null, 17 de Outubro, 2021
Colectânea

Portugueses confiam nos Media e não desconfiam da TV

O nível de confiança dos portugueses nos media e no jornalismo, de modo geral, baixou, no ano passado, quatro pontos percentuais, para 58%, “mas ainda deixa Portugal em segundo lugar entre 38 países”  -  abaixo da Finlândia (com 59%) e acima da Dinamarca (com 57%). E o consumo de informação pelo telemóvel ultrapassou, pela primeira vez, o do computador (com 62% contra 57%), continuando os tablets em declínio nesta função. A televisão continua, no entanto, a ser o meio de comunicação preferido, no nosso País, como fonte de notícias, com 81%, ficando a leitura online em segundo, com 79%.

O nível médio de confiança, em todos os países avaliados, desceu dois pontos, para 42%, e menos de metade dos inquiridos (49%) concordam que confiam sobretudo nos meios que eles próprios usam. Este nível caíu onze pontos, em França, ficando em 24%, “à medida que os media estão sob ataque por causa da sua cobertura do movimento dos ‘coletes amarelos’”. A confiança nas notícias obtidas por pesquisa na Internet (33%), ou pelas redes sociais (23%), mantém-se estável, mas baixa, com os valores referidos.

Na tabela do relatório sobre a preocupação quanto ao que é verdadeiro ou falso nas notícias pela Internet, o Brasil vem em primeiro lugar, com 85%, e Portugal em segundo, com 75%.

São estas algumas das conclusões destacadas do Digital News Report 2019, do Instituto Reuters, agora divulgado. O trabalho assenta num inquérito realizado pela empresa de pesquisa de mercado YouGov, junto de 75 mil consumidores de informação online de 38 países, incluindo, pela primeira vez, a África do Sul.

A preocupação do público relativamente à desinformação (fake news)  “continua bastante alta, com uma média de 55% nos 38 países analisados, sendo que a Holanda é o país que manifesta menos receios em relação a esta matéria”, com apenas 13%.

O relatório aponta ainda que cresceu o número de pessoas que evitam ler notícias, chegando ao que é descrito como “rejeição”:

“No Reino Unido, mais de metade dos que evitam notícias dizem que elas os fazem sentir tristes, enquanto outros dizem que se sentem sem poder para mudar o que acontece.”  (...)

Rasmus Nielsen, presidente do Instituto Reuters, diz que “as boas notícias são que os editores que produzem jornalismo distinto, valioso e confiável, estão a ser recompensados com sucesso comercial. As más notícias são que as pessoas acham que muito do jornalismo com o qual se cruzam não tem valor, não é de confiança e não vale a pena pagar por ele.” 

“É bem possível que isto também esteja relacionado com o mar de informação em que os consumidores se sentem mergulhados e com a aparente incapacidade dos meios de comunicação social de explicar o que se passa.” 

Segundo o estudo da Reuters, “cerca de dois terços sentem que os media são bons a manter as pessoas actualizadas (62%), mas menos a ajudá-las a compreender as notícias (51%). Menos de metade (42%) acha que os media estão a desempenhar um bom papel em controlar os ricos e poderosos  - e na Hungria este número baixa para 20%.” 

No capítulo sobre Portugal é revelado que “a sustentabilidade dos grupos e empresas de media continua a ser difícil, com o financiamento para a inovação vindo frequentemente de iniciativas como a Digital News Initiative, da Google”: 

“Em 2018, a DNI financiou cinco projectos portugueses com um total de 1,4 milhões de euros (a Media Capital, a Cofina, o Diário de Notícias, o Observador e um projecto-piloto de uma start-up chamada The Mosted, que projecta oferecer aos jornalistas métricas em tempo real, à medida que escrevem.”  (...) 

O sumário de apresentação do relatório, assinado por Nic Newman, afirma que “a polarização política encorajou o crescimento de agendas online partidárias, o que, associado ao clickbait e a várias formas de desinformação, contribui para abalar ainda mais a confiança nos media  -  levantando novas questões sobre como proporcionar uma cobertura equilibrada e imparcial na era digital”.  (...) 

“No meio de toda esta mudança frenética, alguns começam a questionar se o jornalismo continua a cumprir a sua missão fundamental de chamar os poderosos a prestar contas, e ajudar as audiências a compreenderem o mundo à sua volta.” 

“Este questionamento vem na forma de inquéritos, pelos governos de alguns países, quanto à sustentabilidade futura de um jornalismo de qualidade (com recomendações a respeito do que pode ser feito para o apoiar). Mas vem ainda de partes do público que sentem que o jornalismo fica, com frequência, aquém daquilo que as pessoas esperam dele.”  (...) 

