Sexta-feira, 4 de Dezembro, 2020
Media

Jornalismo de investigação “reeinventado” em "reality shows"

A desinformação, a repetição e a redundância noticiosas estão a afastar cada vez mais pessoas do consumo informativo, mas a indústria começa a revolucionar-se em alguns países. No Quénia, na Bolívia e na Arménia a aposta assenta em concursos de reportagens de investigação, em formato de “reality show”.

Nesses concursos, que fixam um auditório de milhões de pessoas, as reportagens são avaliadas por profissionais do jornalismo, bem como pelo público assistente do programa.

As equipas de investigação são formadas, exclusivamente, por alunos universitários. Os trabalhos desenvolvidos pelos concorrentes são, por vezes, considerados “superficiais”, mas alguns conseguiram mesmo modificar determinados panoramas nacionais, ou, pelo menos, alertar para realidades desconhecidas por grande parte da audiência.


Na Arménia, por exemplo, os telespectadores responderam com indignação depois de verem os concorrentes mostrarem como famílias ricas ocuparam espaços públicos em Yerevan para construir moradias de luxo. Outra equipa de estudantes expôs uma suposta corrupção numa cooperativa de leite local.

Os espectáculos são dramáticos e as imagens da reportagem são editadas para enfatizar os momentos cruciais. Embora este tipo de formato possa ser considerado entretenimento, os criadores acreditam que o jornalismo continua a ser protagonista. 

Profissionais experientes dão pontuações pela ética dos “media", pela procura dos factos e pela apresentação, mas a característica mais importante é que os júris oferecem o “feedback”, para que o público e os estudantes aprendam como as histórias devem ser produzidas.

O projecto televisivo começou por ser uma competição entre faculdades de jornalismo arménias. O objectivo era incutir um cariz mais prático no ensino, reduzindo o peso académico.

Inicialmente, as histórias eram simuladas e serviam apenas para que os alunos pudessem aplicar a teoria na prática, mas a organização considerou que era importante que os estudantes começassem a enquadrar correctamente as peças.

O EJCEuropean Journalism Center – apoiou a iniciativa e replicou-a em universidades da Bolívia. O projecto é agora financiado pelo governo holandês.

John Wihbey, especialista em literacia mediática, considera que é importante que se alie o elemento de entretenimento ao elemento informativo para que haja um maior envolvimento da comunidade e para que o jornalismo de investigação seja mais atraente,  tanto para os praticantes quanto para o público.

Uma tendência que , em Portugal, já tem expressão em telejornais que recorrem, amiúde, a uma lógica de entretenimento. Uma tendência, aliás, perversa para o jornalismo.


Connosco
União Europeia implementa medidas para proteger jornalistas... Ver galeria

A Comissão Europeia quer criminalizar o discurso e o incitamento ao ódio na internet, nomeadamente contra jornalistas. A instituição justificou a medida com o aumento das “ameaças físicas e ‘online’ e ataques a jornalistas” na UE, com frequentes “campanhas de difamação e de intimidação geral e interferências politicamente motivadas”.

“Os jornalistas são alvos de assédio, discurso de ódio e campanhas de difamação, por vezes até iniciadas por actores políticos, na Europa e fora, e as mulheres jornalistas são particularmente visadas”, reforçou a Comissão Europeia, notando que, por vezes, isso conduz “à autocensura e à redução do espaço para o debate público sobre questões importantes”.

Bruxelas recordou, igualmente, que, “nos últimos anos, a Europa tem testemunhado ataques brutais aos meios de comunicação social livres”, numa alusão aos assassinatos dos jornalistas Daphne Caruana Galizia, em Malta, e de Jan Kuciak, na Eslováquia.

Por isso mesmo, a Comissão Europeia vai, também, apresentar uma recomendação sobre a segurança dos jornalistas, visando “assegurar uma melhor implementação pelos Estados-membros das normas da recomendação do Conselho da Europa”.

... E lança plano de recuperação para os "media" e fórum europeu Ver galeria

A Comissão Europeia apresentou um plano de recuperação para os “media” europeus, cujas medidas deverão ser aplicadas no primeiro semestre de 2022.

Desta forma, “a Comissão facilitará um melhor acesso ao financiamento, estimulando os empréstimos, bem como o financiamento de capital próprio”.

Estas acções deverão ser complementadas com diálogos bilaterais, de forma a “aumentar o conhecimento do mercado dos meios de comunicação social europeus entre os investidores”.

Bruxelas diz, ainda, querer “prestar apoio dedicado, sob a forma de subsídios para parcerias de colaboração com os meios de comunicação social”, para promover o jornalismo colaborativo e transfronteiriço.

Outra das medidas propostas é a criação de um fórum europeu, para envolver as partes interessadas, incluindo autoridades reguladoras, representantes de jornalistas, organismos de autorregulamentação, sociedade civil e organizações internacionais.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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