Sexta-feira, 27 de Novembro, 2020
Media

Plataformas e editores mantém uma relação atribulada

O estudo “Plataformas e Editores: O Fim de uma Era”, analisa a relação entre as plataformas tecnológicas e os editores de notícias. Essa “era” é definida pela convicção de que as ofertas maciças das plataformas de audiência levariam a uma receita publicitária significativa para os editores.

Em grande parte de 2018, os editores ainda acreditaram  que essa parceria com as plataformas e as iniciativas baseadas em escalas numéricas poderiam ajudar a sustentar o negócio do jornalismo.

Actualmente, os editores continuam a depender de uma variedade de produtos das plataformas, mas o espírito de colaboração diminuiu significativamente e os editores expressaram cada vez maior  desconfiança . 

Na conclusão do estudo, citado por  Emily Bell, a autora refere que “à medida que a primeira década da web móvel e social se aproxima do fim, torna-se claro que a influência das plataformas tecnológicas de grande escala perturbou, mas não reformou, o campo do jornalismo”. 

Os funcionários das editoras e das plataformas , entrevistados para o relatório,  concordaram de forma esmagadora que é o fim de uma era de exploração.

Columbia Journalism Review publicou o relatório, que faz parte de um estudo contínuo e plurianual do Tow Center for Digital Journalism da Columbia Journalism School, sobre a relação entre as empresas de tecnologia de grande escala e o jornalismo.

 

De certa forma, ambas as partes reconhecem que o crescimento da publicidade digital não é realista e que, para que a relação entre ambos seja produtiva, ela terá de gerar mais subsídios directos ou um caminho para monetizar o público. 

 

Os primeiros cinco anos de desenvolvimento de relações integradas, entre organizações de notícias e empresas de plataforma,  não tiveram muito sucesso. As redacções não encontraram sustentabilidade, e as plataformas, particularmente o Facebook, YouTube e Twitter, tornaram-se sinónimos de desinformação e abuso, em vez de oferecerem  notícias e entretenimento de qualidade. 

 

O encerramento e cortes nas redacções, que se inclinaram para o vídeo com base nas falsas projecções do Facebook, sobre o aumento das receitas; uma série de mudanças nos algoritmos, que deixaram as organizações de notícias desorientadas e a desinformação, foram alguns dos vários problemas dessa “parceria” entre os media e as plataformas.

 

O certo é que as receitas de publicidade digital aumentaram para o Google e o Facebook. E até o The New York Times viu um grande declínio na publicidade digital. 

 

Verificou-se, também, o crescimento constante das plataformas que desenvolvem "salas de redacção" internas. A Apple e o LinkedIn têm as suas próprias equipas editoriais, estabelecidas por dezenas de jornalistas, que editam activamente material para as plataformas. 

 

A implementação do separador “Notícias” no Facebook vai fazer com que a empresa também siga este caminho. A nova iniciativa já pagou a certas editoras fundos significativos para fazer parte do programa.. O New York Times e o Wall Street Journal, por exemplo, assinaram  acordos plurianuais de milhões de dólares pela sua participação.

 

A autora considera que “embora possa servir a um punhado de empresas incumbentes, é improvável que [o projecto] resolva a crise”.

 

Enquanto isso, o Google e o Facebook já começaram a distribuir dinheiro a organizações jornalísticas sob o formato de "apoio" e "subsídios". 

 

“Cada organização diz que investirá um modesto montante de 300 milhões de dólares (numa base global) no jornalismo, entre 2019 e 2022, com um foco declarado em iniciativas para notícias locais nos EUA. 

 

Google, ao lançar experiências locais de notícias, já está a financiar o Compass Project, apoiando a McClatchy na criação de três novas redacções em todo o país, embora sem ‘controlo editorial’. Este novo tipo de apoio directo traz consigo oportunidades, mas também riscos”, refere Emily Bell. 

 

Este “patrocínio” vai, certamente, definir a próxima fase para as plataformas e para os editores, onde o jornalismo das redes sociais fará parte de uma estratégia remunerada. 

 

Provavelmente, empresas como Apple, Facebook, Google e, até mesmo a Amazon,  já estão a projectar a próxima fase do desenvolvimento de redacções, uma vez que são líderes no desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial. 

 

Estamos a entrar numa era em que as plataformas têm de mudar a cultura interna e as políticas externas para prestar contas ao seu papel editorial, e durante a qual enfrentarão  regulamentações mais rígidas em torno de suas actividades. 


