Sábado, 11 de Julho, 2020
Media

“Circo mediático” afecta credibilidade do jornalismo

O exercício do jornalismo implica responsabilidade social, considera Emelina Fernandéz Soriano, académica especialista em “media”. Num artigo publicado nos “Cuardenos de Periodistas” -- editado pela APM, com a qual o CPI tem parceria-- a autora  fez referência ao tratamento informativo de acontecimentos trágicos e dolorosos,  violência masculina,  que envolvem, não poucas vezes, menores. Casos que demonstram uma tendência crescente para o sensacionalismo.

Fernandéz Soriano reitera que a veracidade e o rigor são máximas inerentes a todo o trabalho jornalístico, e que a sua realização deve procurar o equilíbrio necessário com outros direitos fundamentais, constitucionalmente protegidos. 

Enquanto foi presidente do Conselho Audiovisual da Andaluzia (CAA), entre Março de 2011 e Julho de 2019, Emelina Fernandéz Soriano diz ter verificado a deterioração progressiva  do relato de tragédias pessoais, e o abuso do sensacionalismo em detrimento do rigor, moderação e responsabilidade inerentes ao bom desempenho profissional. 


A especialista destaca a banalização da informação no tratamento da violência de género e da transmissão de estereótipos sexistas. A cobertura jornalística de noticiários de televisões privadas chegou, mesmo, a violar as leis de protecção de menores, ao transmitir informações sobre a identidade das vítimas.

Outra agravante, diz, é a extensão da espetacularização, típica dos tablóides aos espaços informativos, normalmente caracterizados por um maior rigor e pela não divulgação de notícias não confirmadas. 


Todos os códigos deontológicos e regras éticas básicas exigem rigor, precisão e veracidade no exercício da função de informar sobre assuntos de interesse geral, especialmente quando se trata de assuntos delicados e que fazem das pessoas anónimas o objecto e sujeito da informação. É nestas ocasiões que se torna necessário um exercício particularmente responsável e escrupuloso do jornalismo, que não viole os direitos das pessoas envolvidas.

Para que se garantam os valores jornalísticos, Fernández Soriano defende a criação um organismo regulador independente para o sector audiovisual em Espanha. No país, as competências em matéria de conteúdos audiovisuais são atribuídas à Comissão Nacional de Mercados e Concorrência (CNMC).A eficiência desses conselhos é relativa, pois não podem agir contra estações nacionais de rádio ou de televisão.

Aquela docente universitária diz-se, ainda, consciente da relutância que a profissão jornalística tem em relação à regulamentação, devido à desconfiança ou medo de medidas de censura. 

O jornalismo deve, então, ser protegido e o “circo mediático” evitado, apela, lembrando que a profissão está contaminada por más práticas que levam à produção de conteúdos semelhantes aos das redes sociais e aos programas de entretenimento.

Leia o artigo na íntegra em Cuaderno de Periodistas
Com ilustração de Inquistr


Connosco
Quando há códigos éticos associados ao jornalismo Ver galeria

O jornalismo está em constante mudança e, como tal, os códigos éticos associados à profissão deve ser actualizados, em permanência.


Há, contudo, alguns elementos que se vão mantendo, mais ou menos, constantes, como as ideologias associadas aos jornais.

Confrontado com este cenário, Pedro Pablo Bermúdez, um estudante colombiano de jornalismo, decidiu questionar os colaboradores da Fundación Gabo quanto à sua opinião sobre os posicionamentos políticos da imprensa e dos jornalistas.

Feita a consulta, alguns jornalistas da Fundação exprimiram os seus pontos de vista.

Assim, para a jornalista Mónica González, a isenção da imprensa é uma utopia. Assim, os jornais devem tentar ser o mais transparentes possível sobre a sua posição ideológica, para que os leitores consigam distinguir uma notícia de uma falácia construída em detrimento da oposição.

Da mesma forma, as empresas mediáticas deverão revelar quais as suas fontes de financiamento e o nome dos seus investidores.


Agradecer a assinatura como forma de sensibilizar leitores Ver galeria

O modelo de negócio dos “media” está a mudar e cada vez mais títulos estão a optar pela implementação de um plano de subscrição.

Como tal, os editores procuram, naturalmente, conquistar um número crescente de leitores, que pagam, regularmente, pelo consumo dos seus conteúdos.

Ora, um estudo da Citizens and Technology Lab sugere que a forma ideal de alcançar esse objectivo passa, simplesmente, por agradecer aos subscritores pela sua contribuição.

Os responsáveis por este estudo analisaram as interacções no “site” Wikipedia, que depende de uma comunidade internacional, disposta a manter a plataforma actualizada, a custo zero. 


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague