null, 27 de Setembro, 2020
Colectânea

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

Apesar da crise económica global, não se pode reduzir a crise dos meios de comunicação social espanhóis a uma questão meramente económica. O salto tecnológico da última década alterou os hábitos de consumo de informação e de entretenimento dos espanhóis.

 

Os professores C.W. Anderson, Emily Bell e Clay Shirky avisaram que "já não existe tal coisa como uma indústria da informação”, uma vez que os elementos que serviam para definir o sector tinham desaparecido. Tudo tinha mudado, principalmente aos messias que deixaram de ser apenas “audiências”.

 

Para combater a crise, a maioria das empresas espanholas recorreu a um método drástico para reduzir os custos: o despedimento de um grande número de jornalistas.

 

Durante a primeira fase da crise - 2008 a 2014 - os jornalistas espanhóis criaram cerca de 454 meios de comunicação, segundo um censo realizado pela Associação de Imprensa de Madrid (APM). Muitas destas empresas foram apenas uma tentativa e a maioria não sobreviveu.

 

Contudo, existem meios de comunicação que procuraram dar resposta aos novos desafios informativos e conseguiram desenvolver um modelo de negócio diferente do comum jornal digital.

 

O desenvolvimento tecnológico, as mudanças legais, as alterações de padrões de consumo e do comportamento dos cidadãos devido ao aparecimento das redes sociais, deram origem a novos desafios aos quais os profissionais tentaram dar resposta através do desenvolvimento de diferentes modelos jornalísticos.

 

Dos modelos que surgiram destacam-se a verificação das informações, o uso de mecanismos de transparência, a contextualização das informações, o jornalismo de dados e a visualização.

 

A verificação da informação surge como resposta a um fenómeno de grande impacto a nível social: a desinformação. Com o aumento exponencial de entidades interessadas em distribuir conteúdos facciosos e com o enorme volume de informação que circula nas redes, surgiu a necessidade haver uma maior dedicação à verificação de informação. Assim começam a surgir os “fact checking”.

 

Segundo a co-fundadora da Maldita (site pioneiro de verificação), Clara Jiménez, "uma coisa é o que os jornalistas pensam que as pessoas estão interessadas e outra é o que as pessoas estão realmente interessadas; o que eles pensam que os espanhóis falam, e o que eles realmente falam".

 

Para os responsáveis do site de verificação, existe uma ferramenta muito útil: as comunidades. "É preciso formar comunidades que queiram entrar no buraco que é agora o Whatsapp e, a partir de dentro, negar as fraudes e tentar evitar que estas se tornem virais", disse Julio Montes num Laboratório de Jornalismo da APM dedicado à comunicação política e à desinformação.

 

Maldita.es não é o único exemplo de um projecto de verificação promovido por jornalistas. Em Barcelona, no passado mês de Abril, nasceu a Verificat, um projecto em que um grupo de jornalistas se associou ao Preceito- empresa de tecnologia que criou as plataformas YouCheck (para conectar jornalistas e especialistas) e MemeCheck (para verificar memórias que circulam nas redes) -  e ao StoryData - dedicada ao jornalismo de dados.

 

Segundo Eli Vivas, da StoryData, "o trabalho de verificação pode ser realizado pelos  media. O problema está no facto de que, muitas vezes,  estão associados a correntes políticas ou ideológicas específicas, o que vai contra a neutralidade necessária para realizar este trabalho, o que é mais fácil a partir de projetos independentes".

 

Existem outros projectos de informação, cujo objectivo é proporcionar aos cidadãos mais informações sobre situações do quotidiano. Contudo, esses projectos são mais difíceis de classificar de acordo com os padrões clássicos do jornalismo, tal como a Fundación Ciudadana Civio que se enquadra entre o jornalismo e o activismo.

 

Civio define-se como uma organização independente, sem fins lucrativos, que vigia as autoridades públicas e informa todos os cidadãos com o objectivo de atingir uma transparência real e efetiva nas instituições. Estes sites têm o propósito de contextualizar a informação e distribuir a mesma. Alguns recorrem a aplicações ou bots que realizam a análise diária de determinados conteúdos.

