Quarta-feira, 8 de Abril, 2020
Media

O jornalismo satírico como contraponto em regimes autoritários

A sátira ou a caricatura  estão frequentemente entre os primeiros alvos dos regimes autoritários , apostados em silenciar a liberdade de expressão.
A jornalista Amina Boubia, considera, num artigo para o Global Investigative Journalism Network que não se trata de um mero acaso: uma sátira bem contada pode comunicar verdades, desafiar tabus e entreter o público de uma forma mais acessível e envolvente do que o jornalismo convencional, de cara séria.

Os programas satíricos apelam ao público mais jovem, que tem mais probabilidade de acompanhar as notícias, procurar mais informação, recordar factos e participar em actividades políticas, como resultado do consumo de comédia política. 

A autora conversou com dois veteranos da sátira política: Isam Uraiqat e Juan Ravell. Isam é o fundador da Al Hudood, uma organização de media especializada em sátira, responsável pelo que  “site” "A Cebola do Médio Oriente" e Juan é o director de um jornal satírico online venezuelano, “El Chigüire Bipolar”.


Isam considera que a sátira é particularmente importante no Médio Oriente, devido às “enormes restrições à liberdade de expressão”. O veterano considera que a sátira é “um dos poucos formatos que pode sobrepor-se à censura, pois as autoridades nem sempre sabem como lidar com ela”. 

Isam Uraiqat realiza, todos os dias, em conjunto com a sua equipa, um levantamento das notícias e escolhe quais são as mais importantes. O jornalista diz que as “piadas em si não são a parte mais difícil, sendo que vamos treinando a mente para pensar de uma certa maneira”.  Para ele, o aspecto mais importante do trabalho é desenvolver o factor editorial que permita distinguir uma boa sátira de uma má sátira.

O fundador do Al Hudood reitera que é necessário ter “muito cuidado, pois a sátira pode, por vezes,  piorar as coisas e tornar-se viral pelas razões erradas” e ter em atenção a cobertura de todos os lados da mesma história. 

“Por exemplo, em relação à divisão saudita, se tivermos uma história sobre os sauditas, garantimos que também lançamos algo sobre o Irão. Sempre que possível, fazemos isso na mesma história, porque as histórias têm uma vida própria”.

Já Ravell, do “Chigüire Bipolar”, considera que o jornal fala da realidade, mas de uma forma divertida. A principal dificuldade do jornal é relatar os factos, de forma satírica, mas sempre coerente, para não levar as pessoas a pensar em algo que não é verdade.

O jornalista considera, no entanto, que “alguns assuntos são impossíveis de se abordar com humor, ou , pelo menos, devem ser abordados de uma forma muito delicada”, apesar de defender que, juntamente com a equipa, conseguiu tratar o caso “Lava Jato” – que investigou várias personalidades brasileiras pelo crime de lavagem de dinheiro - de forma particularmente eficaz.


Connosco
Editores descontentes com projecto de apoio aos jornais "à medida das televisões" Ver galeria

Na sequência de apelos de várias empresas mediáticas, o Governo está, finalmente, a preparar um conjunto de medidas de apoio aos “media”, gravemente afectados pela crise instalada no país, na sequência da pandemia de Covid-19. 

Tudo indica, contudo, que o pacote destinado a compensar a quebra de receitas de circulação e publicidade não irá ao encontro das necessidades dos editores de jornais e revistas nem, tão pouco, de quem as distribui.

Isto porque as medidas que o Governo está a preparar terão como base a quebra de receitas da publicidade, omitindo, porém, o valor perdido com a diminuição abrupta na circulação, problema que não afecta as televisões.
"O pacote, como está neste momento, é feito à medida das televisões, porque não tem em conta os jornais e revistas, os meios mais prejudicados com a crise de saúde e económica que estamos a viver", explicou Afonso Camões, administrador do Grupo Global Media. "Sem imprensa escrita, é ,em primeira e última análise, o direito à informação, o Estado de direito e a Democracia que ficam em causa".

Perseguição à imprensa gera divisão ideológica no Brasil Ver galeria

Apesar dos esforços dos “media” para alcançar um consenso perante a pandemia do coronavírus, o discurso do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, tem contribuído para a polarização ideológica dos cidadãos, referiu Francisco Fernandes Ladeira, num artigo publicado no Observatório da Imprensa.

Isto porque, segundo Ladeira, Bolsonaro tem contrariado as directivas da imprensa para a contenção do coronavírus, apontadas pela OMS e pelo próprio ministério da Saúde brasileiro, acusando os “media” de disseminarem o pânico, deliberadamente, e sem fundamento.
Até meados do mês de Março, com a divulgação dos primeiros casos de covid-19 no Brasil, havia um relativo consenso entre a população sobre a quarentena transversal ser a melhor alternativa para evitar a rápida propagação do coronavírus.
Porém, devido aos discursos “inflamados” do Presidente os “media” têm sido descredibilizados. Essas premissas incentivaram, mesmo, aviolência sob jornalistas, que têm encontrado cada vez mais obstáculos ao exercício da profissão.

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun