Terça-feira, 17 de Maio, 2022
Media

“Circo mediático” afecta credibilidade do jornalismo

O exercício do jornalismo implica responsabilidade social, considera Emelina Fernandéz Soriano, académica especialista em “media”. Num artigo publicado nos “Cuardenos de Periodistas” -- editado pela APM, com a qual o CPI tem parceria-- a autora  fez referência ao tratamento informativo de acontecimentos trágicos e dolorosos,  violência masculina,  que envolvem, não poucas vezes, menores. Casos que demonstram uma tendência crescente para o sensacionalismo.

Fernandéz Soriano reitera que a veracidade e o rigor são máximas inerentes a todo o trabalho jornalístico, e que a sua realização deve procurar o equilíbrio necessário com outros direitos fundamentais, constitucionalmente protegidos. 

Enquanto foi presidente do Conselho Audiovisual da Andaluzia (CAA), entre Março de 2011 e Julho de 2019, Emelina Fernandéz Soriano diz ter verificado a deterioração progressiva  do relato de tragédias pessoais, e o abuso do sensacionalismo em detrimento do rigor, moderação e responsabilidade inerentes ao bom desempenho profissional. 


A especialista destaca a banalização da informação no tratamento da violência de género e da transmissão de estereótipos sexistas. A cobertura jornalística de noticiários de televisões privadas chegou, mesmo, a violar as leis de protecção de menores, ao transmitir informações sobre a identidade das vítimas.

Outra agravante, diz, é a extensão da espetacularização, típica dos tablóides aos espaços informativos, normalmente caracterizados por um maior rigor e pela não divulgação de notícias não confirmadas. 


Todos os códigos deontológicos e regras éticas básicas exigem rigor, precisão e veracidade no exercício da função de informar sobre assuntos de interesse geral, especialmente quando se trata de assuntos delicados e que fazem das pessoas anónimas o objecto e sujeito da informação. É nestas ocasiões que se torna necessário um exercício particularmente responsável e escrupuloso do jornalismo, que não viole os direitos das pessoas envolvidas.

Para que se garantam os valores jornalísticos, Fernández Soriano defende a criação um organismo regulador independente para o sector audiovisual em Espanha. No país, as competências em matéria de conteúdos audiovisuais são atribuídas à Comissão Nacional de Mercados e Concorrência (CNMC).A eficiência desses conselhos é relativa, pois não podem agir contra estações nacionais de rádio ou de televisão.

Aquela docente universitária diz-se, ainda, consciente da relutância que a profissão jornalística tem em relação à regulamentação, devido à desconfiança ou medo de medidas de censura. 

O jornalismo deve, então, ser protegido e o “circo mediático” evitado, apela, lembrando que a profissão está contaminada por más práticas que levam à produção de conteúdos semelhantes aos das redes sociais e aos programas de entretenimento.

Leia o artigo na íntegra em Cuaderno de Periodistas
Com ilustração de Inquistr


Connosco
Jornalistas enfrentam “período negro” com risco de vida Ver galeria

O mês de Maio tem sido negro para os jornalistas, com o assassinato de quatro mulheres  jornalistas em apenas sete dias.

Conforme apontou o “Guardian”, dois dos homicídios ocorreram no México, um dos países mais perigosos para o exercício jornalístico. As vítimas foram Yesenia Mollinedo Falconi e Sheila Johana García Olivera, do “site”  “El Veraz”.

Semanas antes da sua morte, Yesenia Mollinedo Falconi, havia recebido ameaças de morte, na sequência das suas investigações sobre crime e corrupção. Ainda assim, aquela jornalista estava confiante de que não corria perigo.

Dois dias após a morte das profissionais mexicanas, foi noticiada outra tragédia: o assassinato de Shireen Abu Akleh, uma correspondente da Al Jazeera, que acompanhava o conflito israelo-árabe há vários anos.

O Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU mostrou-se “chocado” com a morte deste profissional e exigiu, entretanto,  uma “investigação independente e transparente” sobre o sucedido.

Também a directora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, se juntou no apelo a uma “investigação completa” à morte da jornalista.

“O assassinato de uma jornalista claramente identificada, numa zona de conflito, é uma violação do direito internacional“, disse Azoulay em comunicado, pedindo uma investigação para levar “os responsáveis à justiça”.

No dia a seguir, ficou conhecido o homicídio da jornalista colombiana Francisca Sandoval, morta durante a cobertura noticiosa de uma manifestação.


“Media” polacos apostam em conteúdos em ucraniano Ver galeria

Na Polónia, várias empresas mediáticas começaram a lançar produtos noticiosos em ucraniano, como forma de responder às necessidades dos três milhões de refugiados que chegaram ao país desde o início da guerra.