 

Datadista é outra iniciativa com uma abordagem de transparência, que desenvolveu várias peças que começaram em 2016 sob o título Cuadernos de la Corrupción. Segundo a definição dos responsáveis pela plataforma, o objetivo era criar "um jornalismo baseado na investigação, análise e explicação da realidade que nos rodeia", através de dados e narrativas que nos permitam sair do ruído da abundância de informação.

 

Outro exemplo de modelo alternativo é a revista 5W, que tenta substituir o ruído pela música, como referem no seu site, e para isso criaram uma "revista internacional de fotografia e crónicas com um compromisso radical com a profundidade, narração, explicação, imagem e som".

 

5W consiste numa página web, na qual se fornece parte da informação e numa revista anual, com o mesmo título, em papel, com capa dura e mais de 200 páginas, que é, de passagem, uma das fontes de financiamento do projecto.

 

Os temas tratados na 5W reflectem a sua abordagem editorial, dedicada à informação internacional, como em "A luta curda pela sobrevivência", "Argélia: o início de uma nova era sem Buteflika", "Salte para o vazio e continue a caminhar", sobre as caravanas de migrantes da América Central ao norte, ou "Os mortos que me habitam", que reflecte o drama dos naufrágios no Mediterrâneo e recebeu o Prémio Ortega y Gasset 2019 de melhor reportagem ou investigação jornalística.

 

O elemento inicial que definia o projecto era o fotojornalismo, depois foi-se alargando e, actualmente, os temas da revista estão disponíveis em audio e podcast, vídeo, gráficos, animação.

 

Há ainda lugar para outras plataformas que se dedicam ao debate de informações politicas, como é o caso do Polibot, que começou como uma experiência pouco antes das Eleições Gerais de 2016, com o objetivo de cobrir a campanha eleitoral.

 

A ideia foi promovida por um grupo de profissionais, incluindo jornalistas, cientistas políticos, developers e designers gráficos, e procurava fornecer informações sobre questões políticas, económicas e sociais específicas através um aplicativo móvel no qual o utilizador escolhia os aspectos que mais lhe interessavam.

 

A informação no Politibot assume muitas formas: textos informativos, dados, gráficos, links para artigos relacionados com os temas propostos. A equipa Politibot está a trabalhar numa segunda fase do projecto.

 

 

Esta lista de "novos modelos jornalísticos" também apresenta alguns modelos mais clássicos, como o jornalismo de dados. As primeiras iniciativas surgiram há cerca de 7 ou 8 anos, com a criação do grupo de trabalho de jornalismo de dados no MediaLab Prado em Madrid ou com a organização dos First Data Journalism e Open Data Days em Barcelona e Madrid.

 

Posteriormente, as informações jornalísticas desenvolvidas a partir do conteúdo das bases de dados transformaram-se em projetos concretos. Mesmo os meios de comunicação social como o El País ou o El Confidencial foram equipados com unidades de jornalismo de dados.

 

Uma revisão das fontes de financiamento dos diferentes projetos independentes, consultados para o artigo, mostra que os projetos de verificação, transparência e contextualização são inovadores, não só em conteúdo, mas também em termos de financiamento. 

 

Ao contrário do sector dos meios de comunicação social tradicionais, que está maioritariamente dependente de publicidade e de vendas para se financiar, estes projectos optam por financiamentos diversos, nos quais existem frequentemente patrocinadores, acordos de colaboração, crowdfundings, ajuda de instituições, entre outros.

 

O facto de serem pequenas organizações confere a estes projectos uma maior capacidade de adaptação às circunstâncias, mas também mais susceptíveis face às mudanças no ambiente. 

 

O certo que a busca por novos modelos de negócio para o jornalismo continua.

 
Mais informação em Cuadernos de Periodistas.

Apesar da crise económica global, não se pode reduzir a crise dos meios de comunicação social espanhóis a uma questão meramente económica. O salto tecnológico da última década alterou os hábitos de consumo de informação e de entretenimento dos espanhóis.

