não foi bem recebido pela maioria dos críticos dos “media”, mas conquistou uma base de leitores fiéis, que foram dando “feedback” sobre aquilo que pretendiam consumir.

O “i” tornou-se assim um jornal reconhecido pela sua objectividade factual e isenção política. 

De forma a conquistarem o interesse dos leitores, os colaboradores fazem análises profundas de situações disruptivas e tentam criticar, apenas, “aquilo que tem de ser criticado”.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena
11
Nov
O valor e o futuro dos "media" públicos
13:00 @ Sessões "online" Reuters Institute
24
Nov
Congresso de Jornalismo para Dispositivos Móveis
10:00 @ Universidade da Beira Interior