Segunda-feira, 24 de Fevereiro, 2020
Media

O financiamento do jornalismo e as contrapartidas dos investidores

O modelo de receitas da indústria jornalística  está a mudar.. Se os jornais costumavam lucrar com publicidade e assinaturas, agora sobrevivem , em não poucos casos, com a ajuda de fundações que se interessam pelo  jornalismo.

Esta nova forma de apoio pode garantir a diversidade da imprensa, mas levanta questões éticas, visto que, para manterem o financiamento, os jornais devem sujeitar-se a escrever sobre temas  do interesse dos investidores. Não há almoços grátis…

Os jornalistas perdem a liberdade de escolha e passam a desempenhar funções normalmente atribuídas a agentes de publicidade ou de relações públicas.

O Columbia Journalism Review analisou um estudo publicado na revista  académica “Media and Communication “ e fez o levantamento de entrevistas a jornalistas e a fundações para tentar apurar a influência exercida no conteúdo noticioso, e as diferentes percepções dos agentes. 


Segundo o estudo, a maioria das fundações investe na expectativa de que os jornalistas usem novos produtos tecnológicos. O problema é que a tecnologia é considerada “novidade” por um período reduzido, o que os obriga a manterem-se competitivos. 

"Tudo o que as fundações querem é relatar o quão interessantes são  os dispositivos . Se eu quiser manter o financiamento da fundação, tenho que reinventar a minha premissa anualmente”, garante um jornalista. 

Outro dos grandes objectivos das fundações é conseguir o envolvimento da audiência, o que significa que os jornalistas têm de usar, frequentemente, as redes sociais para partilhar e promover os  conteúdos.

 Muitos dos redactores entrevistados são cépticos relativamente a estas iniciativas, pois consideram que os capitais deveriam ser mobilizados para o financiamento de reportagens reais e não para aquilo que se assemelha a “branded content”, ou conteúdo patrocinado. 

Um dos participantes, a título de exemplo, referiu que o subsídio da fundação para sua redação veio com uma directriz para descrever, explicitamente,  ao público como a organização gastou os fundos - em artigos de notícias, testemunhos publicados no site da fundação, ou, mais comumente, em apresentações em conferências e eventos da indústria.

O cepticismo dos jornalistas, não é, porém, partilhado pelos investidores. As fundações consideram que desejam , apenas, salvar o jornalismo, e que pretendem partilhar as conquistas alcançadas. 

A imprensa financiada enfrenta, entretanto, vários desafios colocados por uma dinâmica de poder distorcida, entre aqueles que precisam de ajuda institucional e aqueles que  usam essa assistência para encontrar soluções industriais.


Connosco
Faleceu Vasco Pulido Valente cronista singular de imprensa Ver galeria

Faleceu o historiador, escritor, ensaísta e  cronista de imprensa, enquanto comentador político, Vasco Pulido Valente. A informação foi confirmada ao jornal “Público” e ao “Observador” por fonte familiar. 

 Vasco Pulido Valente, distinguiu-se como colunista com textos repartidos por vários jornais, e pela acidez irónica que cultivava nos seus comentários, invariavelmente cáusticos e certeiros em relação a não poucos actores do espaço político-partidário.

 O nome que o tornou célebre (e temido), era o pseudónimo de Vasco Valente Correia Guedes, que nasceu em Lisboa a 21 de Novembro de 1941. Licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa e tirou um doutoramento em História pela Universidade de Oxford. No final da década de 60, uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian permitiu-lhe estudar em Inglaterra, onde se doutorou, sendo um devoto de uma certa cultura académica, típica de Oxford.


Guia para um discurso jornalístico simplificado... Ver galeria

As “hard news” podem tornar-se pouco atractivas para os leitores, devido à linguagem formal e à utilização de conceitos desconhecidos pela maioria do “comum dos mortais”. 

Por muito que os jornalistas se esforcem para fazer passar a mensagem de forma clara, muitas vezes trabalham em “contra-relógio”, o que torna difícil a tarefa de escrever de maneira apelativa. Foi a pensar nesses profissionais que a jornalista Roy Peter Clark elaborou um pequeno guia, publicado na revista “Poynter”. 

Para a autora, o mais importante é escrever como quem conversa com um amigo num bar. É crucial utilizar linguagem simplificada, dar exemplos e explicar conceitos. Assim, poderá ser útil falar sobre o conteúdo, ainda que em monólogo, e só depois escrevê-lo.

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...