Segunda-feira, 17 de Fevereiro, 2020
Media

A confiança e a proximidade como regras para jornalismo local

Após mais de uma década de estudos e experiências com jornalismo local “online”, os profissionais da comunicação mostraram-se unânimes quanto à importância do contacto entre repórteres de publicações locais e a população. Isso levanta a necessidade de rever o modo de exercer o jornalismo, tanto no que se refere à parte editorial como na vertente financeira e política.

O contacto é indispensável porque um projecto jornalístico local é, quase sempre, desenvolvido por um grupo reduzido de jornalistas. Mesmo numa cidade pequena, a quantidade de assuntos passíveis de cobertura supera, geralmente, a capacidade de produção da equipa do projecto. Se os moradores não ajudarem na contextualização dos factos, torna-se difícil cobrir assuntos que despertem o interesse dos leitores.

O jornalista Carlos Castilho publicou, entretanto um artigo no “Observatório da Imprensa” sobre esse tema, no tocante às experiências e requisitos necessários para esse tipo de projecto resultar.

De acordo com Castilho, a comunidade só participa da produção de notícias locais quando acredita no projecto e nos jornalistas. Para que tal aconteça, é necessário que os profissionais sejam considerados como parte da sociedade local. Além disso, os jornalistas podem ser considerados “forasteiros”, e lidar com questões marcadas pela subjectividade local, o que exige muito “jogo de cintura”, tolerância e persistência.

Para que os projectos sejam proveitosos é, ainda, necessário, dominar as plataformas digitais, usadas em propostas de informação local inovadora, embora seja, também, necessário apostar no formato em papel. 

A distribuição de jornais em residências, paragens de autocarro, supermercados e igrejas é o método mais eficiente para gerar debate na população com mais de 40 anos, por exemplo. As redes sociais, por outro lado, geram mais impacto em camadas mais jovens, entre os 20 e os 45 anos. O uso de imagens (fotografias, vídeos, caricaturas, infográficos) é obrigatório não tanto pelo lado estético, mas porque as pessoas têm pouco tempo e paciência para ler textos longos. 

As imagens captadas pela comunidade são, particularmente, importantes, visto que os cidadãos estão mais interessados na história, do que em produzir notícias. A pirâmide invertida não faz o menor sucesso numa reunião com moradores ,que se mostram sempre mais receptivos ao humor e emotividade do que às regras das redacções.

A publicidade paga não deve ser menosprezada, mas jamais será a fonte básica de receitas, como era na imprensa tradicional. Para serem bem sucedidos, os jornais devem conseguir lucrar nos primeiros seis meses, o tempo necessário para conquistar a confiança dos cidadãos, essencial para obter contribuições monetárias.

Connosco
Imprensa britânica preocupada com regulação do “Ofcom” Ver galeria

A imprensa britânica teme que o controlo de conteúdos “online” pelo Ofcom constitua uma tentativa governamental de condicionar a liberdade de imprensa. O “The Daily Mail”, a título de exemplo, argumenta que a nova lei "pode levar à censura estatal".


Vários outros “media” estão, agora, em campanha para que a regulamentação do Ofcom se cinja a empresas tecnológicas, como o Facebook e o Google, e não se alargue à imprensa “online”. Os directores dos jornais receiam, igualmente, que a acção da entidade reguladora impeça a partilha de algumas das suas notícias mais “chocantes”.


A NMA -- News Media Association, organização que representa a maioria dos jornais britânicos, já expressou, igualmente, o seu desagrado face à proposta governamental e prometeu lutar pela garantia da “isenção explícita, em qualquer legislação, para editores e jornalistas", que são, afinal, mediadores da democracia.

O alastramento do coronavirus pode provocar um "infodemia" Ver galeria

As editoras científicas de todo o mundo concordaram em partilhar, de forma gratuita, informações sobre o novo coronavírus que, de outra forma, estariam escondidas atrás das “paywalls”. Assim, dados cruciais sobre a epidemia estão a ser divulgados mas, segundo a jornalista  Roxana Tabakman , não da melhor forma.

Tabakman é especializada em jornalismo científico e da saúde e, num artigo para o “Observatório da Imprensa” (associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria), teceu críticas às reportagens que têm sido publicadas sobre a doença.

Se, por um lado, há jornalismo sério que contribui para o conhecimento e para a saúde pública, por outro, existem repórteres sensacionalistas que desejam, apenas, conquistar audiências.
O jornalista científico Carlos Orsi descreveu, mesmo, a situação como um “ciclo perverso”: “a cobertura incessante  gera uma sensação de urgência e alimenta uma curiosidade do público que, na ausência de factos novos, não encontra alívio ou satisfação, mas redundância e tédio. Isso incentiva rumores que, por sua vez, justificam a reiteração redundante do que já se sabe".

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...
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11
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O cinema e a televisão como "forma de futuro"
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18
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Stereo and Immersive Media 2020
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