Sexta-feira, 24 de Janeiro, 2020
Media

“L’Express” adopta fórmula do “The Economist”

A nova fórmula do “L’Express” foi revelada. Alain Weill, principal accionista da revista, determinou que a publicação se vai basear, já neste mês, no “The Economist”. O redesenho da revista não deixa dúvidas quanto à fonte de inspiração: com uma capa ilustrada, um logotipo em fundo vermelho e quatro títulos de artigos, a composição das primeiras páginas é semelhante à da revista britânica.

Weill considera que o mundo mudou e que é “o momento certo” para relançar o título. “Hoje, as pessoas estão prontas a pagar por factos de qualidade, estão a habituar-se a pagar pelo seu conteúdo", disse.

Segundo aquele accionista, a nova versão do semanário promete “mover linhas”, com conteúdo exigente e de alto valor informativo. A equipa contará com cerca de 100 jornalistas e como "uma equipa editorial extremamente sólida”. O accionista garante ainda que “L’Express” “visa todos os francófonos do mundo, pois pretende recrutar assinantes fora de França.


O semanário quer focar e comprometer-se com valores de "abertura, liberalismo, antecipação", recusando "todo conservadorismo", embora "os fundamentos não mudem". “L'Express” será o "observador das transformações do mundo", à imagem de um "espectador empenhado", para "ter a maior influência no debate de ideias". O objetivo é ter "uma postura mais decisiva.

O novo “L’Express” vai ser mais fino, mas mais “denso”. "Há um terço menos páginas e 50% mais conteúdo", disse Weill. Para acomodar todo esse texto , a revista optou por um “layout” sóbrio deixando pouco espaço para fotos, à semelhança do que já acontece em revistas de economia como a “The Economist” e a “New Yorker. O peso das imagens vai ser reduzido para deixar mais espaço para o texto.

O eixo estratégico de crescimento será, contudo, o formato digital. Para atrair assinantes - “L'Express”, que tem "menos de 100 mil" assinantes aponto como alvo os 200 mil .

 Para que o objectivo possa ser atingido, serão oferecidos quatro serviços. "L'Express masterclasses" - longas entrevistas de áudio –, “L'Express augmentée -- a revista em PDF à qual é adicionado novo conteúdo -, "Regards D’Archives" -, conteúdo que invoca assuntos cobertos pela revista no passado. Os assinantes terão, também, acesso a uma secção de confidências, disponível em grupos de Whatsapp e Messenger.

O semanário quer  apostar, ainda, no marketing, tencionando investir entre 10% e 20% do volume de negócios numa grande campanha de comunicação (TV, rádio, digital), que terá início em Fevereiro.


A mudança editorial surge como tentativa de solucionar um período financeiro atribulado, que ameaçou comprometer o semanário e os seus funcionários. Weill considera que a revista já se encontra “fora da zona vermelha” e espera que, no período de 3 anos, o negócio esteja completamente recuperado.

Connosco
Jornalistas europeus a leste não escapam às restrições dos "media"... Ver galeria

A Europa sempre foi considerada segura para a imprensa, mas, nem o velho continente escapa à crescente violência contra os “media”. Um estudo do Reuters Institute indica que os jornalistas europeus estão sob  pressão crescente, particularmente, no Leste do continente.

Nos últimos três anos, foram assassinados três jornalistas europeus, todos por terem reportado casos de corrupção e crime organizado, aos quais não eram alheios os respectivos governos. Foram os casos Daphne Caruana Galizia, em Malta, Ján Kuciak, na Eslováquia, e Viktoria Marinova, na Bulgária.

Os indicadores de liberdade de imprensa apontam para valores preocupantes, especialmente em países como a Polónia, a Hungria e a Eslováquia, onde os “media” são ameaçados por políticos, mas, igualmente  por jornalistas. Neste inquérito, 63% dos jornalistas afirmam já ter sido, publicamente, criticados por uma figura pública, quer directamente, quer através das redes sociais.


... E “comité” de jornalistas elabora “top 10” da censura aos “media” Ver galeria

A Eritreia é o país onde a censura é exercida de uma forma mais implacável, segundo  uma lista divulgada pelo CPJ - Comité para a Protecção dos Jornalistas. Essa lista integra 10 países, e é baseada numa pesquisa da organização sobre leis repressivas e vigilância de jornalistas, incluíndo restrições no acesso à internet e às redes sociais.

A lista abrange apenas os países onde o governo controla, rigidamente, os “media”. As condições para jornalistas e liberdade de imprensa em países como a Síria, Iémen e Somália são, também, extremamente difíceis, quer pela censura do governamental, quer, ainda, devido a conflitos armados. 

Nos três países onde a censura mais se faz sentir - Eritreia, Coreia do Norte e Turquemenistão – os “media” funcionam como porta-voz do Estado, e qualquer tentativa de jornalismo independente só é viável a partir do exterior. Os poucos jornalistas estrangeiros autorizados a entrar nesses países são seguidos, de perto, pelas autoridades. Outros usam uma combinação de medidas contundentes, como assédio e detenção arbitrária, bem como vigilância sofisticada. A Arábia Saudita, China, Vietname e Irão são especialmente adeptos destes comportamentos. 

Segue-se a lista dos “10 mais” em matéria de censura aos “media”:


O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
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