Quarta-feira, 3 de Junho, 2020
Media

Jornalistas "freelancer" entre a sobrevivência e os dilemas éticos

Os “freelancers” constituem uma parte crescente da força de trabalho nos “media”. Ao contrário dos jornalistas que trabalham nas redacções, esses profissionais fazem reportagens sozinhos, sem apoio jurídico por perto, e sujeitam-se, por isso, a uma pressão acrescida.

Dito isto, as questões éticas são, por vezes, mais complicadas para os “freelancers”, até porque, não escrever um determinado artigo, pode significar não receber qualquer tipo de pagamento durante um período alargado. 

A Sociedade de Jornalistas Profissionais assegura, nos EUA, uma linha directa para jornalistas com dilemas éticos. A presidente da associação, Lynn Walsh, considerou que os “freelancers” queixam-se de falta de apoio, quando comparados com os colegas que trabalham em equipa. "Muitas das chamadas que recebemos são de pessoas que precisam de ajuda para tomar decisões, visto que escrevem a partir de casa, e que têm contacto limitado com colegas de profissão”.

Estudos recentes sugerem, ainda, que os jornalistas se sentem “desgastados” por teremdeenfrentar, repetidamente, dilemas éticos. No entanto, outros vêem a independência como uma vantagem para o seu compromisso deontológico, visto que podem,  mais facilmente, recusar pedidos de editores. 


Jenni Gritters, jornalista sediada em Seattle, trabalha, actualmente, como“freelancer”, mas tem já experiência em redacção. Gritters admitiu que trabalhar em regime de “freelance” é, particularmente, exigente, visto que a relação que estabelece com a direcção dos jornais é temporária e, facilmente, descartável.


Aquela repórter diz saber que os editores não têm muito tempo para dedicar às peças dos “freelancers” e que, por isso, tendem a contratar pessoas com as quais é fácil trabalhar e que têm uma grande taxa de sucesso nas reportagens. Assim, Gritters evita colocar questões de ética, e depende, muitas vezes, do seu próprio agelizamento. 


Além disso, diferentes publicações abordam as questões éticas de maneiras distintas, o que significa que os  “freelancers” são obrigados a praticar um certo “malabarismo” com diferentes códigos ao mesmo tempo. 


Leia o artigo original em CJR

Connosco
"NYT" em processo de mudança perante o novo perfil de audiência Ver galeria

Em 1851 nasceu o “New York Times”, um jornal que, desde cedo ,se assumiu como uma publicação de referência, na qual só havia espaço para as notícias e informação objectivas.

Segundo relembra o provedor do jornal, Gabriel Snyder, num artigo publicado na “Columbia Journalism Review”,  o “NYT” foi, assim, durante vários anos, um formador de opinião, que liderava, não seguia.

Qualquer pessoa minimamente relevante no espaço social lia o “NYT”, que, durante mais de um século, não teve de preocupar-se com a captação de audiências. Era um membro inquestionável da elite do poder norte-americano e nunca teve de explicar o porquê da sua importância.

Esta posição privilegiada permitia ao “Times” relatar sem ter que aprofundar uma opinião, sem se envolver em qualquer conflito.

Mas, reitera Snyder, os tempos mudaram e o jornal tem de reafirmar -se perante uma sociedade em mutação, onde se perpetua a polarização política. 

Projecto de jornalismo comunitário nasce em Detroit Ver galeria

Muito antes da pandemia de coronavírus, as redacções de jornalismo local e regional começaram “desmoronar-se”, devido a modelos de negócio obsoletos e a uma circulação pouco significativa.

De acordo com o instituto Poynter, um em cada cinco jornais, nos Estados Unidos, fechou, no decorrer da última década, e muitos dos que “sobreviveram” mantém-se, agora, na “sombra”, sem possibilidade de fazer reportagens assertivas ou entrevistas relevantes.

O jornalismo regional parece, contudo, estar a recuperar algum protagonismo, com muitos cidadãos a manifestarem o desejo de se informarem sobre a realidade das suas comunidades.

Perante este quadro, algumas associações têm-se aliado a jornalistas para fundar novas iniciativas comunitárias, com uma linha editorial compatível com a era digital.

Foi a partir de uma dessas parcerias que nasceu o “BridgeDetroit”, um projecto multiplataforma, dedicado a escrutinar, com transparência e objectividade, a realidade da cidade de Detroit, no Estado de Michigan.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas