Segunda-feira, 17 de Fevereiro, 2020
Efeméride

"Diário dos Açores" celebra século e meio de vida...

O “Diário dos Açores”,  um dos quotidianos mais antigos daquela Região Autónoma, celebra o seu 150.º aniversário, registando já no seu activo, 42 mil edições

No número especial que assinalou de século e meio a dar a conhecer os Açores aos açorianos, à diáspora e ao mundo, o jornal apresentou-se aos leitores com um depoimento de Marcelo Rebelo de Sousa. O Presidente assinalou a "longevidade invulgar" da publicação e sublinhou a importância dos jornais regionais.

O jornal foi fundado por iniciativa de Manuel Augusto Tavares de Resende, a 5 de fevereiro de 1870, representando a vanguarda da informação insular e tendo reportado, em primeira mão, muitos dos acontecimentos que marcaram a história do arquipélago. 

A criação do jornal foi influenciada pelo lançamento, cinco anos antes, do “Diário de Notícias”, e pretendeu lançar um órgão noticioso que aproximasse os micaelenses do mundo. Destacam-se, por exemplo, reportagens sobre guerra franco-prussiana, que rebentou no ano da criação do título.
Manter a periodicidade da publicação foi, particularmente, desafiante devido à escassez de anunciantes. Para angariar assinaturas, conquistar leitores, e garantir a sustentabilidade do “Diário dos Açores”, Tavares de Resende oferecia prémios regulados pela lotaria. 

A acção de Tavares de Resende insere-se na “geração de ouro açoriana”, na qual se incluem, ainda, os irmãos Ernesto e José do Canto, a criação da Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense e a fundação da Sociedade dos Amigos das Letras e Artes.

O  “Diário dos Açores” foi considerado revolucionário, à época, pela sua linha editorial irreverente e por fazer chegar a “nata lisboeta” da produção cultural território insular, ao publicando originais da Geração de 70. 

Em 1892, já depois da morte de Tavares de Resende, a direcção do jornal coube ao seu sobrinho, Manuel Resende Carreiro, que assumiu o cargo durante 47 anos. Foi durante a sua direcção que se iniciou a publicação do suplemento infantil “Miau”, em 1934, destinado a incutir hábitos de leitura nos jovens micaelenses. 

O “Diário dos Açores” colocou-se, também, na vanguarda técnica, tendo sido o primeiro jornal de São Miguel a utilizar uma máquina de composição mecânica. Em 1965 ,adquiriu a sua primeira rotativa.


De acordo com os seus editores, o jornal sobrevive devido ao respeito, preservação e divulgação do passado, assumindo-se como herdeiro de mais de um século de cultura e de identidade açorianas.

No editorial comemorativo, o director do jornal, Osvaldo Cabral, escreve que: “Faz hoje 150 anos que um pequeno grupo de entusiastas, liderados por Manuel Augusto Tavares de Resende (1849-1892), entrava ansiosamente na Tipografia de Manuel Correia Botelho, na Rua do Provedor nº 6, para imprimir, pela primeira vez, este jornal. Mantinham todos uma expectativa elevada, com o natural nervosismo de um pai que vê a primeira criança a nascer, cientes de que não tinham os mesmos recursos do “Diário de Notícias” de Lisboa, em quem se tinham inspirado quando apareceu cinco anos antes. 150 anos depois cá estamos, com as mesmas expectativas e com o mesmo entusiasmo dos nossos fundadores, mas com outros recursos e dificuldades diferentes, cumprindo a senda do sucesso que muitos almejaram nesta casa e labutaram ao longo deste século e meio”.

Noutra passagem do editorial de Osvaldo Cabral refere -se que: "
Hoje os desafios são outros. E o maior de todos é manter o “Diário dos Açores” na procura da verdade, sem ceder às modas globais do presente, onde impera muita desinformação e interesses obscuros.Se ainda há quem procure veracidade nas notícias, ela só pode ser confirmada na comunicação social de qualidade, com profissionais sérios e sob o escrutínio dos reguladores. O cenário não é igual nas redes sociais, onde é cada vez maior o número de utilizadores que consultam apenas este meio para se informarem (63% da população), sendo que a maioria não consegue distinguir as notícias verdadeiras das ‘fake news’.Toda esta permeabilidade abre uma caixa de Pandora, em muitos sectores, mas sobretudo na política, com muitos a aproveitarem-se da ausência do escrutínio, da fragilidade dos média tradicionais e da ignorância dos leitores, para mentirem à vontade e apresentarem os seus factos sem contraditório"

 

Numa fase problemática da imprensa portuguesa, caracterizada pelo definhamento de vários títulos, é consolador verificar a vitalidade deste diário açoriano, que promete continuar a honrar o passado e a prestigiar o futuro.

O Clube Português de Imprensa felicita o “Diário dos Açores” e a sua direcção na oportunidade desta importante efeméride. 

 
Consulte o editorial na íntegra em "Diário dos Açores".

 
Connosco
Imprensa britânica preocupada com regulação do “Ofcom” Ver galeria

A imprensa britânica teme que o controlo de conteúdos “online” pelo Ofcom constitua uma tentativa governamental de condicionar a liberdade de imprensa. O “The Daily Mail”, a título de exemplo, argumenta que a nova lei "pode levar à censura estatal".


Vários outros “media” estão, agora, em campanha para que a regulamentação do Ofcom se cinja a empresas tecnológicas, como o Facebook e o Google, e não se alargue à imprensa “online”. Os directores dos jornais receiam, igualmente, que a acção da entidade reguladora impeça a partilha de algumas das suas notícias mais “chocantes”.


A NMA -- News Media Association, organização que representa a maioria dos jornais britânicos, já expressou, igualmente, o seu desagrado face à proposta governamental e prometeu lutar pela garantia da “isenção explícita, em qualquer legislação, para editores e jornalistas", que são, afinal, mediadores da democracia.

O alastramento do coronavirus pode provocar um "infodemia" Ver galeria

As editoras científicas de todo o mundo concordaram em partilhar, de forma gratuita, informações sobre o novo coronavírus que, de outra forma, estariam escondidas atrás das “paywalls”. Assim, dados cruciais sobre a epidemia estão a ser divulgados mas, segundo a jornalista  Roxana Tabakman , não da melhor forma.

Tabakman é especializada em jornalismo científico e da saúde e, num artigo para o “Observatório da Imprensa” (associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria), teceu críticas às reportagens que têm sido publicadas sobre a doença.

Se, por um lado, há jornalismo sério que contribui para o conhecimento e para a saúde pública, por outro, existem repórteres sensacionalistas que desejam, apenas, conquistar audiências.
O jornalista científico Carlos Orsi descreveu, mesmo, a situação como um “ciclo perverso”: “a cobertura incessante  gera uma sensação de urgência e alimenta uma curiosidade do público que, na ausência de factos novos, não encontra alívio ou satisfação, mas redundância e tédio. Isso incentiva rumores que, por sua vez, justificam a reiteração redundante do que já se sabe".

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...
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