Segunda-feira, 17 de Fevereiro, 2020
Mundo

Jornalismo de investigação no Quénia contra restrições à imprensa

O Quénia tem sido alvo de uma lenta erosão da liberdade de imprensa, desde 2016, agora que a situação política e as preocupações com a segurança são utilizadas como argumentos para restringir a cobertura dos “media”. A débil posição da imprensa tem sensibilizado algumas ONG internacionais, que começaram a promover projectos de jornalismo de investigação, visando fortalecer o sector.

O objectivo é promover jornalismo imparcial, aumentar a consciência cívica sobre o mundo real e sobre os impactos do crime organizado, bem como informar os cidadãos sobre o destino do dinheiro público.

Os projectos foram desenvolvidos a pensar no futuro do jornalismo e, por isso, destinam-se, principalmente, a estudantes universitários. Os alunos, que se encontram em início de carreira, agradecem a oportunidade de adquirir experiência, e a imprensa fica a ganhar, com profissionais especializados em investigação.

Os estudantes que aderiram ao projecto são acompanhados, de perto, por profissionais experientes, que dão sugestões sobre a recolha e tratamento da informação. A ideia parece estar a surtir efeito, agora que as histórias começam a chegar aos principais “media” quenianos e, também, ao Youtube.


As iniciativas quenianas estão, inclusivamente, a ser apoiadas por empresas europeias. Em 2015, a TI Kenya estabeleceu parceria com o Fojo Media Institute, da Suécia, para o desenvolvimento do projecto A4T -- Acção para a transparência. 


O A4T tem apostado no contacto com os cidadãos e desenvolveu uma plataforma “online”, que permite a partilha de histórias de cidadãos. Desde o lançamento da “app”, mais de três mil pessoas relataram casos de corrupção.


O desenvolvimento da plataforma está a incentivar um número crescente de cidadãos a participarem no processo de investigação, o que melhora a confiança nos “media”. A consciência sobre a corrupção interna está, igualmente, a aumentar.


Os especialistas em “media” defendem que uma maior transparência na relação entre as organizações sem fins lucrativos e jornalistas profissionais pode conduzir a resultados saudáveis, e sublinha a relevância desse tipo de acções em países onde a liberdade de expressão é fraca, ou inexistente.

Connosco
Imprensa britânica preocupada com regulação do “Ofcom” Ver galeria

A imprensa britânica teme que o controlo de conteúdos “online” pelo Ofcom constitua uma tentativa governamental de condicionar a liberdade de imprensa. O “The Daily Mail”, a título de exemplo, argumenta que a nova lei "pode levar à censura estatal".


Vários outros “media” estão, agora, em campanha para que a regulamentação do Ofcom se cinja a empresas tecnológicas, como o Facebook e o Google, e não se alargue à imprensa “online”. Os directores dos jornais receiam, igualmente, que a acção da entidade reguladora impeça a partilha de algumas das suas notícias mais “chocantes”.


A NMA -- News Media Association, organização que representa a maioria dos jornais britânicos, já expressou, igualmente, o seu desagrado face à proposta governamental e prometeu lutar pela garantia da “isenção explícita, em qualquer legislação, para editores e jornalistas", que são, afinal, mediadores da democracia.

O alastramento do coronavirus pode provocar um "infodemia" Ver galeria

As editoras científicas de todo o mundo concordaram em partilhar, de forma gratuita, informações sobre o novo coronavírus que, de outra forma, estariam escondidas atrás das “paywalls”. Assim, dados cruciais sobre a epidemia estão a ser divulgados mas, segundo a jornalista  Roxana Tabakman , não da melhor forma.

Tabakman é especializada em jornalismo científico e da saúde e, num artigo para o “Observatório da Imprensa” (associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria), teceu críticas às reportagens que têm sido publicadas sobre a doença.

Se, por um lado, há jornalismo sério que contribui para o conhecimento e para a saúde pública, por outro, existem repórteres sensacionalistas que desejam, apenas, conquistar audiências.
O jornalista científico Carlos Orsi descreveu, mesmo, a situação como um “ciclo perverso”: “a cobertura incessante  gera uma sensação de urgência e alimenta uma curiosidade do público que, na ausência de factos novos, não encontra alívio ou satisfação, mas redundância e tédio. Isso incentiva rumores que, por sua vez, justificam a reiteração redundante do que já se sabe".

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...
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11
Mar
O cinema e a televisão como "forma de futuro"
15:00 @ Universidade Lusófona
18
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Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona