Sexta-feira, 27 de Novembro, 2020
Estudo

O futuro dos “media” e da comunicação à luz do impacto da nova geração tecnológica

O relatório “Media em Mudança – Análise de relatórios de consultoras e entidades de investigação sobre o futuro dos media e da Comunicação” apresenta diversos capítulos acerca de várias indústrias ligadas à comunicação e à exploração de temas como o 5G e o impacto desta nova geração tecnológica nas indústrias, ainda em desenvolvimento,

Os relatórios das consultoras e das instituições de investigação analisados, confirmaram a evolução do modelo de negócio dos media, cada vez mais ligada às multiplataformas e aos novos meios de comunicação. 

O 5G tornará os modelos de negócio susceptíveis de mudanças e de  adaptações, o que possivelmente gerará uma profunda evolução dos sectores. 

Os relatórios analisados não dramatizam a possibilidade de algumas indústrias perderem relevância ou sofrerem alterações radicais.

Os relatórios acerca do jornalismo e da imprensa apresentam uma indústria com mais dificuldades, mas tal não implica que a evolução do sector não tenha oportunidades para se consolidar e reafirmar do ponto de vista económico. 

De um modo geral, o mundo mediático está cada vez mais imprevisível. Aspectos como o crescimento do streaming parecem ter um papel relevante no futuro, nomeadamente, para a população mais jovem.

Existem oportunidades interessantes a surgir, que podem permitir que alguns meios se reafirmem na sociedade e no mercado, se tiverem a capacidade de adaptação e a capacidade de investimento que potencie esse crescimento. 

TV tradicional e canais de streaming 

Os canais tradicionais de televisão têm apostado cada vez mais em serviços de streaming, disponibilizados em paralelo com o canal por cabo ou por satélite.O crescimento do streaming e do video-on-demand (em subscrições, receitas e conteúdos), é uma matéria consensual em  todos as investigações. 


Por outro lado, a crescente digitalização de todo o processo relacionado com TV e streaming– no qual o 5G terá um papel importante – irá alterar as funcionalidades de produção, distribuição e recomendação de conteúdo. 


Já outra característica fundamental do mercado será a crescente segmentação/personalização da publicidade, adaptando-se a novos formatos e maximizando a experiência e o valor do cliente. Quanto às receitas do streaming/video-on-demand, o crescimento  foi bastante forte há uns anos, continuando a progredir até estabilizar no mercado. 


É expectável que o crescimento do investimento global em streaming, exceda,  já em 2020,  o investimento, nos EUA, do broadcast regular e do top 30 de TV por cabo. 


Notícias, imprensa e jornalismo digital 

Na  análise dos relatórios relativos aos modelos de negócio actuais, no âmbito da imprensa e do jornalismo, ressalta clara uma tendência para se optar por um modelo baseado nos modelos digitais. 


Segundo um relatório da KPMG (2016), os jornais precisam de adquirir uma abordagem renovada na maneira como actuam e garantem as suas receitas. 


“Os negócios do futuro poderão ter modelos bastante distintos dos que existem actualmente e, com excepção dos jornais que oferecem conteúdo premium e conseguem obter algumas receitas nesse segmento , muitos outros poderão ter de adoptar um modelo exclusivamente digital, tornando muito difícil  a existência de um modelo baseado no papel impresso”. 

As principais fontes de receitas da imprensa e dos jornais, são as assinaturas,  com cerca de 52%, seguindo-se a exibição publicitária (27%) e, com menor percentagem, a publicidade nativa (8%). 

Diversos relatórios fazem referência à crescente importância do vídeo no que diz respeito ao consumo de noticias. 

“Segundo a Cisco (2015), três quartos do tráfego dos telemóveis/smartphones e tablets iriam incluir vídeos nos cinco anos seguidos; já o The Future Today Institute (2018) revela que, nos EUA, em 2018, 46% dos americanos preferem ver vídeos sobre alguma notícia, sendo que 35% preferem ler e 17% preferem ouvir. Isto aponta, pois, para a importância crescente deste tipo de mediação multimédia. Em grande parte, tal crescimento terá a influência do 5G, que irá permitir uma maior acessibilidade e facilidade no que respeita à visualização de vídeos”. 


O estudo faz ainda cinco previsões sobre o futuro do jornalismo, como o regresso do «jornalismo regional», a redacção aprofundada dos temas jornalísticos, a automação na escrita de certas notícias com o auxílio do 5G e da inteligência artificial. 


Rádio 

“Um relatório de 2018 da OFCOM, reguladora britânica para a comunicação, refere que nove em cada dez adultos no Reino Unido ouvem rádio todas as semanas,  durante uma média de quase 21 horas por semana, e que 75% de todos os ouvintes o fazem ao vivo/em directo. Estes dados representam bem uma tendência geral de resiliência e de um potencial de mercado interessante para tais empresas de comunicação”. 

