Sexta-feira, 24 de Janeiro, 2020
Colectânea

“Ombudsman” (ou Provedor dos “Media”) figura em vias de extinção

A figura do ombudsman dos media, corresponde a um mediador que promove a interacção entre os órgãos de comunicação social e o público, tendo também uma responsabilidade crítica. 

A função, na sua origem, passava por “ouvir” os leitores, ouvintes e telespectadores em relação aos conteúdos dos media

A palavra surgiu na Suécia, a partir do termo justitiombudsman, e tinha um carácter público. Nos Estados Unidos decidiram adoptar a expressão para definir o defensor do leitor, surgindo assim o ombudsman. A terminologia varia de país para país, desde “defensor del lector” em Espanha, “médiateur” em França e “provedor do leitor” em Portugal.

O cargo de provedor surgiu em Portugal, apenas em 1990, o que pode ser considerado relativamente tardio, quando comparado com os Estados Unidos – onde o newsombudsman surgiu nos jornais Louisville Courier Journal e Louisville Times, no estado de Kentucky, em 1967 – e no Brasil o primeiro ombudsman apareceu em 1989, no jornal Folha de S. Paulo.

Apesar de tardio, o Provedor do Leitor (do Ouvinte ou do Telespectador) entrou em declínio e está em vias de extinção nos media portugueses.

Juliana Rosas, pesquisadora do objETHOS, publicou um oportuno artigo no site do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI tem um acordo de parceria, no qual reflecte sobre o tema.

No Brasil, o ombudsman de imprensa tinha como missão: ouvir o leitor e criticar não só o seu jornal, mas igualmente os media em geral. Já nos Estados Unidos a função era menos crítica.

 

O provedor teve o seu apogeu durante os anos 90, numa fase de reforço da democracia no Brasil e no mundo, marcada pelo fim da Guerra Fria e pela queda do Muro de Berlim. 

 

O primeiro jornal português generalista a criar o cargo foi o Diário de Notícias, em 1997, que foi assegurado pelo actual vice-presidente da ERC, Mário Mesquita. Anteriormente, já o desportivo Record tinha criado a mesma figura, em 1992, confiada a David Borges.

 

Apesar do boom inicial, a partir dos anos 2000 já se observava uma quebra acentuada de provedorias. Não é possível proceder a uma análise precisa dos números, uma vez que a Organization of News Ombudsmen and Standards Editors tem a informação desactualizada.

 

No Brasil, apenas os jornais Folha de S.Paulo e O Povo, no Ceará, mantêm o cargo de ombudsman

 

A autora refere que o jornalismo “é um negócio que presta serviço público” e esta ambivalência pode ser uma das razões que levou à extinção do cargo.

 

Há que considerar, contudo, que a existência de um ombudsman pode ser uma forma de garantir a transparência e a responsabilidade das empresas de comunicação, promovendo a sua credibilidade.

Mais informação em Observatório da Imprensa do Brasil.

Connosco
Jornalistas europeus a leste não escapam às restrições dos "media"... Ver galeria

A Europa sempre foi considerada segura para a imprensa, mas, nem o velho continente escapa à crescente violência contra os “media”. Um estudo do Reuters Institute indica que os jornalistas europeus estão sob  pressão crescente, particularmente, no Leste do continente.

Nos últimos três anos, foram assassinados três jornalistas europeus, todos por terem reportado casos de corrupção e crime organizado, aos quais não eram alheios os respectivos governos. Foram os casos Daphne Caruana Galizia, em Malta, Ján Kuciak, na Eslováquia, e Viktoria Marinova, na Bulgária.

Os indicadores de liberdade de imprensa apontam para valores preocupantes, especialmente em países como a Polónia, a Hungria e a Eslováquia, onde os “media” são ameaçados por políticos, mas, igualmente  por jornalistas. Neste inquérito, 63% dos jornalistas afirmam já ter sido, publicamente, criticados por uma figura pública, quer directamente, quer através das redes sociais.


... E “comité” de jornalistas elabora “top 10” da censura aos “media” Ver galeria

A Eritreia é o país onde a censura é exercida de uma forma mais implacável, segundo  uma lista divulgada pelo CPJ - Comité para a Protecção dos Jornalistas. Essa lista integra 10 países, e é baseada numa pesquisa da organização sobre leis repressivas e vigilância de jornalistas, incluíndo restrições no acesso à internet e às redes sociais.

A lista abrange apenas os países onde o governo controla, rigidamente, os “media”. As condições para jornalistas e liberdade de imprensa em países como a Síria, Iémen e Somália são, também, extremamente difíceis, quer pela censura do governamental, quer, ainda, devido a conflitos armados. 

Nos três países onde a censura mais se faz sentir - Eritreia, Coreia do Norte e Turquemenistão – os “media” funcionam como porta-voz do Estado, e qualquer tentativa de jornalismo independente só é viável a partir do exterior. Os poucos jornalistas estrangeiros autorizados a entrar nesses países são seguidos, de perto, pelas autoridades. Outros usam uma combinação de medidas contundentes, como assédio e detenção arbitrária, bem como vigilância sofisticada. A Arábia Saudita, China, Vietname e Irão são especialmente adeptos destes comportamentos. 

Segue-se a lista dos “10 mais” em matéria de censura aos “media”:


O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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