A participação portuguesa no relatório é da responsabilidade do OberCom e do ISCTE, sendo coordenada por Ana Pinto Martinho, Miguel Paisana e Gustavo Cardoso.

Mais informação no Jornal de Negócios.

introdução e principais conclusões do relatório,  o capítulo sobre Portugal  e o texto completo em pdf.

 

A preocupação do público relativamente à desinformação (fake news)  “continua bastante alta, com uma média de 55% nos 38 países analisados, sendo que a Holanda é o país que manifesta menos receios em relação a esta matéria”, com apenas 13%.

O relatório aponta ainda que cresceu o número de pessoas que evitam ler notícias, chegando ao que é descrito como “rejeição”:

“No Reino Unido, mais de metade dos que evitam notícias dizem que elas os fazem sentir tristes, enquanto outros dizem que se sentem sem poder para mudar o que acontece.”  (...)

Rasmus Nielsen, presidente do Instituto Reuters, diz que “as boas notícias são que os editores que produzem jornalismo distinto, valioso e confiável, estão a ser recompensados com sucesso comercial. As más notícias são que as pessoas acham que muito do jornalismo com o qual se cruzam não tem valor, não é de confiança e não vale a pena pagar por ele.” 

“É bem possível que isto também esteja relacionado com o mar de informação em que os consumidores se sentem mergulhados e com a aparente incapacidade dos meios de comunicação social de explicar o que se passa.” 

Segundo o estudo da Reuters, “cerca de dois terços sentem que os media são bons a manter as pessoas actualizadas (62%), mas menos a ajudá-las a compreender as notícias (51%). Menos de metade (42%) acha que os media estão a desempenhar um bom papel em controlar os ricos e poderosos  - e na Hungria este número baixa para 20%.” 

No capítulo sobre Portugal é revelado que “a sustentabilidade dos grupos e empresas de media continua a ser difícil, com o financiamento para a inovação vindo frequentemente de iniciativas como a Digital News Initiative, da Google”: 

“Em 2018, a DNI financiou cinco projectos portugueses com um total de 1,4 milhões de euros (a Media Capital, a Cofina, o Diário de Notícias, o Observador e um projecto-piloto de uma start-up chamada The Mosted, que projecta oferecer aos jornalistas métricas em tempo real, à medida que escrevem.”  (...) 

O sumário de apresentação do relatório, assinado por Nic Newman, afirma que “a polarização política encorajou o crescimento de agendas online partidárias, o que, associado ao clickbait e a várias formas de desinformação, contribui para abalar ainda mais a confiança nos media  -  levantando novas questões sobre como proporcionar uma cobertura equilibrada e imparcial na era digital”.  (...) 

“No meio de toda esta mudança frenética, alguns começam a questionar se o jornalismo continua a cumprir a sua missão fundamental de chamar os poderosos a prestar contas, e ajudar as audiências a compreenderem o mundo à sua volta.” 

“Este questionamento vem na forma de inquéritos, pelos governos de alguns países, quanto à sustentabilidade futura de um jornalismo de qualidade (com recomendações a respeito do que pode ser feito para o apoiar). Mas vem ainda de partes do público que sentem que o jornalismo fica, com frequência, aquém daquilo que as pessoas esperam dele.”  (...) 

A participação portuguesa no relatório é da responsabilidade do OberCom e do ISCTE, sendo coordenada por Ana Pinto Martinho, Miguel Paisana e Gustavo Cardoso.

 

 

Mais informação no Jornal de Negócios.

introdução e principais conclusões do relatório,  o capítulo sobre Portugal  e o texto completo em pdf.

Connosco
Jornalistas bielorrussos independentes tentam resistir a perseguições e ameaças Ver galeria

Na Bielorrússia, os jornalistas independentes enfrentam diversos obstáculos ao exercício das suas funções, sendo alvo de perseguição e ameaça por parte das autoridades.

Como tal, muitos destes profissionais são obrigados a pedir asilo político em países vizinhos, como forma de continuarem a informar o seu público, e a denunciar as injustiças praticadas pelo regime de Alexander Lukashenko.

É esse o caso de Stepan Putilo, um jovem bielorrusso radicado na Polónia, responsável pela criação de um dos formatos noticiosos mais conhecidos de sempre: o “Nexta”.

Conforme apontou Charles McPhedran num artigo publicado na “Columbia Journalism Review”, Putilo criou o “Nexta” em 2018, com o objectivo de desenvolver um novo formato noticioso, que aliasse a informação às tendências da internet.