Conforme apontou o “Nieman Lab”, a Agência Noticiosa Polaca (Polska Agencja Prasowa, ou PAP) foi uma das primeiras organizações a partilhar artigos em ucraniano, graças a uma equipa de cinco jornalistas, que têm vindo a dedicar-se à tradução e produção de conteúdos.

Este serviço em ucraniano foi criado em apenas uma semana, e publica artigos diários sobre a invasão da Ucrânia.

“Esta guerra mudou tudo”, disse Jaros?aw Junko, coordenador dos serviços ucraniano e russo daquela agência noticiosa. “Todos os ‘sites’ informativos polacos de renome começaram a oferecer produtos em ucraniano. Esta é uma mudança importante, e mostra que a Polónia está a respeitar os ‘vizinhos’ que chegam ao país”.

Agora, a PAP quer expandir a editoria ucraniana, passando a incluir conteúdos sobre apoio legal, e ajuda económica para refugiados.

Outra das publicações que apostou em conteúdos ucranianos foi a “Onet” que, agora, partilha dez artigos diários sobre o conflito e, ainda, sobre a adaptação à vida na Polónia.

“Fazemos o nosso melhor para sermos um guia sobre a vida neste país”, explicou Kamil Turecki, coordenador da “Onet”.

Também o Grupo RMF decidiu ajudar esta causa, lançando uma nova estação de rádio em ucraniano, com frequências nas cidades fronteiriças de Przemysl e Hrubieszow.

O Clube


Os ciberataques passaram a fazer parte da paisagem mediática portuguesa. Depois do Grupo Impresa ter sido seriamente afectado, juntamente com a Cofina, embora esta em menor grau de exposição, chegou a vez do Grupo Trust in News, que detém o antigo portfólio de revistas de Balsemão, como é o caso do semanário “Visão”.
Outras empresas foram igualmente visadas, em maior ou menor escala, desde a multinacional Vodafone aos laboratórios Germano de Sousa.
Não cabe neste espaço qualquer comentário especializado a tal respeito, mas não nos isentamos de manifestar uma profunda preocupação relativamente à continuidade - e aparente impunidade - destes actos ilegais, que estão a pôr a nu as vulnerabilidades dos sistemas e redes, tanto públicos como privados.
Recorde-se que este site do Clube Português de Imprensa já foi alvo, também, de intrusões pontuais que bloquearam a sua actualização regular, o que voltou a acontecer, embora de uma forma indirecta, como consequência da inoperacionalidade do operador de telecomunicações atingido.

Oxalá estes ataques de “hackers”, já com um carácter mais “profissional”, tenha contribuído para alertar os especialistas e as autoridades competentes em cibersegurança no sentido de adoptarem as medidas de protecção que se impõem.
As fragilidades ficaram bem à vista.

 


ver mais >
Opinião
Impressiona saber que há mais de 600 mil portugueses a lerem jornais e revistas através da plataforma WhatsApp, conforme foi revelado por um estudo recente da Netsonda, o qual, apesar da margem de erro considerada, amplia as audiências da Imprensa.Segundo o estudo, realizado num universo de 470 entrevistas online, concluiu-se que o recurso àquela plataforma “potencializa até 6,5 vezes o alcance dos jornais e revistas em Portugal, quando comparados com os...
Terrorismo Digital
José Luís Ramos Pinheiro
Os ataques digitais traduzem novas formas de terrorismo. Digitais, mas terroristas. Não são claros todos os interesses envolvidos. Nem todos os interessados. Nem a escala que estas situações têm ou podem vir a ter. Mas um ataque digital como aquele que vitimou os sites da Impresa no início do ano, é um ataque a todos nós - meios de comunicação social, empresas, instituições e cidadãos.Trata-se da liberdade...
A comunicação social e a pandemia
Francisco Sarsfield Cabral
Nos últimos dias várias pessoas me confessaram terem deixado de seguir os noticiários televisivos, por sentirem ser insuportável a quase total concentração na covid-19 de muitos desses noticiários. Admito, por isso, que a nossa comunicação social tem por vezes exagerado ao transmitir uma atitude de alarme face ao crescimento dos casos de covid-19.  É possível que os políticos tenham mais ou menos...
Entrevistar crianças de 10 anos como se fossem adultos informados e capazes de tomar decisões não me parece ser o melhor caminho para a comunicação social lidar com o tema do vírus.1 -- Deu que falar a fotografia absolutamente censurável divulgada após a detenção de João Rendeiro na África do Sul. Muitas foram as vozes que, na comunicação social, criticaram a exibição daquela imagem....
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
Agenda
19
Mai
2022 Collaborative Journalism Summit
10:00 @ Chicago, Estados Unidos
25
Jun
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor
27
Jun
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia
10
Jul
Washington Journalism and Media Conference (WJMC)
10:00 @ Universidade George Mason