Segunda-feira, 17 de Fevereiro, 2020
Media

Incerteza política na Venezuela força jornalistas a emigrar

Os jornalistas venezuelanos são, constantemente, alvo de perseguição e de ameaças e têm dificuldade em encontrar emprego na área da comunicação. Para garantir a própria segurança e subsistência, muitos profissionais abandonam o país, e seguem carreira em países vizinhos. 

Dados do IPYSVe -- Instituto de Imprensa e Sociedade da Venezuela, mostram  que, entre 2014 e 2018, “se intensificou o êxodo daqueles que viviam do trabalho mediático no país: 18% dos jornalistas registados  no banco de dados do IPYSVe, ou seja 477, migraram, da Venezuela para 24 outros países”. De todos, cerca de metade emigrou para outros países da América Latina. Os Estados Unidos e Espanha são, também, destinos populares. 

Silvina Acosta realizou uma reportagem de duas partes sobre jornalistas que deixaram o país, para “Knight Center for Journalism in the Americas”. A primeira parte, aqui adaptada, relata “deslocamentos forçados”.A maioria dos jornalistas imigrantes venezuelanos fogem da crise económica e das restrições impostas aos “media”, que deterioraram os salários, o poder de compra, as condições de segurança para o exercício jornalístico e a qualidade de vida em geral. Os repórteres são, ainda,  forçados a solicitar asilo noutros países por perseguição, intimidação e ameaças do regime ditatorial. Nos últimos três anos, 34 jornalistas fugiram da sua região ou país, porque foram perseguidos por seu trabalho, entre eles, quatro jornalistas premiados.


A destruição do “ecossistema” mediático, nas últimas duas décadas, teve um impacto dramático no livre exercício do jornalismo. A compra de meios de comunicação,  as medidas administrativas e judiciais arbitrárias, a falta de papel para impressão e a censura reduziram as possibilidades laborais de jornalistas na Venezuela. Em Junho de 2019, mais de 70 meios de comunicação foram fechados e censurados pelo governo. 

 

Fernando Peñalver, com 30 anos de experiência jornalística na Venezuela, chegou ao Chile em 2016. Depois de mais de seis meses desempregado e sem perspectivas futuras, decidiu radicar-se em Santiago, ainda que com pouco dinheiro e sem contactos.

Em Maio de 2018, um ano e meio após sua chegada a Santiago, o Grupo Publimetro contratou Peñalver como redactor multimédia, depois de o jornalista ter colaborado como” freelancer” nas eleições primárias chilenas. Nem todos os seus colegas no exterior tiveram a mesma sorte.

"Voltei ao jornalismo, o que me faz muito feliz e realizado. Regressar à profissão é reconciliar-me com o bom e com o belo", escreveu Peñalver numa página no Facebook, dedicada a repórteres imigrantes venezuelanos.

 

Assim como Peñalver, milhares de jornalistas tiveram que deixar o país. Não há estatísticas globais de quantos profissionais podem ter migrado nos últimos 20 anos, durante a revolução bolivariana. Existem, porém, alguns dados para o período, desde que Nicolás Maduro assumiu o poder, mas acredita-se que os números sejam maiores do que os estimados.

Desde que Nicolás Maduro assumiu o poder em Abril de 2013, foram registados 2.265 ataques à liberdade de imprensa, incluindo censura, intimidação, agressões físicas, detenções arbitrárias e roubo de equipamentos de trabalho, segundo o Sindicato dos Jornalistas venezuelanos, acrescentando que, em 2019, mais de 200 profissionais foram perseguidos.

Enquanto as condições para o exercício jornalístico na Venezuela não melhorarem, os comunicadores continuarão mudar-se, com suas famílias , para outros países. Carleth Morales, fundadora da associação Imprensa Venezuelana, garante que o êxodo acontece em vagas. De acordo com as eleições, ameaças, e encerramento de meios de imprensa.

Consulte o artigo orginal em Knight Center


Connosco
Imprensa britânica preocupada com regulação do “Ofcom” Ver galeria

A imprensa britânica teme que o controlo de conteúdos “online” pelo Ofcom constitua uma tentativa governamental de condicionar a liberdade de imprensa. O “The Daily Mail”, a título de exemplo, argumenta que a nova lei "pode levar à censura estatal".


Vários outros “media” estão, agora, em campanha para que a regulamentação do Ofcom se cinja a empresas tecnológicas, como o Facebook e o Google, e não se alargue à imprensa “online”. Os directores dos jornais receiam, igualmente, que a acção da entidade reguladora impeça a partilha de algumas das suas notícias mais “chocantes”.


A NMA -- News Media Association, organização que representa a maioria dos jornais britânicos, já expressou, igualmente, o seu desagrado face à proposta governamental e prometeu lutar pela garantia da “isenção explícita, em qualquer legislação, para editores e jornalistas", que são, afinal, mediadores da democracia.

O alastramento do coronavirus pode provocar um "infodemia" Ver galeria

As editoras científicas de todo o mundo concordaram em partilhar, de forma gratuita, informações sobre o novo coronavírus que, de outra forma, estariam escondidas atrás das “paywalls”. Assim, dados cruciais sobre a epidemia estão a ser divulgados mas, segundo a jornalista  Roxana Tabakman , não da melhor forma.

Tabakman é especializada em jornalismo científico e da saúde e, num artigo para o “Observatório da Imprensa” (associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria), teceu críticas às reportagens que têm sido publicadas sobre a doença.

Se, por um lado, há jornalismo sério que contribui para o conhecimento e para a saúde pública, por outro, existem repórteres sensacionalistas que desejam, apenas, conquistar audiências.
O jornalista científico Carlos Orsi descreveu, mesmo, a situação como um “ciclo perverso”: “a cobertura incessante  gera uma sensação de urgência e alimenta uma curiosidade do público que, na ausência de factos novos, não encontra alívio ou satisfação, mas redundância e tédio. Isso incentiva rumores que, por sua vez, justificam a reiteração redundante do que já se sabe".

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...
Agenda
11
Mar
O cinema e a televisão como "forma de futuro"
15:00 @ Universidade Lusófona
18
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Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona