Quarta-feira, 8 de Abril, 2020
Estudo

Há “rankings” publicados em jornais incompletos ou enviesados

Os “rankings” apresentados e citados pelos jornais e restantes meios de comunicação social são, por vezes, falsos, refere Josu Mezo, professor da área de sociologia na Universidade de Castela-La Mancha, num artigo dos “Cuadernos de Periodistas”, editado pela APM, com a qual o CPI tem parceria.

Segundo Mezo, muitas destas listas não respondem correctamente àquilo que propõem, apresentando informações incompletas (expõem dados de apenas alguns países) ou tendenciosas (o método de elaboração privilegia um certo tipo de informação). Assim, a posição na tabela classificativa da cidade ou país poderá ser tendencialmente enganadora.

O especialista em ciências sociais alerta para a necessidade de verificação da fonte dos “dados” que, amiúde, se baseiam em rumores e suposições.

O jornalista espanhol Manuel Ansede é apenas um de muitos profissionais que tentou verificar a origem de uma afirmação, segundo a qual Espanha era um dos países com mais poluição sonora do mundo. Ansede concluiu que o mito - que foi reproduzido em várias notícias - teve origem num congresso em Saragoça.

 

Outro exemplo notável é o da difusão jornalística da informação de que a Espanha seria o décimo país do mundo onde havia mais pirataria de música “online”. A atribuição dessa posição resultou, no entanto, de um mal-entendido, viciado pela oralidade.

 

O “ranking” não se baseava nos dados, individuais, de cada país, mas, sim, em quatro níveis de agrupamento. O primeiro, em que mais de 50% da música seria “pirata”, incluía 31 países. No segundo, com vendas piratas entre os 25 e os 50%, estavam 25 países. Espanha era um dos onze países do terceiro nível, com vendas piratas entre os 10 e os 24% do total. Finalmente, no quarto “patamar”, estavam 16 países. Assim, a informação correcta seria a de que Espanha se tratava do 56º país do mundo com maior percentagem de consumo ilegal de música.

 

Além do mais, o levantamento de dados não foi, efetivamente, “mundial”, visto que só abrangeu países vinculados a grandes organizações internacionais, que têm capacidade para recolher informação estatística.

 

Segundo Josu Mezo, os métodos de investigação podem, também, favorecer alguns países, em detrimento de outros. Sucede que há estudos, supostamente globais, concretizados por empresas institucionais de um determinado país que acabam por beneficiar a origem.

 

Mezo alerta para a necessidade de acautelar o mais possível do enviesamento dos “rankings”, o qual pode influenciar a comunidade jornalística com referências enganosas.

Connosco
Editores descontentes com projecto de apoio aos jornais "à medida das televisões" Ver galeria

Na sequência de apelos de várias empresas mediáticas, o Governo está, finalmente, a preparar um conjunto de medidas de apoio aos “media”, gravemente afectados pela crise instalada no país, na sequência da pandemia de Covid-19. 

Tudo indica, contudo, que o pacote destinado a compensar a quebra de receitas de circulação e publicidade não irá ao encontro das necessidades dos editores de jornais e revistas nem, tão pouco, de quem as distribui.

Isto porque as medidas que o Governo está a preparar terão como base a quebra de receitas da publicidade, omitindo, porém, o valor perdido com a diminuição abrupta na circulação, problema que não afecta as televisões.
"O pacote, como está neste momento, é feito à medida das televisões, porque não tem em conta os jornais e revistas, os meios mais prejudicados com a crise de saúde e económica que estamos a viver", explicou Afonso Camões, administrador do Grupo Global Media. "Sem imprensa escrita, é ,em primeira e última análise, o direito à informação, o Estado de direito e a Democracia que ficam em causa".

Perseguição à imprensa gera divisão ideológica no Brasil Ver galeria

Apesar dos esforços dos “media” para alcançar um consenso perante a pandemia do coronavírus, o discurso do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, tem contribuído para a polarização ideológica dos cidadãos, referiu Francisco Fernandes Ladeira, num artigo publicado no Observatório da Imprensa.

Isto porque, segundo Ladeira, Bolsonaro tem contrariado as directivas da imprensa para a contenção do coronavírus, apontadas pela OMS e pelo próprio ministério da Saúde brasileiro, acusando os “media” de disseminarem o pânico, deliberadamente, e sem fundamento.
Até meados do mês de Março, com a divulgação dos primeiros casos de covid-19 no Brasil, havia um relativo consenso entre a população sobre a quarentena transversal ser a melhor alternativa para evitar a rápida propagação do coronavírus.
Porém, devido aos discursos “inflamados” do Presidente os “media” têm sido descredibilizados. Essas premissas incentivaram, mesmo, aviolência sob jornalistas, que têm encontrado cada vez mais obstáculos ao exercício da profissão.

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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Opinião
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O paradoxo mediático
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15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun