Quarta-feira, 3 de Junho, 2020
Media

Modelos de interacção dos “media” com comunidades de leitores

À medida que mais empresas de media adoptam modelos baseados em assinaturas para gerar receita, o envolvimento com os leitores tornou-se cada vez mais importante. Contudo, algumas instituições parecem desconfortáveis com a construção de comunidades para os leitores. 

Mike Masnick - que fundou o site Techdirt – falou sobre o processo e referiu que o erro fundamental de muitos canais de notícias é "não perceber que sempre foram uma empresa de construção de comunidades". 

Mathew Ingram publicou um artigo no site Columbia Journalism Review sobre o tema.

Joy Mayer, que dirige o projecto Trusting News, explicou que nesta fase, em que a confiança no jornalismo está extremamente abalada, o envolvimento com os leitores é a melhor maneira de recuperar a confiança. 

"Trabalhamos com redacções que usam  vários modelos  de chamar a atenção para a sua missão, motivações, processos e ética”, disse Mayer.

"É natural que o público fique confuso, sobrecarregado e frustrado com o que os jornalistas fazem, mas se os jornalistas acreditam no em seu próprio trabalho, precisam de tempo para explicar o porquê”. 

 

Mayer refere, ainda, que Summer Fields, da Hearken – uma consultoria de tecnologia para empresas de media­ –, lhe disse: "Vimos que quanto mais o seu público se apercebe que os valoriza, mais provável é que eles confiem em si e o apoiem, seja financeiramente ou com seu tempo”. 

 

Lauren Katz, da Vox Media, disse que a empresa usou projectos de crowdsourcing para relatar uma série de histórias de investigação, incluindo uma sobre custos de saúde,  que envolveu pedir aos leitores informação sobre as suas experiências pessoais. 

 

Outros meios de comunicação vêem o relacionamento com os leitores como uma série contínua de eventos sociais, explicou Christine Schmidt, que  está a mudar-se  do Nieman Lab para o Fundo Democracia, de Pierre Omidyar. 

 

"Vejo a interacção como uma forma de fazer com que as pessoas se sintam ouvidas e incluídas”, disse Schmidt. 

 

“E se os leitores se sentirem escutados e incluídos, então talvez eles tenham mais hipóteses de tirar seus ‘livros de cheques’: Simon Galperin, da GroundSource, que oferece às empresas de media uma plataforma de mensagens de texto para se conectarem com os leitores, disse que os públicos envolvidos em pesquisas têm três vezes mais probabilidade de se tornarem doadores ou assinantes dos sites com os quais se relacionam”.

 

Hanna Ingber, directora editorial do Centro de Leitores do New York Times, disse em entrevista à Galley que o centro não é um substituto para o editor, uma posição que o Timesterminou em 2017. 

Ingber explicou que tenta usar o centro como uma forma de mostrar aos leitores que estes são ouvidos. "Às vezes vemos que muitos leitores têm a mesma pergunta, e isso  leva-nos a escrever um artigo ou um explicador sobre o tema". 

 

Mais informação em CJR.

Connosco
"NYT" em processo de mudança perante o novo perfil de audiência Ver galeria

Em 1851 nasceu o “New York Times”, um jornal que, desde cedo ,se assumiu como uma publicação de referência, na qual só havia espaço para as notícias e informação objectivas.

Segundo relembra o provedor do jornal, Gabriel Snyder, num artigo publicado na “Columbia Journalism Review”,  o “NYT” foi, assim, durante vários anos, um formador de opinião, que liderava, não seguia.

Qualquer pessoa minimamente relevante no espaço social lia o “NYT”, que, durante mais de um século, não teve de preocupar-se com a captação de audiências. Era um membro inquestionável da elite do poder norte-americano e nunca teve de explicar o porquê da sua importância.

Esta posição privilegiada permitia ao “Times” relatar sem ter que aprofundar uma opinião, sem se envolver em qualquer conflito.

Mas, reitera Snyder, os tempos mudaram e o jornal tem de reafirmar -se perante uma sociedade em mutação, onde se perpetua a polarização política. 

Projecto de jornalismo comunitário nasce em Detroit Ver galeria

Muito antes da pandemia de coronavírus, as redacções de jornalismo local e regional começaram “desmoronar-se”, devido a modelos de negócio obsoletos e a uma circulação pouco significativa.

De acordo com o instituto Poynter, um em cada cinco jornais, nos Estados Unidos, fechou, no decorrer da última década, e muitos dos que “sobreviveram” mantém-se, agora, na “sombra”, sem possibilidade de fazer reportagens assertivas ou entrevistas relevantes.

O jornalismo regional parece, contudo, estar a recuperar algum protagonismo, com muitos cidadãos a manifestarem o desejo de se informarem sobre a realidade das suas comunidades.

Perante este quadro, algumas associações têm-se aliado a jornalistas para fundar novas iniciativas comunitárias, com uma linha editorial compatível com a era digital.

Foi a partir de uma dessas parcerias que nasceu o “BridgeDetroit”, um projecto multiplataforma, dedicado a escrutinar, com transparência e objectividade, a realidade da cidade de Detroit, no Estado de Michigan.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas