null, 29 de Março, 2020
Opinião

O Nosso Futuro: Mudar e Inventar para Continuar a Comunicar

por Manuel Falcão

No Brasil uma empresa de mídia afixou uma campanha, de grande formato, com uma legenda: “Eu tô aqui porque sou um outdoor. E você, tá fazendo o quê na rua?”. Este é o melhor exemplo que vi nos últimos dias sobre a necessidade de manter a comunicação e reforçar as mensagens. Em Portugal e no estrangeiro sucedem-se adiamentos e cancelamentos de campanhas. Mas há também marcas que resolveram até fazer novas campanhas. Umas mostram a sua presença, outras sugerem como podem contribuir para melhorar as coisas numa situação como esta. Nesta nossa indústria da publicidade os escritórios estão hoje vazios, mas está toda a gente a trabalhar. Um dos clientes da Nova Expressão, a Associação de Turismo da Madeira, agarrou a ideia de uma campanha assim: “Stay Home Now, dream online, visit us later”. A concepção, o copy, a filmagem, a edição e a colocação foi tudo feito a partir de localizações diferentes, numa conjugação de várias empresas e pessoas daquela Região Autónoma e do continente, como a agência de publicidade Nossa, num tempo record. Podem ver o resultado no YouTube.

Vem isto a propósito de duas coisas: em primeiro lugar, da criatividade que levou a agência brasileira a fazer aquela publicidade de rua a chamar a atenção para a necessidade de todos colaborarmos na prevenção da pandemia; e em segundo lugar do sentido de urgência e das possibilidades de colaboração e concretização que o digital nos trouxe.

Os primeiros números que existem sobre a evolução do tráfego de internet em Portugal na semana passada são impressionantes. E um olhar atento às audiências de televisão mostra que os canais generalistas não crescem excepto nos seus blocos noticiosos, que o cabo só cresce nos canais informativos e que aquilo que cresce mesmo a sério é o streaming, seja de canais de televisão (Netflix, HBO, etc) seja de jogos on line.

Não sabemos nem quando nem como esta crise vai acabar. Mas começamos a ter algumas certezas sobre o futuro - na economia da nossa indústria de comunicação, de que a publicidade é parte importante, o digital vai ter cada vez maior peso - uma dupla importância na realidade: como meio de comunicação, de informação e de entretenimento; mas também como uma forma de captação de clientes para as operações de venda online que neste período estão a experimentar um crescimento exponencial.

E, de repente, uma agência de meios que há pouco mais de uma década estava centrada na televisão, na imprensa, no outdoor e na rádio, é agora o ponto charneira virtual de união entre marcas, consumidores e circuitos de distribuição. Neste futuro que se está a desenhar ganhamos novo relevo, já não somos intermediários, somos agentes de inovação. 

Quando tudo isto acabar vai consolidar-se um processo de mudança e nessa altura não chega só a capacidade de liderança organizativa, será fundamental capacidade criativa para encontrar novas soluções para a nova situação. Cada vez mais será importante prever o que vai acontecer e agir em conformidade.

A vida de uma empresa é feita de planificação e de circunstâncias. Agora as circunstâncias bateram a planificação e o sucesso será ditado pela capacidade de adaptação e mudança. Como diz um amigo meu, mudar e inventar deve ser o programa. Este é o optimismo necessário.

Connosco
Associações de imprensa europeias unem-se em defesa da liberdade de informação Ver galeria

Numa altura em que a crise espoletada pelo novo coronavírus começa a afectar, gravemente,  todos os sectores da economia europeia, várias  organizações internacionais de imprensa uniram-se para apelar às autoridades europeias no sentido de declararem o jornalismo como um  serviço essencial.


Numa carta dirigida à Presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, e aos Presidentes do Parlamento e Conselho europeus, as associações apelaram à garantia da livre circulação de informação, bem como à liberdade de imprensa, que consideram ser medidas essenciais para o combate do Covid-19. 


Poderá ler, a seguir, a tradução parcial e adaptada da carta:


"Nós, organizações que defendem a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão, escrevemos-lhe para expressar a nossa profunda preocupação com a possibilidade de os governos tirarem partido da pandemia da COVID-19 para punirem os “media” e para introduzirem restrições no acesso da imprensa às decisões e acções governamentais.

Experiência jornalística no "YouTube" conquista público brasileiro Ver galeria

Em plena crise do sector mediático, o jornalismo lusófono continua a ser vanguardista na inovação. Os seus profissionais apostam, continuamente, em novos formatos e algumas das fórmulas testadas começam a dar os primeiros frutos.

Lançado, no YouTube, em Março de 2018, pela jornalista Mara Luquet e pelo actor Antonio Tabet, o canal brasileiro de jornalismo MyNews, já completou dois anos e conta com mais de 345 mil subscritores. A iniciativa emprega cerca de 30 pessoas, e atingiu, em 2019, um lucro superior a meio milhão de reais ( 88 mil euros).

Nos seus vídeos institucionais, o canal apresenta-se como um projecto jornalístico livre,  "sem ideologias tendenciosas ", com informação diversa e  plural,  que visa combater a polarização na sociedade brasileira.

Actualmente o My News produz 14 programas, em formatos variados e gratuitos, nos quais se incluem debates, entrevistas e colunas. Os temas mais abordados são a política, a economia e as finanças. 

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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