A autora enfatiza  que “à medida que as receitas publicitárias diminuem e as redacções “ficam no  osso’, a diminuição do jornalismo como força de negócios está a criar um enorme desequilíbrio de recursos e poder entre aqueles que são organizações editoriais  e aquelas que são as plataformas de publicação e distribuição do futuro. Esse desequilíbrio torna ainda mais urgente que as mudanças nas políticas reflictam sobre como construir e sustentar instituições robustas,  que sejam tanto técnica quanto ideologicamente independentes de empresas tão grandes e diversas”.

 

Mais informações em CJR.

Connosco
Onde se preconiza o jornalismo social e notícias felizes Ver galeria

O Presidente da Associação de Imprensa de Madrid -- com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- considera essencial que os “media” continuem a promover a dimensão social do jornalismo.

No discurso inaugural do Congresso da Comunicação Especializada na Sociedade da Informação, Juan Caño recordou que, com a crise pandémica, esta função "tem sido exercida de forma exemplar por vários meios de comunicação social", que, durante meses, não se esqueceram de "encorajar a população a superar a calamidade”.

Porém, ultimamente, começou a registar-se um “cansaço dos media', perante demasiada informação", recordou Caño. 

Este fenómeno tem vindo a ocorrer "à medida que a informação se foi tornando repetitiva e deixou de oferecer soluções viáveis", acrescentou.

Esta afirmação é sustentada pelo Relatório Anual da Profissão Jornalística 2020 da APM -- a ser publicado a 16 de Dezembro -- que revela que 43% dos espanhóis considerou excessiva a cobertura da pandemia.


Jornalismo deve acolher estratégias financeiras sustentáveis Ver galeria

O jornalismo deve ser encarado como um produto, para que os “media” possam prosperar de forma sustentável, defendeu o jornalista Rich Gordon num artigo publicado no “site” do Knight Center.

De acordo com o autor, os profissionais dos “media” rejeitam, por norma, esta ideia, já que para a maioria defende o jornalismo como sendo, única e exclusivamente, um serviço público.

E, embora Gordon acredite que esta deve ser a principal premissa dos jornalistas, considera, igualmente, essencial que a imprensa siga as tendências de mercado.

Como tal, reuniu, numa lista, seis razões pelos quais os “media” devem encarar os seus conteúdos como um produto.

Em primeiro lugar, Gordon recorda que os “websites”, os jornais, as “newsletters” são “mercadorias” -- os cidadãos decidem se querem ou não consumi-las, perante uma imensidão de escolhas. Além disso, a popularidade destes produtos depende do seu nível de inovação e de qualidade.

Este tipo de mentalidade existe há dois séculos -- os jornais do século XIX seguiam as exigências do mercado, a lei da oferta e da procura. A estratégia consistia em distribuir o máximo de jornais, a um preço reduzido, esperando conseguir o apoio de anunciantes.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



ver mais >
Opinião
As eleições americanas, bem como a pandemia provocada pelo  covid-19, têm sido dois poderosos ímanes na  cobertura mediática, e campo fértil para  o exercício do jornalismo, desde o que é   servido com rigor, àquele que obedece  apenas aos cânones  ideológicos de quem escreve. Houve tempo em que se cultivava o sagrado principio da separação da opinião e da...
No final de 2016 a Newspaper Association Of America, que representava cerca de 2000 publicações nos Estados Unidos e no Canadá, anunciou a sua transformação em News Media Alliance, reflectindo a evolução do sector e passando a incorporar as diversas plataformas em que os grupos produtores de informação qualificada se desdobraram ao longo dos últimos anos, coexistindo o papel com os formatos digitais, mas também video,...
Jornalistas: nem heróis nem vilões
Francisco Sarsfield Cabral
No  jornal “Público” de sábado,  J. Pacheco Pereira elogiou Vicente Jorge Silva porque “fez uma coisa rara entre nós – fez obra. Não tanto como jornalista, mas como criador no terreno da comunicação social”. E destacou o papel do jornal madeirense “Comércio do Funchal”, que, apesar da censura, conseguiu criticar o regime então vigente. Até ao 25 de Abril este jornal logrou,...
De acordo com Carlos Camponez , o «jornalismo de proximidade», porque realmente está mais próximo dos leitores da comunidade onde se integra, pode desempenhar um papel fundamental, «assumindo uma perspetiva de compromisso no incentivo à vida pública». Neste contexto, aquele investigador aponta para a ideia da criação de uma agenda do cidadão, o que, por sua vez, «obriga a que os media invistam em técnicas...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
02
Dez
Género e "media": desafios de Pequim
10:00 @ Conferência Internacional "Online" da SOPCOM
04
Dez
O coronavírus e o Caos estatístico
10:00 @ Conferência "online" da Universidade de Bournemouth
09
Dez
11
Dez