O nível de confiança dos portugueses nos media e no jornalismo, de modo geral, baixou, no ano passado, quatro pontos percentuais, para 58%, “mas ainda deixa Portugal em segundo lugar entre 38 países” - abaixo da Finlândia (com 59%) e acima da Dinamarca (com 57%). E o consumo de informação pelo telemóvel ultrapassou, pela primeira vez, o do computador (com 62% contra 57%), continuando os tablets em declínio nesta função. A televisão continua, no entanto, a ser o meio de comunicação preferido, no nosso País, como fonte de notícias, com 81%, ficando a leitura online em segundo, com 79%.
O nível médio de confiança, em todos os países avaliados, desceu dois pontos, para 42%, e menos de metade dos inquiridos (49%) concordam que confiam sobretudo nos meios que eles próprios usam. Este nível caíu onze pontos, em França, ficando em 24%, “à medida que os media estão sob ataque por causa da sua cobertura do movimento dos ‘coletes amarelos’”. A confiança nas notícias obtidas por pesquisa na Internet (33%), ou pelas redes sociais (23%), mantém-se estável, mas baixa, com os valores referidos.
Na tabela do relatório sobre a preocupação quanto ao que é verdadeiro ou falso nas notícias pela Internet, o Brasil vem em primeiro lugar, com 85%, e Portugal em segundo, com 75%.
São estas algumas das conclusões destacadas do Digital News Report 2019, do Instituto Reuters, agora divulgado. O trabalho assenta num inquérito realizado pela empresa de pesquisa de mercado YouGov, junto de 75 mil consumidores de informação online de 38 países, incluindo, pela primeira vez, a África do Sul.
A preocupação do público relativamente à desinformação (fake news) “continua bastante alta, com uma média de 55% nos 38 países analisados, sendo que a Holanda é o país que manifesta menos receios em relação a esta matéria”, com apenas 13%.
O relatório aponta ainda que cresceu o número de pessoas que evitam ler notícias, chegando ao que é descrito como “rejeição”:
“No Reino Unido, mais de metade dos que evitam notícias dizem que elas os fazem sentir tristes, enquanto outros dizem que se sentem sem poder para mudar o que acontece.” (...)
Rasmus Nielsen, presidente do Instituto Reuters, diz que “as boas notícias são que os editores que produzem jornalismo distinto, valioso e confiável, estão a ser recompensados com sucesso comercial. As más notícias são que as pessoas acham que muito do jornalismo com o qual se cruzam não tem valor, não é de confiança e não vale a pena pagar por ele.”
“É bem possível que isto também esteja relacionado com o mar de informação em que os consumidores se sentem mergulhados e com a aparente incapacidade dos meios de comunicação social de explicar o que se passa.”
Segundo o estudo da Reuters, “cerca de dois terços sentem que os media são bons a manter as pessoas actualizadas (62%), mas menos a ajudá-las a compreender as notícias (51%). Menos de metade (42%) acha que os media estão a desempenhar um bom papel em controlar os ricos e poderosos - e na Hungria este número baixa para 20%.”
No capítulo sobre Portugal é revelado que “a sustentabilidade dos grupos e empresas de media continua a ser difícil, com o financiamento para a inovação vindo frequentemente de iniciativas como a Digital News Initiative, da Google”:
“Em 2018, a DNI financiou cinco projectos portugueses com um total de 1,4 milhões de euros (a Media Capital, a Cofina, o Diário de Notícias, o Observador e um projecto-piloto de uma start-up chamada The Mosted, que projecta oferecer aos jornalistas métricas em tempo real, à medida que escrevem.” (...)
O sumário de apresentação do relatório, assinado por Nic Newman, afirma que “a polarização política encorajou o crescimento de agendas online partidárias, o que, associado ao clickbait e a várias formas de desinformação, contribui para abalar ainda mais a confiança nos media - levantando novas questões sobre como proporcionar uma cobertura equilibrada e imparcial na era digital”. (...)
