Quinta-feira, 24 de Junho, 2021
Media

Perfil e influência dos jornalistas portugueses nos “media”

A maioria das publicações feitas pelos jornalistas portugueses nas redes sociais são de autopromoção ou de opinião/crítica. Esta foi uma das várias conclusões do estudo “Jornalistas Em Acção: Análise da actividade e presença de profissionais do jornalismo nos media tradicionais e nas redes sociais”, conduzido por investigadores da Universidade Católica Portuguesa (CEPCEP), da Cision e do Omnicom Public Relations Group (OPRG). 

De acordo com o estudo, que teve por base uma amostra de 45 jornalistas portugueses considerados mais influentes no panorama português, 28% das publicações nas redes sociais são de autopromoção, 27% são de opinião ou crítica e, apenas, 12% correspondem a partilhas de notícias e relatos em directo, enquanto a correcção de erros e reflexão sobre a prática jornalística dizem respeito a apenas 2% das publicações.

Destas, os jornalistas partilham não apenas notícias do meio em que trabalham (54%) mas, igualmente, notícias de outros meios (17%), segundo conclui o estudo. 

De acordo com o mesmo trabalho, são as mulheres quem tende a fazer mais partilhas (53%), sobretudo de conteúdos não jornalísticos (57%), enquanto os homens fazem mais publicações originais (23%). 

Facebook recebe mais publicações de autopromoção do que o Twitter.

O estudo analisou as publicações tomando em consideração o suporte, tipo de meios, temas, estilo discursivo e género do jornalista, entre outras variáveis. Segundo as conclusões, destacaram-se os estilos discursivos crítico (43% das notícias) e analítico-interpretativo ou explicativo (27%).

O estilo crítico dominou nas publicações e notícias relacionadas com educação (80%), justiça (68%), saúde (56%) e política nacional (49%). As intervenções na área do desporto foram maioritariamente de estilo analítico-interpretativo (54%), bem como as de política 

O estudo destaca, ainda, o facto de que “a performance dos jornalistas é diferente no espaço tradicional e digital”, e descreve a actuação dos jornalistas nos meios tradicionais como “claramente mais profissional, com um estilo mais crítico e centrado em temas da agenda informativa, enquanto que “nos media digitais, destaca-se uma acção mais pessoal, focada em assuntos fora do jornalismo, com um estilo mais neutro”. 

 

“A acção é mais interventiva nos media tradicionais e passiva nos media sociais”.

Em relação a temáticas, o estudo reporta que 27% do espaço mediático dos profissionais em análise é dedicado à política nacional. A economia e a política internacional ocupam cada uma 14% desse espaço.

O  estudo identificou, ainda, uma relação entre o género dos jornalistas e os temas tratados, com os homens a dominarem a área da política nacional, economia e desporto e as mulheres a serem as principais protagonistas na área da política internacional e sociedade.

"A relação entre posição editorial e os temas tratados sugere que áreas como a economia ou política tendem a ser tratadas por jornalistas com cargos superiores hierarquicamente, ao contrário do desporto ou sociedade. Estes mesmos jornalistas tendem mais para uma intervenção com tom crítico (44%) do que analítico-interpretativo (36%)", refere.

 

Numa análise dos jornalistas mais influentes nas redes sociais, verificou-se que Ricardo Costa, do Expresso, ocupa a primeira posição da lista, sendo seguido por José Manuel Fernandes, do Observador. Clara de Sousa encontra-se em terceiro lugar, seguida de Carlos Vaz Marques (TSF) em quarto lugar, enquanto que Ricardo Martins Pereira (MAGG/Observador) está em quinto e Nuno Matos (Antena 1) está em sexto.

João Fernando Ramos (RTP) está em sétimo, seguido por Henrique Monteiro (Expresso), Pedro Santos Guerreiro (Expresso), Fernanda Câncio (DN), Manuela Moura Guedes (SIC), José Rodrigues dos Santos (RTP), Daniel Catalão (RTP) e Helena Garrido (RTP/Antena 1).

No que diz respeito aos canais profissionais, a lista sofre algumas alterações. Fátima Campos Ferreira, cara da RTP no programa ‘Prós e Contras’, ocupa a primeira posição do ranking, seguida de José Alberto de Carvalho, Alexandra Borges da TVI e José Gomes Ferreira da SIC. José Rodrigues dos Santos, pivot da RTP, ocupa a quinta posição no ranking da Omnicom, sendo seguido por Manuela Moura Guedes, Miguel Sousa Tavares, João Fernando Ramos da RTP, Carlos Vaz Marques, Clara de Sousa, Pedro Pinto (TVI),João Miguel Tavares (Público/TVI), Sandra Felgueiras (RTP) e Joana Latino (SIC).

