Quarta-feira, 3 de Junho, 2020
Media

A revolução digital está a modificar a estratégia dos grandes jornais dos EUA

Um número crescente de  jornais começa a utilizar os meios digitais para combater os ataques ao seu trabalho, ou para mitigar a disseminação da desinformação, segundo um estudo publicado pelo ICFJ -- International Center for Journalists.

 

De acordo com a análise, mais de dois terços dos jornalistas e das redacções usam, agora, tecnologias digitais. Os “media” europeus (92%) são os mais activos a este respeito. Nos Estados Unidos, mais da metade dos jornalistas inquiridos utiliza ferramentas digitais para verificar a informação.


A revolução digital permite, igualmente, fazer chegar conteúdos a zonas remotas do planeta e facilita, ainda, o aprofundamento de jornalismo de referência. O “New York Times” foi pioneiro. Em 2016, o jornal norte-americano lançou uma versão em castelhano, que, apesar de ter encerrado por falta de rentabilidade, dispunha de mais de 300 mil subscritores.


Apenas algumas semanas antes do fim do “NYT en Español”, o “The Washington Post”, lançou uma nova secção de opinião, também em castelhano, intitulada de "Post Opinión". No novo espaço serão publicados colunas e ensaios originais com temas relevantes para os habitantes da América Latina, Espanha e Estados Unidos. Além de artigos originais, a secção também oferece traduções de editoriais e artigos escritos em inglês.


Além disso, os “podcasts” têm vindo a ganhar terreno. Por exemplo, “The Daily”, o “podcast”  matinal do “New York Times”, superou os mil milhões de “downloads”, desde o seu lançamento em fevereiro de 2017.


Esse “podcast”, dirigido e apresentado pelo jornalista Michael Barbaro, tornou-se o produto noticioso mais ouvido nos Estados Unidos, com uma média de dois milhões de ouvintes por dia.


A inovação dos métodos informativos não tem, contudo, sido suficiente para aumentar a confiança dos leitores nos “media”. 


A oitava edição do Digital News Report do Reuters Institute revela que o grau de confiança nos meios de comunicação diminuiu em dois pontos percentuais para 42%, e que, apenas 49% dos consumidores de informação confiam na imprensa que lêem. No caso de notícias consultadas através das redes sociais, a confiança global é, ainda, menor (23%).


O Facebook continua a liderar a utilização das redes sociais para fins informativos, mas os utilizadores passam mais tempo no WhatsApp e no Instagram. Em países como o Brasil (53%), Índia (52%) e África do Sul (49%), o WhatsApp tornou-se uma plataforma noticiosa essencial.


O Digital News Report observa, igualmente, que o processo de subscrição paga a jornais tem sido lento, apesar da diversificação informativa.


Todos os “media” digitais dependem, em maior ou menor grau, de grandes plataformas, como o Google, o que levanta, ainda, maiores problemas. Esses gigantes tecnológicos conseguiram atrair a maioria dos investimentos na área da publicidade, o que afecta, negativamente, o lucro dos grupos de imprensa.


Os governos começam, porém, a mostrar preocupação com a sustentabilidade e independência dos “media”. A nova lei francesa, por exemplo, prevê que o Google e “browsers paguem aos jornais pelos resumos de notícias que exibem nos seus agregadores. As mudanças podem ser lentas, mas estão a chegar.

Connosco
"NYT" em processo de mudança perante o novo perfil de audiência Ver galeria

Em 1851 nasceu o “New York Times”, um jornal que, desde cedo ,se assumiu como uma publicação de referência, na qual só havia espaço para as notícias e informação objectivas.

Segundo relembra o provedor do jornal, Gabriel Snyder, num artigo publicado na “Columbia Journalism Review”,  o “NYT” foi, assim, durante vários anos, um formador de opinião, que liderava, não seguia.

Qualquer pessoa minimamente relevante no espaço social lia o “NYT”, que, durante mais de um século, não teve de preocupar-se com a captação de audiências. Era um membro inquestionável da elite do poder norte-americano e nunca teve de explicar o porquê da sua importância.

Esta posição privilegiada permitia ao “Times” relatar sem ter que aprofundar uma opinião, sem se envolver em qualquer conflito.

Mas, reitera Snyder, os tempos mudaram e o jornal tem de reafirmar -se perante uma sociedade em mutação, onde se perpetua a polarização política. 

Projecto de jornalismo comunitário nasce em Detroit Ver galeria

Muito antes da pandemia de coronavírus, as redacções de jornalismo local e regional começaram “desmoronar-se”, devido a modelos de negócio obsoletos e a uma circulação pouco significativa.

De acordo com o instituto Poynter, um em cada cinco jornais, nos Estados Unidos, fechou, no decorrer da última década, e muitos dos que “sobreviveram” mantém-se, agora, na “sombra”, sem possibilidade de fazer reportagens assertivas ou entrevistas relevantes.

O jornalismo regional parece, contudo, estar a recuperar algum protagonismo, com muitos cidadãos a manifestarem o desejo de se informarem sobre a realidade das suas comunidades.

Perante este quadro, algumas associações têm-se aliado a jornalistas para fundar novas iniciativas comunitárias, com uma linha editorial compatível com a era digital.

Foi a partir de uma dessas parcerias que nasceu o “BridgeDetroit”, um projecto multiplataforma, dedicado a escrutinar, com transparência e objectividade, a realidade da cidade de Detroit, no Estado de Michigan.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas