Segunda-feira, 17 de Fevereiro, 2020
Media

Jornalismo de investigação “reeinventado” em "reality shows"

A desinformação, a repetição e a redundância noticiosas estão a afastar cada vez mais pessoas do consumo informativo, mas a indústria começa a revolucionar-se em alguns países. No Quénia, na Bolívia e na Arménia a aposta assenta em concursos de reportagens de investigação, em formato de “reality show”.

Nesses concursos, que fixam um auditório de milhões de pessoas, as reportagens são avaliadas por profissionais do jornalismo, bem como pelo público assistente do programa.

As equipas de investigação são formadas, exclusivamente, por alunos universitários. Os trabalhos desenvolvidos pelos concorrentes são, por vezes, considerados “superficiais”, mas alguns conseguiram mesmo modificar determinados panoramas nacionais, ou, pelo menos, alertar para realidades desconhecidas por grande parte da audiência.


Na Arménia, por exemplo, os telespectadores responderam com indignação depois de verem os concorrentes mostrarem como famílias ricas ocuparam espaços públicos em Yerevan para construir moradias de luxo. Outra equipa de estudantes expôs uma suposta corrupção numa cooperativa de leite local.

Os espectáculos são dramáticos e as imagens da reportagem são editadas para enfatizar os momentos cruciais. Embora este tipo de formato possa ser considerado entretenimento, os criadores acreditam que o jornalismo continua a ser protagonista. 

Profissionais experientes dão pontuações pela ética dos “media", pela procura dos factos e pela apresentação, mas a característica mais importante é que os júris oferecem o “feedback”, para que o público e os estudantes aprendam como as histórias devem ser produzidas.

O projecto televisivo começou por ser uma competição entre faculdades de jornalismo arménias. O objectivo era incutir um cariz mais prático no ensino, reduzindo o peso académico.

Inicialmente, as histórias eram simuladas e serviam apenas para que os alunos pudessem aplicar a teoria na prática, mas a organização considerou que era importante que os estudantes começassem a enquadrar correctamente as peças.

O EJCEuropean Journalism Center – apoiou a iniciativa e replicou-a em universidades da Bolívia. O projecto é agora financiado pelo governo holandês.

John Wihbey, especialista em literacia mediática, considera que é importante que se alie o elemento de entretenimento ao elemento informativo para que haja um maior envolvimento da comunidade e para que o jornalismo de investigação seja mais atraente,  tanto para os praticantes quanto para o público.

Uma tendência que , em Portugal, já tem expressão em telejornais que recorrem, amiúde, a uma lógica de entretenimento. Uma tendência, aliás, perversa para o jornalismo.


Connosco
Imprensa britânica preocupada com regulação do “Ofcom” Ver galeria

A imprensa britânica teme que o controlo de conteúdos “online” pelo Ofcom constitua uma tentativa governamental de condicionar a liberdade de imprensa. O “The Daily Mail”, a título de exemplo, argumenta que a nova lei "pode levar à censura estatal".


Vários outros “media” estão, agora, em campanha para que a regulamentação do Ofcom se cinja a empresas tecnológicas, como o Facebook e o Google, e não se alargue à imprensa “online”. Os directores dos jornais receiam, igualmente, que a acção da entidade reguladora impeça a partilha de algumas das suas notícias mais “chocantes”.


A NMA -- News Media Association, organização que representa a maioria dos jornais britânicos, já expressou, igualmente, o seu desagrado face à proposta governamental e prometeu lutar pela garantia da “isenção explícita, em qualquer legislação, para editores e jornalistas", que são, afinal, mediadores da democracia.

O alastramento do coronavirus pode provocar um "infodemia" Ver galeria

As editoras científicas de todo o mundo concordaram em partilhar, de forma gratuita, informações sobre o novo coronavírus que, de outra forma, estariam escondidas atrás das “paywalls”. Assim, dados cruciais sobre a epidemia estão a ser divulgados mas, segundo a jornalista  Roxana Tabakman , não da melhor forma.

Tabakman é especializada em jornalismo científico e da saúde e, num artigo para o “Observatório da Imprensa” (associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria), teceu críticas às reportagens que têm sido publicadas sobre a doença.

Se, por um lado, há jornalismo sério que contribui para o conhecimento e para a saúde pública, por outro, existem repórteres sensacionalistas que desejam, apenas, conquistar audiências.
O jornalista científico Carlos Orsi descreveu, mesmo, a situação como um “ciclo perverso”: “a cobertura incessante  gera uma sensação de urgência e alimenta uma curiosidade do público que, na ausência de factos novos, não encontra alívio ou satisfação, mas redundância e tédio. Isso incentiva rumores que, por sua vez, justificam a reiteração redundante do que já se sabe".

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...
Agenda
11
Mar
O cinema e a televisão como "forma de futuro"
15:00 @ Universidade Lusófona
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona