Sexta-feira, 27 de Novembro, 2020
Estudo

Estudo revela que a desinformação também escapa aos jovens

Os jovens são tão susceptíveis de serem enganados pela desinformação como outros utilizadores da internet, segundo revelou um estudo da Universidade de Stanford.

Os jovens parecem ter, igualmente, dificuldades na avaliação de fontes digitais e em identificar a sua veracidade. 

Joel Breakstone, Mark Smith e Sam Wineburg, de Stanford, e uma equipa da Gibson Consulting avaliaram a alfabetização digital de 3446 estudantes do ensino médio, entre Junho de 2018 e Maio de 2019.

Com base no estudo, foi possível concluir que 52% dos estudantes acreditavam que um vídeo, supostamente, mostrava o preenchimento de boletins nas primárias democratas, em 2016, quando se tratava de uma filmagem na Rússia. Apenas três dos mais de três mil estudantes da amostra foram procurar a fonte do vídeo. 

Dois terços dos estudantes não conseguiram identificar, também, a diferença entre o conteúdo patrocinado, mesmo quando era identificado como tal, e as notícias, num teste que utilizou a página inicial da Slate como exemplo.

Para além disto, 96% dos estudantes não ponderaram que a relação entre um site sobre mudanças climáticas e uma empresa de combustíveis fósseis poderia afectar a credibilidade do site.

"Quase todos os estudantes fracassaram. Noventa porcento não receberam crédito em quatro das seis tarefas", revelaram os investigadores. 

 

"O objectivo deste estudo foi explorar se a intensa preocupação com a alfabetização informacional, desde 2016, teve um efeito sobre as habilidades digitais dos estudantes. Os jovens de hoje, três anos volvidos sobre o estudo original, estão preparados para fazer escolhas com base nas informações digitais que consomem?”

 

A amostra apresenta um perfil demográfico representativo dos alunos americanos do ensino médio, que foram sujeitos a seis tarefas para avaliar a sua capacidade de identificar informações confiáveis.

Os investigadores sugerem que "precisamos, desesperadamente, de abordagens baseadas em pesquisa para a alfabetização digital”.

O relatório completo (e o relatório de Stanford) está disponível aqui.

 

Mais informação em Nieman Journalism Lab.

Connosco
Onde se preconiza o jornalismo social e notícias felizes Ver galeria

O Presidente da Associação de Imprensa de Madrid -- com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- considera essencial que os “media” continuem a promover a dimensão social do jornalismo.

No discurso inaugural do Congresso da Comunicação Especializada na Sociedade da Informação, Juan Caño recordou que, com a crise pandémica, esta função "tem sido exercida de forma exemplar por vários meios de comunicação social", que, durante meses, não se esqueceram de "encorajar a população a superar a calamidade”.

Porém, ultimamente, começou a registar-se um “cansaço dos media', perante demasiada informação", recordou Caño. 

Este fenómeno tem vindo a ocorrer "à medida que a informação se foi tornando repetitiva e deixou de oferecer soluções viáveis", acrescentou.

Esta afirmação é sustentada pelo Relatório Anual da Profissão Jornalística 2020 da APM -- a ser publicado a 16 de Dezembro -- que revela que 43% dos espanhóis considerou excessiva a cobertura da pandemia.


Jornalismo deve acolher estratégias financeiras sustentáveis Ver galeria

O jornalismo deve ser encarado como um produto, para que os “media” possam prosperar de forma sustentável, defendeu o jornalista Rich Gordon num artigo publicado no “site” do Knight Center.

De acordo com o autor, os profissionais dos “media” rejeitam, por norma, esta ideia, já que para a maioria defende o jornalismo como sendo, única e exclusivamente, um serviço público.

E, embora Gordon acredite que esta deve ser a principal premissa dos jornalistas, considera, igualmente, essencial que a imprensa siga as tendências de mercado.

Como tal, reuniu, numa lista, seis razões pelos quais os “media” devem encarar os seus conteúdos como um produto.

Em primeiro lugar, Gordon recorda que os “websites”, os jornais, as “newsletters” são “mercadorias” -- os cidadãos decidem se querem ou não consumi-las, perante uma imensidão de escolhas. Além disso, a popularidade destes produtos depende do seu nível de inovação e de qualidade.

Este tipo de mentalidade existe há dois séculos -- os jornais do século XIX seguiam as exigências do mercado, a lei da oferta e da procura. A estratégia consistia em distribuir o máximo de jornais, a um preço reduzido, esperando conseguir o apoio de anunciantes.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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Género e "media": desafios de Pequim
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