Quinta-feira, 9 de Abril, 2020
Media

Jornalismo de investigação “reeinventado” em "reality shows"

A desinformação, a repetição e a redundância noticiosas estão a afastar cada vez mais pessoas do consumo informativo, mas a indústria começa a revolucionar-se em alguns países. No Quénia, na Bolívia e na Arménia a aposta assenta em concursos de reportagens de investigação, em formato de “reality show”.

Nesses concursos, que fixam um auditório de milhões de pessoas, as reportagens são avaliadas por profissionais do jornalismo, bem como pelo público assistente do programa.

As equipas de investigação são formadas, exclusivamente, por alunos universitários. Os trabalhos desenvolvidos pelos concorrentes são, por vezes, considerados “superficiais”, mas alguns conseguiram mesmo modificar determinados panoramas nacionais, ou, pelo menos, alertar para realidades desconhecidas por grande parte da audiência.


Na Arménia, por exemplo, os telespectadores responderam com indignação depois de verem os concorrentes mostrarem como famílias ricas ocuparam espaços públicos em Yerevan para construir moradias de luxo. Outra equipa de estudantes expôs uma suposta corrupção numa cooperativa de leite local.

Os espectáculos são dramáticos e as imagens da reportagem são editadas para enfatizar os momentos cruciais. Embora este tipo de formato possa ser considerado entretenimento, os criadores acreditam que o jornalismo continua a ser protagonista. 

Profissionais experientes dão pontuações pela ética dos “media", pela procura dos factos e pela apresentação, mas a característica mais importante é que os júris oferecem o “feedback”, para que o público e os estudantes aprendam como as histórias devem ser produzidas.

O projecto televisivo começou por ser uma competição entre faculdades de jornalismo arménias. O objectivo era incutir um cariz mais prático no ensino, reduzindo o peso académico.

Inicialmente, as histórias eram simuladas e serviam apenas para que os alunos pudessem aplicar a teoria na prática, mas a organização considerou que era importante que os estudantes começassem a enquadrar correctamente as peças.

O EJCEuropean Journalism Center – apoiou a iniciativa e replicou-a em universidades da Bolívia. O projecto é agora financiado pelo governo holandês.

John Wihbey, especialista em literacia mediática, considera que é importante que se alie o elemento de entretenimento ao elemento informativo para que haja um maior envolvimento da comunidade e para que o jornalismo de investigação seja mais atraente,  tanto para os praticantes quanto para o público.

Uma tendência que , em Portugal, já tem expressão em telejornais que recorrem, amiúde, a uma lógica de entretenimento. Uma tendência, aliás, perversa para o jornalismo.


Connosco
Associações apelam em Espanha para governo apoiar os “media” Ver galeria

Em Espanha, os “media” estão a atravessar dificuldades, espoletadas pelas quebras na publicidade e na circulação. Várias associações do sector apelaram, mesmo, ao governo, visando a elaboração de um plano de apoio.

Perante esta situação, a Associação Espanhola de Ética e Filosofia Política, solidária com a situação da imprensa no país, criou um documento de medidas que considera oportunas para a sustentabilidade do sector mediático.


Em resumo, a referida carta diz o seguinte:


“A Associação Espanhola de Ética e Filosofia Política pede ao governo que compense a perda de receitas e dos custos da manutenção de uma actividade essencial, nas actuais circunstâncias.
Semanas depois de terem sido decretadas medidas para a contenção da pandemia da COVID-19, a situação dos media é crítica.

Fundo de informação nos EUA faz doação para apoiar jornais Ver galeria

Os “media” estão a ressentir-se dos efeitos da crise, desencadeada pela epidemia de covid-19. Alguns jornais estão, mesmo, a fechar portas, devido à quebra nas receitas, que impede o pagamento de salários aos colaboradores, deixando várias comunidades sem meios de informação local.

Contudo, têm surgido várias vagasde solidariedade, por parte de entidades que consideram essencial o trabalho jornalístico, numa altura em que a população carece de notícias para se manter informada e segura.

Assim, um conjunto de associações norte-americanas doou 2,5 milhões de dólares ao Fundo de Informação Comunitária de Covid-19, sediado no Estado da Pensilvânia.

Criado pela IPMF -- Independence Public Media Foundation, em conjunto com outras fundações que apoiam os “media”,  o Fundo de Informação Comunitária de Covid-19 irá apoiar uma vasta gama jornais e de organizações comunitárias, que fornecem informações locais sobre a disseminação do vírus.

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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15
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Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun