Segunda-feira, 17 de Fevereiro, 2020
Efeméride

... e “Correio dos Açores” festeja o centenário em Maio

A imprensa açoriana tem razões para estar em festa. Depois do “Diário dos Açores”, em Maio próximo, será a vez do semanário “Correio dos Açores”  celebrar o seu centenário, consolidando uma invejável posição de ser um dos jornais portugueses mais antigos.

 A Wikipedia elucida-nos que o semanário açoriano teve a sua génese no jornal "República", fundado em 1910 por partidários do regime republicano, com Francisco Luís Tavares à cabeça. Passados nove anos, Tavares juntou-se a José Bruno Carreiro para fundar o "Correio dos Açores", mantendo a linha editorial, que visava “patentear ao público a orientação das novas autoridades e a sua motivação perante os sucessivos problemas, derivados do evoluir nacional e internacional."

O periódico foi o órgão da imprensa açoriana que mais se empenhou na "Campanha Autonomista”, constituindo uma tribuna onde se encontravam todas as correntes de opinião. Assim, contribuiu para o Decreto Autonomista, de 16 de fevereiro de 1928, que perspectivava a descentralização de serviços na Junta Geral do Distrito Autónomo de Ponta Delgada. 

Com a ascensão do Estado Novo, a unidade e a autonomia açoriana e, através da mobilização da opinião pública, montou o Primeiro Congresso Açoriano, em 1938, para “delinear o projecto de unidade das ilhas”. 

Outro marco significativo da história do periódico foi a ocupação, em 1975,  “pelos trabalhadores, que se tornaram sócios (do jornal)”, comprado em 1976 por um grupo de personalidades em que se incluía Américo Natalino Viveiros, o actual director.


Em 2010, com a celebração dos 90 anos, o “Correio dos Açores”, preparava-se para enfrentar os desafios do futuro, apostando na versão digital do jornal, mas preservando em papel o título que“nasceu para defender a autonomia e a unidade das ilhas”.

 

Por essa altura, Natalino Viveiros lembrava que  “o aparecimento da Internet e, em particular, dos blogues, onde todos  querem ser jornalistas, começou a fazer o funeral dos jornais, mas a realidade  é que o jornalismo actual vai consolidar o seu lugar na sociedade de informação”.

 

Actualmente, o jornal dedica-se, principalmente, à reportagem sobre assuntos de interesse regional, e dá destaque às mais diversas modalidades do desporto açoriano.

 

 
Connosco
Imprensa britânica preocupada com regulação do “Ofcom” Ver galeria

A imprensa britânica teme que o controlo de conteúdos “online” pelo Ofcom constitua uma tentativa governamental de condicionar a liberdade de imprensa. O “The Daily Mail”, a título de exemplo, argumenta que a nova lei "pode levar à censura estatal".


Vários outros “media” estão, agora, em campanha para que a regulamentação do Ofcom se cinja a empresas tecnológicas, como o Facebook e o Google, e não se alargue à imprensa “online”. Os directores dos jornais receiam, igualmente, que a acção da entidade reguladora impeça a partilha de algumas das suas notícias mais “chocantes”.


A NMA -- News Media Association, organização que representa a maioria dos jornais britânicos, já expressou, igualmente, o seu desagrado face à proposta governamental e prometeu lutar pela garantia da “isenção explícita, em qualquer legislação, para editores e jornalistas", que são, afinal, mediadores da democracia.

O alastramento do coronavirus pode provocar um "infodemia" Ver galeria

As editoras científicas de todo o mundo concordaram em partilhar, de forma gratuita, informações sobre o novo coronavírus que, de outra forma, estariam escondidas atrás das “paywalls”. Assim, dados cruciais sobre a epidemia estão a ser divulgados mas, segundo a jornalista  Roxana Tabakman , não da melhor forma.

Tabakman é especializada em jornalismo científico e da saúde e, num artigo para o “Observatório da Imprensa” (associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria), teceu críticas às reportagens que têm sido publicadas sobre a doença.

Se, por um lado, há jornalismo sério que contribui para o conhecimento e para a saúde pública, por outro, existem repórteres sensacionalistas que desejam, apenas, conquistar audiências.
O jornalista científico Carlos Orsi descreveu, mesmo, a situação como um “ciclo perverso”: “a cobertura incessante  gera uma sensação de urgência e alimenta uma curiosidade do público que, na ausência de factos novos, não encontra alívio ou satisfação, mas redundância e tédio. Isso incentiva rumores que, por sua vez, justificam a reiteração redundante do que já se sabe".

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...
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O cinema e a televisão como "forma de futuro"
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