Quarta-feira, 3 de Junho, 2020
Estudo

O futuro dos “media” e da comunicação à luz do impacto da nova geração tecnológica

O relatório “Media em Mudança – Análise de relatórios de consultoras e entidades de investigação sobre o futuro dos media e da Comunicação” apresenta diversos capítulos acerca de várias indústrias ligadas à comunicação e à exploração de temas como o 5G e o impacto desta nova geração tecnológica nas indústrias, ainda em desenvolvimento,

Os relatórios das consultoras e das instituições de investigação analisados, confirmaram a evolução do modelo de negócio dos media, cada vez mais ligada às multiplataformas e aos novos meios de comunicação. 

O 5G tornará os modelos de negócio susceptíveis de mudanças e de  adaptações, o que possivelmente gerará uma profunda evolução dos sectores. 

Os relatórios analisados não dramatizam a possibilidade de algumas indústrias perderem relevância ou sofrerem alterações radicais.

Os relatórios acerca do jornalismo e da imprensa apresentam uma indústria com mais dificuldades, mas tal não implica que a evolução do sector não tenha oportunidades para se consolidar e reafirmar do ponto de vista económico. 

De um modo geral, o mundo mediático está cada vez mais imprevisível. Aspectos como o crescimento do streaming parecem ter um papel relevante no futuro, nomeadamente, para a população mais jovem.

Existem oportunidades interessantes a surgir, que podem permitir que alguns meios se reafirmem na sociedade e no mercado, se tiverem a capacidade de adaptação e a capacidade de investimento que potencie esse crescimento. 

TV tradicional e canais de streaming 

Os canais tradicionais de televisão têm apostado cada vez mais em serviços de streaming, disponibilizados em paralelo com o canal por cabo ou por satélite.O crescimento do streaming e do video-on-demand (em subscrições, receitas e conteúdos), é uma matéria consensual em  todos as investigações. 


Por outro lado, a crescente digitalização de todo o processo relacionado com TV e streaming– no qual o 5G terá um papel importante – irá alterar as funcionalidades de produção, distribuição e recomendação de conteúdo. 


Já outra característica fundamental do mercado será a crescente segmentação/personalização da publicidade, adaptando-se a novos formatos e maximizando a experiência e o valor do cliente. Quanto às receitas do streaming/video-on-demand, o crescimento  foi bastante forte há uns anos, continuando a progredir até estabilizar no mercado. 


É expectável que o crescimento do investimento global em streaming, exceda,  já em 2020,  o investimento, nos EUA, do broadcast regular e do top 30 de TV por cabo. 


Notícias, imprensa e jornalismo digital 

Na  análise dos relatórios relativos aos modelos de negócio actuais, no âmbito da imprensa e do jornalismo, ressalta clara uma tendência para se optar por um modelo baseado nos modelos digitais. 


Segundo um relatório da KPMG (2016), os jornais precisam de adquirir uma abordagem renovada na maneira como actuam e garantem as suas receitas. 


“Os negócios do futuro poderão ter modelos bastante distintos dos que existem actualmente e, com excepção dos jornais que oferecem conteúdo premium e conseguem obter algumas receitas nesse segmento , muitos outros poderão ter de adoptar um modelo exclusivamente digital, tornando muito difícil  a existência de um modelo baseado no papel impresso”. 

As principais fontes de receitas da imprensa e dos jornais, são as assinaturas,  com cerca de 52%, seguindo-se a exibição publicitária (27%) e, com menor percentagem, a publicidade nativa (8%). 

Diversos relatórios fazem referência à crescente importância do vídeo no que diz respeito ao consumo de noticias. 

“Segundo a Cisco (2015), três quartos do tráfego dos telemóveis/smartphones e tablets iriam incluir vídeos nos cinco anos seguidos; já o The Future Today Institute (2018) revela que, nos EUA, em 2018, 46% dos americanos preferem ver vídeos sobre alguma notícia, sendo que 35% preferem ler e 17% preferem ouvir. Isto aponta, pois, para a importância crescente deste tipo de mediação multimédia. Em grande parte, tal crescimento terá a influência do 5G, que irá permitir uma maior acessibilidade e facilidade no que respeita à visualização de vídeos”. 


O estudo faz ainda cinco previsões sobre o futuro do jornalismo, como o regresso do «jornalismo regional», a redacção aprofundada dos temas jornalísticos, a automação na escrita de certas notícias com o auxílio do 5G e da inteligência artificial. 


Rádio 

“Um relatório de 2018 da OFCOM, reguladora britânica para a comunicação, refere que nove em cada dez adultos no Reino Unido ouvem rádio todas as semanas,  durante uma média de quase 21 horas por semana, e que 75% de todos os ouvintes o fazem ao vivo/em directo. Estes dados representam bem uma tendência geral de resiliência e de um potencial de mercado interessante para tais empresas de comunicação”. 

“Segundo a Deloitte (2018), projecta-se que, em 2019, a rádio irá continuar a ser ouvida por bastante jovens, estimando-se que, nos EUA, indivíduos entre os 18 e os 34 anos ouvirão rádio pelo menos uma vez por semana e por mais de 80 minutos por dia, em média”. 

