null, 29 de Março, 2020
Estudo

Onde se revelam “startups” nos "media" como novo modelo de negócio

A crise mediática e o desemprego no sector estão a conduzir ao aparecimento de “startups” de jornalismo. As iniciativas começam a ter sucesso, na Europa, e os “media” latino-americanos têm tentado seguir os seus modelos de negócio.

Para perceber de que maneira as fórmulas europeias podem ser adaptadas à realidade do sul da América, o jornalista argentino Javier Borelli iniciou uma investigação profunda, agora publicada pelo Reuters Institute, da Universidade de Oxford.

Além de repórter, Borelli é o fundador do jornal “Tiempo Argentino”  o que faz deste profissional uma parte interessada no próprio estudo, através do qual conseguiu identificar medidas que podem ser implementadas no jornal argentino.  Os projectos Diario.es  e Mediapart foram os principais objectos de análise.

Em 2015, o “Tiempo” entrou em falência devido à quebra na publicidade oficial  e à crise económica que assolou a Argentina . Assim, o jornalpassou a adoptar um modelo de negócio mais próximo das “startups” de jornalismo, concentrando os seus esforços no conteúdo digital. No entanto, faltava capital para o negócio.

As mudanças passaram, então, pela alteração do modelo de financiamento. A redacção do “Tiempo”  é, agora, uma cooperativa, dependente do investimento de membros externos. Os jornalistas estabeleceram uma ligação próxima com os colaboradores, com quem estão, permanentemente, em contacto, e que são presença assídua nos eventos do jornal.

A relação com os membros requer, contudo, uma estratégia de comunicação específica. Uma das formas de conseguir isso mesmo passa pelo envio de mensagens personalizadas -- “Um programa avisa quando os membros não estão activos, e nós enviamos um e-mail para descobrir o porquê,” explicou Borelli.

O “Tiempo” depende, ainda, de uma equipa de “marketing”, já que Borelli admite que os jornalistas têm dificuldade em estabelecer parcerias. Isso permite que a redacção se concentre no jornalismo, delegando as tarefas administrativas a especialistas.

No actual contexto, Borelli acredita que o aparecimento de “media” independentes pode contribuir para o fortalecimento dos veículos que já estão no mercado. Ele reconhece que a mudança passa pela valorização do jornalismo pelo público.

Artigo originalmente publicado no blog Jornalismo nas Américas

Connosco
Associações de imprensa europeias unem-se em defesa da liberdade de informação Ver galeria

Numa altura em que a crise espoletada pelo novo coronavírus começa a afectar, gravemente,  todos os sectores da economia europeia, várias  organizações internacionais de imprensa uniram-se para apelar às autoridades europeias no sentido de declararem o jornalismo como um  serviço essencial.


Numa carta dirigida à Presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, e aos Presidentes do Parlamento e Conselho europeus, as associações apelaram à garantia da livre circulação de informação, bem como à liberdade de imprensa, que consideram ser medidas essenciais para o combate do Covid-19. 


Poderá ler, a seguir, a tradução parcial e adaptada da carta:


"Nós, organizações que defendem a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão, escrevemos-lhe para expressar a nossa profunda preocupação com a possibilidade de os governos tirarem partido da pandemia da COVID-19 para punirem os “media” e para introduzirem restrições no acesso da imprensa às decisões e acções governamentais.

Experiência jornalística no "YouTube" conquista público brasileiro Ver galeria

Em plena crise do sector mediático, o jornalismo lusófono continua a ser vanguardista na inovação. Os seus profissionais apostam, continuamente, em novos formatos e algumas das fórmulas testadas começam a dar os primeiros frutos.

Lançado, no YouTube, em Março de 2018, pela jornalista Mara Luquet e pelo actor Antonio Tabet, o canal brasileiro de jornalismo MyNews, já completou dois anos e conta com mais de 345 mil subscritores. A iniciativa emprega cerca de 30 pessoas, e atingiu, em 2019, um lucro superior a meio milhão de reais ( 88 mil euros).

Nos seus vídeos institucionais, o canal apresenta-se como um projecto jornalístico livre,  "sem ideologias tendenciosas ", com informação diversa e  plural,  que visa combater a polarização na sociedade brasileira.

Actualmente o My News produz 14 programas, em formatos variados e gratuitos, nos quais se incluem debates, entrevistas e colunas. Os temas mais abordados são a política, a economia e as finanças. 

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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