Quinta-feira, 24 de Junho, 2021
Estudo

O futuro dos “media” e da comunicação à luz do impacto da nova geração tecnológica

O relatório “Media em Mudança – Análise de relatórios de consultoras e entidades de investigação sobre o futuro dos media e da Comunicação” apresenta diversos capítulos acerca de várias indústrias ligadas à comunicação e à exploração de temas como o 5G e o impacto desta nova geração tecnológica nas indústrias, ainda em desenvolvimento,

Os relatórios das consultoras e das instituições de investigação analisados, confirmaram a evolução do modelo de negócio dos media, cada vez mais ligada às multiplataformas e aos novos meios de comunicação. 

O 5G tornará os modelos de negócio susceptíveis de mudanças e de  adaptações, o que possivelmente gerará uma profunda evolução dos sectores. 

Os relatórios analisados não dramatizam a possibilidade de algumas indústrias perderem relevância ou sofrerem alterações radicais.

Os relatórios acerca do jornalismo e da imprensa apresentam uma indústria com mais dificuldades, mas tal não implica que a evolução do sector não tenha oportunidades para se consolidar e reafirmar do ponto de vista económico. 

De um modo geral, o mundo mediático está cada vez mais imprevisível. Aspectos como o crescimento do streaming parecem ter um papel relevante no futuro, nomeadamente, para a população mais jovem.

Existem oportunidades interessantes a surgir, que podem permitir que alguns meios se reafirmem na sociedade e no mercado, se tiverem a capacidade de adaptação e a capacidade de investimento que potencie esse crescimento. 

TV tradicional e canais de streaming 

Os canais tradicionais de televisão têm apostado cada vez mais em serviços de streaming, disponibilizados em paralelo com o canal por cabo ou por satélite.O crescimento do streaming e do video-on-demand (em subscrições, receitas e conteúdos), é uma matéria consensual em  todos as investigações. 


Por outro lado, a crescente digitalização de todo o processo relacionado com TV e streaming– no qual o 5G terá um papel importante – irá alterar as funcionalidades de produção, distribuição e recomendação de conteúdo. 


Já outra característica fundamental do mercado será a crescente segmentação/personalização da publicidade, adaptando-se a novos formatos e maximizando a experiência e o valor do cliente. Quanto às receitas do streaming/video-on-demand, o crescimento  foi bastante forte há uns anos, continuando a progredir até estabilizar no mercado. 


É expectável que o crescimento do investimento global em streaming, exceda,  já em 2020,  o investimento, nos EUA, do broadcast regular e do top 30 de TV por cabo. 


Notícias, imprensa e jornalismo digital 

Na  análise dos relatórios relativos aos modelos de negócio actuais, no âmbito da imprensa e do jornalismo, ressalta clara uma tendência para se optar por um modelo baseado nos modelos digitais. 


Segundo um relatório da KPMG (2016), os jornais precisam de adquirir uma abordagem renovada na maneira como actuam e garantem as suas receitas. 


“Os negócios do futuro poderão ter modelos bastante distintos dos que existem actualmente e, com excepção dos jornais que oferecem conteúdo premium e conseguem obter algumas receitas nesse segmento , muitos outros poderão ter de adoptar um modelo exclusivamente digital, tornando muito difícil  a existência de um modelo baseado no papel impresso”. 

As principais fontes de receitas da imprensa e dos jornais, são as assinaturas,  com cerca de 52%, seguindo-se a exibição publicitária (27%) e, com menor percentagem, a publicidade nativa (8%). 

Diversos relatórios fazem referência à crescente importância do vídeo no que diz respeito ao consumo de noticias. 

“Segundo a Cisco (2015), três quartos do tráfego dos telemóveis/smartphones e tablets iriam incluir vídeos nos cinco anos seguidos; já o The Future Today Institute (2018) revela que, nos EUA, em 2018, 46% dos americanos preferem ver vídeos sobre alguma notícia, sendo que 35% preferem ler e 17% preferem ouvir. Isto aponta, pois, para a importância crescente deste tipo de mediação multimédia. Em grande parte, tal crescimento terá a influência do 5G, que irá permitir uma maior acessibilidade e facilidade no que respeita à visualização de vídeos”. 