 

Os professores C.W. Anderson, Emily Bell e Clay Shirky avisaram que "já não existe tal coisa como uma indústria da informação”, uma vez que os elementos que serviam para definir o sector tinham desaparecido. Tudo tinha mudado, principalmente aos messias que deixaram de ser apenas “audiências”.

 

Para combater a crise, a maioria das empresas espanholas recorreu a um método drástico para reduzir os custos: o despedimento de um grande número de jornalistas.

 

Durante a primeira fase da crise - 2008 a 2014 - os jornalistas espanhóis criaram cerca de 454 meios de comunicação, segundo um censo realizado pela Associação de Imprensa de Madrid (APM). Muitas destas empresas foram apenas uma tentativa e a maioria não sobreviveu.

 

Contudo, existem meios de comunicação que procuraram dar resposta aos novos desafios informativos e conseguiram desenvolver um modelo de negócio diferente do comum jornal digital.

 

O desenvolvimento tecnológico, as mudanças legais, as alterações de padrões de consumo e do comportamento dos cidadãos devido ao aparecimento das redes sociais, deram origem a novos desafios aos quais os profissionais tentaram dar resposta através do desenvolvimento de diferentes modelos jornalísticos.

 

Dos modelos que surgiram destacam-se a verificação das informações, o uso de mecanismos de transparência, a contextualização das informações, o jornalismo de dados e a visualização.

 

A verificação da informação surge como resposta a um fenómeno de grande impacto a nível social: a desinformação. Com o aumento exponencial de entidades interessadas em distribuir conteúdos facciosos e com o enorme volume de informação que circula nas redes, surgiu a necessidade haver uma maior dedicação à verificação de informação. Assim começam a surgir os “fact checking”.

 

Segundo a co-fundadora da Maldita (site pioneiro de verificação), Clara Jiménez, "uma coisa é o que os jornalistas pensam que as pessoas estão interessadas e outra é o que as pessoas estão realmente interessadas; o que eles pensam que os espanhóis falam, e o que eles realmente falam".

 

Para os responsáveis do site de verificação, existe uma ferramenta muito útil: as comunidades. "É preciso formar comunidades que queiram entrar no buraco que é agora o Whatsapp e, a partir de dentro, negar as fraudes e tentar evitar que estas se tornem virais", disse Julio Montes num Laboratório de Jornalismo da APM dedicado à comunicação política e à desinformação.

 

Maldita.es não é o único exemplo de um projecto de verificação promovido por jornalistas. Em Barcelona, no passado mês de Abril, nasceu a Verificat, um projecto em que um grupo de jornalistas se associou ao Preceito- empresa de tecnologia que criou as plataformas YouCheck (para conectar jornalistas e especialistas) e MemeCheck (para verificar memórias que circulam nas redes) -  e ao StoryData - dedicada ao jornalismo de dados.

 

Segundo Eli Vivas, da StoryData, "o trabalho de verificação pode ser realizado pelos  media. O problema está no facto de que, muitas vezes,  estão associados a correntes políticas ou ideológicas específicas, o que vai contra a neutralidade necessária para realizar este trabalho, o que é mais fácil a partir de projetos independentes".

 

Existem outros projectos de informação, cujo objectivo é proporcionar aos cidadãos mais informações sobre situações do quotidiano. Contudo, esses projectos são mais difíceis de classificar de acordo com os padrões clássicos do jornalismo, tal como a Fundación Ciudadana Civio que se enquadra entre o jornalismo e o activismo.

 

Civio define-se como uma organização independente, sem fins lucrativos, que vigia as autoridades públicas e informa todos os cidadãos com o objectivo de atingir uma transparência real e efetiva nas instituições. Estes sites têm o propósito de contextualizar a informação e distribuir a mesma. Alguns recorrem a aplicações ou bots que realizam a análise diária de determinados conteúdos.

