Sábado, 1 de Outubro, 2022
Media

A revolução digital está a modificar a estratégia dos grandes jornais dos EUA

Um número crescente de  jornais começa a utilizar os meios digitais para combater os ataques ao seu trabalho, ou para mitigar a disseminação da desinformação, segundo um estudo publicado pelo ICFJ -- International Center for Journalists.

 

De acordo com a análise, mais de dois terços dos jornalistas e das redacções usam, agora, tecnologias digitais. Os “media” europeus (92%) são os mais activos a este respeito. Nos Estados Unidos, mais da metade dos jornalistas inquiridos utiliza ferramentas digitais para verificar a informação.


A revolução digital permite, igualmente, fazer chegar conteúdos a zonas remotas do planeta e facilita, ainda, o aprofundamento de jornalismo de referência. O “New York Times” foi pioneiro. Em 2016, o jornal norte-americano lançou uma versão em castelhano, que, apesar de ter encerrado por falta de rentabilidade, dispunha de mais de 300 mil subscritores.


Apenas algumas semanas antes do fim do “NYT en Español”, o “The Washington Post”, lançou uma nova secção de opinião, também em castelhano, intitulada de "Post Opinión". No novo espaço serão publicados colunas e ensaios originais com temas relevantes para os habitantes da América Latina, Espanha e Estados Unidos. Além de artigos originais, a secção também oferece traduções de editoriais e artigos escritos em inglês.


Além disso, os “podcasts” têm vindo a ganhar terreno. Por exemplo, “The Daily”, o “podcast”  matinal do “New York Times”, superou os mil milhões de “downloads”, desde o seu lançamento em fevereiro de 2017.


Esse “podcast”, dirigido e apresentado pelo jornalista Michael Barbaro, tornou-se o produto noticioso mais ouvido nos Estados Unidos, com uma média de dois milhões de ouvintes por dia.


A inovação dos métodos informativos não tem, contudo, sido suficiente para aumentar a confiança dos leitores nos “media”. 


A oitava edição do Digital News Report do Reuters Institute revela que o grau de confiança nos meios de comunicação diminuiu em dois pontos percentuais para 42%, e que, apenas 49% dos consumidores de informação confiam na imprensa que lêem. No caso de notícias consultadas através das redes sociais, a confiança global é, ainda, menor (23%).


O Facebook continua a liderar a utilização das redes sociais para fins informativos, mas os utilizadores passam mais tempo no WhatsApp e no Instagram. Em países como o Brasil (53%), Índia (52%) e África do Sul (49%), o WhatsApp tornou-se uma plataforma noticiosa essencial.


O Digital News Report observa, igualmente, que o processo de subscrição paga a jornais tem sido lento, apesar da diversificação informativa.


Todos os “media” digitais dependem, em maior ou menor grau, de grandes plataformas, como o Google, o que levanta, ainda, maiores problemas. Esses gigantes tecnológicos conseguiram atrair a maioria dos investimentos na área da publicidade, o que afecta, negativamente, o lucro dos grupos de imprensa.


Os governos começam, porém, a mostrar preocupação com a sustentabilidade e independência dos “media”. A nova lei francesa, por exemplo, prevê que o Google e “browsers paguem aos jornais pelos resumos de notícias que exibem nos seus agregadores. As mudanças podem ser lentas, mas estão a chegar.

Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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Opinião
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