Segunda-feira, 30 de Novembro, 2020
Mundo

O jornalismo continua a ser uma profissão perigosa

A prática do jornalismo continua a ser, em muitas partes do mundo, uma actividade de risco. A Síria é o país mais perigoso para jornalistas, seguida do México, mas existem muitos outros governos que condicionam a liberdade de expressão e que colocam em risco as vidas de quem informa.

O Comité Para a Protecção dos Jornalistas (CPJ) denuncia, em permanência, casos de violência contra repórteres e, em 2019, registou a morte de 25 destes profissionais. A reportagem política foi considerada a mais perigosa.

África é o continente com mais ocorrências e, já este ano, foram lá reportados dois casos de restrição e violência contra a actividade jornalística: uma no Malawi e outra na Serra Leoa. 


O Malawi é considerado um país parcialmente livre. Segundo a avaliação da Freedom HouseONG que promove os direitos humanos e monitoriza violações à liberdade de expressão –, apesar de haver eleições regulares no país, a corrupção é endémica, assim como a brutalidade e arbitrariedade policiais.

A 8 de Janeiro, três jornalistas malawianos foram presos no aeroporto de Lilongwe quando tentavam entrevistar uma delegação da União Europeia.

Golden Matonga, um dos repórteres detidos, explica que a chegada da delegação coincidia com um julgamento constitucional das eleições presidenciais do Malawi.  A equipa de segurança da União Europeia e a polícia do aeroporto pediram-lhe as credenciais de imprensa. A equipa europeia não apresentou restrições à cobertura do evento, mas a polícia local impediu-o de reportar o acontecimento, alegando que o jornalista não dispunha das autorizações necessárias para o fazer. Os jornalistas foram acusados de conduta desordeira e vão ser julgados a 18 de Janeiro, podendo enfrentar, até, cinco anos de prisão.

Já na Serra Leoa, vários repórteres foram agredidos por cobrirem eventos respeitantes à política nacional. 

A 4 de Janeiro, um jornalista foi vítima de maus tratos na sequência de uma tentativa de entrevista ao ministro Musa Bamba Fodey Jalloh. Na semana anterior, vários apoiantes de Jalloh ameaçaram dois outros repórteres, entregando-os, de seguida, à custódia policial. O político em causa nega ter chamado apoiantes ao local e reitera que os jornalistas foram detidos por não apresentarem as credenciais necessárias.

Na Serra Leoa a corrupção governamental é generalizada e o trabalho dos jornalistas dificultado pela ameaça de serem acusados de difamação. Desde 1997, registaram-se 17 mortes de jornalistas no país. 

No início de 2020, a violência contra jornalistas não se cingiu, no entanto, apenas a África.  

No Brasil, todos os anos, jornalistas que cobrem protestos no país são perseguidos e defrontam-se com problemas de obstrução e violência. 

Para Natalie Southwick, coordenadora do CPJ Central and South America Program, em Nova York, "as autoridades brasileiras devem garantir que os agentes da polícia entendam o papel vital dos jornalistas que cobrem os protestos e parem de tratá-los como participantes ou alvos activos".


Connosco
França e Reino Unido juntam-se para limitar o poder das tecnológicas Ver galeria

Alguns países europeus -- como é o caso da França e do Reino Unido -- estão a começar a limitar o poder exercido pelas empresas tecnológicas norte-americanas.

Em França, as autoridades francesas já começaram a cobrar um imposto sobre os serviços digitais às “gigantes” tecnológicas, noticiou o “Financial Times”. As empresas sujeitas “receberam a notificação de imposto referente a 2020”, confirmou uma fonte do governo, em comunicado.

Em declarações ao jornal “Público”, o Facebook afirmou que vai pagar os impostos exigidos por França. Segundo um porta-voz da empresa, a tecnológica norte-americana vai “[continuar] a incentivar um foco global por parte dos governos, para se chegar a uma reforma tributária nacional”.

Por outro lado, no Reino Unido está a ser criado um novo departamento para regular as plataformas “online”, com o objectivo de garantir a competição no sector tecnológico.

De acordo com o jornal “Guardian”, o Competitions and Markets Authority (CMA) ficará, assim, habilitado para aplicar um novo código de conduta às empresas, que deverão seguir um “comportamento aceitável”.

Regulador russo quer substituir redes sociais americanas Ver galeria

O regulador das comunicações russo, Roskomnadzor, propôs a criação de plataformas de vídeo nacionais para substituir o YouTube, devido à alegada “censura” praticada pelo “site” norte-americano.

A proposta foi apresentada depois de o regulador das comunicações russo ter acusado o YouTube de aplicar “um veto total” à criação de canais pela agência noticiosa ANNA News.

“Uma política específica de censura em relação aos meios russos é inaceitável e viola os princípios fundamentais de uma disseminação livre de informação e de acesso desimpedido à mesma”, considerou, em comunicado, o Roskomnadzor, citado pela agência EFE.

Esta não é a primeira vez que o regulador acusa as grandes multinacionais americanas de dificultarem o acesso dos “media” russos às suas plataformas.

Em Outubro, aquela entidade alegou que o Google, o Facebook e o Twitter “restringem o acesso a materiais de cerca de 20 meios de comunicação russos”, incluindo a agência estatal RIA Novosti.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



ver mais >
Opinião
As eleições americanas, bem como a pandemia provocada pelo  covid-19, têm sido dois poderosos ímanes na  cobertura mediática, e campo fértil para  o exercício do jornalismo, desde o que é   servido com rigor, àquele que obedece  apenas aos cânones  ideológicos de quem escreve. Houve tempo em que se cultivava o sagrado principio da separação da opinião e da...
No final de 2016 a Newspaper Association Of America, que representava cerca de 2000 publicações nos Estados Unidos e no Canadá, anunciou a sua transformação em News Media Alliance, reflectindo a evolução do sector e passando a incorporar as diversas plataformas em que os grupos produtores de informação qualificada se desdobraram ao longo dos últimos anos, coexistindo o papel com os formatos digitais, mas também video,...
Jornalistas: nem heróis nem vilões
Francisco Sarsfield Cabral
No  jornal “Público” de sábado,  J. Pacheco Pereira elogiou Vicente Jorge Silva porque “fez uma coisa rara entre nós – fez obra. Não tanto como jornalista, mas como criador no terreno da comunicação social”. E destacou o papel do jornal madeirense “Comércio do Funchal”, que, apesar da censura, conseguiu criticar o regime então vigente. Até ao 25 de Abril este jornal logrou,...
De acordo com Carlos Camponez , o «jornalismo de proximidade», porque realmente está mais próximo dos leitores da comunidade onde se integra, pode desempenhar um papel fundamental, «assumindo uma perspetiva de compromisso no incentivo à vida pública». Neste contexto, aquele investigador aponta para a ideia da criação de uma agenda do cidadão, o que, por sua vez, «obriga a que os media invistam em técnicas...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
02
Dez
Género e "media": desafios de Pequim
10:00 @ Conferência Internacional "Online" da SOPCOM
04
Dez
O coronavírus e o Caos estatístico
10:00 @ Conferência "online" da Universidade de Bournemouth
09
Dez
11
Dez