 

Datadista é outra iniciativa com uma abordagem de transparência, que desenvolveu várias peças que começaram em 2016 sob o título Cuadernos de la Corrupción. Segundo a definição dos responsáveis pela plataforma, o objetivo era criar "um jornalismo baseado na investigação, análise e explicação da realidade que nos rodeia", através de dados e narrativas que nos permitam sair do ruído da abundância de informação.

 

Outro exemplo de modelo alternativo é a revista 5W, que tenta substituir o ruído pela música, como referem no seu site, e para isso criaram uma "revista internacional de fotografia e crónicas com um compromisso radical com a profundidade, narração, explicação, imagem e som".

 

5W consiste numa página web, na qual se fornece parte da informação e numa revista anual, com o mesmo título, em papel, com capa dura e mais de 200 páginas, que é, de passagem, uma das fontes de financiamento do projecto.

 

Os temas tratados na 5W reflectem a sua abordagem editorial, dedicada à informação internacional, como em "A luta curda pela sobrevivência", "Argélia: o início de uma nova era sem Buteflika", "Salte para o vazio e continue a caminhar", sobre as caravanas de migrantes da América Central ao norte, ou "Os mortos que me habitam", que reflecte o drama dos naufrágios no Mediterrâneo e recebeu o Prémio Ortega y Gasset 2019 de melhor reportagem ou investigação jornalística.

 

O elemento inicial que definia o projecto era o fotojornalismo, depois foi-se alargando e, actualmente, os temas da revista estão disponíveis em audio e podcast, vídeo, gráficos, animação.

 

Há ainda lugar para outras plataformas que se dedicam ao debate de informações politicas, como é o caso do Polibot, que começou como uma experiência pouco antes das Eleições Gerais de 2016, com o objetivo de cobrir a campanha eleitoral.

 

A ideia foi promovida por um grupo de profissionais, incluindo jornalistas, cientistas políticos, developers e designers gráficos, e procurava fornecer informações sobre questões políticas, económicas e sociais específicas através um aplicativo móvel no qual o utilizador escolhia os aspectos que mais lhe interessavam.

 

A informação no Politibot assume muitas formas: textos informativos, dados, gráficos, links para artigos relacionados com os temas propostos. A equipa Politibot está a trabalhar numa segunda fase do projecto.

 

 

Esta lista de "novos modelos jornalísticos" também apresenta alguns modelos mais clássicos, como o jornalismo de dados. As primeiras iniciativas surgiram há cerca de 7 ou 8 anos, com a criação do grupo de trabalho de jornalismo de dados no MediaLab Prado em Madrid ou com a organização dos First Data Journalism e Open Data Days em Barcelona e Madrid.

 

Posteriormente, as informações jornalísticas desenvolvidas a partir do conteúdo das bases de dados transformaram-se em projetos concretos. Mesmo os meios de comunicação social como o El País ou o El Confidencial foram equipados com unidades de jornalismo de dados.

 

Uma revisão das fontes de financiamento dos diferentes projetos independentes, consultados para o artigo, mostra que os projetos de verificação, transparência e contextualização são inovadores, não só em conteúdo, mas também em termos de financiamento. 

 

Ao contrário do sector dos meios de comunicação social tradicionais, que está maioritariamente dependente de publicidade e de vendas para se financiar, estes projectos optam por financiamentos diversos, nos quais existem frequentemente patrocinadores, acordos de colaboração, crowdfundings, ajuda de instituições, entre outros.

 

O facto de serem pequenas organizações confere a estes projectos uma maior capacidade de adaptação às circunstâncias, mas também mais susceptíveis face às mudanças no ambiente. 

 

O certo que a busca por novos modelos de negócio para o jornalismo continua.

 
Mais informação em Cuadernos de Periodistas.

Connosco
“Media” franceses publicam carta de apoio ao “Charlie Hebdo” Ver galeria

Cerca de uma centena de “media” franceses publicaram uma carta aberta de apoio à revista “Charlie Hebdo”, em resposta a um apelo do director da publicação, Riss. Aliás, as antigas instalações da revista voltaram a testemunhar a violência: em 25 de Setembro, quatro pessoas ficaram feridas, naquele local, noutro ataque desta vez com arma branca.

