Quarta-feira, 3 de Junho, 2020
Media

“L’Express” adopta fórmula do “The Economist”

A nova fórmula do “L’Express” foi revelada. Alain Weill, principal accionista da revista, determinou que a publicação se vai basear, já neste mês, no “The Economist”. O redesenho da revista não deixa dúvidas quanto à fonte de inspiração: com uma capa ilustrada, um logotipo em fundo vermelho e quatro títulos de artigos, a composição das primeiras páginas é semelhante à da revista britânica.

Weill considera que o mundo mudou e que é “o momento certo” para relançar o título. “Hoje, as pessoas estão prontas a pagar por factos de qualidade, estão a habituar-se a pagar pelo seu conteúdo", disse.

Segundo aquele accionista, a nova versão do semanário promete “mover linhas”, com conteúdo exigente e de alto valor informativo. A equipa contará com cerca de 100 jornalistas e como "uma equipa editorial extremamente sólida”. O accionista garante ainda que “L’Express” “visa todos os francófonos do mundo, pois pretende recrutar assinantes fora de França.


O semanário quer focar e comprometer-se com valores de "abertura, liberalismo, antecipação", recusando "todo conservadorismo", embora "os fundamentos não mudem". “L'Express” será o "observador das transformações do mundo", à imagem de um "espectador empenhado", para "ter a maior influência no debate de ideias". O objetivo é ter "uma postura mais decisiva.

O novo “L’Express” vai ser mais fino, mas mais “denso”. "Há um terço menos páginas e 50% mais conteúdo", disse Weill. Para acomodar todo esse texto , a revista optou por um “layout” sóbrio deixando pouco espaço para fotos, à semelhança do que já acontece em revistas de economia como a “The Economist” e a “New Yorker. O peso das imagens vai ser reduzido para deixar mais espaço para o texto.

O eixo estratégico de crescimento será, contudo, o formato digital. Para atrair assinantes - “L'Express”, que tem "menos de 100 mil" assinantes aponto como alvo os 200 mil .

 Para que o objectivo possa ser atingido, serão oferecidos quatro serviços. "L'Express masterclasses" - longas entrevistas de áudio –, “L'Express augmentée -- a revista em PDF à qual é adicionado novo conteúdo -, "Regards D’Archives" -, conteúdo que invoca assuntos cobertos pela revista no passado. Os assinantes terão, também, acesso a uma secção de confidências, disponível em grupos de Whatsapp e Messenger.

O semanário quer  apostar, ainda, no marketing, tencionando investir entre 10% e 20% do volume de negócios numa grande campanha de comunicação (TV, rádio, digital), que terá início em Fevereiro.


A mudança editorial surge como tentativa de solucionar um período financeiro atribulado, que ameaçou comprometer o semanário e os seus funcionários. Weill considera que a revista já se encontra “fora da zona vermelha” e espera que, no período de 3 anos, o negócio esteja completamente recuperado.

Connosco
"NYT" em processo de mudança perante o novo perfil de audiência Ver galeria

Em 1851 nasceu o “New York Times”, um jornal que, desde cedo ,se assumiu como uma publicação de referência, na qual só havia espaço para as notícias e informação objectivas.

Segundo relembra o provedor do jornal, Gabriel Snyder, num artigo publicado na “Columbia Journalism Review”,  o “NYT” foi, assim, durante vários anos, um formador de opinião, que liderava, não seguia.

Qualquer pessoa minimamente relevante no espaço social lia o “NYT”, que, durante mais de um século, não teve de preocupar-se com a captação de audiências. Era um membro inquestionável da elite do poder norte-americano e nunca teve de explicar o porquê da sua importância.

Esta posição privilegiada permitia ao “Times” relatar sem ter que aprofundar uma opinião, sem se envolver em qualquer conflito.

Mas, reitera Snyder, os tempos mudaram e o jornal tem de reafirmar -se perante uma sociedade em mutação, onde se perpetua a polarização política. 

Projecto de jornalismo comunitário nasce em Detroit Ver galeria

Muito antes da pandemia de coronavírus, as redacções de jornalismo local e regional começaram “desmoronar-se”, devido a modelos de negócio obsoletos e a uma circulação pouco significativa.

De acordo com o instituto Poynter, um em cada cinco jornais, nos Estados Unidos, fechou, no decorrer da última década, e muitos dos que “sobreviveram” mantém-se, agora, na “sombra”, sem possibilidade de fazer reportagens assertivas ou entrevistas relevantes.

O jornalismo regional parece, contudo, estar a recuperar algum protagonismo, com muitos cidadãos a manifestarem o desejo de se informarem sobre a realidade das suas comunidades.

Perante este quadro, algumas associações têm-se aliado a jornalistas para fundar novas iniciativas comunitárias, com uma linha editorial compatível com a era digital.

Foi a partir de uma dessas parcerias que nasceu o “BridgeDetroit”, um projecto multiplataforma, dedicado a escrutinar, com transparência e objectividade, a realidade da cidade de Detroit, no Estado de Michigan.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas