Segunda-feira, 17 de Fevereiro, 2020
Mundo

... E “comité” de jornalistas elabora “top 10” da censura aos “media”

A Eritreia é o país onde a censura é exercida de uma forma mais implacável, segundo  uma lista divulgada pelo CPJ - Comité para a Protecção dos Jornalistas. Essa lista integra 10 países, e é baseada numa pesquisa da organização sobre leis repressivas e vigilância de jornalistas, incluíndo restrições no acesso à internet e às redes sociais.

A lista abrange apenas os países onde o governo controla, rigidamente, os “media”. As condições para jornalistas e liberdade de imprensa em países como a Síria, Iémen e Somália são, também, extremamente difíceis, quer pela censura do governamental, quer, ainda, devido a conflitos armados. 

Nos três países onde a censura mais se faz sentir - Eritreia, Coreia do Norte e Turquemenistão – os “media” funcionam como porta-voz do Estado, e qualquer tentativa de jornalismo independente só é viável a partir do exterior. Os poucos jornalistas estrangeiros autorizados a entrar nesses países são seguidos, de perto, pelas autoridades. Outros usam uma combinação de medidas contundentes, como assédio e detenção arbitrária, bem como vigilância sofisticada. A Arábia Saudita, China, Vietname e Irão são especialmente adeptos destes comportamentos. 

Segue-se a lista dos “10 mais” em matéria de censura aos “media”:


1. Eritreia

O governo fechou todos os meios de comunicação independentes, em 2001. O Estado mantém o monopólio legal das rádios, e os jornalistas seguem a linha editorial definida pelo governo, com medo de represálias. Fontes alternativas de informação são restringidas, devido a congestionamentos de sinal e à má qualidade da rede. 

A penetração da internet é extremamente baixa,  com pouco mais de 1% da população a ter acesso a conteúdo “online”. Os utilizadores são forçados a visitar os cibercafés, onde são facilmente controlados. 

Com a abertura da fronteira com a Etiópia, em meados de 2018, alguns jornalistas estrangeiros receberam acreditação especial para visitar a Eritreia, mas o acesso foi rigorosamente controlado.

A Eritreia é o país da África Subsaariana que efectuou um maior conjunto de detenções de jornalistas.

2. Coreia do Norte

O artigo 67 da Constituição do país exige liberdade de imprensa, mas quase todo o conteúdo dos “media” é produzido na Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA), que se concentra nas declarações e actividades da liderança política.

O acesso à internet global é restrito à elite política. Os sinais de televisão e rádio estrangeiros e os DVDs estrangeiros pirateados são as principais fontes de informação independente. 

Desde que Kim Jong Un assumiu o poder, as autoridades intensificaram o uso de bloqueadores de sinais de rádio, para evitar que os cidadãos compartilhem informações.

 

3. Turquemenistão

O Presidente tem o controlo absoluto sobre todas as esferas da vida no Turquemenistão, incluindo os “media”, usando-os para promover o culto de  personalidade. 

O regime reprime vozes independentes e prende jornalistas, forçando os profissionais a fugir do país. 

A imprensa é propriedade exclusiva do governo. Apenas cerca de 21% da população tem acesso à internet. O regime bloqueia publicações “online” e o acesso aos meios estrangeiros é raro.


4. Arábia Saudita

Leis antiterrorismo dão rédea solta às autoridades para prender jornalistas que se afastem da narrativa governamental. Só na primeira metade de 2019, as autoridades sauditas prenderam, pelo menos, nove jornalistas.  Destes, pelo menos quatro, foram torturados. 

Segundo um regulamento de 2011, sites, blogs e qualquer cidadão que escreva notícias ou comentários online, deve obter uma licença do Ministério da Cultura e Informação. 

As autoridades utilizam tecnologia de vigilância para suprimir a cobertura e o debate de tópicos sensíveis, incluindo a guerra no Iémen.


5. China

A China tem o aparelho de censura mais sofisticado do mundo. Tanto a imprensa privada quanto a estatal estão sob a supervisão das autoridades, e aqueles que não seguem as diretrizes do Partido Comunista Chinês são suspensos ou punidos.

Desde 2017, nenhum site ou rede social estão autorizados a fornecer serviços de notícias na Internet, sem a permissão da Administração do Ciberespaço da China. 

As autoridades monitorizam as redes sociais, usando programas de vigilância e  censores treinados. Plataformas como o Twitter, Facebook e YouTube são proibidas.

6.  Vietname 

O governo controla todos os “media” impressos e de audiovisual no Vietname. Um conjunto de leis e decretos repressivos castigam, drasticamente, qualquer crítica às políticas e desempenho estatal.

 A Lei de Imprensa, de 2016, estabelece que os “media” devem servir como a voz do partido comunista, das organizações partidárias e das agências estatais. A censura é aplicada através de directivas governamentais enviadas aos editores de jornais, rádio e TV, indicando quais os tópicos que devem ser omitidos. Os temas censurados incluem os direitos humanos e as actividades dos dissidentes políticos.