Os jornalistas portugueses colocados no ranking foram escolhidos com base em três critérios: desempenho de cargos diretivos na comunicação social, presença em programas ou espaços próprios e actuação nos media sociais e digitais. O estudo em questão sustenta que foram recolhidos dados no primeiro trimestre de 2019, incluindo a análise de quase três mil publicações de rádio, imprensa, TV, Facebook e Twitter.

 

Connosco
“Folha de S. Paulo” assinala com capa simbólica as vítimas de covid Ver galeria

Vários leitores classificaram como “arrepiante” a capa em branco da edição de 20 de Junho do jornal “Folha de S.Paulo”, que visava assinalar as 500 mil vidas perdidas devido à Covid-19 no Brasil, noticiou a agência Lusa, citada pelo jornal digital “Observador”.

Com uma capa especial quase totalmente em branco, foi acrescentado o texto: “Se uma capa vazia causa incómodo, imagine a dor que causa o vazio nas famílias dos 500 mil brasileiros que perderam a vida para a covid-19”.

“Vamos morrer até quando?”, questionava, ainda, a capa do jornal.

Esta questão foi, igualmente, projectada na fachada de um prémio em São Paulo, através de um vídeo que esteve em “loop” durante 17 minutos.

As reacções à iniciativa da “Folha” foram imediatas, com dezenas de leitores a comentarem a opção editorial nas redes sociais.

“Arrepiada com a primeira página da ‘Folha’.(..). Arrepiada de tristeza e frustração pelos 500 mil brasileiros mortos pela Covid”, escreveu uma leitora “Parabéns, ‘Folha’! É este tipo de manchete que o Brasil precisa nesse momento”, disse, por sua vez, outra leitora, numa série de comentários destacados pelo próprio jornal.

Governo de Hong Kong justifica atentados à liberdade de imprensa com Lei de Segurança Nacional Ver galeria

A líder de Hong Kong, Carrie Lam, defendeu, numa conferência de imprensa, a detenção dos responsáveis pelo jornal pró-democracia “Daily Apple”, bem como o congelamento dos activos da publicação, ao abrigo da Lei de Segurança Nacional imposta por Pequim.

De acordo com o “Guardian”, Lam disse, ainda, que estas acções não constituíram um ataque à liberdade de imprensa no território

“Os ‘media’ não devem minimizar a ilegalidade de infringir a Lei de Segurança Nacional, nem tentar vangloriar este tipo de actos”, disse. “Não devem, igualmente, acusar as autoridades de Hong Kong de utilizar esta lei para restringir a imprensa ou a liberdade de expressão”.

Da mesma forma, Lam recusou-se a clarificar as nuances do documento quanto à cobertura noticiosa no território.

“Acho que os nossos amigos dos ‘media’ têm a capacidade de identificar as actividades que colocam em causa a segurança nacional”, continuou. “Podem criticar o governo de Hong Kong, mas não devem incentivar acções que ameacem a nossa estabilidade”.

Recorde-se que, a 17 de Junho, mais de 500 agentes invadiram as instalações do jornal e detiveram o chefe de redacção e outros quatro responsáveis do jornal “Apple Daily”, por suspeita de conspiração com forças estrangeiras, ao abrigo da Lei de Segurança Nacional.
As autoridades decidiram, entretanto, congelar os activos do jornal, o que restringe o pagamento dos salários aos colaboradores.

Este jornal, que apoia o movimento pró-democracia, está, agora, em risco de fechar.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
De mansinho, com um certo sorriso, no verão de 2020, a ministra Mariana Vieira da Silva anunciou, candidamente, numa audição parlamentar, que o Governo tencionava ‘monitorizar’ o chamado ‘discurso do ódio’ nas plataformas on-line, manifestando desde logo o propósito de proceder à contratação pública de um ‘projeto’, destinado à elaboração periódica de um...
Terrorismo de Estado
Francisco Sarsfield Cabral
A brutal ditadura de Lukashenko inaugurou o terrorismo de Estado com o primeiro desvio de um avião comercial. Um sequestro promovido com mentiras e o auxílio de um avião militar. A resposta da UE foi unânime. Veremos se a repressão transnacional de opositores de regimes ditatoriais se intensifica. No final de década de 1960 começaram a ocorrer sequestros e desvios de aviões comerciais por terroristas. Essa série de crimes culminou...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Agenda
28
Set
World News Media Congress
09:00 @ Taipei, Taiwan
13
Out
01
Nov
The African Investigative Journalism Conference
10:00 @ Joanesburgo, África do Sul
28
Mar
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia