Quarta-feira, 3 de Junho, 2020
Mundo

O jornalismo continua a ser uma profissão perigosa

A prática do jornalismo continua a ser, em muitas partes do mundo, uma actividade de risco. A Síria é o país mais perigoso para jornalistas, seguida do México, mas existem muitos outros governos que condicionam a liberdade de expressão e que colocam em risco as vidas de quem informa.

O Comité Para a Protecção dos Jornalistas (CPJ) denuncia, em permanência, casos de violência contra repórteres e, em 2019, registou a morte de 25 destes profissionais. A reportagem política foi considerada a mais perigosa.

África é o continente com mais ocorrências e, já este ano, foram lá reportados dois casos de restrição e violência contra a actividade jornalística: uma no Malawi e outra na Serra Leoa. 


O Malawi é considerado um país parcialmente livre. Segundo a avaliação da Freedom HouseONG que promove os direitos humanos e monitoriza violações à liberdade de expressão –, apesar de haver eleições regulares no país, a corrupção é endémica, assim como a brutalidade e arbitrariedade policiais.

A 8 de Janeiro, três jornalistas malawianos foram presos no aeroporto de Lilongwe quando tentavam entrevistar uma delegação da União Europeia.

Golden Matonga, um dos repórteres detidos, explica que a chegada da delegação coincidia com um julgamento constitucional das eleições presidenciais do Malawi.  A equipa de segurança da União Europeia e a polícia do aeroporto pediram-lhe as credenciais de imprensa. A equipa europeia não apresentou restrições à cobertura do evento, mas a polícia local impediu-o de reportar o acontecimento, alegando que o jornalista não dispunha das autorizações necessárias para o fazer. Os jornalistas foram acusados de conduta desordeira e vão ser julgados a 18 de Janeiro, podendo enfrentar, até, cinco anos de prisão.

Já na Serra Leoa, vários repórteres foram agredidos por cobrirem eventos respeitantes à política nacional. 

A 4 de Janeiro, um jornalista foi vítima de maus tratos na sequência de uma tentativa de entrevista ao ministro Musa Bamba Fodey Jalloh. Na semana anterior, vários apoiantes de Jalloh ameaçaram dois outros repórteres, entregando-os, de seguida, à custódia policial. O político em causa nega ter chamado apoiantes ao local e reitera que os jornalistas foram detidos por não apresentarem as credenciais necessárias.

Na Serra Leoa a corrupção governamental é generalizada e o trabalho dos jornalistas dificultado pela ameaça de serem acusados de difamação. Desde 1997, registaram-se 17 mortes de jornalistas no país. 

No início de 2020, a violência contra jornalistas não se cingiu, no entanto, apenas a África.  

No Brasil, todos os anos, jornalistas que cobrem protestos no país são perseguidos e defrontam-se com problemas de obstrução e violência. 

Para Natalie Southwick, coordenadora do CPJ Central and South America Program, em Nova York, "as autoridades brasileiras devem garantir que os agentes da polícia entendam o papel vital dos jornalistas que cobrem os protestos e parem de tratá-los como participantes ou alvos activos".


Connosco
"NYT" em processo de mudança perante o novo perfil de audiência Ver galeria

Em 1851 nasceu o “New York Times”, um jornal que, desde cedo ,se assumiu como uma publicação de referência, na qual só havia espaço para as notícias e informação objectivas.

Segundo relembra o provedor do jornal, Gabriel Snyder, num artigo publicado na “Columbia Journalism Review”,  o “NYT” foi, assim, durante vários anos, um formador de opinião, que liderava, não seguia.

Qualquer pessoa minimamente relevante no espaço social lia o “NYT”, que, durante mais de um século, não teve de preocupar-se com a captação de audiências. Era um membro inquestionável da elite do poder norte-americano e nunca teve de explicar o porquê da sua importância.

Esta posição privilegiada permitia ao “Times” relatar sem ter que aprofundar uma opinião, sem se envolver em qualquer conflito.

Mas, reitera Snyder, os tempos mudaram e o jornal tem de reafirmar -se perante uma sociedade em mutação, onde se perpetua a polarização política. 

Projecto de jornalismo comunitário nasce em Detroit Ver galeria

Muito antes da pandemia de coronavírus, as redacções de jornalismo local e regional começaram “desmoronar-se”, devido a modelos de negócio obsoletos e a uma circulação pouco significativa.

De acordo com o instituto Poynter, um em cada cinco jornais, nos Estados Unidos, fechou, no decorrer da última década, e muitos dos que “sobreviveram” mantém-se, agora, na “sombra”, sem possibilidade de fazer reportagens assertivas ou entrevistas relevantes.

O jornalismo regional parece, contudo, estar a recuperar algum protagonismo, com muitos cidadãos a manifestarem o desejo de se informarem sobre a realidade das suas comunidades.

Perante este quadro, algumas associações têm-se aliado a jornalistas para fundar novas iniciativas comunitárias, com uma linha editorial compatível com a era digital.

Foi a partir de uma dessas parcerias que nasceu o “BridgeDetroit”, um projecto multiplataforma, dedicado a escrutinar, com transparência e objectividade, a realidade da cidade de Detroit, no Estado de Michigan.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas