Sexta-feira, 10 de Abril, 2020
Efeméride

"Diário dos Açores" celebra século e meio de vida...

O “Diário dos Açores”,  um dos quotidianos mais antigos daquela Região Autónoma, celebra o seu 150.º aniversário, registando já no seu activo, 42 mil edições

No número especial que assinalou de século e meio a dar a conhecer os Açores aos açorianos, à diáspora e ao mundo, o jornal apresentou-se aos leitores com um depoimento de Marcelo Rebelo de Sousa. O Presidente assinalou a "longevidade invulgar" da publicação e sublinhou a importância dos jornais regionais.

O jornal foi fundado por iniciativa de Manuel Augusto Tavares de Resende, a 5 de fevereiro de 1870, representando a vanguarda da informação insular e tendo reportado, em primeira mão, muitos dos acontecimentos que marcaram a história do arquipélago. 

A criação do jornal foi influenciada pelo lançamento, cinco anos antes, do “Diário de Notícias”, e pretendeu lançar um órgão noticioso que aproximasse os micaelenses do mundo. Destacam-se, por exemplo, reportagens sobre guerra franco-prussiana, que rebentou no ano da criação do título.
Manter a periodicidade da publicação foi, particularmente, desafiante devido à escassez de anunciantes. Para angariar assinaturas, conquistar leitores, e garantir a sustentabilidade do “Diário dos Açores”, Tavares de Resende oferecia prémios regulados pela lotaria. 

A acção de Tavares de Resende insere-se na “geração de ouro açoriana”, na qual se incluem, ainda, os irmãos Ernesto e José do Canto, a criação da Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense e a fundação da Sociedade dos Amigos das Letras e Artes.

O  “Diário dos Açores” foi considerado revolucionário, à época, pela sua linha editorial irreverente e por fazer chegar a “nata lisboeta” da produção cultural território insular, ao publicando originais da Geração de 70. 

Em 1892, já depois da morte de Tavares de Resende, a direcção do jornal coube ao seu sobrinho, Manuel Resende Carreiro, que assumiu o cargo durante 47 anos. Foi durante a sua direcção que se iniciou a publicação do suplemento infantil “Miau”, em 1934, destinado a incutir hábitos de leitura nos jovens micaelenses. 

O “Diário dos Açores” colocou-se, também, na vanguarda técnica, tendo sido o primeiro jornal de São Miguel a utilizar uma máquina de composição mecânica. Em 1965 ,adquiriu a sua primeira rotativa.


De acordo com os seus editores, o jornal sobrevive devido ao respeito, preservação e divulgação do passado, assumindo-se como herdeiro de mais de um século de cultura e de identidade açorianas.

No editorial comemorativo, o director do jornal, Osvaldo Cabral, escreve que: “Faz hoje 150 anos que um pequeno grupo de entusiastas, liderados por Manuel Augusto Tavares de Resende (1849-1892), entrava ansiosamente na Tipografia de Manuel Correia Botelho, na Rua do Provedor nº 6, para imprimir, pela primeira vez, este jornal. Mantinham todos uma expectativa elevada, com o natural nervosismo de um pai que vê a primeira criança a nascer, cientes de que não tinham os mesmos recursos do “Diário de Notícias” de Lisboa, em quem se tinham inspirado quando apareceu cinco anos antes. 150 anos depois cá estamos, com as mesmas expectativas e com o mesmo entusiasmo dos nossos fundadores, mas com outros recursos e dificuldades diferentes, cumprindo a senda do sucesso que muitos almejaram nesta casa e labutaram ao longo deste século e meio”.

Noutra passagem do editorial de Osvaldo Cabral refere -se que: "
Hoje os desafios são outros. E o maior de todos é manter o “Diário dos Açores” na procura da verdade, sem ceder às modas globais do presente, onde impera muita desinformação e interesses obscuros.Se ainda há quem procure veracidade nas notícias, ela só pode ser confirmada na comunicação social de qualidade, com profissionais sérios e sob o escrutínio dos reguladores. O cenário não é igual nas redes sociais, onde é cada vez maior o número de utilizadores que consultam apenas este meio para se informarem (63% da população), sendo que a maioria não consegue distinguir as notícias verdadeiras das ‘fake news’.Toda esta permeabilidade abre uma caixa de Pandora, em muitos sectores, mas sobretudo na política, com muitos a aproveitarem-se da ausência do escrutínio, da fragilidade dos média tradicionais e da ignorância dos leitores, para mentirem à vontade e apresentarem os seus factos sem contraditório"

 

Numa fase problemática da imprensa portuguesa, caracterizada pelo definhamento de vários títulos, é consolador verificar a vitalidade deste diário açoriano, que promete continuar a honrar o passado e a prestigiar o futuro.

O Clube Português de Imprensa felicita o “Diário dos Açores” e a sua direcção na oportunidade desta importante efeméride. 

 
Consulte o editorial na íntegra em "Diário dos Açores".

 
Connosco
Associações apelam em Espanha para governo apoiar os “media” Ver galeria

Em Espanha, os “media” estão a atravessar dificuldades, espoletadas pelas quebras na publicidade e na circulação. Várias associações do sector apelaram, mesmo, ao governo, visando a elaboração de um plano de apoio.

Perante esta situação, a Associação Espanhola de Ética e Filosofia Política, solidária com a situação da imprensa no país, criou um documento de medidas que considera oportunas para a sustentabilidade do sector mediático.


Em resumo, a referida carta diz o seguinte:


“A Associação Espanhola de Ética e Filosofia Política pede ao governo que compense a perda de receitas e dos custos da manutenção de uma actividade essencial, nas actuais circunstâncias.
Semanas depois de terem sido decretadas medidas para a contenção da pandemia da COVID-19, a situação dos media é crítica.

Fundo de informação nos EUA faz doação para apoiar jornais Ver galeria

Os “media” estão a ressentir-se dos efeitos da crise, desencadeada pela epidemia de covid-19. Alguns jornais estão, mesmo, a fechar portas, devido à quebra nas receitas, que impede o pagamento de salários aos colaboradores, deixando várias comunidades sem meios de informação local.

Contudo, têm surgido várias vagasde solidariedade, por parte de entidades que consideram essencial o trabalho jornalístico, numa altura em que a população carece de notícias para se manter informada e segura.

Assim, um conjunto de associações norte-americanas doou 2,5 milhões de dólares ao Fundo de Informação Comunitária de Covid-19, sediado no Estado da Pensilvânia.

Criado pela IPMF -- Independence Public Media Foundation, em conjunto com outras fundações que apoiam os “media”,  o Fundo de Informação Comunitária de Covid-19 irá apoiar uma vasta gama jornais e de organizações comunitárias, que fornecem informações locais sobre a disseminação do vírus.

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
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