Quarta-feira, 3 de Junho, 2020
Media

Perfil e influência dos jornalistas portugueses nos “media”

A maioria das publicações feitas pelos jornalistas portugueses nas redes sociais são de autopromoção ou de opinião/crítica. Esta foi uma das várias conclusões do estudo “Jornalistas Em Acção: Análise da actividade e presença de profissionais do jornalismo nos media tradicionais e nas redes sociais”, conduzido por investigadores da Universidade Católica Portuguesa (CEPCEP), da Cision e do Omnicom Public Relations Group (OPRG). 

De acordo com o estudo, que teve por base uma amostra de 45 jornalistas portugueses considerados mais influentes no panorama português, 28% das publicações nas redes sociais são de autopromoção, 27% são de opinião ou crítica e, apenas, 12% correspondem a partilhas de notícias e relatos em directo, enquanto a correcção de erros e reflexão sobre a prática jornalística dizem respeito a apenas 2% das publicações.

Destas, os jornalistas partilham não apenas notícias do meio em que trabalham (54%) mas, igualmente, notícias de outros meios (17%), segundo conclui o estudo. 

De acordo com o mesmo trabalho, são as mulheres quem tende a fazer mais partilhas (53%), sobretudo de conteúdos não jornalísticos (57%), enquanto os homens fazem mais publicações originais (23%). 

Facebook recebe mais publicações de autopromoção do que o Twitter.

O estudo analisou as publicações tomando em consideração o suporte, tipo de meios, temas, estilo discursivo e género do jornalista, entre outras variáveis. Segundo as conclusões, destacaram-se os estilos discursivos crítico (43% das notícias) e analítico-interpretativo ou explicativo (27%).

O estilo crítico dominou nas publicações e notícias relacionadas com educação (80%), justiça (68%), saúde (56%) e política nacional (49%). As intervenções na área do desporto foram maioritariamente de estilo analítico-interpretativo (54%), bem como as de política 

O estudo destaca, ainda, o facto de que “a performance dos jornalistas é diferente no espaço tradicional e digital”, e descreve a actuação dos jornalistas nos meios tradicionais como “claramente mais profissional, com um estilo mais crítico e centrado em temas da agenda informativa, enquanto que “nos media digitais, destaca-se uma acção mais pessoal, focada em assuntos fora do jornalismo, com um estilo mais neutro”. 

 

“A acção é mais interventiva nos media tradicionais e passiva nos media sociais”.

Em relação a temáticas, o estudo reporta que 27% do espaço mediático dos profissionais em análise é dedicado à política nacional. A economia e a política internacional ocupam cada uma 14% desse espaço.

O  estudo identificou, ainda, uma relação entre o género dos jornalistas e os temas tratados, com os homens a dominarem a área da política nacional, economia e desporto e as mulheres a serem as principais protagonistas na área da política internacional e sociedade.

"A relação entre posição editorial e os temas tratados sugere que áreas como a economia ou política tendem a ser tratadas por jornalistas com cargos superiores hierarquicamente, ao contrário do desporto ou sociedade. Estes mesmos jornalistas tendem mais para uma intervenção com tom crítico (44%) do que analítico-interpretativo (36%)", refere.

 

Numa análise dos jornalistas mais influentes nas redes sociais, verificou-se que Ricardo Costa, do Expresso, ocupa a primeira posição da lista, sendo seguido por José Manuel Fernandes, do Observador. Clara de Sousa encontra-se em terceiro lugar, seguida de Carlos Vaz Marques (TSF) em quarto lugar, enquanto que Ricardo Martins Pereira (MAGG/Observador) está em quinto e Nuno Matos (Antena 1) está em sexto.

João Fernando Ramos (RTP) está em sétimo, seguido por Henrique Monteiro (Expresso), Pedro Santos Guerreiro (Expresso), Fernanda Câncio (DN), Manuela Moura Guedes (SIC), José Rodrigues dos Santos (RTP), Daniel Catalão (RTP) e Helena Garrido (RTP/Antena 1).

No que diz respeito aos canais profissionais, a lista sofre algumas alterações. Fátima Campos Ferreira, cara da RTP no programa ‘Prós e Contras’, ocupa a primeira posição do ranking, seguida de José Alberto de Carvalho, Alexandra Borges da TVI e José Gomes Ferreira da SIC. José Rodrigues dos Santos, pivot da RTP, ocupa a quinta posição no ranking da Omnicom, sendo seguido por Manuela Moura Guedes, Miguel Sousa Tavares, João Fernando Ramos da RTP, Carlos Vaz Marques, Clara de Sousa, Pedro Pinto (TVI),João Miguel Tavares (Público/TVI), Sandra Felgueiras (RTP) e Joana Latino (SIC).

Os jornalistas portugueses colocados no ranking foram escolhidos com base em três critérios: desempenho de cargos diretivos na comunicação social, presença em programas ou espaços próprios e actuação nos media sociais e digitais. O estudo em questão sustenta que foram recolhidos dados no primeiro trimestre de 2019, incluindo a análise de quase três mil publicações de rádio, imprensa, TV, Facebook e Twitter.

 

Connosco
"NYT" em processo de mudança perante o novo perfil de audiência Ver galeria

Em 1851 nasceu o “New York Times”, um jornal que, desde cedo ,se assumiu como uma publicação de referência, na qual só havia espaço para as notícias e informação objectivas.

Segundo relembra o provedor do jornal, Gabriel Snyder, num artigo publicado na “Columbia Journalism Review”,  o “NYT” foi, assim, durante vários anos, um formador de opinião, que liderava, não seguia.

Qualquer pessoa minimamente relevante no espaço social lia o “NYT”, que, durante mais de um século, não teve de preocupar-se com a captação de audiências. Era um membro inquestionável da elite do poder norte-americano e nunca teve de explicar o porquê da sua importância.

Esta posição privilegiada permitia ao “Times” relatar sem ter que aprofundar uma opinião, sem se envolver em qualquer conflito.

Mas, reitera Snyder, os tempos mudaram e o jornal tem de reafirmar -se perante uma sociedade em mutação, onde se perpetua a polarização política. 

Projecto de jornalismo comunitário nasce em Detroit Ver galeria

Muito antes da pandemia de coronavírus, as redacções de jornalismo local e regional começaram “desmoronar-se”, devido a modelos de negócio obsoletos e a uma circulação pouco significativa.

De acordo com o instituto Poynter, um em cada cinco jornais, nos Estados Unidos, fechou, no decorrer da última década, e muitos dos que “sobreviveram” mantém-se, agora, na “sombra”, sem possibilidade de fazer reportagens assertivas ou entrevistas relevantes.

O jornalismo regional parece, contudo, estar a recuperar algum protagonismo, com muitos cidadãos a manifestarem o desejo de se informarem sobre a realidade das suas comunidades.

Perante este quadro, algumas associações têm-se aliado a jornalistas para fundar novas iniciativas comunitárias, com uma linha editorial compatível com a era digital.

Foi a partir de uma dessas parcerias que nasceu o “BridgeDetroit”, um projecto multiplataforma, dedicado a escrutinar, com transparência e objectividade, a realidade da cidade de Detroit, no Estado de Michigan.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas