Quarta-feira, 28 de Outubro, 2020
Media

Jornalistas "freelancer" entre a sobrevivência e os dilemas éticos

Os “freelancers” constituem uma parte crescente da força de trabalho nos “media”. Ao contrário dos jornalistas que trabalham nas redacções, esses profissionais fazem reportagens sozinhos, sem apoio jurídico por perto, e sujeitam-se, por isso, a uma pressão acrescida.

Dito isto, as questões éticas são, por vezes, mais complicadas para os “freelancers”, até porque, não escrever um determinado artigo, pode significar não receber qualquer tipo de pagamento durante um período alargado. 

A Sociedade de Jornalistas Profissionais assegura, nos EUA, uma linha directa para jornalistas com dilemas éticos. A presidente da associação, Lynn Walsh, considerou que os “freelancers” queixam-se de falta de apoio, quando comparados com os colegas que trabalham em equipa. "Muitas das chamadas que recebemos são de pessoas que precisam de ajuda para tomar decisões, visto que escrevem a partir de casa, e que têm contacto limitado com colegas de profissão”.

Estudos recentes sugerem, ainda, que os jornalistas se sentem “desgastados” por teremdeenfrentar, repetidamente, dilemas éticos. No entanto, outros vêem a independência como uma vantagem para o seu compromisso deontológico, visto que podem,  mais facilmente, recusar pedidos de editores. 


Jenni Gritters, jornalista sediada em Seattle, trabalha, actualmente, como“freelancer”, mas tem já experiência em redacção. Gritters admitiu que trabalhar em regime de “freelance” é, particularmente, exigente, visto que a relação que estabelece com a direcção dos jornais é temporária e, facilmente, descartável.


Aquela repórter diz saber que os editores não têm muito tempo para dedicar às peças dos “freelancers” e que, por isso, tendem a contratar pessoas com as quais é fácil trabalhar e que têm uma grande taxa de sucesso nas reportagens. Assim, Gritters evita colocar questões de ética, e depende, muitas vezes, do seu próprio agelizamento. 


Além disso, diferentes publicações abordam as questões éticas de maneiras distintas, o que significa que os  “freelancers” são obrigados a praticar um certo “malabarismo” com diferentes códigos ao mesmo tempo. 


Leia o artigo original em CJR

Connosco
A cobertura noticiosa nas eleições americanas vistas em países com censura Ver galeria

As campanhas eleitorais norte-americanas têm sido acompanhada um pouco por todo o mundo, já que os cidadãos estão interessados em conhecer as possíveis consequências destas eleições presidenciais.

Perante este quadro, o “Nieman Lab” tentou descobrir quais são as premissas que dominam os “media” mundiais, de forma a apurarem qual o discernimento dos cidadãos, perante os candidatos democrata e republicano.

Após um mês de análise, com recurso a inteligência artificial, o “Nieman Lab” concluiu que a cobertura noticiosa das eleições tem sido, particularmente, intensa no Irão, na Rússia e na China, onde os “media” criticam as acções de Donald Trump.

Os principais temas abordados, pela comunicação social destes países, são os debates presidenciais, a gestão do novo coronavírus e as  políticas de imigração.

Depois do primeiro debate presidencial, a imprensa chinesa questionou a utilidade deste evento para o eleitorado, e criticou a conduta do actual Presidente.

Jornal britânico quer provar que imprensa não tem os dias contados... Ver galeria

Dez anos após o lançamento do jornal britânico “i”, o editor-executivo Oliver Duff diz ter provas suficientes para afirmar que o “formato impresso” vai “prosperar durante muito mais tempo do que a maioria dos especialistas defende”.

Em declarações à “Press Gazette”, Duff afirmou que os jornais impressos têm-se mostrado “resilientes” e inovadores”. 

Além disso, aquele responsável considera que os leitores valorizam este formato por ser “táctil”, ter “curadoria”, e conter muitos “elementos surpresa”, que contribuem para a formação de uma comunidade de cidadãos com valores semelhantes.

Segundo recordou Duff, nos primeiros meses de circulação, o “i” não foi bem recebido pela maioria dos críticos dos “media”, mas conquistou uma base de leitores fiéis, que foram dando “feedback” sobre aquilo que pretendiam consumir.

O “i” tornou-se assim um jornal reconhecido pela sua objectividade factual e isenção política. 

De forma a conquistarem o interesse dos leitores, os colaboradores fazem análises profundas de situações disruptivas e tentam criticar, apenas, “aquilo que tem de ser criticado”.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Agenda
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena
11
Nov
O valor e o futuro dos "media" públicos
13:00 @ Sessões "online" Reuters Institute
24
Nov
Congresso de Jornalismo para Dispositivos Móveis
10:00 @ Universidade da Beira Interior