null, 8 de Dezembro, 2019
Media

Perfil e influência dos jornalistas portugueses nos “media”

A maioria das publicações feitas pelos jornalistas portugueses nas redes sociais são de autopromoção ou de opinião/crítica. Esta foi uma das várias conclusões do estudo “Jornalistas Em Acção: Análise da actividade e presença de profissionais do jornalismo nos media tradicionais e nas redes sociais”, conduzido por investigadores da Universidade Católica Portuguesa (CEPCEP), da Cision e do Omnicom Public Relations Group (OPRG). 

De acordo com o estudo, que teve por base uma amostra de 45 jornalistas portugueses considerados mais influentes no panorama português, 28% das publicações nas redes sociais são de autopromoção, 27% são de opinião ou crítica e, apenas, 12% correspondem a partilhas de notícias e relatos em directo, enquanto a correcção de erros e reflexão sobre a prática jornalística dizem respeito a apenas 2% das publicações.

Destas, os jornalistas partilham não apenas notícias do meio em que trabalham (54%) mas, igualmente, notícias de outros meios (17%), segundo conclui o estudo. 

De acordo com o mesmo trabalho, são as mulheres quem tende a fazer mais partilhas (53%), sobretudo de conteúdos não jornalísticos (57%), enquanto os homens fazem mais publicações originais (23%). 

Facebook recebe mais publicações de autopromoção do que o Twitter.

O estudo analisou as publicações tomando em consideração o suporte, tipo de meios, temas, estilo discursivo e género do jornalista, entre outras variáveis. Segundo as conclusões, destacaram-se os estilos discursivos crítico (43% das notícias) e analítico-interpretativo ou explicativo (27%).

O estilo crítico dominou nas publicações e notícias relacionadas com educação (80%), justiça (68%), saúde (56%) e política nacional (49%). As intervenções na área do desporto foram maioritariamente de estilo analítico-interpretativo (54%), bem como as de política 

O estudo destaca, ainda, o facto de que “a performance dos jornalistas é diferente no espaço tradicional e digital”, e descreve a actuação dos jornalistas nos meios tradicionais como “claramente mais profissional, com um estilo mais crítico e centrado em temas da agenda informativa, enquanto que “nos media digitais, destaca-se uma acção mais pessoal, focada em assuntos fora do jornalismo, com um estilo mais neutro”. 

 

“A acção é mais interventiva nos media tradicionais e passiva nos media sociais”.

Em relação a temáticas, o estudo reporta que 27% do espaço mediático dos profissionais em análise é dedicado à política nacional. A economia e a política internacional ocupam cada uma 14% desse espaço.

O  estudo identificou, ainda, uma relação entre o género dos jornalistas e os temas tratados, com os homens a dominarem a área da política nacional, economia e desporto e as mulheres a serem as principais protagonistas na área da política internacional e sociedade.

"A relação entre posição editorial e os temas tratados sugere que áreas como a economia ou política tendem a ser tratadas por jornalistas com cargos superiores hierarquicamente, ao contrário do desporto ou sociedade. Estes mesmos jornalistas tendem mais para uma intervenção com tom crítico (44%) do que analítico-interpretativo (36%)", refere.

 

Numa análise dos jornalistas mais influentes nas redes sociais, verificou-se que Ricardo Costa, do Expresso, ocupa a primeira posição da lista, sendo seguido por José Manuel Fernandes, do Observador. Clara de Sousa encontra-se em terceiro lugar, seguida de Carlos Vaz Marques (TSF) em quarto lugar, enquanto que Ricardo Martins Pereira (MAGG/Observador) está em quinto e Nuno Matos (Antena 1) está em sexto.

João Fernando Ramos (RTP) está em sétimo, seguido por Henrique Monteiro (Expresso), Pedro Santos Guerreiro (Expresso), Fernanda Câncio (DN), Manuela Moura Guedes (SIC), José Rodrigues dos Santos (RTP), Daniel Catalão (RTP) e Helena Garrido (RTP/Antena 1).

No que diz respeito aos canais profissionais, a lista sofre algumas alterações. Fátima Campos Ferreira, cara da RTP no programa ‘Prós e Contras’, ocupa a primeira posição do ranking, seguida de José Alberto de Carvalho, Alexandra Borges da TVI e José Gomes Ferreira da SIC. José Rodrigues dos Santos, pivot da RTP, ocupa a quinta posição no ranking da Omnicom, sendo seguido por Manuela Moura Guedes, Miguel Sousa Tavares, João Fernando Ramos da RTP, Carlos Vaz Marques, Clara de Sousa, Pedro Pinto (TVI),João Miguel Tavares (Público/TVI), Sandra Felgueiras (RTP) e Joana Latino (SIC).

Os jornalistas portugueses colocados no ranking foram escolhidos com base em três critérios: desempenho de cargos diretivos na comunicação social, presença em programas ou espaços próprios e actuação nos media sociais e digitais. O estudo em questão sustenta que foram recolhidos dados no primeiro trimestre de 2019, incluindo a análise de quase três mil publicações de rádio, imprensa, TV, Facebook e Twitter.

 

Connosco
A cientista Fabiola Gianotti recebeu Prémio Helena Vaz da Silva Ver galeria

O Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian acolheu novamente a cerimónia de entrega do  Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído , este ano, a Fabiola Gianotti,  cientista italiana em Física de partículas e primeira mulher nomeada directora-geral do Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), por ter contribuido para a divulgação da cultura científica de uma forma atractiva e acessível.

Este Prémio Europeu,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a  Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI)  recorda a jornalista portuguesa, escritora, activista cultural e política (1939 – 2002), e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

É atribuído anualmente a um cidadão europeu, cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O Prémio conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Controlo de informação agrava-se e contamina vários países Ver galeria

A China e a Rússia utilizam técnicas de controlo de informação invasivos, desde as comunicações privadas dos cidadãos à censura. 

O uso de sistemas tecnológicos autoritários, por actores estatais, com o objectivo de diminuir os direitos humanos fundamentais dos cidadãos é algo que ultrapassa todos os limites. 

Valentin Weber, do Programa de Bolsas de Estudo de Controlo de Informações do Fundo Aberto de Tecnologia, decidiu realizar uma análise sistemática dos seus drivers e obteve sintomáti cos resultados. 

Através da pesquisa, Valentin descobriu que, até ao momento, mais de cem países compraram, imitaram ou receberam treino em controlo de informação da China e da Rússia.

Verificou, ainda,  casos de países cujos objectivos de controlo e monitorização da informação são semelhantes, como a Venezuela, o Egipto e Myanmar. 

Na lista surgiram, também, países possivelmente menos suspeitos, nos quais a conectividade se está a expandir, como Sudão, Uganda e Zimbábue; várias democracias ocidentais, como Alemanha, França e Holanda; e até mesmo pequenas nações como Trinidad e Tobago. 

“Ao todo, foram detectados 110 países  com tecnologia de vigilância ou censura importada da Rússia ou da China”, refere o artigo da OpenTechnology Fund, publicado no Global Investigative Journalism Network.

O Clube

Este site do Clube, lançado em Novembro de 2016, e com  actividade regular desde então, tem-se afirmado tanto como roteiro do que acontece de novo na paisagem mediática, como ainda no aprofundamento do debate sobre as questões mais relevantes do jornalismo, além do acompanhamento e divulgação das iniciativas do CPI.

O resultado deste esforço tem sido notório, com a fixação de um crescente número de visitantes, oriundos de uma alargada panóplia de países, com relevo para os de língua portuguesa, facto que é muito estimulante e encorajador. 


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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
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