“No meio de toda esta mudança frenética, alguns começam a questionar se o jornalismo continua a cumprir a sua missão fundamental de chamar os poderosos a prestar contas, e ajudar as audiências a compreenderem o mundo à sua volta.”
“Este questionamento vem na forma de inquéritos, pelos governos de alguns países, quanto à sustentabilidade futura de um jornalismo de qualidade (com recomendações a respeito do que pode ser feito para o apoiar). Mas vem ainda de partes do público que sentem que o jornalismo fica, com frequência, aquém daquilo que as pessoas esperam dele.” (...)
A participação portuguesa no relatório é da responsabilidade do OberCom e do ISCTE, sendo coordenada por Ana Pinto Martinho, Miguel Paisana e Gustavo Cardoso.
Mais informação no Jornal de Negócios.
A introdução e principais conclusões do relatório, o capítulo sobre Portugal e o texto completo em pdf.
A preocupação do público relativamente à desinformação (fake news) “continua bastante alta, com uma média de 55% nos 38 países analisados, sendo que a Holanda é o país que manifesta menos receios em relação a esta matéria”, com apenas 13%.
O relatório aponta ainda que cresceu o número de pessoas que evitam ler notícias, chegando ao que é descrito como “rejeição”:
“No Reino Unido, mais de metade dos que evitam notícias dizem que elas os fazem sentir tristes, enquanto outros dizem que se sentem sem poder para mudar o que acontece.” (...)
Rasmus Nielsen, presidente do Instituto Reuters, diz que “as boas notícias são que os editores que produzem jornalismo distinto, valioso e confiável, estão a ser recompensados com sucesso comercial. As más notícias são que as pessoas acham que muito do jornalismo com o qual se cruzam não tem valor, não é de confiança e não vale a pena pagar por ele.”
“É bem possível que isto também esteja relacionado com o mar de informação em que os consumidores se sentem mergulhados e com a aparente incapacidade dos meios de comunicação social de explicar o que se passa.”
Segundo o estudo da Reuters, “cerca de dois terços sentem que os media são bons a manter as pessoas actualizadas (62%), mas menos a ajudá-las a compreender as notícias (51%). Menos de metade (42%) acha que os media estão a desempenhar um bom papel em controlar os ricos e poderosos - e na Hungria este número baixa para 20%.”
No capítulo sobre Portugal é revelado que “a sustentabilidade dos grupos e empresas de media continua a ser difícil, com o financiamento para a inovação vindo frequentemente de iniciativas como a Digital News Initiative, da Google”:
“Em 2018, a DNI financiou cinco projectos portugueses com um total de 1,4 milhões de euros (a Media Capital, a Cofina, o Diário de Notícias, o Observador e um projecto-piloto de uma start-up chamada The Mosted, que projecta oferecer aos jornalistas métricas em tempo real, à medida que escrevem.” (...)
O sumário de apresentação do relatório, assinado por Nic Newman, afirma que “a polarização política encorajou o crescimento de agendas online partidárias, o que, associado ao clickbait e a várias formas de desinformação, contribui para abalar ainda mais a confiança nos media - levantando novas questões sobre como proporcionar uma cobertura equilibrada e imparcial na era digital”. (...)
“No meio de toda esta mudança frenética, alguns começam a questionar se o jornalismo continua a cumprir a sua missão fundamental de chamar os poderosos a prestar contas, e ajudar as audiências a compreenderem o mundo à sua volta.”
“Este questionamento vem na forma de inquéritos, pelos governos de alguns países, quanto à sustentabilidade futura de um jornalismo de qualidade (com recomendações a respeito do que pode ser feito para o apoiar). Mas vem ainda de partes do público que sentem que o jornalismo fica, com frequência, aquém daquilo que as pessoas esperam dele.” (...)
A participação portuguesa no relatório é da responsabilidade do OberCom e do ISCTE, sendo coordenada por Ana Pinto Martinho, Miguel Paisana e Gustavo Cardoso.
Mais informação no Jornal de Negócios.
A introdução e principais conclusões do relatório, o capítulo sobre Portugal e o texto completo em pdf.
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.