Quarta-feira, 2 de Dezembro, 2020
Colectânea

Portugueses confiam nos Media e não desconfiam da TV

O nível de confiança dos portugueses nos media e no jornalismo, de modo geral, baixou, no ano passado, quatro pontos percentuais, para 58%, “mas ainda deixa Portugal em segundo lugar entre 38 países”  -  abaixo da Finlândia (com 59%) e acima da Dinamarca (com 57%). E o consumo de informação pelo telemóvel ultrapassou, pela primeira vez, o do computador (com 62% contra 57%), continuando os tablets em declínio nesta função. A televisão continua, no entanto, a ser o meio de comunicação preferido, no nosso País, como fonte de notícias, com 81%, ficando a leitura online em segundo, com 79%.

O nível médio de confiança, em todos os países avaliados, desceu dois pontos, para 42%, e menos de metade dos inquiridos (49%) concordam que confiam sobretudo nos meios que eles próprios usam. Este nível caíu onze pontos, em França, ficando em 24%, “à medida que os media estão sob ataque por causa da sua cobertura do movimento dos ‘coletes amarelos’”. A confiança nas notícias obtidas por pesquisa na Internet (33%), ou pelas redes sociais (23%), mantém-se estável, mas baixa, com os valores referidos.

Na tabela do relatório sobre a preocupação quanto ao que é verdadeiro ou falso nas notícias pela Internet, o Brasil vem em primeiro lugar, com 85%, e Portugal em segundo, com 75%.

São estas algumas das conclusões destacadas do Digital News Report 2019, do Instituto Reuters, agora divulgado. O trabalho assenta num inquérito realizado pela empresa de pesquisa de mercado YouGov, junto de 75 mil consumidores de informação online de 38 países, incluindo, pela primeira vez, a África do Sul.

A preocupação do público relativamente à desinformação (fake news)  “continua bastante alta, com uma média de 55% nos 38 países analisados, sendo que a Holanda é o país que manifesta menos receios em relação a esta matéria”, com apenas 13%.

O relatório aponta ainda que cresceu o número de pessoas que evitam ler notícias, chegando ao que é descrito como “rejeição”:

“No Reino Unido, mais de metade dos que evitam notícias dizem que elas os fazem sentir tristes, enquanto outros dizem que se sentem sem poder para mudar o que acontece.”  (...)

Rasmus Nielsen, presidente do Instituto Reuters, diz que “as boas notícias são que os editores que produzem jornalismo distinto, valioso e confiável, estão a ser recompensados com sucesso comercial. As más notícias são que as pessoas acham que muito do jornalismo com o qual se cruzam não tem valor, não é de confiança e não vale a pena pagar por ele.” 

“É bem possível que isto também esteja relacionado com o mar de informação em que os consumidores se sentem mergulhados e com a aparente incapacidade dos meios de comunicação social de explicar o que se passa.” 

Segundo o estudo da Reuters, “cerca de dois terços sentem que os media são bons a manter as pessoas actualizadas (62%), mas menos a ajudá-las a compreender as notícias (51%). Menos de metade (42%) acha que os media estão a desempenhar um bom papel em controlar os ricos e poderosos  - e na Hungria este número baixa para 20%.” 

No capítulo sobre Portugal é revelado que “a sustentabilidade dos grupos e empresas de media continua a ser difícil, com o financiamento para a inovação vindo frequentemente de iniciativas como a Digital News Initiative, da Google”: 

“Em 2018, a DNI financiou cinco projectos portugueses com um total de 1,4 milhões de euros (a Media Capital, a Cofina, o Diário de Notícias, o Observador e um projecto-piloto de uma start-up chamada The Mosted, que projecta oferecer aos jornalistas métricas em tempo real, à medida que escrevem.”  (...) 

O sumário de apresentação do relatório, assinado por Nic Newman, afirma que “a polarização política encorajou o crescimento de agendas online partidárias, o que, associado ao clickbait e a várias formas de desinformação, contribui para abalar ainda mais a confiança nos media  -  levantando novas questões sobre como proporcionar uma cobertura equilibrada e imparcial na era digital”.  (...) 

“No meio de toda esta mudança frenética, alguns começam a questionar se o jornalismo continua a cumprir a sua missão fundamental de chamar os poderosos a prestar contas, e ajudar as audiências a compreenderem o mundo à sua volta.” 

“Este questionamento vem na forma de inquéritos, pelos governos de alguns países, quanto à sustentabilidade futura de um jornalismo de qualidade (com recomendações a respeito do que pode ser feito para o apoiar). Mas vem ainda de partes do público que sentem que o jornalismo fica, com frequência, aquém daquilo que as pessoas esperam dele.”  (...) 

A participação portuguesa no relatório é da responsabilidade do OberCom e do ISCTE, sendo coordenada por Ana Pinto Martinho, Miguel Paisana e Gustavo Cardoso.

Mais informação no Jornal de Negócios.

introdução e principais conclusões do relatório,  o capítulo sobre Portugal  e o texto completo em pdf.