O 5G e a sua importância no mercado 

O 5G terá, certamente, um grande impacto na criação de novas possibilidades e no aceleramento de tendências, especialmente, no campo da comunicação e dos media

Prevê-se que ocorra um crescimento bastante elevado (dos 170 mil milhões de dólares, em 2017, para cerca de 420 mil milhões de dólares em 2028) por parte do mercado global de media e entretenimento. O estudo prevê, ainda, que desse montante, 124 mil milhões ficarão nos EUA e que a China averbará  outra grande fatia no mercado global, pois são duas grandes potências do mercado  5G. 

“De um modo geral, as receitas, por parte do 5G no que diz respeito aos media, poderão vir a ser divididas nas seguintes cinco categorias/segmentos: 1) Media móvel aprimorada, com o uso de media paga e incorporada que inclui vídeo, música ou jogos em redes 5G; 2) Publicidade móvel aprimorada, que corresponde a publicidade existente em telemóveis ou noutros formatos visuais, como a realidade virtual (RV) ou a realidade aumentada (RA); 3) Banda larga doméstica e TV, correspondente ao uso do 5G como a principal conexão de internet doméstica,  fornecida com um pacote de TV; 4) Media imersiva, que diz respeito a conteúdos e aplicações de AR e RV, nomeadamente, ao nível de jogos, algo que será, com o 5G, disponibilizado em massa; 5) Novos media, que corresponde a projectos e aplicações que não existem actualmente e que o 5G ajudará a criar, como é o caso de exibições holográficas em 3D”. 

Quanto ao papel da Europa no 5G, um relatório da Deutsche Research Bank (2018), refere três grandes riscos que a Europa tem na área digital:

“1) As empresas europeias correm o risco de ficar ainda mais atrasadas nas áreas centrais de mudança tecnológica, onde já perderam terreno significativo para os seus concorrentes americanos e chineses; 

2) As empresas europeias encontram-se a investir muito pouco, em comparação com EUA e China, na área da inteligência artificial; 

3) Onde as empresas europeias desenvolveram boas posições boas ou foram líderes em áreas como robótica e automação, indústria 4.0, mobilidade conectada e redes inteligentes de energia, correm o risco de serem atacadas, ultrapassadas ou expulsas para fora do mercado”. 

A Europa precisará de investir nas suas infra-estruturas digitais, possivelmente, a necessidade de investimento ultrapassará os 500 mil milhões de euros em infra-estruturas e serviços de comunicação e internet, o que será, em grande parte, responsabilidade de empresas do sector privado. 

Mais informações em Obercom.

 

Connosco
"NYT" em processo de mudança perante o novo perfil de audiência Ver galeria

Em 1851 nasceu o “New York Times”, um jornal que, desde cedo ,se assumiu como uma publicação de referência, na qual só havia espaço para as notícias e informação objectivas.

Segundo relembra o provedor do jornal, Gabriel Snyder, num artigo publicado na “Columbia Journalism Review”,  o “NYT” foi, assim, durante vários anos, um formador de opinião, que liderava, não seguia.

Qualquer pessoa minimamente relevante no espaço social lia o “NYT”, que, durante mais de um século, não teve de preocupar-se com a captação de audiências. Era um membro inquestionável da elite do poder norte-americano e nunca teve de explicar o porquê da sua importância.

Esta posição privilegiada permitia ao “Times” relatar sem ter que aprofundar uma opinião, sem se envolver em qualquer conflito.

Mas, reitera Snyder, os tempos mudaram e o jornal tem de reafirmar -se perante uma sociedade em mutação, onde se perpetua a polarização política. 

Projecto de jornalismo comunitário nasce em Detroit Ver galeria

Muito antes da pandemia de coronavírus, as redacções de jornalismo local e regional começaram “desmoronar-se”, devido a modelos de negócio obsoletos e a uma circulação pouco significativa.

De acordo com o instituto Poynter, um em cada cinco jornais, nos Estados Unidos, fechou, no decorrer da última década, e muitos dos que “sobreviveram” mantém-se, agora, na “sombra”, sem possibilidade de fazer reportagens assertivas ou entrevistas relevantes.

O jornalismo regional parece, contudo, estar a recuperar algum protagonismo, com muitos cidadãos a manifestarem o desejo de se informarem sobre a realidade das suas comunidades.

Perante este quadro, algumas associações têm-se aliado a jornalistas para fundar novas iniciativas comunitárias, com uma linha editorial compatível com a era digital.

Foi a partir de uma dessas parcerias que nasceu o “BridgeDetroit”, um projecto multiplataforma, dedicado a escrutinar, com transparência e objectividade, a realidade da cidade de Detroit, no Estado de Michigan.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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As suas vendas desceram, os clientes atrasaram-se a pagar, os fornecedores pressionam para receber, a tesouraria está apertada? O que fazer? – Claro que vai ver onde se pode cortar custos, ao mesmo tempo que se prepara o retomar de actividades. E um dos primeiros cortes para muitas empresas é na comunicação e na publicidade. “O dinheiro não chega para tudo, tem que se escolher”, pensa quem faz o corte. No fundo consideram que no...
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas