null, 5 de Julho, 2020
Media

Onde se defende em Espanha o jornalismo "cor-de-rosa"

O jornalismo “cor-de-rosa” é irresistível para o público, que consome os seus conteúdos em qualquer formato. Os “fait divers” abordam temas que são transversais à sociedade, tais como a morte, o amor, o ciúme, a ambição e o medo que despertam empatia quase imediata.

Este tipo de jornalismo é, contudo, especialmente criticado, agora que as redes sociais abriram um fórum de discussão e de críticas entre profissionais.

 Manuel Marlasca trabalha como repórter “cor-de-rosa” há mais de 30 anos, e é autor de um artigo sobre a descredibilização deste tipo de trabalho, publicado nos "Cuadernos de Periodistas" , uma edição da APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

 Durante os anos da ditadura franquista, os jornais generalistas viviam de crónicas criminais, "porque não se podia falar de política”. Com o fim do regime de Franco, a liberdade de imprensa chegou e as páginas dos “media” encheram-se de assuntos parlamentares, embora o “cor-de-rosa” continuasse a ocupar espaço. 

Hoje, o “fait divers” mobiliza um importante segmento de leitores, o que, em certa medida, decepciona os responsáveis editoriais, que gostariam de valorizar mais os assuntos sérios.


Marlasca reconhece que há motivos para criticar as reportagens “cor-de-rosa” mas considera que quem o faz, muitas vezes, não tem a experiência nem o estatuto para o fazer. O autor destaca que, com o aparecimento da televisão, muito conteúdo informativo se começou a confundir com entretenimento.Os jornalistas passaram a revelar informações litigiosas e perderam a consideração pelos envolvidos, em prole das audiências.

 

“É nos casos que envolvem menores que o jornalista responsável pela cobertura do evento deve praticar a autocensura e ser exigente consigo mesmo, estabelecendo um compromisso com a factualidade”, reitera Marlasca.

 

O autor considera, porém, que os jornalistas da imprensa “tablóide” desempenham tarefas não partilhadas por outros profissionais, ao procurarem dar voz “à dor das famílias”, com “respeito e empatia”. “Estamos disponíveis a qualquer hora e em qualquer dia da semana, porque a morte e a tragédia não tiram férias”.

 

Além disso, esses jornalistas trabalham, directamente, com “fontes extremamente frágeis e exigentes, que não toleram deslizes na relação estabelecida”. “Nenhum outro género jornalístico exige tantos cuidados. Nenhuma outra manchete ou exclusivo pode prejudicar, da mesma forma, uma investigação judicial ou a vida de um suspeito”.

 

“Ser um bom repórter requer muita empatia. Com as fontes, para entender o que está em jogo quando têm acesso a revelações, e com as vítimas, que não deveriam ter que passar por uma segunda vitimização”. Marlasca sublinha, porém, que devem ser impostos limites, visto que, “o profissionalismo exige distância”. 

O jornalista reconhece, ainda, que é essencial ganhar a confiança das autoridades, que, por norma, não têm simpatia por esses profissionais. “Conquistar as forças de autoridade pode demorar anos, mas para perder o seu apoio, basta um pequena incongruência”.


O autor considera, assim, que os bons jornalistas envolvidos em termos “cor-de-rosa” são “exemplares excepcionais na fauna do jornalismo, verdadeiras aves raras”. E sublinha que “poucos reconhecem a escravidão de trabalhar para um género que é, constantemente, questionado e que exige mais dedicação e zelo do que qualquer outro. Muito antes de haver verificação de factos, nós jornalistas de eventos, fomos forçados a conferir as histórias que contamos contra duas, três, ou mais fontes, devido à sensibilidade do conteúdo”.

Marlasca lamenta, então, que os directores dos “media” não contribuam para a “conservação da espécie”, ao substituir os repórteres especializados por “mão-de-obra mais barata”, esperando que o produto final não sofra. “Somos caros, veteranos e dispomos de um punhado de códigos de outros tempos, que não se encaixam bem em redacções modernas”.

Leia a peça na íntegra em Cuadernos de Periodistas


Connosco
Lei de transparência aprovada no Brasil encontra resistências Ver galeria

Os “fact-checkers” brasileiros uniram-se contra a aprovação da “Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet”.

Segundo aqueles profissionais, esta lei aumenta o poder do Senado perante os “media”, porque lhes permite distinguir, oficialmente, o que é informação do que é “fake news”

O texto estabelece, ainda, que as autoridades podem rastrear mensagens replicadas nas redes sociais.

Em entrevista ao instituto Poynter, Natália Leal, coordenadora da empresa de “fact-checking” Agência Lupa, constatou, ainda, que o documento permite ao Governo definir o que é a verificação de factos, e levantar condicionantes às suas actividades. Até porque, alguma figuras políticas, que apoiaram a aprovação da lei, consideram que o “fact-checking” não é mais do que um posicionamento ideológico.


A distribuidora Presstalis reaparece como France Messagerie Ver galeria

A Presstalis -- principal distribuidora de imprensa em França -- foi salva, depois de o Tribunal de Comércio de Paris ratificar a oferta de aquisição, apresentada pela Cooperativa de jornais diários franceses. 

A empresa, que foi rebaptizada de "France Messagerie", passará a empregar cerca de 300 pessoas, o que representa uma redução da força laboral para um terço.

"A prioridade da France Messagerie é, agora, construir relações de confiança, transparentes e duradouras com todos os actores do sector", sublinhou, num comunicado à imprensa Louis Dreyfus, Presidente da Cooperativa dos jornais diários, France Messagerie e do Conselho de Administração do Grupo Le Monde.

O “rebranding” da distribuidora é, contudo, apenas um primeiro passo, já que a empresa deverá fundir as operações com a Messageries Lyonnaises de Presse (MLP), no prazo de três anos.


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague