Terça-feira, 17 de Maio, 2022
Media

O jornalismo satírico como contraponto em regimes autoritários

A sátira ou a caricatura  estão frequentemente entre os primeiros alvos dos regimes autoritários , apostados em silenciar a liberdade de expressão.
A jornalista Amina Boubia, considera, num artigo para o Global Investigative Journalism Network que não se trata de um mero acaso: uma sátira bem contada pode comunicar verdades, desafiar tabus e entreter o público de uma forma mais acessível e envolvente do que o jornalismo convencional, de cara séria.

Os programas satíricos apelam ao público mais jovem, que tem mais probabilidade de acompanhar as notícias, procurar mais informação, recordar factos e participar em actividades políticas, como resultado do consumo de comédia política. 

A autora conversou com dois veteranos da sátira política: Isam Uraiqat e Juan Ravell. Isam é o fundador da Al Hudood, uma organização de media especializada em sátira, responsável pelo que  “site” "A Cebola do Médio Oriente" e Juan é o director de um jornal satírico online venezuelano, “El Chigüire Bipolar”.


Isam considera que a sátira é particularmente importante no Médio Oriente, devido às “enormes restrições à liberdade de expressão”. O veterano considera que a sátira é “um dos poucos formatos que pode sobrepor-se à censura, pois as autoridades nem sempre sabem como lidar com ela”. 

Isam Uraiqat realiza, todos os dias, em conjunto com a sua equipa, um levantamento das notícias e escolhe quais são as mais importantes. O jornalista diz que as “piadas em si não são a parte mais difícil, sendo que vamos treinando a mente para pensar de uma certa maneira”.  Para ele, o aspecto mais importante do trabalho é desenvolver o factor editorial que permita distinguir uma boa sátira de uma má sátira.

O fundador do Al Hudood reitera que é necessário ter “muito cuidado, pois a sátira pode, por vezes,  piorar as coisas e tornar-se viral pelas razões erradas” e ter em atenção a cobertura de todos os lados da mesma história. 

“Por exemplo, em relação à divisão saudita, se tivermos uma história sobre os sauditas, garantimos que também lançamos algo sobre o Irão. Sempre que possível, fazemos isso na mesma história, porque as histórias têm uma vida própria”.

Já Ravell, do “Chigüire Bipolar”, considera que o jornal fala da realidade, mas de uma forma divertida. A principal dificuldade do jornal é relatar os factos, de forma satírica, mas sempre coerente, para não levar as pessoas a pensar em algo que não é verdade.

O jornalista considera, no entanto, que “alguns assuntos são impossíveis de se abordar com humor, ou , pelo menos, devem ser abordados de uma forma muito delicada”, apesar de defender que, juntamente com a equipa, conseguiu tratar o caso “Lava Jato” – que investigou várias personalidades brasileiras pelo crime de lavagem de dinheiro - de forma particularmente eficaz.


Connosco
Jornalistas enfrentam “período negro” com risco de vida Ver galeria

O mês de Maio tem sido negro para os jornalistas, com o assassinato de quatro mulheres  jornalistas em apenas sete dias.

Conforme apontou o “Guardian”, dois dos homicídios ocorreram no México, um dos países mais perigosos para o exercício jornalístico. As vítimas foram Yesenia Mollinedo Falconi e Sheila Johana García Olivera, do “site”  “El Veraz”.

Semanas antes da sua morte, Yesenia Mollinedo Falconi, havia recebido ameaças de morte, na sequência das suas investigações sobre crime e corrupção. Ainda assim, aquela jornalista estava confiante de que não corria perigo.

Dois dias após a morte das profissionais mexicanas, foi noticiada outra tragédia: o assassinato de Shireen Abu Akleh, uma correspondente da Al Jazeera, que acompanhava o conflito israelo-árabe há vários anos.

O Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU mostrou-se “chocado” com a morte deste profissional e exigiu, entretanto,  uma “investigação independente e transparente” sobre o sucedido.

Também a directora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, se juntou no apelo a uma “investigação completa” à morte da jornalista.

“O assassinato de uma jornalista claramente identificada, numa zona de conflito, é uma violação do direito internacional“, disse Azoulay em comunicado, pedindo uma investigação para levar “os responsáveis à justiça”.

No dia a seguir, ficou conhecido o homicídio da jornalista colombiana Francisca Sandoval, morta durante a cobertura noticiosa de uma manifestação.


“Media” polacos apostam em conteúdos em ucraniano Ver galeria

Na Polónia, várias empresas mediáticas começaram a lançar produtos noticiosos em ucraniano, como forma de responder às necessidades dos três milhões de refugiados que chegaram ao país desde o início da guerra.

Conforme apontou o “Nieman Lab”, a Agência Noticiosa Polaca (Polska Agencja Prasowa, ou PAP) foi uma das primeiras organizações a partilhar artigos em ucraniano, graças a uma equipa de cinco jornalistas, que têm vindo a dedicar-se à tradução e produção de conteúdos.

Este serviço em ucraniano foi criado em apenas uma semana, e publica artigos diários sobre a invasão da Ucrânia.

“Esta guerra mudou tudo”, disse Jaros?aw Junko, coordenador dos serviços ucraniano e russo daquela agência noticiosa. “Todos os ‘sites’ informativos polacos de renome começaram a oferecer produtos em ucraniano. Esta é uma mudança importante, e mostra que a Polónia está a respeitar os ‘vizinhos’ que chegam ao país”.

Agora, a PAP quer expandir a editoria ucraniana, passando a incluir conteúdos sobre apoio legal, e ajuda económica para refugiados.

Outra das publicações que apostou em conteúdos ucranianos foi a “Onet” que, agora, partilha dez artigos diários sobre o conflito e, ainda, sobre a adaptação à vida na Polónia.

“Fazemos o nosso melhor para sermos um guia sobre a vida neste país”, explicou Kamil Turecki, coordenador da “Onet”.

Também o Grupo RMF decidiu ajudar esta causa, lançando uma nova estação de rádio em ucraniano, com frequências nas cidades fronteiriças de Przemysl e Hrubieszow.

O Clube


Os ciberataques passaram a fazer parte da paisagem mediática portuguesa. Depois do Grupo Impresa ter sido seriamente afectado, juntamente com a Cofina, embora esta em menor grau de exposição, chegou a vez do Grupo Trust in News, que detém o antigo portfólio de revistas de Balsemão, como é o caso do semanário “Visão”.
Outras empresas foram igualmente visadas, em maior ou menor escala, desde a multinacional Vodafone aos laboratórios Germano de Sousa.
Não cabe neste espaço qualquer comentário especializado a tal respeito, mas não nos isentamos de manifestar uma profunda preocupação relativamente à continuidade - e aparente impunidade - destes actos ilegais, que estão a pôr a nu as vulnerabilidades dos sistemas e redes, tanto públicos como privados.
Recorde-se que este site do Clube Português de Imprensa já foi alvo, também, de intrusões pontuais que bloquearam a sua actualização regular, o que voltou a acontecer, embora de uma forma indirecta, como consequência da inoperacionalidade do operador de telecomunicações atingido.

Oxalá estes ataques de “hackers”, já com um carácter mais “profissional”, tenha contribuído para alertar os especialistas e as autoridades competentes em cibersegurança no sentido de adoptarem as medidas de protecção que se impõem.
As fragilidades ficaram bem à vista.

 


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Opinião
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Agenda
19
Mai
2022 Collaborative Journalism Summit
10:00 @ Chicago, Estados Unidos
25
Jun
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor
27
Jun
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia
10
Jul
Washington Journalism and Media Conference (WJMC)
10:00 @ Universidade George Mason