null, 8 de Dezembro, 2019
Media

Plataformas e editores mantém uma relação atribulada

O estudo “Plataformas e Editores: O Fim de uma Era”, analisa a relação entre as plataformas tecnológicas e os editores de notícias. Essa “era” é definida pela convicção de que as ofertas maciças das plataformas de audiência levariam a uma receita publicitária significativa para os editores.

Em grande parte de 2018, os editores ainda acreditaram  que essa parceria com as plataformas e as iniciativas baseadas em escalas numéricas poderiam ajudar a sustentar o negócio do jornalismo.

Actualmente, os editores continuam a depender de uma variedade de produtos das plataformas, mas o espírito de colaboração diminuiu significativamente e os editores expressaram cada vez maior  desconfiança . 

Na conclusão do estudo, citado por  Emily Bell, a autora refere que “à medida que a primeira década da web móvel e social se aproxima do fim, torna-se claro que a influência das plataformas tecnológicas de grande escala perturbou, mas não reformou, o campo do jornalismo”. 

Os funcionários das editoras e das plataformas , entrevistados para o relatório,  concordaram de forma esmagadora que é o fim de uma era de exploração.

Columbia Journalism Review publicou o relatório, que faz parte de um estudo contínuo e plurianual do Tow Center for Digital Journalism da Columbia Journalism School, sobre a relação entre as empresas de tecnologia de grande escala e o jornalismo.

 

De certa forma, ambas as partes reconhecem que o crescimento da publicidade digital não é realista e que, para que a relação entre ambos seja produtiva, ela terá de gerar mais subsídios directos ou um caminho para monetizar o público. 

 

Os primeiros cinco anos de desenvolvimento de relações integradas, entre organizações de notícias e empresas de plataforma,  não tiveram muito sucesso. As redacções não encontraram sustentabilidade, e as plataformas, particularmente o Facebook, YouTube e Twitter, tornaram-se sinónimos de desinformação e abuso, em vez de oferecerem  notícias e entretenimento de qualidade. 

 

O encerramento e cortes nas redacções, que se inclinaram para o vídeo com base nas falsas projecções do Facebook, sobre o aumento das receitas; uma série de mudanças nos algoritmos, que deixaram as organizações de notícias desorientadas e a desinformação, foram alguns dos vários problemas dessa “parceria” entre os media e as plataformas.

 

O certo é que as receitas de publicidade digital aumentaram para o Google e o Facebook. E até o The New York Times viu um grande declínio na publicidade digital. 

 

Verificou-se, também, o crescimento constante das plataformas que desenvolvem "salas de redacção" internas. A Apple e o LinkedIn têm as suas próprias equipas editoriais, estabelecidas por dezenas de jornalistas, que editam activamente material para as plataformas. 

 

A implementação do separador “Notícias” no Facebook vai fazer com que a empresa também siga este caminho. A nova iniciativa já pagou a certas editoras fundos significativos para fazer parte do programa.. O New York Times e o Wall Street Journal, por exemplo, assinaram  acordos plurianuais de milhões de dólares pela sua participação.

 

A autora considera que “embora possa servir a um punhado de empresas incumbentes, é improvável que [o projecto] resolva a crise”.

 

Enquanto isso, o Google e o Facebook já começaram a distribuir dinheiro a organizações jornalísticas sob o formato de "apoio" e "subsídios". 

 

“Cada organização diz que investirá um modesto montante de 300 milhões de dólares (numa base global) no jornalismo, entre 2019 e 2022, com um foco declarado em iniciativas para notícias locais nos EUA. 

 

Google, ao lançar experiências locais de notícias, já está a financiar o Compass Project, apoiando a McClatchy na criação de três novas redacções em todo o país, embora sem ‘controlo editorial’. Este novo tipo de apoio directo traz consigo oportunidades, mas também riscos”, refere Emily Bell. 

 

Este “patrocínio” vai, certamente, definir a próxima fase para as plataformas e para os editores, onde o jornalismo das redes sociais fará parte de uma estratégia remunerada. 

 

Provavelmente, empresas como Apple, Facebook, Google e, até mesmo a Amazon,  já estão a projectar a próxima fase do desenvolvimento de redacções, uma vez que são líderes no desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial. 

 

Estamos a entrar numa era em que as plataformas têm de mudar a cultura interna e as políticas externas para prestar contas ao seu papel editorial, e durante a qual enfrentarão  regulamentações mais rígidas em torno de suas actividades. 


A autora enfatiza  que “à medida que as receitas publicitárias diminuem e as redacções “ficam no  osso’, a diminuição do jornalismo como força de negócios está a criar um enorme desequilíbrio de recursos e poder entre aqueles que são organizações editoriais  e aquelas que são as plataformas de publicação e distribuição do futuro. Esse desequilíbrio torna ainda mais urgente que as mudanças nas políticas reflictam sobre como construir e sustentar instituições robustas,  que sejam tanto técnica quanto ideologicamente independentes de empresas tão grandes e diversas”.

 

Mais informações em CJR.

Connosco
A cientista Fabiola Gianotti recebeu Prémio Helena Vaz da Silva Ver galeria

O Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian acolheu novamente a cerimónia de entrega do  Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído , este ano, a Fabiola Gianotti,  cientista italiana em Física de partículas e primeira mulher nomeada directora-geral do Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), por ter contribuido para a divulgação da cultura científica de uma forma atractiva e acessível.

Este Prémio Europeu,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a  Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI)  recorda a jornalista portuguesa, escritora, activista cultural e política (1939 – 2002), e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

É atribuído anualmente a um cidadão europeu, cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O Prémio conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Controlo de informação agrava-se e contamina vários países Ver galeria

A China e a Rússia utilizam técnicas de controlo de informação invasivos, desde as comunicações privadas dos cidadãos à censura. 

O uso de sistemas tecnológicos autoritários, por actores estatais, com o objectivo de diminuir os direitos humanos fundamentais dos cidadãos é algo que ultrapassa todos os limites. 

Valentin Weber, do Programa de Bolsas de Estudo de Controlo de Informações do Fundo Aberto de Tecnologia, decidiu realizar uma análise sistemática dos seus drivers e obteve sintomáti cos resultados. 

Através da pesquisa, Valentin descobriu que, até ao momento, mais de cem países compraram, imitaram ou receberam treino em controlo de informação da China e da Rússia.

Verificou, ainda,  casos de países cujos objectivos de controlo e monitorização da informação são semelhantes, como a Venezuela, o Egipto e Myanmar. 

Na lista surgiram, também, países possivelmente menos suspeitos, nos quais a conectividade se está a expandir, como Sudão, Uganda e Zimbábue; várias democracias ocidentais, como Alemanha, França e Holanda; e até mesmo pequenas nações como Trinidad e Tobago. 

“Ao todo, foram detectados 110 países  com tecnologia de vigilância ou censura importada da Rússia ou da China”, refere o artigo da OpenTechnology Fund, publicado no Global Investigative Journalism Network.

O Clube

Este site do Clube, lançado em Novembro de 2016, e com  actividade regular desde então, tem-se afirmado tanto como roteiro do que acontece de novo na paisagem mediática, como ainda no aprofundamento do debate sobre as questões mais relevantes do jornalismo, além do acompanhamento e divulgação das iniciativas do CPI.

O resultado deste esforço tem sido notório, com a fixação de um crescente número de visitantes, oriundos de uma alargada panóplia de países, com relevo para os de língua portuguesa, facto que é muito estimulante e encorajador. 


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