“Segundo a Deloitte (2018), projecta-se que, em 2019, a rádio irá continuar a ser ouvida por bastante jovens, estimando-se que, nos EUA, indivíduos entre os 18 e os 34 anos ouvirão rádio pelo menos uma vez por semana e por mais de 80 minutos por dia, em média”. 

O 5G e a sua importância no mercado 

O 5G terá, certamente, um grande impacto na criação de novas possibilidades e no aceleramento de tendências, especialmente, no campo da comunicação e dos media

Prevê-se que ocorra um crescimento bastante elevado (dos 170 mil milhões de dólares, em 2017, para cerca de 420 mil milhões de dólares em 2028) por parte do mercado global de media e entretenimento. O estudo prevê, ainda, que desse montante, 124 mil milhões ficarão nos EUA e que a China averbará  outra grande fatia no mercado global, pois são duas grandes potências do mercado  5G. 

“De um modo geral, as receitas, por parte do 5G no que diz respeito aos media, poderão vir a ser divididas nas seguintes cinco categorias/segmentos: 1) Media móvel aprimorada, com o uso de media paga e incorporada que inclui vídeo, música ou jogos em redes 5G; 2) Publicidade móvel aprimorada, que corresponde a publicidade existente em telemóveis ou noutros formatos visuais, como a realidade virtual (RV) ou a realidade aumentada (RA); 3) Banda larga doméstica e TV, correspondente ao uso do 5G como a principal conexão de internet doméstica,  fornecida com um pacote de TV; 4) Media imersiva, que diz respeito a conteúdos e aplicações de AR e RV, nomeadamente, ao nível de jogos, algo que será, com o 5G, disponibilizado em massa; 5) Novos media, que corresponde a projectos e aplicações que não existem actualmente e que o 5G ajudará a criar, como é o caso de exibições holográficas em 3D”. 

Quanto ao papel da Europa no 5G, um relatório da Deutsche Research Bank (2018), refere três grandes riscos que a Europa tem na área digital:

“1) As empresas europeias correm o risco de ficar ainda mais atrasadas nas áreas centrais de mudança tecnológica, onde já perderam terreno significativo para os seus concorrentes americanos e chineses; 

2) As empresas europeias encontram-se a investir muito pouco, em comparação com EUA e China, na área da inteligência artificial; 

3) Onde as empresas europeias desenvolveram boas posições boas ou foram líderes em áreas como robótica e automação, indústria 4.0, mobilidade conectada e redes inteligentes de energia, correm o risco de serem atacadas, ultrapassadas ou expulsas para fora do mercado”. 

A Europa precisará de investir nas suas infra-estruturas digitais, possivelmente, a necessidade de investimento ultrapassará os 500 mil milhões de euros em infra-estruturas e serviços de comunicação e internet, o que será, em grande parte, responsabilidade de empresas do sector privado. 

Mais informações em Obercom.

 

Connosco
Onde se preconiza o jornalismo social e notícias felizes Ver galeria

O Presidente da Associação de Imprensa de Madrid -- com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- considera essencial que os “media” continuem a promover a dimensão social do jornalismo.

No discurso inaugural do Congresso da Comunicação Especializada na Sociedade da Informação, Juan Caño recordou que, com a crise pandémica, esta função "tem sido exercida de forma exemplar por vários meios de comunicação social", que, durante meses, não se esqueceram de "encorajar a população a superar a calamidade”.

Porém, ultimamente, começou a registar-se um “cansaço dos media', perante demasiada informação", recordou Caño. 

Este fenómeno tem vindo a ocorrer "à medida que a informação se foi tornando repetitiva e deixou de oferecer soluções viáveis", acrescentou.

Esta afirmação é sustentada pelo Relatório Anual da Profissão Jornalística 2020 da APM -- a ser publicado a 16 de Dezembro -- que revela que 43% dos espanhóis considerou excessiva a cobertura da pandemia.


Jornalismo deve acolher estratégias financeiras sustentáveis Ver galeria

O jornalismo deve ser encarado como um produto, para que os “media” possam prosperar de forma sustentável, defendeu o jornalista Rich Gordon num artigo publicado no “site” do Knight Center.

De acordo com o autor, os profissionais dos “media” rejeitam, por norma, esta ideia, já que para a maioria defende o jornalismo como sendo, única e exclusivamente, um serviço público.

E, embora Gordon acredite que esta deve ser a principal premissa dos jornalistas, considera, igualmente, essencial que a imprensa siga as tendências de mercado.

Como tal, reuniu, numa lista, seis razões pelos quais os “media” devem encarar os seus conteúdos como um produto.

Em primeiro lugar, Gordon recorda que os “websites”, os jornais, as “newsletters” são “mercadorias” -- os cidadãos decidem se querem ou não consumi-las, perante uma imensidão de escolhas. Além disso, a popularidade destes produtos depende do seu nível de inovação e de qualidade.

Este tipo de mentalidade existe há dois séculos -- os jornais do século XIX seguiam as exigências do mercado, a lei da oferta e da procura. A estratégia consistia em distribuir o máximo de jornais, a um preço reduzido, esperando conseguir o apoio de anunciantes.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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