Quarta-feira, 8 de Abril, 2020
Estudo

Relatório aponta políticas europeias para defesa do jornalismo

As restrições ao jornalismo independente são ainda uma realidade, mesmo no interior  da União Europeia, que, desde a sua criação, se colocou na vanguarda da democracia e da liberdade de expressão.

Para ajudar à  segurança daqueles que informam, o Reuters Institute elaborou um relatório com um conjunto de medidas, que vão ao encontro da legislação europeia, e que podem tornar o jornalismo mais progressista.

O relatório baseou-se na convicção  de que, para atingir a sua plenitude, o jornalismo precisa de liberdade, de investimento e da garantia de um futuro.

De acordo com o documento , caso o jornalismo não tenha perspectivas de futuro, a democracia vai deteriorar-se, sendo, então, crucial , que os governantes europeus assegurem que todos os media se encontrem no mesmo patamar e que possam ter acesso a fundos de ajuda financeira. 

A sugestão de políticas aborda as problemáticas que, de acordo com a Reuters, são mais relevantes para o jornalismo contemporâneo: a liberdade dos media; a desinformação e os perigos online; a competição e a protecção de dados e, finalmente, a legislação mediática.


Para que se garanta a liberdade de expressão, o relatório sugere que se concretize uma revisão anual da legislação dos Estados-membro para que se possam identificar, arquivar e publicitar quaisquer  fugas às normas da União Europeia, que ameacem o trabalho livre dos meios de comunicação. 

Segundo o relatório é, também,  urgente que as companhias privadas moderem o discurso “online”. Quando as autoridades nacionais falharem na protecção aos jornalistas, as medidas a tomar devem ser elevadas ao estatuto europeu.

Da mesma forma, o desenvolvimento tecnológico e a disseminação de informação online precisam de uma monitorização mais eficaz e constante, para que a desinformação deixe de ser um problema. 

Para o efeito, deverão incentivar-se mecanismos de auto-regulação e investir em programas de literacia mediática, bem como  na formação em resposta às notícias falsas.

Para que a competição seja mais “saudável” e os dados dos consumidores de informação protegidos, a União Europeia deve apostar em medidas que assegurem a transparência e justiça das publicações e assegurem o acesso a fontes fidedignas.

O relatório assinala ,ainda,  que é necessário garantir que os meios são verdadeiramente independentes e que, para o efeito, o estatuto do jornalista deve ser encarado como algo nobre. Para que a inovação e diversidade sejam uma constante na informação, o relatório sugere que a UE direccione os repórteres para programas de financiamento,  como a Creative Europe, Digital Europe e a Horizon Europe.

Os autores do relatório assumem que as medidas devem ser adaptadas consoante as leis e costumes de cada Estado-membro, mas defendem que, com a contribuição da Comissão Europeia, a implementação das políticas sugeridas, deverá fazer da Europa um sítio mais propício e seguro para a prática jornalismo.

Consulte o relatório na íntegra em Reuters Institute.

Connosco
Editores descontentes com projecto de apoio aos jornais "à medida das televisões" Ver galeria

Na sequência de apelos de várias empresas mediáticas, o Governo está, finalmente, a preparar um conjunto de medidas de apoio aos “media”, gravemente afectados pela crise instalada no país, na sequência da pandemia de Covid-19. 

Tudo indica, contudo, que o pacote destinado a compensar a quebra de receitas de circulação e publicidade não irá ao encontro das necessidades dos editores de jornais e revistas nem, tão pouco, de quem as distribui.

Isto porque as medidas que o Governo está a preparar terão como base a quebra de receitas da publicidade, omitindo, porém, o valor perdido com a diminuição abrupta na circulação, problema que não afecta as televisões.
"O pacote, como está neste momento, é feito à medida das televisões, porque não tem em conta os jornais e revistas, os meios mais prejudicados com a crise de saúde e económica que estamos a viver", explicou Afonso Camões, administrador do Grupo Global Media. "Sem imprensa escrita, é ,em primeira e última análise, o direito à informação, o Estado de direito e a Democracia que ficam em causa".

Perseguição à imprensa gera divisão ideológica no Brasil Ver galeria

Apesar dos esforços dos “media” para alcançar um consenso perante a pandemia do coronavírus, o discurso do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, tem contribuído para a polarização ideológica dos cidadãos, referiu Francisco Fernandes Ladeira, num artigo publicado no Observatório da Imprensa.

Isto porque, segundo Ladeira, Bolsonaro tem contrariado as directivas da imprensa para a contenção do coronavírus, apontadas pela OMS e pelo próprio ministério da Saúde brasileiro, acusando os “media” de disseminarem o pânico, deliberadamente, e sem fundamento.
Até meados do mês de Março, com a divulgação dos primeiros casos de covid-19 no Brasil, havia um relativo consenso entre a população sobre a quarentena transversal ser a melhor alternativa para evitar a rápida propagação do coronavírus.
Porém, devido aos discursos “inflamados” do Presidente os “media” têm sido descredibilizados. Essas premissas incentivaram, mesmo, aviolência sob jornalistas, que têm encontrado cada vez mais obstáculos ao exercício da profissão.

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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Jornalismo Empreendedor
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Congresso Mundial de "Media"
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Stereo and Immersive Media 2020
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22
Jun