Segunda-feira, 17 de Fevereiro, 2020
Mundo

O alastramento do coronavirus pode provocar um "infodemia"

As editoras científicas de todo o mundo concordaram em partilhar, de forma gratuita, informações sobre o novo coronavírus que, de outra forma, estariam escondidas atrás das “paywalls”. Assim, dados cruciais sobre a epidemia estão a ser divulgados mas, segundo a jornalista  Roxana Tabakman , não da melhor forma.

Tabakman é especializada em jornalismo científico e da saúde e, num artigo para o “Observatório da Imprensa” (associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria), teceu críticas às reportagens que têm sido publicadas sobre a doença.

Se, por um lado, há jornalismo sério que contribui para o conhecimento e para a saúde pública, por outro, existem repórteres sensacionalistas que desejam, apenas, conquistar audiências.
O jornalista científico Carlos Orsi descreveu, mesmo, a situação como um “ciclo perverso”: “a cobertura incessante  gera uma sensação de urgência e alimenta uma curiosidade do público que, na ausência de factos novos, não encontra alívio ou satisfação, mas redundância e tédio. Isso incentiva rumores que, por sua vez, justificam a reiteração redundante do que já se sabe".


Com as audiências em vista, os jornalistas, não poucas vezes, partilham informações sem as contextualizar, promovendo a sensação de insegurança e de medo. 


Segundo Tabakman, esse tipo de cobertura tem vários malefícios, como, por exemplo, corromper a confiança nos cientistas e nas autoridades sanitárias. A própria OMS está preocupada com o que chama de “infodemia” (informação + epidemia). “A resposta ao 2019-nCoV foi acompanhado por uma enorme ‘infodemia’ – uma enorme abundância de informações, algumas precisas e outras não, o que dificulta o processo de encontrar fontes confiáveis e orientação fidedigna”.

Cientes de que as “fake news” se disseminam mais rapidamente do que as doenças, pelo menos 48 organizações de “fact-checking” , trabalham para descredibilizar informações falsas sobre o novo coronavírus. O projecto colaborativo, coordenado pela Rede Internacional de Fact-Checking”, promete estar activo enquanto a doença não estiver controlada. Pode ser seguido nas redes sociais através de duas “hashtags”: #CoronaVirusFacts e #DatosCoronaVirus.

A autora apela, assim, aos repórteres que sejam, particularmente, cuidadosos com a informação que veiculam e que caprichem na pesquisa sobre alguns conceitos essenciais. Aos leitores, deixa recomendações simples: deixar de lado os jornais sensacionalistas e lavar as mãos.

Connosco
Imprensa britânica preocupada com regulação do “Ofcom” Ver galeria

A imprensa britânica teme que o controlo de conteúdos “online” pelo Ofcom constitua uma tentativa governamental de condicionar a liberdade de imprensa. O “The Daily Mail”, a título de exemplo, argumenta que a nova lei "pode levar à censura estatal".


Vários outros “media” estão, agora, em campanha para que a regulamentação do Ofcom se cinja a empresas tecnológicas, como o Facebook e o Google, e não se alargue à imprensa “online”. Os directores dos jornais receiam, igualmente, que a acção da entidade reguladora impeça a partilha de algumas das suas notícias mais “chocantes”.


A NMA -- News Media Association, organização que representa a maioria dos jornais britânicos, já expressou, igualmente, o seu desagrado face à proposta governamental e prometeu lutar pela garantia da “isenção explícita, em qualquer legislação, para editores e jornalistas", que são, afinal, mediadores da democracia.

O jornal "Açoriano Oriental" completa em Abril 185 anos Ver galeria

O “Açoriano Oriental” celebra, em Abril, o 185º aniversário, consolidando o título de  jornal mais antigos em circulação em Portugal e um dos dez mais antigos do mundo.


O jornal foi fundado em 1835, quatro meses  depois de ter sido promulgada, em Portugal, a primeira lei de liberdade de imprensa. 

Coube a Manuel António de Vasconcelos a responsabilidade do lançamento deste diário. No site do “Açoriano Oriental” pode ler-se que o fundador era “ um liberal e um vigoroso defensor dos seus princípios e a fundação do novo jornal inscrevia-se, sem margem para equívocos, nas lutas políticas que se travavam a nível nacional. Era um jornal de combate e debate, esteio e veículo dos princípios constitucionais mais avançados”. 

O estatuto editorial do título revela um forte compromisso com o “passado jornalístico de mérito reconhecido” e que “ persegue o ideal europeu de um jornalismo exigente, em que não têm lugar, nem o sensacionalismo, nem a exploração mercantil de todas as matérias informativas”.

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...
Agenda
11
Mar
O cinema e a televisão como "forma de futuro"
15:00 @ Universidade Lusófona
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona