Segunda-feira, 17 de Fevereiro, 2020
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O "fact-checking" como modelo para contrariar a desinformação

Os governos estão cada vez mais cientes dos perigos da desinformação e a indústria do "fact-checking"  está em progressivo crescimento. Com a chegada do novo ano, esperam-se novas fórmulas de manipulação e propaganda, mas, igualmente, mais medidas de combate às notícias falsas.  Os regimes autoritários mostram-se, no entanto, implacáveis e exercem restrições à liberdade de imprensa.

Especialistas da escola Poynter Institute for Media Studies reuniram um conjunto de medidas que podem ser as próximas a ser adoptadas para contrariar as "fake news".

No final de 2019, a Tailândia e a Índia lançaram plataformas contra notícias falsas e Singapura aprovou uma Lei de Protecção contra Falsidades e Manipulação Online. Há um número crescente de países a seguir o exemplo. Os especialistas alegam, contudo, que as acções legislativas podem não visar o fim da desinformação, mas, pelo contrário, o reforço da influência estatal na imprensa. De facto, até agora, nenhuma medida provou ser suficientemente eficaz na redução dos níveis de desinformação.


Da mesma forma, os autores defendem que é provável que a aliança entre a imprensa e empresas de tecnologia se fortaleça. Multinacionais, como o Facebook, estão muito dependentes dos esforços das organizações de verificação de factos para erradicar a desinformação nas suas plataformas.

De acordo com esta análise, mais empresas vão tentar igualar ou superar o esforço do Facebook. A TikTok, por exemplo, anunciou a proibição da distribuição de desinformação sobre eleições ou outros processos cívicos. 

É então natural que, com o progressivo interesse pela verificação de factos, o "fact-checking" se converta numa indústria. Grande parte do esforço para combater a desinformação tem sido alojado em organizações sem fins lucrativos e no meio académico, mas este ano, novas entidades devem aliar-se no projecto para evitar a desinformação, recorrendo, inclusive, à inteligência artificial. 

Connosco
Imprensa britânica preocupada com regulação do “Ofcom” Ver galeria

A imprensa britânica teme que o controlo de conteúdos “online” pelo Ofcom constitua uma tentativa governamental de condicionar a liberdade de imprensa. O “The Daily Mail”, a título de exemplo, argumenta que a nova lei "pode levar à censura estatal".


Vários outros “media” estão, agora, em campanha para que a regulamentação do Ofcom se cinja a empresas tecnológicas, como o Facebook e o Google, e não se alargue à imprensa “online”. Os directores dos jornais receiam, igualmente, que a acção da entidade reguladora impeça a partilha de algumas das suas notícias mais “chocantes”.


A NMA -- News Media Association, organização que representa a maioria dos jornais britânicos, já expressou, igualmente, o seu desagrado face à proposta governamental e prometeu lutar pela garantia da “isenção explícita, em qualquer legislação, para editores e jornalistas", que são, afinal, mediadores da democracia.

O alastramento do coronavirus pode provocar um "infodemia" Ver galeria

As editoras científicas de todo o mundo concordaram em partilhar, de forma gratuita, informações sobre o novo coronavírus que, de outra forma, estariam escondidas atrás das “paywalls”. Assim, dados cruciais sobre a epidemia estão a ser divulgados mas, segundo a jornalista  Roxana Tabakman , não da melhor forma.

Tabakman é especializada em jornalismo científico e da saúde e, num artigo para o “Observatório da Imprensa” (associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria), teceu críticas às reportagens que têm sido publicadas sobre a doença.

Se, por um lado, há jornalismo sério que contribui para o conhecimento e para a saúde pública, por outro, existem repórteres sensacionalistas que desejam, apenas, conquistar audiências.
O jornalista científico Carlos Orsi descreveu, mesmo, a situação como um “ciclo perverso”: “a cobertura incessante  gera uma sensação de urgência e alimenta uma curiosidade do público que, na ausência de factos novos, não encontra alívio ou satisfação, mas redundância e tédio. Isso incentiva rumores que, por sua vez, justificam a reiteração redundante do que já se sabe".

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...
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