Sexta-feira, 24 de Janeiro, 2020
Mundo

O jornalismo continua a ser uma profissão perigosa

A prática do jornalismo continua a ser, em muitas partes do mundo, uma actividade de risco. A Síria é o país mais perigoso para jornalistas, seguida do México, mas existem muitos outros governos que condicionam a liberdade de expressão e que colocam em risco as vidas de quem informa.

O Comité Para a Protecção dos Jornalistas (CPJ) denuncia, em permanência, casos de violência contra repórteres e, em 2019, registou a morte de 25 destes profissionais. A reportagem política foi considerada a mais perigosa.

África é o continente com mais ocorrências e, já este ano, foram lá reportados dois casos de restrição e violência contra a actividade jornalística: uma no Malawi e outra na Serra Leoa. 


O Malawi é considerado um país parcialmente livre. Segundo a avaliação da Freedom HouseONG que promove os direitos humanos e monitoriza violações à liberdade de expressão –, apesar de haver eleições regulares no país, a corrupção é endémica, assim como a brutalidade e arbitrariedade policiais.

A 8 de Janeiro, três jornalistas malawianos foram presos no aeroporto de Lilongwe quando tentavam entrevistar uma delegação da União Europeia.

Golden Matonga, um dos repórteres detidos, explica que a chegada da delegação coincidia com um julgamento constitucional das eleições presidenciais do Malawi.  A equipa de segurança da União Europeia e a polícia do aeroporto pediram-lhe as credenciais de imprensa. A equipa europeia não apresentou restrições à cobertura do evento, mas a polícia local impediu-o de reportar o acontecimento, alegando que o jornalista não dispunha das autorizações necessárias para o fazer. Os jornalistas foram acusados de conduta desordeira e vão ser julgados a 18 de Janeiro, podendo enfrentar, até, cinco anos de prisão.

Já na Serra Leoa, vários repórteres foram agredidos por cobrirem eventos respeitantes à política nacional. 

A 4 de Janeiro, um jornalista foi vítima de maus tratos na sequência de uma tentativa de entrevista ao ministro Musa Bamba Fodey Jalloh. Na semana anterior, vários apoiantes de Jalloh ameaçaram dois outros repórteres, entregando-os, de seguida, à custódia policial. O político em causa nega ter chamado apoiantes ao local e reitera que os jornalistas foram detidos por não apresentarem as credenciais necessárias.

Na Serra Leoa a corrupção governamental é generalizada e o trabalho dos jornalistas dificultado pela ameaça de serem acusados de difamação. Desde 1997, registaram-se 17 mortes de jornalistas no país. 

No início de 2020, a violência contra jornalistas não se cingiu, no entanto, apenas a África.  

No Brasil, todos os anos, jornalistas que cobrem protestos no país são perseguidos e defrontam-se com problemas de obstrução e violência. 

Para Natalie Southwick, coordenadora do CPJ Central and South America Program, em Nova York, "as autoridades brasileiras devem garantir que os agentes da polícia entendam o papel vital dos jornalistas que cobrem os protestos e parem de tratá-los como participantes ou alvos activos".


Connosco
Jornalistas europeus a leste não escapam às restrições dos "media"... Ver galeria

A Europa sempre foi considerada segura para a imprensa, mas, nem o velho continente escapa à crescente violência contra os “media”. Um estudo do Reuters Institute indica que os jornalistas europeus estão sob  pressão crescente, particularmente, no Leste do continente.

Nos últimos três anos, foram assassinados três jornalistas europeus, todos por terem reportado casos de corrupção e crime organizado, aos quais não eram alheios os respectivos governos. Foram os casos Daphne Caruana Galizia, em Malta, Ján Kuciak, na Eslováquia, e Viktoria Marinova, na Bulgária.

Os indicadores de liberdade de imprensa apontam para valores preocupantes, especialmente em países como a Polónia, a Hungria e a Eslováquia, onde os “media” são ameaçados por políticos, mas, igualmente  por jornalistas. Neste inquérito, 63% dos jornalistas afirmam já ter sido, publicamente, criticados por uma figura pública, quer directamente, quer através das redes sociais.


... E “comité” de jornalistas elabora “top 10” da censura aos “media” Ver galeria

A Eritreia é o país onde a censura é exercida de uma forma mais implacável, segundo  uma lista divulgada pelo CPJ - Comité para a Protecção dos Jornalistas. Essa lista integra 10 países, e é baseada numa pesquisa da organização sobre leis repressivas e vigilância de jornalistas, incluíndo restrições no acesso à internet e às redes sociais.

A lista abrange apenas os países onde o governo controla, rigidamente, os “media”. As condições para jornalistas e liberdade de imprensa em países como a Síria, Iémen e Somália são, também, extremamente difíceis, quer pela censura do governamental, quer, ainda, devido a conflitos armados. 

Nos três países onde a censura mais se faz sentir - Eritreia, Coreia do Norte e Turquemenistão – os “media” funcionam como porta-voz do Estado, e qualquer tentativa de jornalismo independente só é viável a partir do exterior. Os poucos jornalistas estrangeiros autorizados a entrar nesses países são seguidos, de perto, pelas autoridades. Outros usam uma combinação de medidas contundentes, como assédio e detenção arbitrária, bem como vigilância sofisticada. A Arábia Saudita, China, Vietname e Irão são especialmente adeptos destes comportamentos. 

Segue-se a lista dos “10 mais” em matéria de censura aos “media”:


O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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