Quarta-feira, 3 de Junho, 2020
Media

Plataformas e editores mantém uma relação atribulada

O estudo “Plataformas e Editores: O Fim de uma Era”, analisa a relação entre as plataformas tecnológicas e os editores de notícias. Essa “era” é definida pela convicção de que as ofertas maciças das plataformas de audiência levariam a uma receita publicitária significativa para os editores.

Em grande parte de 2018, os editores ainda acreditaram  que essa parceria com as plataformas e as iniciativas baseadas em escalas numéricas poderiam ajudar a sustentar o negócio do jornalismo.

Actualmente, os editores continuam a depender de uma variedade de produtos das plataformas, mas o espírito de colaboração diminuiu significativamente e os editores expressaram cada vez maior  desconfiança . 

Na conclusão do estudo, citado por  Emily Bell, a autora refere que “à medida que a primeira década da web móvel e social se aproxima do fim, torna-se claro que a influência das plataformas tecnológicas de grande escala perturbou, mas não reformou, o campo do jornalismo”. 

Os funcionários das editoras e das plataformas , entrevistados para o relatório,  concordaram de forma esmagadora que é o fim de uma era de exploração.

Columbia Journalism Review publicou o relatório, que faz parte de um estudo contínuo e plurianual do Tow Center for Digital Journalism da Columbia Journalism School, sobre a relação entre as empresas de tecnologia de grande escala e o jornalismo.

 

De certa forma, ambas as partes reconhecem que o crescimento da publicidade digital não é realista e que, para que a relação entre ambos seja produtiva, ela terá de gerar mais subsídios directos ou um caminho para monetizar o público. 

 

Os primeiros cinco anos de desenvolvimento de relações integradas, entre organizações de notícias e empresas de plataforma,  não tiveram muito sucesso. As redacções não encontraram sustentabilidade, e as plataformas, particularmente o Facebook, YouTube e Twitter, tornaram-se sinónimos de desinformação e abuso, em vez de oferecerem  notícias e entretenimento de qualidade. 

 

O encerramento e cortes nas redacções, que se inclinaram para o vídeo com base nas falsas projecções do Facebook, sobre o aumento das receitas; uma série de mudanças nos algoritmos, que deixaram as organizações de notícias desorientadas e a desinformação, foram alguns dos vários problemas dessa “parceria” entre os media e as plataformas.

 

O certo é que as receitas de publicidade digital aumentaram para o Google e o Facebook. E até o The New York Times viu um grande declínio na publicidade digital. 

 

Verificou-se, também, o crescimento constante das plataformas que desenvolvem "salas de redacção" internas. A Apple e o LinkedIn têm as suas próprias equipas editoriais, estabelecidas por dezenas de jornalistas, que editam activamente material para as plataformas. 

 

A implementação do separador “Notícias” no Facebook vai fazer com que a empresa também siga este caminho. A nova iniciativa já pagou a certas editoras fundos significativos para fazer parte do programa.. O New York Times e o Wall Street Journal, por exemplo, assinaram  acordos plurianuais de milhões de dólares pela sua participação.

 

A autora considera que “embora possa servir a um punhado de empresas incumbentes, é improvável que [o projecto] resolva a crise”.

 

Enquanto isso, o Google e o Facebook já começaram a distribuir dinheiro a organizações jornalísticas sob o formato de "apoio" e "subsídios". 

 

“Cada organização diz que investirá um modesto montante de 300 milhões de dólares (numa base global) no jornalismo, entre 2019 e 2022, com um foco declarado em iniciativas para notícias locais nos EUA. 

 

Google, ao lançar experiências locais de notícias, já está a financiar o Compass Project, apoiando a McClatchy na criação de três novas redacções em todo o país, embora sem ‘controlo editorial’. Este novo tipo de apoio directo traz consigo oportunidades, mas também riscos”, refere Emily Bell. 

 

Este “patrocínio” vai, certamente, definir a próxima fase para as plataformas e para os editores, onde o jornalismo das redes sociais fará parte de uma estratégia remunerada. 

 

Provavelmente, empresas como Apple, Facebook, Google e, até mesmo a Amazon,  já estão a projectar a próxima fase do desenvolvimento de redacções, uma vez que são líderes no desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial. 

 

Estamos a entrar numa era em que as plataformas têm de mudar a cultura interna e as políticas externas para prestar contas ao seu papel editorial, e durante a qual enfrentarão  regulamentações mais rígidas em torno de suas actividades. 


A autora enfatiza  que “à medida que as receitas publicitárias diminuem e as redacções “ficam no  osso’, a diminuição do jornalismo como força de negócios está a criar um enorme desequilíbrio de recursos e poder entre aqueles que são organizações editoriais  e aquelas que são as plataformas de publicação e distribuição do futuro. Esse desequilíbrio torna ainda mais urgente que as mudanças nas políticas reflictam sobre como construir e sustentar instituições robustas,  que sejam tanto técnica quanto ideologicamente independentes de empresas tão grandes e diversas”.

 

Mais informações em CJR.

Connosco
"NYT" em processo de mudança perante o novo perfil de audiência Ver galeria

Em 1851 nasceu o “New York Times”, um jornal que, desde cedo ,se assumiu como uma publicação de referência, na qual só havia espaço para as notícias e informação objectivas.

Segundo relembra o provedor do jornal, Gabriel Snyder, num artigo publicado na “Columbia Journalism Review”,  o “NYT” foi, assim, durante vários anos, um formador de opinião, que liderava, não seguia.

Qualquer pessoa minimamente relevante no espaço social lia o “NYT”, que, durante mais de um século, não teve de preocupar-se com a captação de audiências. Era um membro inquestionável da elite do poder norte-americano e nunca teve de explicar o porquê da sua importância.

Esta posição privilegiada permitia ao “Times” relatar sem ter que aprofundar uma opinião, sem se envolver em qualquer conflito.

Mas, reitera Snyder, os tempos mudaram e o jornal tem de reafirmar -se perante uma sociedade em mutação, onde se perpetua a polarização política. 

Projecto de jornalismo comunitário nasce em Detroit Ver galeria

Muito antes da pandemia de coronavírus, as redacções de jornalismo local e regional começaram “desmoronar-se”, devido a modelos de negócio obsoletos e a uma circulação pouco significativa.

De acordo com o instituto Poynter, um em cada cinco jornais, nos Estados Unidos, fechou, no decorrer da última década, e muitos dos que “sobreviveram” mantém-se, agora, na “sombra”, sem possibilidade de fazer reportagens assertivas ou entrevistas relevantes.

O jornalismo regional parece, contudo, estar a recuperar algum protagonismo, com muitos cidadãos a manifestarem o desejo de se informarem sobre a realidade das suas comunidades.

Perante este quadro, algumas associações têm-se aliado a jornalistas para fundar novas iniciativas comunitárias, com uma linha editorial compatível com a era digital.

Foi a partir de uma dessas parcerias que nasceu o “BridgeDetroit”, um projecto multiplataforma, dedicado a escrutinar, com transparência e objectividade, a realidade da cidade de Detroit, no Estado de Michigan.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas