Sábado, 1 de Outubro, 2022
Media

Incerteza política na Venezuela força jornalistas a emigrar

Os jornalistas venezuelanos são, constantemente, alvo de perseguição e de ameaças e têm dificuldade em encontrar emprego na área da comunicação. Para garantir a própria segurança e subsistência, muitos profissionais abandonam o país, e seguem carreira em países vizinhos. 

Dados do IPYSVe -- Instituto de Imprensa e Sociedade da Venezuela, mostram  que, entre 2014 e 2018, “se intensificou o êxodo daqueles que viviam do trabalho mediático no país: 18% dos jornalistas registados  no banco de dados do IPYSVe, ou seja 477, migraram, da Venezuela para 24 outros países”. De todos, cerca de metade emigrou para outros países da América Latina. Os Estados Unidos e Espanha são, também, destinos populares. 

Silvina Acosta realizou uma reportagem de duas partes sobre jornalistas que deixaram o país, para “Knight Center for Journalism in the Americas”. A primeira parte, aqui adaptada, relata “deslocamentos forçados”.A maioria dos jornalistas imigrantes venezuelanos fogem da crise económica e das restrições impostas aos “media”, que deterioraram os salários, o poder de compra, as condições de segurança para o exercício jornalístico e a qualidade de vida em geral. Os repórteres são, ainda,  forçados a solicitar asilo noutros países por perseguição, intimidação e ameaças do regime ditatorial. Nos últimos três anos, 34 jornalistas fugiram da sua região ou país, porque foram perseguidos por seu trabalho, entre eles, quatro jornalistas premiados.


A destruição do “ecossistema” mediático, nas últimas duas décadas, teve um impacto dramático no livre exercício do jornalismo. A compra de meios de comunicação,  as medidas administrativas e judiciais arbitrárias, a falta de papel para impressão e a censura reduziram as possibilidades laborais de jornalistas na Venezuela. Em Junho de 2019, mais de 70 meios de comunicação foram fechados e censurados pelo governo. 

 

Fernando Peñalver, com 30 anos de experiência jornalística na Venezuela, chegou ao Chile em 2016. Depois de mais de seis meses desempregado e sem perspectivas futuras, decidiu radicar-se em Santiago, ainda que com pouco dinheiro e sem contactos.

Em Maio de 2018, um ano e meio após sua chegada a Santiago, o Grupo Publimetro contratou Peñalver como redactor multimédia, depois de o jornalista ter colaborado como” freelancer” nas eleições primárias chilenas. Nem todos os seus colegas no exterior tiveram a mesma sorte.

"Voltei ao jornalismo, o que me faz muito feliz e realizado. Regressar à profissão é reconciliar-me com o bom e com o belo", escreveu Peñalver numa página no Facebook, dedicada a repórteres imigrantes venezuelanos.

 

Assim como Peñalver, milhares de jornalistas tiveram que deixar o país. Não há estatísticas globais de quantos profissionais podem ter migrado nos últimos 20 anos, durante a revolução bolivariana. Existem, porém, alguns dados para o período, desde que Nicolás Maduro assumiu o poder, mas acredita-se que os números sejam maiores do que os estimados.

Desde que Nicolás Maduro assumiu o poder em Abril de 2013, foram registados 2.265 ataques à liberdade de imprensa, incluindo censura, intimidação, agressões físicas, detenções arbitrárias e roubo de equipamentos de trabalho, segundo o Sindicato dos Jornalistas venezuelanos, acrescentando que, em 2019, mais de 200 profissionais foram perseguidos.

Enquanto as condições para o exercício jornalístico na Venezuela não melhorarem, os comunicadores continuarão mudar-se, com suas famílias , para outros países. Carleth Morales, fundadora da associação Imprensa Venezuelana, garante que o êxodo acontece em vagas. De acordo com as eleições, ameaças, e encerramento de meios de imprensa.

Consulte o artigo orginal em Knight Center


Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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Opinião
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