null, 29 de Março, 2020
Media

A revolução digital está a modificar a estratégia dos grandes jornais dos EUA

Um número crescente de  jornais começa a utilizar os meios digitais para combater os ataques ao seu trabalho, ou para mitigar a disseminação da desinformação, segundo um estudo publicado pelo ICFJ -- International Center for Journalists.

 

De acordo com a análise, mais de dois terços dos jornalistas e das redacções usam, agora, tecnologias digitais. Os “media” europeus (92%) são os mais activos a este respeito. Nos Estados Unidos, mais da metade dos jornalistas inquiridos utiliza ferramentas digitais para verificar a informação.


A revolução digital permite, igualmente, fazer chegar conteúdos a zonas remotas do planeta e facilita, ainda, o aprofundamento de jornalismo de referência. O “New York Times” foi pioneiro. Em 2016, o jornal norte-americano lançou uma versão em castelhano, que, apesar de ter encerrado por falta de rentabilidade, dispunha de mais de 300 mil subscritores.


Apenas algumas semanas antes do fim do “NYT en Español”, o “The Washington Post”, lançou uma nova secção de opinião, também em castelhano, intitulada de "Post Opinión". No novo espaço serão publicados colunas e ensaios originais com temas relevantes para os habitantes da América Latina, Espanha e Estados Unidos. Além de artigos originais, a secção também oferece traduções de editoriais e artigos escritos em inglês.


Além disso, os “podcasts” têm vindo a ganhar terreno. Por exemplo, “The Daily”, o “podcast”  matinal do “New York Times”, superou os mil milhões de “downloads”, desde o seu lançamento em fevereiro de 2017.


Esse “podcast”, dirigido e apresentado pelo jornalista Michael Barbaro, tornou-se o produto noticioso mais ouvido nos Estados Unidos, com uma média de dois milhões de ouvintes por dia.


A inovação dos métodos informativos não tem, contudo, sido suficiente para aumentar a confiança dos leitores nos “media”. 


A oitava edição do Digital News Report do Reuters Institute revela que o grau de confiança nos meios de comunicação diminuiu em dois pontos percentuais para 42%, e que, apenas 49% dos consumidores de informação confiam na imprensa que lêem. No caso de notícias consultadas através das redes sociais, a confiança global é, ainda, menor (23%).


O Facebook continua a liderar a utilização das redes sociais para fins informativos, mas os utilizadores passam mais tempo no WhatsApp e no Instagram. Em países como o Brasil (53%), Índia (52%) e África do Sul (49%), o WhatsApp tornou-se uma plataforma noticiosa essencial.


O Digital News Report observa, igualmente, que o processo de subscrição paga a jornais tem sido lento, apesar da diversificação informativa.


Todos os “media” digitais dependem, em maior ou menor grau, de grandes plataformas, como o Google, o que levanta, ainda, maiores problemas. Esses gigantes tecnológicos conseguiram atrair a maioria dos investimentos na área da publicidade, o que afecta, negativamente, o lucro dos grupos de imprensa.


Os governos começam, porém, a mostrar preocupação com a sustentabilidade e independência dos “media”. A nova lei francesa, por exemplo, prevê que o Google e “browsers paguem aos jornais pelos resumos de notícias que exibem nos seus agregadores. As mudanças podem ser lentas, mas estão a chegar.

Connosco
Associações de imprensa europeias unem-se em defesa da liberdade de informação Ver galeria

Numa altura em que a crise espoletada pelo novo coronavírus começa a afectar, gravemente,  todos os sectores da economia europeia, várias  organizações internacionais de imprensa uniram-se para apelar às autoridades europeias no sentido de declararem o jornalismo como um  serviço essencial.


Numa carta dirigida à Presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, e aos Presidentes do Parlamento e Conselho europeus, as associações apelaram à garantia da livre circulação de informação, bem como à liberdade de imprensa, que consideram ser medidas essenciais para o combate do Covid-19. 


Poderá ler, a seguir, a tradução parcial e adaptada da carta:


"Nós, organizações que defendem a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão, escrevemos-lhe para expressar a nossa profunda preocupação com a possibilidade de os governos tirarem partido da pandemia da COVID-19 para punirem os “media” e para introduzirem restrições no acesso da imprensa às decisões e acções governamentais.

Experiência jornalística no "YouTube" conquista público brasileiro Ver galeria

Em plena crise do sector mediático, o jornalismo lusófono continua a ser vanguardista na inovação. Os seus profissionais apostam, continuamente, em novos formatos e algumas das fórmulas testadas começam a dar os primeiros frutos.

Lançado, no YouTube, em Março de 2018, pela jornalista Mara Luquet e pelo actor Antonio Tabet, o canal brasileiro de jornalismo MyNews, já completou dois anos e conta com mais de 345 mil subscritores. A iniciativa emprega cerca de 30 pessoas, e atingiu, em 2019, um lucro superior a meio milhão de reais ( 88 mil euros).

Nos seus vídeos institucionais, o canal apresenta-se como um projecto jornalístico livre,  "sem ideologias tendenciosas ", com informação diversa e  plural,  que visa combater a polarização na sociedade brasileira.

Actualmente o My News produz 14 programas, em formatos variados e gratuitos, nos quais se incluem debates, entrevistas e colunas. Os temas mais abordados são a política, a economia e as finanças. 

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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Opinião
O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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SEO para Jornalistas
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Stereo and Immersive Media 2020
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