 

A preocupação do público relativamente à desinformação (fake news)  “continua bastante alta, com uma média de 55% nos 38 países analisados, sendo que a Holanda é o país que manifesta menos receios em relação a esta matéria”, com apenas 13%.

O relatório aponta ainda que cresceu o número de pessoas que evitam ler notícias, chegando ao que é descrito como “rejeição”:

“No Reino Unido, mais de metade dos que evitam notícias dizem que elas os fazem sentir tristes, enquanto outros dizem que se sentem sem poder para mudar o que acontece.”  (...)

Rasmus Nielsen, presidente do Instituto Reuters, diz que “as boas notícias são que os editores que produzem jornalismo distinto, valioso e confiável, estão a ser recompensados com sucesso comercial. As más notícias são que as pessoas acham que muito do jornalismo com o qual se cruzam não tem valor, não é de confiança e não vale a pena pagar por ele.” 

“É bem possível que isto também esteja relacionado com o mar de informação em que os consumidores se sentem mergulhados e com a aparente incapacidade dos meios de comunicação social de explicar o que se passa.” 

Segundo o estudo da Reuters, “cerca de dois terços sentem que os media são bons a manter as pessoas actualizadas (62%), mas menos a ajudá-las a compreender as notícias (51%). Menos de metade (42%) acha que os media estão a desempenhar um bom papel em controlar os ricos e poderosos  - e na Hungria este número baixa para 20%.” 

No capítulo sobre Portugal é revelado que “a sustentabilidade dos grupos e empresas de media continua a ser difícil, com o financiamento para a inovação vindo frequentemente de iniciativas como a Digital News Initiative, da Google”: 

“Em 2018, a DNI financiou cinco projectos portugueses com um total de 1,4 milhões de euros (a Media Capital, a Cofina, o Diário de Notícias, o Observador e um projecto-piloto de uma start-up chamada The Mosted, que projecta oferecer aos jornalistas métricas em tempo real, à medida que escrevem.”  (...) 

O sumário de apresentação do relatório, assinado por Nic Newman, afirma que “a polarização política encorajou o crescimento de agendas online partidárias, o que, associado ao clickbait e a várias formas de desinformação, contribui para abalar ainda mais a confiança nos media  -  levantando novas questões sobre como proporcionar uma cobertura equilibrada e imparcial na era digital”.  (...) 

“No meio de toda esta mudança frenética, alguns começam a questionar se o jornalismo continua a cumprir a sua missão fundamental de chamar os poderosos a prestar contas, e ajudar as audiências a compreenderem o mundo à sua volta.” 

“Este questionamento vem na forma de inquéritos, pelos governos de alguns países, quanto à sustentabilidade futura de um jornalismo de qualidade (com recomendações a respeito do que pode ser feito para o apoiar). Mas vem ainda de partes do público que sentem que o jornalismo fica, com frequência, aquém daquilo que as pessoas esperam dele.”  (...) 

A participação portuguesa no relatório é da responsabilidade do OberCom e do ISCTE, sendo coordenada por Ana Pinto Martinho, Miguel Paisana e Gustavo Cardoso.

 

 

Mais informação no Jornal de Negócios.

introdução e principais conclusões do relatório,  o capítulo sobre Portugal  e o texto completo em pdf.

Connosco
Crescimento das assinaturas digitais não compensa as perdas na circulação impressa Ver galeria

A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.

Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.

Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.

Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.

Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.

No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.

Movimento de jornalistas franceses contra nova Lei de Segurança Ver galeria

Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.

Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.

Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.

Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.

Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.

A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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Opinião
As eleições americanas, bem como a pandemia provocada pelo  covid-19, têm sido dois poderosos ímanes na  cobertura mediática, e campo fértil para  o exercício do jornalismo, desde o que é   servido com rigor, àquele que obedece  apenas aos cânones  ideológicos de quem escreve. Houve tempo em que se cultivava o sagrado principio da separação da opinião e da...
No final de 2016 a Newspaper Association Of America, que representava cerca de 2000 publicações nos Estados Unidos e no Canadá, anunciou a sua transformação em News Media Alliance, reflectindo a evolução do sector e passando a incorporar as diversas plataformas em que os grupos produtores de informação qualificada se desdobraram ao longo dos últimos anos, coexistindo o papel com os formatos digitais, mas também video,...
Jornalistas: nem heróis nem vilões
Francisco Sarsfield Cabral
No  jornal “Público” de sábado,  J. Pacheco Pereira elogiou Vicente Jorge Silva porque “fez uma coisa rara entre nós – fez obra. Não tanto como jornalista, mas como criador no terreno da comunicação social”. E destacou o papel do jornal madeirense “Comércio do Funchal”, que, apesar da censura, conseguiu criticar o regime então vigente. Até ao 25 de Abril este jornal logrou,...
De acordo com Carlos Camponez , o «jornalismo de proximidade», porque realmente está mais próximo dos leitores da comunidade onde se integra, pode desempenhar um papel fundamental, «assumindo uma perspetiva de compromisso no incentivo à vida pública». Neste contexto, aquele investigador aponta para a ideia da criação de uma agenda do cidadão, o que, por sua vez, «obriga a que os media invistam em técnicas...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
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