O estudo faz ainda cinco previsões sobre o futuro do jornalismo, como o regresso do «jornalismo regional», a redacção aprofundada dos temas jornalísticos, a automação na escrita de certas notícias com o auxílio do 5G e da inteligência artificial. 


Rádio 

“Um relatório de 2018 da OFCOM, reguladora britânica para a comunicação, refere que nove em cada dez adultos no Reino Unido ouvem rádio todas as semanas,  durante uma média de quase 21 horas por semana, e que 75% de todos os ouvintes o fazem ao vivo/em directo. Estes dados representam bem uma tendência geral de resiliência e de um potencial de mercado interessante para tais empresas de comunicação”. 

“Segundo a Deloitte (2018), projecta-se que, em 2019, a rádio irá continuar a ser ouvida por bastante jovens, estimando-se que, nos EUA, indivíduos entre os 18 e os 34 anos ouvirão rádio pelo menos uma vez por semana e por mais de 80 minutos por dia, em média”. 

O 5G e a sua importância no mercado 

O 5G terá, certamente, um grande impacto na criação de novas possibilidades e no aceleramento de tendências, especialmente, no campo da comunicação e dos media

Prevê-se que ocorra um crescimento bastante elevado (dos 170 mil milhões de dólares, em 2017, para cerca de 420 mil milhões de dólares em 2028) por parte do mercado global de media e entretenimento. O estudo prevê, ainda, que desse montante, 124 mil milhões ficarão nos EUA e que a China averbará  outra grande fatia no mercado global, pois são duas grandes potências do mercado  5G. 

“De um modo geral, as receitas, por parte do 5G no que diz respeito aos media, poderão vir a ser divididas nas seguintes cinco categorias/segmentos: 1) Media móvel aprimorada, com o uso de media paga e incorporada que inclui vídeo, música ou jogos em redes 5G; 2) Publicidade móvel aprimorada, que corresponde a publicidade existente em telemóveis ou noutros formatos visuais, como a realidade virtual (RV) ou a realidade aumentada (RA); 3) Banda larga doméstica e TV, correspondente ao uso do 5G como a principal conexão de internet doméstica,  fornecida com um pacote de TV; 4) Media imersiva, que diz respeito a conteúdos e aplicações de AR e RV, nomeadamente, ao nível de jogos, algo que será, com o 5G, disponibilizado em massa; 5) Novos media, que corresponde a projectos e aplicações que não existem actualmente e que o 5G ajudará a criar, como é o caso de exibições holográficas em 3D”. 

Quanto ao papel da Europa no 5G, um relatório da Deutsche Research Bank (2018), refere três grandes riscos que a Europa tem na área digital:

“1) As empresas europeias correm o risco de ficar ainda mais atrasadas nas áreas centrais de mudança tecnológica, onde já perderam terreno significativo para os seus concorrentes americanos e chineses; 

2) As empresas europeias encontram-se a investir muito pouco, em comparação com EUA e China, na área da inteligência artificial; 

3) Onde as empresas europeias desenvolveram boas posições boas ou foram líderes em áreas como robótica e automação, indústria 4.0, mobilidade conectada e redes inteligentes de energia, correm o risco de serem atacadas, ultrapassadas ou expulsas para fora do mercado”. 

A Europa precisará de investir nas suas infra-estruturas digitais, possivelmente, a necessidade de investimento ultrapassará os 500 mil milhões de euros em infra-estruturas e serviços de comunicação e internet, o que será, em grande parte, responsabilidade de empresas do sector privado. 

Mais informações em Obercom.