Em declarações à agência de notícias France-Presse, Riss afirmou que a revista satírica francesa tinha sido “mais uma vez ameaçada por organizações terroristas”, em pleno julgamento dos atentados de Janeiro de 2015, visando, igualmente, “todos os meios de comunicação e, mesmo, o Presidente”.

“Achámos necessário sugerir aos ‘media’ que pensassem na resposta colectiva que merecia ser dada a esta situação”, explicou.

Na carta aberta, intitulada “Juntos, vamos defender a liberdade”, os órgãos de comunicação social apelaram, então,  à defesa da imprensa.  “Hoje, em 2020, alguns de vós estão a receber ameaças de morte nas redes sociais quando expõem opiniões. Os meios de comunicação social são, abertamente, visados por organizações terroristas internacionais. Os Estados exercem pressões sobre os jornalistas franceses [considerados] ‘culpados’ de publicarem artigos críticos”, pode ler-se no documento.


Liberdade de imprensa em Hong Kong continua a deteriorar-se Ver galeria

As autoridades de Hong Kong estão a apertar  as restrições à liberdade de imprensa, tendo anunciado que vão deixar de aceitar determinadas acreditações jornalísticas.

Assim, só serão aceites acreditações fornecidas por organizações noticiosas registadas no sistema de informação governamental. Desta forma, as centenas de  jornalistas membros daHong Kong Journalists Association (HKJA) e da Hong Kong Press Photographers Association (HKPPA) não poderão comparecer a conferências de imprensa. 

Entretanto, a  HKJA, a HKPPA, e cinco outros sindicatos, exigiram que a nova política fosse retirada. "A emenda permite às autoridades decidirem quem é considerado repórter, o que altera, fundamentalmente, o sistema existente em Hong Kong.  (...) Isto condicionará, gravemente, a liberdade de imprensa, conduzindo a cidade a um regime autoritário".

Numa carta remetida ao Hong Kong Foreign Correspondents Club , um superintendente da polícia, Kwok Ka-chuen,  tentou justificar a aplicação da emenda, afirmando que as manifestações da região semi-autónoma "atraem, frequentemente centenas de repórteres, que participam em protestos, e que agridem a polícia”.  "Isto sobrecarrega a aplicação da lei”.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



ver mais >
Opinião
Jornalistas: nem heróis nem vilões
Francisco Sarsfield Cabral
No  jornal “Público” de sábado,  J. Pacheco Pereira elogiou Vicente Jorge Silva porque “fez uma coisa rara entre nós – fez obra. Não tanto como jornalista, mas como criador no terreno da comunicação social”. E destacou o papel do jornal madeirense “Comércio do Funchal”, que, apesar da censura, conseguiu criticar o regime então vigente. Até ao 25 de Abril este jornal logrou,...
Uma crise sem precedentes
Dinis de Abreu
No meio de transferências milionárias, ao jeito do futebol de alta competição, em que se envolveram dois operadores privados de televisão, a paisagem mediática portuguesa, em vésperas da primeira  “silly season” da “nova normalidade”, está longe de respirar saúde e desafogo. Se a Imprensa regional e local vive em permanente ansiedade, devido ao sufoco financeiro que espartilha a maioria dos seus...
De acordo com Carlos Camponez , o «jornalismo de proximidade», porque realmente está mais próximo dos leitores da comunidade onde se integra, pode desempenhar um papel fundamental, «assumindo uma perspetiva de compromisso no incentivo à vida pública». Neste contexto, aquele investigador aponta para a ideia da criação de uma agenda do cidadão, o que, por sua vez, «obriga a que os media invistam em técnicas...
Uma certeza que nasceu nos últimos meses é a facilidade com que as pessoas mudam de hábitos. Em consequência o comportamento face ao consumo de conteúdos está a modificar-se cada vez de forma mais rápida e os mais novos são claramente os que com maior facilidade adoptam novidades. Durante o confinamento e a explosão de uso da internet houve uma aplicação que ganhou destaque em todo o mundo – o Tik Tok. Trata-se...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo