Terça-feira, 26 de Outubro, 2021
Media

Incerteza política na Venezuela força jornalistas a emigrar

Os jornalistas venezuelanos são, constantemente, alvo de perseguição e de ameaças e têm dificuldade em encontrar emprego na área da comunicação. Para garantir a própria segurança e subsistência, muitos profissionais abandonam o país, e seguem carreira em países vizinhos. 

Dados do IPYSVe -- Instituto de Imprensa e Sociedade da Venezuela, mostram  que, entre 2014 e 2018, “se intensificou o êxodo daqueles que viviam do trabalho mediático no país: 18% dos jornalistas registados  no banco de dados do IPYSVe, ou seja 477, migraram, da Venezuela para 24 outros países”. De todos, cerca de metade emigrou para outros países da América Latina. Os Estados Unidos e Espanha são, também, destinos populares. 

Silvina Acosta realizou uma reportagem de duas partes sobre jornalistas que deixaram o país, para “Knight Center for Journalism in the Americas”. A primeira parte, aqui adaptada, relata “deslocamentos forçados”.A maioria dos jornalistas imigrantes venezuelanos fogem da crise económica e das restrições impostas aos “media”, que deterioraram os salários, o poder de compra, as condições de segurança para o exercício jornalístico e a qualidade de vida em geral. Os repórteres são, ainda,  forçados a solicitar asilo noutros países por perseguição, intimidação e ameaças do regime ditatorial. Nos últimos três anos, 34 jornalistas fugiram da sua região ou país, porque foram perseguidos por seu trabalho, entre eles, quatro jornalistas premiados.


A destruição do “ecossistema” mediático, nas últimas duas décadas, teve um impacto dramático no livre exercício do jornalismo. A compra de meios de comunicação,  as medidas administrativas e judiciais arbitrárias, a falta de papel para impressão e a censura reduziram as possibilidades laborais de jornalistas na Venezuela. Em Junho de 2019, mais de 70 meios de comunicação foram fechados e censurados pelo governo. 

 

Fernando Peñalver, com 30 anos de experiência jornalística na Venezuela, chegou ao Chile em 2016. Depois de mais de seis meses desempregado e sem perspectivas futuras, decidiu radicar-se em Santiago, ainda que com pouco dinheiro e sem contactos.

Em Maio de 2018, um ano e meio após sua chegada a Santiago, o Grupo Publimetro contratou Peñalver como redactor multimédia, depois de o jornalista ter colaborado como” freelancer” nas eleições primárias chilenas. Nem todos os seus colegas no exterior tiveram a mesma sorte.

"Voltei ao jornalismo, o que me faz muito feliz e realizado. Regressar à profissão é reconciliar-me com o bom e com o belo", escreveu Peñalver numa página no Facebook, dedicada a repórteres imigrantes venezuelanos.

 

Assim como Peñalver, milhares de jornalistas tiveram que deixar o país. Não há estatísticas globais de quantos profissionais podem ter migrado nos últimos 20 anos, durante a revolução bolivariana. Existem, porém, alguns dados para o período, desde que Nicolás Maduro assumiu o poder, mas acredita-se que os números sejam maiores do que os estimados.

Desde que Nicolás Maduro assumiu o poder em Abril de 2013, foram registados 2.265 ataques à liberdade de imprensa, incluindo censura, intimidação, agressões físicas, detenções arbitrárias e roubo de equipamentos de trabalho, segundo o Sindicato dos Jornalistas venezuelanos, acrescentando que, em 2019, mais de 200 profissionais foram perseguidos.

Enquanto as condições para o exercício jornalístico na Venezuela não melhorarem, os comunicadores continuarão mudar-se, com suas famílias , para outros países. Carleth Morales, fundadora da associação Imprensa Venezuelana, garante que o êxodo acontece em vagas. De acordo com as eleições, ameaças, e encerramento de meios de imprensa.

Consulte o artigo orginal em Knight Center


Connosco
Jornal finlandês troca "cadeados" por "diamantes" para atrair assinantes Ver galeria

Com a era digital, vários jornais passaram a apostar nos conteúdos “online”, recorrendo às “paywalls” para obter receitas.

Este novo modelo de negócio foi introduzido um pouco por toda a Europa, incluindo na Finlândia, onde o jornal “Helsingin Sanomat” conta com a subscrição de 48% de todos os assinantes de produtos noticiosos do país.

Conforme apontou Hanaa Tameez num artigo publicado no “Nieman Lab”, o "Helsingin Sanomat” foi fundado em 1889, quando a Finlândia ainda integrava o Império Russo. Agora, este jornal é detido pelo Grupo Sanoma, que controla 40 outras marcas mediáticas naquele país.

Em 2016, continuou Tameez, os editores do “Helsingin Sanomat” chegaram à conclusão de que a “paywall” não estava a obter os resultados esperados.

Por isso mesmo, os responsáveis por aquela publicação começaram a analisar o tipo de conteúdos que deveriam ser exclusivos para subscritores e, em vez de os assinalarem com um “cadeado”, passaram a identificá-los através de um “diamante”.