 

Connosco
“Folha de S. Paulo” assinala com capa simbólica as vítimas de covid Ver galeria

Vários leitores classificaram como “arrepiante” a capa em branco da edição de 20 de Junho do jornal “Folha de S.Paulo”, que visava assinalar as 500 mil vidas perdidas devido à Covid-19 no Brasil, noticiou a agência Lusa, citada pelo jornal digital “Observador”.

Com uma capa especial quase totalmente em branco, foi acrescentado o texto: “Se uma capa vazia causa incómodo, imagine a dor que causa o vazio nas famílias dos 500 mil brasileiros que perderam a vida para a covid-19”.

“Vamos morrer até quando?”, questionava, ainda, a capa do jornal.

Esta questão foi, igualmente, projectada na fachada de um prémio em São Paulo, através de um vídeo que esteve em “loop” durante 17 minutos.

As reacções à iniciativa da “Folha” foram imediatas, com dezenas de leitores a comentarem a opção editorial nas redes sociais.

“Arrepiada com a primeira página da ‘Folha’.(..). Arrepiada de tristeza e frustração pelos 500 mil brasileiros mortos pela Covid”, escreveu uma leitora “Parabéns, ‘Folha’! É este tipo de manchete que o Brasil precisa nesse momento”, disse, por sua vez, outra leitora, numa série de comentários destacados pelo próprio jornal.

Governo de Hong Kong justifica atentados à liberdade de imprensa com Lei de Segurança Nacional Ver galeria

A líder de Hong Kong, Carrie Lam, defendeu, numa conferência de imprensa, a detenção dos responsáveis pelo jornal pró-democracia “Daily Apple”, bem como o congelamento dos activos da publicação, ao abrigo da Lei de Segurança Nacional imposta por Pequim.

De acordo com o “Guardian”, Lam disse, ainda, que estas acções não constituíram um ataque à liberdade de imprensa no território

“Os ‘media’ não devem minimizar a ilegalidade de infringir a Lei de Segurança Nacional, nem tentar vangloriar este tipo de actos”, disse. “Não devem, igualmente, acusar as autoridades de Hong Kong de utilizar esta lei para restringir a imprensa ou a liberdade de expressão”.

Da mesma forma, Lam recusou-se a clarificar as nuances do documento quanto à cobertura noticiosa no território.

“Acho que os nossos amigos dos ‘media’ têm a capacidade de identificar as actividades que colocam em causa a segurança nacional”, continuou. “Podem criticar o governo de Hong Kong, mas não devem incentivar acções que ameacem a nossa estabilidade”.

Recorde-se que, a 17 de Junho, mais de 500 agentes invadiram as instalações do jornal e detiveram o chefe de redacção e outros quatro responsáveis do jornal “Apple Daily”, por suspeita de conspiração com forças estrangeiras, ao abrigo da Lei de Segurança Nacional.
As autoridades decidiram, entretanto, congelar os activos do jornal, o que restringe o pagamento dos salários aos colaboradores.

Este jornal, que apoia o movimento pró-democracia, está, agora, em risco de fechar.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
De mansinho, com um certo sorriso, no verão de 2020, a ministra Mariana Vieira da Silva anunciou, candidamente, numa audição parlamentar, que o Governo tencionava ‘monitorizar’ o chamado ‘discurso do ódio’ nas plataformas on-line, manifestando desde logo o propósito de proceder à contratação pública de um ‘projeto’, destinado à elaboração periódica de um...
Terrorismo de Estado
Francisco Sarsfield Cabral
A brutal ditadura de Lukashenko inaugurou o terrorismo de Estado com o primeiro desvio de um avião comercial. Um sequestro promovido com mentiras e o auxílio de um avião militar. A resposta da UE foi unânime. Veremos se a repressão transnacional de opositores de regimes ditatoriais se intensifica. No final de década de 1960 começaram a ocorrer sequestros e desvios de aviões comerciais por terroristas. Essa série de crimes culminou...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Agenda
28
Set
World News Media Congress
09:00 @ Taipei, Taiwan
13
Out
01
Nov
The African Investigative Journalism Conference
10:00 @ Joanesburgo, África do Sul
28
Mar
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia