Quarta-feira, 28 de Outubro, 2020
Media

Depois do coronavírus o jornalismo terá de reinventar-se

O sector mediático está a atravessar uma crise sem precedentes, devido à pandemia do novo coronavírus. Os jornais deixaram de poder contar com as receitas publicitárias, a circulação em papel coheceu uma queda abrupta, e as subscrições “online”, embora estejam em crescimento, não são suficientes para garantir o funcionamento dos títulos e os salários dos seus colaboradores.

Assim, os “media” estão a começar a alterar os seus modelos de negócio e é possível que, em breve, adoptem medida nunca vistos no sector antes  da imprensa, de acordo com um artigo do jornalista Miguel Ormaetxea, publicado no “site” Mediatics, .

Segundo dados da JP Morgan, o coronavírus irá destruir 15% da economia mundial, que deverá ser reconfigurada, quase integralmente, para que se adapte àquela que será a realidade pós-pandemia. Para Ormaetxea, uma recessão de tais dimensões significará uma “desmercadorização” da sociedade, que dependerá, cada vez mais, da economia circular e dos laços de solidariedade comunitária.

Dito isto, os “media” serão, certamente, um dos sectores mais afectados, até porque, segundo o autor, é expectável que a indústria  publicitária se torne obsoleta. 

Para sobreviverem à realidade idealizada pelo autor, os jornais deverão associar-se a causas ambientais. Se as agências publicitárias não adoptarem as mesmas ideologias “lúcidas e responsáveis”, o  negócio do “marketing” deixará de ser relevante para a imprensa.

A linha editorial dos jornais e as fontes de receita não deverão, porém, ser os únicos factores a sofrer alterações.  É, também, possível que muitas redacções adiram, permanentemente, ao modelo de teletrabalho. Para Ormaetxea isto significa que o jornalismo estreitará, ainda mais, os “laços” com a tecnologia digital.

Segundo o autor, é inevitável que os profissionais se tornem verdadeiros especialistas em realidade virtual, em programação e em tecnologias de “blockchain”. Será como começar uma indústria do “zero”.

Connosco
A cobertura noticiosa nas eleições americanas vistas em países com censura Ver galeria

As campanhas eleitorais norte-americanas têm sido acompanhada um pouco por todo o mundo, já que os cidadãos estão interessados em conhecer as possíveis consequências destas eleições presidenciais.

Perante este quadro, o “Nieman Lab” tentou descobrir quais são as premissas que dominam os “media” mundiais, de forma a apurarem qual o discernimento dos cidadãos, perante os candidatos democrata e republicano.

Após um mês de análise, com recurso a inteligência artificial, o “Nieman Lab” concluiu que a cobertura noticiosa das eleições tem sido, particularmente, intensa no Irão, na Rússia e na China, onde os “media” criticam as acções de Donald Trump.

Os principais temas abordados, pela comunicação social destes países, são os debates presidenciais, a gestão do novo coronavírus e as  políticas de imigração.

Depois do primeiro debate presidencial, a imprensa chinesa questionou a utilidade deste evento para o eleitorado, e criticou a conduta do actual Presidente.

Jornal britânico quer provar que imprensa não tem os dias contados... Ver galeria

Dez anos após o lançamento do jornal britânico “i”, o editor-executivo Oliver Duff diz ter provas suficientes para afirmar que o “formato impresso” vai “prosperar durante muito mais tempo do que a maioria dos especialistas defende”.

Em declarações à “Press Gazette”, Duff afirmou que os jornais impressos têm-se mostrado “resilientes” e inovadores”. 

Além disso, aquele responsável considera que os leitores valorizam este formato por ser “táctil”, ter “curadoria”, e conter muitos “elementos surpresa”, que contribuem para a formação de uma comunidade de cidadãos com valores semelhantes.

Segundo recordou Duff, nos primeiros meses de circulação, o “i” não foi bem recebido pela maioria dos críticos dos “media”, mas conquistou uma base de leitores fiéis, que foram dando “feedback” sobre aquilo que pretendiam consumir.

O “i” tornou-se assim um jornal reconhecido pela sua objectividade factual e isenção política. 

De forma a conquistarem o interesse dos leitores, os colaboradores fazem análises profundas de situações disruptivas e tentam criticar, apenas, “aquilo que tem de ser criticado”.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Agenda
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena
11
Nov
O valor e o futuro dos "media" públicos
13:00 @ Sessões "online" Reuters Institute
24
Nov
Congresso de Jornalismo para Dispositivos Móveis
10:00 @ Universidade da Beira Interior