Os jornalistas estrangeiros, que viajam com vistos, são obrigados a contratar um guia oficial que os acompanhe.

7. Irão 

O governo iraniano prende jornalistas, bloqueia “websites” e mantém um clima de medo, inclusive, junto das famílias dos jornalistas. As autoridades impõem duras penas de prisão a quem não obedeça à ordem estabelecida e todos os jornalistas devem estar munidos de credenciais oficiais, que são, regularmente, suspensas ou revogadas. 

As agências estrangeiras são permitidas, mas trabalham sob intenso escrutínio. 

O panorama iraniano, parece, contudo, estar a mudar.Recentemente, três jornalistas, funcionários da emissora estatal, demitiram-se por considerarem que não desempenhavam a função de forma fidedigna, ao transmitir mensagem falaciosas do governo aos cidadãos.


8. Guiné Equatorial

As emissoras locais e internacionais foram proibidas de cobrir certos assuntos considerados lesivos da  imagem do país. Embora existam jornais privados, os jornalistas trabalham sob frequentes pressões e ameaças. Os “sites” de notícias estrangeiras e a oposição política são, regularmente, bloqueados.

A Lei de Imprensa, Televisão e Audiovisual restringe a actividade jornalística, e permite a censura oficial de pré-publicação.


9. Bielorrússia

As autoridades bielorrussas exercem um controlo, quase absoluto, sobre a imprensa e, os poucos jornalistas independentes, enfrentam assédio e o risco de detenções. 

O Estado ataca, sistematicamente, os “media”, detém jornalistas e invade redacções.

O governo supervisiona os fornecedores de serviços de internet e estabelece padrões de segurança da informação.


10. Cuba

Apesar de alguma melhoria registada nos últimos anos, incluindo o acesso à rede Wi-Fi - Cuba é ainda um dos países com mais restrições da imprensa da América. 

Os “media” impressos e os audiovisuais são totalmente controlados pelo Estado comunista, de partido único e, por lei, devem estar "de acordo com os objectivos da sociedade socialista". 

O governo persegue jornalistas que se mostrem independentes, através vigilância presencial e “online”, buscas domiciliárias e apreensão de equipamentos. 

A cobertura de desastres naturais é um dos pontos críticos: as autoridades detiveram vários jornalistas que reportavam as consequências dos furacões, em Outubro de 2016 e Setembro de 2017.

Os vistos pedidos por jornalistas estrangeiros são concedidos selectivamente.


Consulte o texto original em CPJ
Connosco
Imprensa britânica preocupada com regulação do “Ofcom” Ver galeria

A imprensa britânica teme que o controlo de conteúdos “online” pelo Ofcom constitua uma tentativa governamental de condicionar a liberdade de imprensa. O “The Daily Mail”, a título de exemplo, argumenta que a nova lei "pode levar à censura estatal".


Vários outros “media” estão, agora, em campanha para que a regulamentação do Ofcom se cinja a empresas tecnológicas, como o Facebook e o Google, e não se alargue à imprensa “online”. Os directores dos jornais receiam, igualmente, que a acção da entidade reguladora impeça a partilha de algumas das suas notícias mais “chocantes”.


A NMA -- News Media Association, organização que representa a maioria dos jornais britânicos, já expressou, igualmente, o seu desagrado face à proposta governamental e prometeu lutar pela garantia da “isenção explícita, em qualquer legislação, para editores e jornalistas", que são, afinal, mediadores da democracia.

O alastramento do coronavirus pode provocar um "infodemia" Ver galeria

As editoras científicas de todo o mundo concordaram em partilhar, de forma gratuita, informações sobre o novo coronavírus que, de outra forma, estariam escondidas atrás das “paywalls”. Assim, dados cruciais sobre a epidemia estão a ser divulgados mas, segundo a jornalista  Roxana Tabakman , não da melhor forma.

Tabakman é especializada em jornalismo científico e da saúde e, num artigo para o “Observatório da Imprensa” (associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria), teceu críticas às reportagens que têm sido publicadas sobre a doença.

Se, por um lado, há jornalismo sério que contribui para o conhecimento e para a saúde pública, por outro, existem repórteres sensacionalistas que desejam, apenas, conquistar audiências.
O jornalista científico Carlos Orsi descreveu, mesmo, a situação como um “ciclo perverso”: “a cobertura incessante  gera uma sensação de urgência e alimenta uma curiosidade do público que, na ausência de factos novos, não encontra alívio ou satisfação, mas redundância e tédio. Isso incentiva rumores que, por sua vez, justificam a reiteração redundante do que já se sabe".

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...
Agenda
11
Mar
O cinema e a televisão como "forma de futuro"
15:00 @ Universidade Lusófona
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona