Sexta-feira, 27 de Novembro, 2020
Media

Perfil e influência dos jornalistas portugueses nos “media”

A maioria das publicações feitas pelos jornalistas portugueses nas redes sociais são de autopromoção ou de opinião/crítica. Esta foi uma das várias conclusões do estudo “Jornalistas Em Acção: Análise da actividade e presença de profissionais do jornalismo nos media tradicionais e nas redes sociais”, conduzido por investigadores da Universidade Católica Portuguesa (CEPCEP), da Cision e do Omnicom Public Relations Group (OPRG). 

De acordo com o estudo, que teve por base uma amostra de 45 jornalistas portugueses considerados mais influentes no panorama português, 28% das publicações nas redes sociais são de autopromoção, 27% são de opinião ou crítica e, apenas, 12% correspondem a partilhas de notícias e relatos em directo, enquanto a correcção de erros e reflexão sobre a prática jornalística dizem respeito a apenas 2% das publicações.

Destas, os jornalistas partilham não apenas notícias do meio em que trabalham (54%) mas, igualmente, notícias de outros meios (17%), segundo conclui o estudo. 

De acordo com o mesmo trabalho, são as mulheres quem tende a fazer mais partilhas (53%), sobretudo de conteúdos não jornalísticos (57%), enquanto os homens fazem mais publicações originais (23%). 

Facebook recebe mais publicações de autopromoção do que o Twitter.

O estudo analisou as publicações tomando em consideração o suporte, tipo de meios, temas, estilo discursivo e género do jornalista, entre outras variáveis. Segundo as conclusões, destacaram-se os estilos discursivos crítico (43% das notícias) e analítico-interpretativo ou explicativo (27%).

O estilo crítico dominou nas publicações e notícias relacionadas com educação (80%), justiça (68%), saúde (56%) e política nacional (49%). As intervenções na área do desporto foram maioritariamente de estilo analítico-interpretativo (54%), bem como as de política 

O estudo destaca, ainda, o facto de que “a performance dos jornalistas é diferente no espaço tradicional e digital”, e descreve a actuação dos jornalistas nos meios tradicionais como “claramente mais profissional, com um estilo mais crítico e centrado em temas da agenda informativa, enquanto que “nos media digitais, destaca-se uma acção mais pessoal, focada em assuntos fora do jornalismo, com um estilo mais neutro”. 

 

“A acção é mais interventiva nos media tradicionais e passiva nos media sociais”.

Em relação a temáticas, o estudo reporta que 27% do espaço mediático dos profissionais em análise é dedicado à política nacional. A economia e a política internacional ocupam cada uma 14% desse espaço.

O  estudo identificou, ainda, uma relação entre o género dos jornalistas e os temas tratados, com os homens a dominarem a área da política nacional, economia e desporto e as mulheres a serem as principais protagonistas na área da política internacional e sociedade.

"A relação entre posição editorial e os temas tratados sugere que áreas como a economia ou política tendem a ser tratadas por jornalistas com cargos superiores hierarquicamente, ao contrário do desporto ou sociedade. Estes mesmos jornalistas tendem mais para uma intervenção com tom crítico (44%) do que analítico-interpretativo (36%)", refere.

 

Numa análise dos jornalistas mais influentes nas redes sociais, verificou-se que Ricardo Costa, do Expresso, ocupa a primeira posição da lista, sendo seguido por José Manuel Fernandes, do Observador. Clara de Sousa encontra-se em terceiro lugar, seguida de Carlos Vaz Marques (TSF) em quarto lugar, enquanto que Ricardo Martins Pereira (MAGG/Observador) está em quinto e Nuno Matos (Antena 1) está em sexto.

João Fernando Ramos (RTP) está em sétimo, seguido por Henrique Monteiro (Expresso), Pedro Santos Guerreiro (Expresso), Fernanda Câncio (DN), Manuela Moura Guedes (SIC), José Rodrigues dos Santos (RTP), Daniel Catalão (RTP) e Helena Garrido (RTP/Antena 1).

No que diz respeito aos canais profissionais, a lista sofre algumas alterações. Fátima Campos Ferreira, cara da RTP no programa ‘Prós e Contras’, ocupa a primeira posição do ranking, seguida de José Alberto de Carvalho, Alexandra Borges da TVI e José Gomes Ferreira da SIC. José Rodrigues dos Santos, pivot da RTP, ocupa a quinta posição no ranking da Omnicom, sendo seguido por Manuela Moura Guedes, Miguel Sousa Tavares, João Fernando Ramos da RTP, Carlos Vaz Marques, Clara de Sousa, Pedro Pinto (TVI),João Miguel Tavares (Público/TVI), Sandra Felgueiras (RTP) e Joana Latino (SIC).

Os jornalistas portugueses colocados no ranking foram escolhidos com base em três critérios: desempenho de cargos diretivos na comunicação social, presença em programas ou espaços próprios e actuação nos media sociais e digitais. O estudo em questão sustenta que foram recolhidos dados no primeiro trimestre de 2019, incluindo a análise de quase três mil publicações de rádio, imprensa, TV, Facebook e Twitter.

 

Connosco
Onde se preconiza o jornalismo social e notícias felizes Ver galeria

O Presidente da Associação de Imprensa de Madrid -- com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- considera essencial que os “media” continuem a promover a dimensão social do jornalismo.

No discurso inaugural do Congresso da Comunicação Especializada na Sociedade da Informação, Juan Caño recordou que, com a crise pandémica, esta função "tem sido exercida de forma exemplar por vários meios de comunicação social", que, durante meses, não se esqueceram de "encorajar a população a superar a calamidade”.

Porém, ultimamente, começou a registar-se um “cansaço dos media', perante demasiada informação", recordou Caño. 

Este fenómeno tem vindo a ocorrer "à medida que a informação se foi tornando repetitiva e deixou de oferecer soluções viáveis", acrescentou.

Esta afirmação é sustentada pelo Relatório Anual da Profissão Jornalística 2020 da APM -- a ser publicado a 16 de Dezembro -- que revela que 43% dos espanhóis considerou excessiva a cobertura da pandemia.


Jornalismo deve acolher estratégias financeiras sustentáveis Ver galeria

O jornalismo deve ser encarado como um produto, para que os “media” possam prosperar de forma sustentável, defendeu o jornalista Rich Gordon num artigo publicado no “site” do Knight Center.

De acordo com o autor, os profissionais dos “media” rejeitam, por norma, esta ideia, já que para a maioria defende o jornalismo como sendo, única e exclusivamente, um serviço público.

E, embora Gordon acredite que esta deve ser a principal premissa dos jornalistas, considera, igualmente, essencial que a imprensa siga as tendências de mercado.

Como tal, reuniu, numa lista, seis razões pelos quais os “media” devem encarar os seus conteúdos como um produto.

Em primeiro lugar, Gordon recorda que os “websites”, os jornais, as “newsletters” são “mercadorias” -- os cidadãos decidem se querem ou não consumi-las, perante uma imensidão de escolhas. Além disso, a popularidade destes produtos depende do seu nível de inovação e de qualidade.

Este tipo de mentalidade existe há dois séculos -- os jornais do século XIX seguiam as exigências do mercado, a lei da oferta e da procura. A estratégia consistia em distribuir o máximo de jornais, a um preço reduzido, esperando conseguir o apoio de anunciantes.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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