Assim, através da rede social Telegram, Putilo começou a partilhar vídeos informativos, com monólogos sobre a situação política e social na Bielorrúsia, e caracterizados por um tom humorístico e sarcástico.

Graças a estes “boletins noticiosos” e à colaboração de Roman Pratasevich, outro jovem jornalista, o “Nexta” tornou-se o maior canal de sempre do Telegram, contando com mais de um milhão de seguidores.

Contudo, afirmou McPhedran, o projecto de Putilo e Pratasevich está longe de ser politicamente isento, já que todos os seus conteúdos são críticos de Lukashenko, e pretendem reforçar o movimento da oposição.

Alunos de jornalismo pessimistas quanto ao futuro em Portugal Ver galeria

A maioria dos alunos de jornalismo está pessimista quanto ao seu futuro profissional, considerando que será difícil encontrar um primeiro emprego, e que os salários serão baixos e precários, de acordo com um estudo da Universidade de Coimbra, citado pelo jornal digital “Observador”.

Conforme indica uma nota enviada à imprensa, os responsáveis pelo estudo realizaram um inquérito junto de 1.091 estudantes, que frequentaram 38 cursos de licenciatura ou mestrado em jornalismo e comunicação social, no ano lectivo 2020/2021.

Do número total de inquiridos, dois terços consideraram, de alguma forma, improvável “encontrar um primeiro emprego no jornalismo”. Uma percentagem semelhante de estudantes admitiu que será difícil conseguir um contrato laboral estável e com um salário condizente com o estatuto e responsabilidade da profissão.

Ainda assim, apenas 2,9% dos alunos admitiram a possibilidade de abandonar o curso para ingressar noutra área de formação e apenas cerca de 10% disseram não ter intenção de trabalhar em jornalismo.

“Os estudantes entram com o objectivo de serem jornalistas e motivados para esse futuro profissional”, disse o investigador João Miranda, realçando, porém, que existe “um paradoxo” face às baixas expectativas que têm para o futuro.
O estudo analisou, igualmente, as tendências de consumo noticioso dos alunos, realçando uma forte inclinação para consulta das redes sociais, como o Facebook e o Instagram.

O Clube


Recomeçamos. A pausa de agosto foi um tempo de análise e de reflexão sobre as delicadas circunstâncias que rodeiam e condicionam os media portugueses e as associações representativas do sector.
Enquanto as redacções encolhem e os jornais lutam pela sobrevivência, as grandes plataformas digitais tornam-se omnipresentes e absorvem a melhor publicidade.
Um estudo da ERC revela que dois terços dos inquiridos utiliza a internet, mas que, depois das televisões, as redes sociais aparecem já como fonte noticiosa preferencial, suplantando os jornais impressos.


A dificuldade da imprensa, com tiragens minguadas, influenciou a principal distribuidora de jornais e revistas no sentido de lançar uma taxa diária a cobrar aos quiosques e outros postos de venda.
Por agora, a cobrança está suspensa, no seguimento de uma providência cautelar aceite pelo tribunal, mas nada garante que o desfecho não venha a penalizar mais ainda a circulação da Imprensa.
A fragilidade das empresas de media agravou a sua dependência, e tornou-as gradualmente mais permeáveis aos desígnios do poder político.
Seja no audiovisual, seja nas publicações impressas, observa-se uma crescente uniformidade noticiosa, a par de uma actuação comprometida com as prioridades da agenda do Executivo.
Neste contexto, as associações do sector não têm a vida facilitada, quer pelo enfraquecimento do mecenato, quer pela apatia já antiga que se nota nos jornalistas no tocante ao associativismo.
Com 40 anos feitos de actividade ininterrupta, o Clube Português de Imprensa tem neste site uma forma de ligação privilegiada com associados e outros profissionais do sector, bem como com os estudantes dos cursos de jornalismo, apoiado em parcerias que são preciosas fontes complementares de informação e de análise.
Por aqui continuamos, com a consciência do desafio e do risco envolventes, e com a noção de partilha e de serviço que nos anima desde o início.


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Opinião
O impacto da pandemia no universo mediático está longe de encontrar-se esgotado, apesar das promessas de “libertação” da sociedade, ensaiadas por vários governos, entre os quais o português, em doses apreciáveis.O jornalismo tornou-se mais fechado, confirmando uma tendência que não é nova de os jornalistas recorrerem à Internet e às redes sociais como fonte predominante de informação.Os...
O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
Agenda
01
Nov
The African Investigative Journalism Conference
10:00 @ Joanesburgo, África do Sul
02
Nov
Global Investigative Journalism Conference
10:00 @ Evento "Online" da GIJN
18
Nov
22
Nov
28
Nov
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor