Sexta-feira, 25 de Setembro, 2020
Colectânea

“Ombudsman” (ou Provedor dos “Media”) figura em vias de extinção

A figura do ombudsman dos media, corresponde a um mediador que promove a interacção entre os órgãos de comunicação social e o público, tendo também uma responsabilidade crítica. 

A função, na sua origem, passava por “ouvir” os leitores, ouvintes e telespectadores em relação aos conteúdos dos media

A palavra surgiu na Suécia, a partir do termo justitiombudsman, e tinha um carácter público. Nos Estados Unidos decidiram adoptar a expressão para definir o defensor do leitor, surgindo assim o ombudsman. A terminologia varia de país para país, desde “defensor del lector” em Espanha, “médiateur” em França e “provedor do leitor” em Portugal.

O cargo de provedor surgiu em Portugal, apenas em 1990, o que pode ser considerado relativamente tardio, quando comparado com os Estados Unidos – onde o newsombudsman surgiu nos jornais Louisville Courier Journal e Louisville Times, no estado de Kentucky, em 1967 – e no Brasil o primeiro ombudsman apareceu em 1989, no jornal Folha de S. Paulo.

Apesar de tardio, o Provedor do Leitor (do Ouvinte ou do Telespectador) entrou em declínio e está em vias de extinção nos media portugueses.

Juliana Rosas, pesquisadora do objETHOS, publicou um oportuno artigo no site do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI tem um acordo de parceria, no qual reflecte sobre o tema.

No Brasil, o ombudsman de imprensa tinha como missão: ouvir o leitor e criticar não só o seu jornal, mas igualmente os media em geral. Já nos Estados Unidos a função era menos crítica.

 

O provedor teve o seu apogeu durante os anos 90, numa fase de reforço da democracia no Brasil e no mundo, marcada pelo fim da Guerra Fria e pela queda do Muro de Berlim. 

 

O primeiro jornal português generalista a criar o cargo foi o Diário de Notícias, em 1997, que foi assegurado pelo actual vice-presidente da ERC, Mário Mesquita. Anteriormente, já o desportivo Record tinha criado a mesma figura, em 1992, confiada a David Borges.

 

Apesar do boom inicial, a partir dos anos 2000 já se observava uma quebra acentuada de provedorias. Não é possível proceder a uma análise precisa dos números, uma vez que a Organization of News Ombudsmen and Standards Editors tem a informação desactualizada.

 

No Brasil, apenas os jornais Folha de S.Paulo e O Povo, no Ceará, mantêm o cargo de ombudsman

 

A autora refere que o jornalismo “é um negócio que presta serviço público” e esta ambivalência pode ser uma das razões que levou à extinção do cargo.

 

Há que considerar, contudo, que a existência de um ombudsman pode ser uma forma de garantir a transparência e a responsabilidade das empresas de comunicação, promovendo a sua credibilidade.

Mais informação em Observatório da Imprensa do Brasil.

Connosco
Campanha de emergência para os "media" desencadeada em Espanha Ver galeria

A Federação de Associações de Jornalistas de Espanha (FAPE) -- integrada pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria --  juntou-se à Federação Internacional de Jornalistas (IFJ), e à UNI Global Union para lançar uma campanha de emergência para os “media”. 

Face à grave crise económica, espoletada pela pandemia, os sindicatos exigem que os governos nacionais intervenham nos “media”, garantindo a qualidade, a ética, a solidariedade, os direitos laborais e as liberdades fundamentais.

Além disso, as associações querem pressionar os governos a introduzir um imposto sobre os serviços digitais , que têm monopolizado as receitas da publicidade nos meios de comunicação.

"A actual crise global de saúde está a agravar as dificuldades enfrentadas pelo sector da imprensa escrita", advertiu Anthony Bellanger, secretário-geral do IFJ. "Os governos devem reagir com urgência. Os ‘media’ são um bem público e um pilar fundamental das nossas democracias”.


A televisão tem passado e futuro democrático Ver galeria

A evolução da tecnologia veio, ao longo dos tempos, servir os “media”, oferecendo-lhes novos mecanismos para transmitir a informação e de alargar as audiências

A televisão, que celebra agora 70 anos no Brasil, é considerada uma das mais importantes “máquinas” dessa mesma evolução, já que se impôs no “modus vivendi” da Humanidade, moldando os seus hábitos e gostos.

Mas, mais do que isso -- recordou Alexander Goulart num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- a televisão, que nasceu como simples aparato tecnológico para transmissão de imagens, foi recebendo outros atributos, especialmente de cunho social, político, económico e cultural.

No Brasil, a TV nasceu sob a marca do entretenimento. Em poucos anos, ganhou fama e difundiu-se largamente. “Como uma espécie de hipnose massificante, na visão de muitos críticos, tomou conta das classes e o Brasil real passou a ser representado na tela. Nos anos 60, 70 e 80, a TV  tornou-se o principal “media” brasileiro, agente da unificação e geradora de uma identidade nacional”, recordou o autor.

“O sistema ‘broadcasting’ -- acrescentou, ainda, Goulart --  formando as redes, sobrepôs o nacional ao regional e o Brasil real passou a ser aquele que é reproduzido a partir de um determinado ponto de vista, que informava e entretinha a maioria da população”.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



ver mais >
Opinião
Jornalistas: nem heróis nem vilões
Francisco Sarsfield Cabral
No  jornal “Público” de sábado,  J. Pacheco Pereira elogiou Vicente Jorge Silva porque “fez uma coisa rara entre nós – fez obra. Não tanto como jornalista, mas como criador no terreno da comunicação social”. E destacou o papel do jornal madeirense “Comércio do Funchal”, que, apesar da censura, conseguiu criticar o regime então vigente. Até ao 25 de Abril este jornal logrou,...
Uma crise sem precedentes
Dinis de Abreu
No meio de transferências milionárias, ao jeito do futebol de alta competição, em que se envolveram dois operadores privados de televisão, a paisagem mediática portuguesa, em vésperas da primeira  “silly season” da “nova normalidade”, está longe de respirar saúde e desafogo. Se a Imprensa regional e local vive em permanente ansiedade, devido ao sufoco financeiro que espartilha a maioria dos seus...
De acordo com Carlos Camponez , o «jornalismo de proximidade», porque realmente está mais próximo dos leitores da comunidade onde se integra, pode desempenhar um papel fundamental, «assumindo uma perspetiva de compromisso no incentivo à vida pública». Neste contexto, aquele investigador aponta para a ideia da criação de uma agenda do cidadão, o que, por sua vez, «obriga a que os media invistam em técnicas...
Uma certeza que nasceu nos últimos meses é a facilidade com que as pessoas mudam de hábitos. Em consequência o comportamento face ao consumo de conteúdos está a modificar-se cada vez de forma mais rápida e os mais novos são claramente os que com maior facilidade adoptam novidades. Durante o confinamento e a explosão de uso da internet houve uma aplicação que ganhou destaque em todo o mundo – o Tik Tok. Trata-se...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo