Os jornalistas venezuelanos são, constantemente, alvo de perseguição e de ameaças e têm dificuldade em encontrar emprego na área da comunicação. Para garantir a própria segurança e subsistência, muitos profissionais abandonam o país, e seguem carreira em países vizinhos.
Dados do IPYSVe -- Instituto de Imprensa e Sociedade da Venezuela, mostram que, entre 2014 e 2018, “se intensificou o êxodo daqueles que viviam do trabalho mediático no país: 18% dos jornalistas registados no banco de dados do IPYSVe, ou seja 477, migraram, da Venezuela para 24 outros países”. De todos, cerca de metade emigrou para outros países da América Latina. Os Estados Unidos e Espanha são, também, destinos populares.
Silvina Acosta realizou uma reportagem de duas partes sobre jornalistas que deixaram o país, para “Knight Center for Journalism in the Americas”. A primeira parte, aqui adaptada, relata “deslocamentos forçados”.A maioria dos jornalistas imigrantes venezuelanos fogem da crise económica e das restrições impostas aos “media”, que deterioraram os salários, o poder de compra, as condições de segurança para o exercício jornalístico e a qualidade de vida em geral. Os repórteres são, ainda, forçados a solicitar asilo noutros países por perseguição, intimidação e ameaças do regime ditatorial. Nos últimos três anos, 34 jornalistas fugiram da sua região ou país, porque foram perseguidos por seu trabalho, entre eles, quatro jornalistas premiados.
A destruição do “ecossistema” mediático, nas últimas duas décadas, teve um impacto dramático no livre exercício do jornalismo. A compra de meios de comunicação, as medidas administrativas e judiciais arbitrárias, a falta de papel para impressão e a censura reduziram as possibilidades laborais de jornalistas na Venezuela. Em Junho de 2019, mais de 70 meios de comunicação foram fechados e censurados pelo governo.
Fernando Peñalver, com 30 anos de experiência jornalística na Venezuela, chegou ao Chile em 2016. Depois de mais de seis meses desempregado e sem perspectivas futuras, decidiu radicar-se em Santiago, ainda que com pouco dinheiro e sem contactos.
Em Maio de 2018, um ano e meio após sua chegada a Santiago, o Grupo Publimetro contratou Peñalver como redactor multimédia, depois de o jornalista ter colaborado como” freelancer” nas eleições primárias chilenas. Nem todos os seus colegas no exterior tiveram a mesma sorte.
"Voltei ao jornalismo, o que me faz muito feliz e realizado. Regressar à profissão é reconciliar-me com o bom e com o belo", escreveu Peñalver numa página no Facebook, dedicada a repórteres imigrantes venezuelanos.
Assim como Peñalver, milhares de jornalistas tiveram que deixar o país. Não há estatísticas globais de quantos profissionais podem ter migrado nos últimos 20 anos, durante a revolução bolivariana. Existem, porém, alguns dados para o período, desde que Nicolás Maduro assumiu o poder, mas acredita-se que os números sejam maiores do que os estimados.
Desde que Nicolás Maduro assumiu o poder em Abril de 2013, foram registados 2.265 ataques à liberdade de imprensa, incluindo censura, intimidação, agressões físicas, detenções arbitrárias e roubo de equipamentos de trabalho, segundo o Sindicato dos Jornalistas venezuelanos, acrescentando que, em 2019, mais de 200 profissionais foram perseguidos.
Enquanto as condições para o exercício jornalístico na Venezuela não melhorarem, os comunicadores continuarão mudar-se, com suas famílias , para outros países. Carleth Morales, fundadora da associação Imprensa Venezuelana, garante que o êxodo acontece em vagas. De acordo com as eleições, ameaças, e encerramento de meios de imprensa.
Consulte o artigo orginal em Knight Center
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.