“O símbolo do cadeado passou a ser reconhecido mundialmente enquanto um identificador da ‘Paywall’”, disse o editor-executivo, Kaius Niemi, em entrevista para o “Nieman Lab”. “Sentimos, contudo, que o cadeado não simboliza valor acrescentado no jornalismo, ou ‘storytelling’ avançado. Por outro lado, acaba por ter uma conotação negativa, já que fecha a porta a um potencial subscritor. Os diamantes, por sua vez, ilustram o trabalho árduo dedicado a cada história”.

Graças a estas iniciativas, a equipa editorial daquele jornal finlandês percebeu que estava a apostar em temáticas que não chamavam a atenção dos leitores, e decidiram investir em artigos sobre sociedade, cultura e “lifestyle”.

Relatório aponta prioridade para o jornalismo isento e objectivo Ver galeria

As audiências valorizam a imparcialidade no jornalismo, e justificam a convicção de que os artigos noticiosos e as colunas de opinião devem ser, claramente, distinguidas, aponta o estudo The Relevance Of Impartial News In A Polarised World, encomendado pela Universidade de Oxford.

De acordo com este relatório -- que contou com 52 participantes, provenientes da Alemanha, do Brasil, dos Estados Unidos e do Reino Unido -- a informação objectiva e a contextualização devem estar no centro de qualquer formato noticioso.

Neste sentido, os participantes do estudo alertaram para o facto de as peças noticiosas e as colunas de opinião não serem facilmente identificáveis em formatos “online”, ao contrário do que acontece nas publicações em formato de papel.

“As audiências valorizam a opinião como um suplemento dos factos, mas, na sua generalidade, querem que a informação objectiva seja estabelecida em primeiro lugar. O público preocupa-se, também, com a mistura destes dois formatos”.

Os jornais assumem-se, assim, como a fonte noticiosa mais fiável, embora alguns leitores mais jovens considerem que estas publicações transmitem “ideais conservadores”, com os quais não se identificam.

Por outro lado, os participantes afirmam que as redes sociais não são boas fontes noticiosas, já que os seus algoritmos dão prioridade aos artigos de opinião, sem que estes estejam identificados como tal.

“Nas redes sociais, torna-se difícil distinguir entre notícias e a opinião, devido à falta de pistas. Algumas pessoas consideram que isto é um problema”, indica o relatório. “Alguns temem que o conteúdo de opinião esteja a contaminar as notícias. Outros assumem, simplesmente, que a opinião é uma característica inerente a estas plataformas”.

O Clube


Conhecidas as propostas do governo para o Orçamento de Estado, verifica-se que o sector dos media continua a ser o “parente pobre”, sem atrair medidas de reanimação capazes de corrigirem e de equilibrarem o plano inclinado em que se encontra a maioria das empresas jornalísticas, já periclitantes antes de serem fortemente flageladas pela pandemia.
O Sindicato dos Jornalistas lamenta-o e estranha que o OE ignore “completamente as dificuldades da comunicação social”. As associações do sector, como é o caso do CPI, certamente não menos.
O documento é omisso em medidas de apoio, que possam contribuir para inverter o declínio das vendas de jornais e revistas, sem pôr em causa a independência das publicações.
O bom jornalismo não precisa de ser subsidiado, mas implica redacções ágeis e com capacidade de resposta, que não dependam das redes sociais para medirem a realidade.
Com as contas no “vermelho”, as empresas editoriais não dispõem , contudo, de meios nem de condições propícias ao investimento, por exemplo, na reportagem de investigação.
Os jornalistas saem cada vez menos e a pandemia, com o teletrabalho, mais acentuou esse défice de contacto com o exterior.
É impossível não concordar com o SJ quando este defende várias medidas, como a criação de um voucher de 20 euros por agregado familiar para assinaturas ou compra de jornais e revistas, o desconto do IVA de produtos de media no IRS e a oferta de jornais ou de uma assinatura digital a todos os jovens que completem 18 anos.
Salva-se apenas a digitalização, a única que tem verbas disponíveis no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR). É importante. Mas não é exclusivamente por aí que se salvam os media em sérias dificuldades, que lutam pela sobrevivência. E que são um pilar da democracia. Eis um debate urgente ao qual nos associamos.


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Opinião
O jornalismo está de parabéns. O Nobel da Paz atribuído a dois jornalistas, Maria Ressa e Dmitry Muratov, uma filipina e um russo, premiou uma incansável e corajosa luta pela liberdade de expressão nos seus países, com risco da própria vida. São um exemplo. Foi necessário passar quase um século para um Nobel da Paz caber novamente a jornalistas, que pugnam pela sobrevivência do jornalismo sério e independente,...
O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
Agenda
01
Nov
The African Investigative Journalism Conference
10:00 @ Joanesburgo, África do Sul
02
Nov
Global Investigative Journalism Conference
10:00 @ Evento "Online" da GIJN
18
Nov
22
Nov
28
Nov
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor